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29 jan
Afinal, o que são deepfakes?

iCEV

Entenda como eles funcionam e por que podem ser perigosos

(Pinscreen/Reprodução)

Os deepfakes nada mais são do que vídeos criados a partir de inteligência artificial e que reproduzem a aparência, as expressões e até a voz de alguém do mundo real. O nome vem da junção de duas expressões em inglês: “deep learning” (“aprendizado profundo”) e “fake” (“falso”). Aprendizado o quê?

O “deep learning” é uma evolução das metodologias de aperfeiçoamento de inteligência artificial. Ela deriva do “machine learning”. O conceito, que veio junto com os primeiros avanços em inteligência artificial, nos anos 1950, quer dizer, literalmente, colocar um computador para aprender. A ideia é fazer o cérebro eletrônico estudar algoritmos até que entenda como ler dados e tomar decisões acertadas. É como se, vendo um mesmo filme várias vezes, ele pudesse reproduzir o que aprendeu fazendo uma história totalmente nova. A técnica possui várias aplicações, de um programa de recomendação de filmes e séries (alô, Netflix) aos vídeos manipulados.

“Os deepfakes surgiram nos anos 1990, ganharam fama por volta de 2014 e atingiram um pico de popularidade em 2017″, explica Hao Li, professor de Ciência da Computação na Universidade do Sul da Califórnia. Em dezembro do ano passado, ele participou da VFXRio, evento brasileiro sobre tecnologia e efeitos visuais.

Como eles são feitos?

Hao é um dos precursores da área, e trabalha há 15 anos no desenvolvimento de tecnologias que aumentem o realismo das projeções virtuais. Ele já atuou em empresas de efeitos visuais como a Weta Digital (de filmes como O Senhor dos Anéis) e a Industrial Light & Magic (Star Wars), além de comandar uma startup especializada em criar avatares do tipo.

No geral, os deepfakes são criados em duas etapas. Na primeira, o software capta imagens de referência da pessoa que será usada no vídeo (o presidente Donald Trump, por exemplo). Quanto mais imagens, maior será a precisão. “O ideal é criar um banco de dados com várias formas e ângulos do rosto”, diz Hao.

Depois, é a vez de gravar os movimentos de uma segunda pessoa, que será a base (ou o molde) para o deepfake. Por fim, a inteligência artificial tem a missão de unir as duas coisas para criar o vídeo falso. No exemplo abaixo (cujo vídeo você pode conferir clicando na imagem), as imagens captadas de Trump foram inseridas no molde, feito a partir do vídeo de imitação:

(Pinscreen/Reprodução)

No passado, a manipulação de rostos digitais era uma técnica restrita a profissionais de efeitos visuais. A ideia do deepfake é que, com inteligência artificial, todo o trabalho seja feito por meio de softwares. Um programa da Samsung, por exemplo, consegue criar vídeos falsos com apenas uma imagem de referência. Já o Zao é um app chinês que faz com que o seu rosto seja transportado para uma cena de filme ou série – basta tirar uma selfie.

Quais as suas aplicações?

A aplicação mais famosa para este tipo de manipulação são os efeitos cinematográficos. Em 2019, filmes como Projeto Gemini e O Irlandês usaram técnicas similares para rejuvenescer os atores. Gemini, em especial, criou uma versão mais jovem do ator Will Smith, que contracenou com sua versão mais velha, de carne e osso.

“Os deepfakes podem ser usados também em dispositivos de realidade virtual, ou para criar sistemas de chats com interações mais realistas”, lembra Hao. A Fundação Carnegie, em um vídeo sobre o tema, diz que a tecnologia também pode ser usada para dar acessibilidade a pessoas com esclerose lateral amiotrófica, permitindo que pacientes criem cópias digitais da sua voz para ajudá-los quando não conseguirem mais falar.

Quais são os perigos envolvendo deepfakes?

A alta na popularidade dos deepfakes em 2017 apontada por Hao tem motivo. Naquele ano, um usuário do fórum Reddit criou um software de deep learing que permitia ao usuário trocar o rosto de uma atriz de filme pornô pelo de celebridades. O programa analisava milhares de imagens de atrizes, modelos e cantoras para criar um padrão de rosto para cada uma. Depois, era só jogar no video desejado e ter um filme protagonizado por quem quer que fosse.

A partir daí, diversas campanhas surgiram para alertar sobre os perigos da tecnologia, que se tornou uma espécie de versão turbinada das já conhecidas fake news (“notícias falsas”, em inglês). Esta aqui, por exemplo, foi feita pelo BuzzFeed, e é “estrelada” por uma versão falsa do ex-presidente dos EUA Barack Obama.

Os vídeos falsos, então, possuem uma série de maus usos: eles podem humilhar, chantagear ou difamar alguém, atacar organizações, incitar violência política, cancelar acordos diplomáticos e até fraudar eleições.

Deepfakes devem ser proibidos?

Apesar do desenvolvimento até aqui, vamos que combinar que, olhando com atenção, mesmo os vídeos falsos falsos mais convincentes conseguem ser desmascarados. Em setembro de 2019, Hao deu uma entrevista ao canal norte-americano CNBC, em que afirmava que deepfakes “perfeitamente reais” começariam a surgir dali a seis meses. “Eu mantenho essa previsão e digo mais: isso já está acontecendo.”

Para o professor, o grande entrave dos deepfakes é a resolução: em baixa qualidade, eles podem confundir, mas quando a resolução aumenta, as imperfeições ficam expostas. “No entanto, já existem pesquisas em desenvolvimento para criar deepfakes em alta definição”, disse Hao. Ele cita um teste feito pelo sua própria empresa, a Pinscreen – também com Donald Trump, feita a partir de uma imitação do ator Alec Baldwin. Veja abaixo:

Em meio a isso, surge o debate: se os deepfakes podem ser tão perigosos, eles não deveriam ser proibidos?

“Eu sou contra a generalização, e acho que nem tudo deve ser proibido”, defende Hao, que traz como exemplo o seu trabalho no filme Velozes e Furiosos 7, no qual ele foi um dos responsáveis pela reencenação digital do ator Paul Walker, que morreu durante as gravações. “A família de Paul estava de acordo e ajudou durante o processo. Tudo foi feito como uma forma de homenageá-lo – e funcionou”.

A tecnologia dos vídeos falsos evolui em uma velocidade muito maior que a lei – o que impede a criação de uma única norma que os regule. Dessa forma, Hao, assim como boa parte dos especialistas, defende que mais de uma medida deve ser tomada em relação os deepfakes. “O ideal seria que os países criassem organizações que digam o que é aceitável e o que deve ser proibido.” Deepfakes em vídeos pornôs, nem pensar.

Além disso, é preciso aprimorar os algoritmos e técnicas de reconhecimento de vídeos falsos, o que facilitaria o combate a conteúdos nocivos. Projetos de lei que determinem os parâmetros para o compartilhamento também poderão ajudar plataformas de mídias sociais a atualizar suas políticas internas. Se organizar direito, ninguém cai em mentira.

Facebook vai começar a banir Deepfakes de sua plataforma

O Facebook anunciou que vai começar a banir vídeos com deepfake da sua plataforma. O anúncio, divulgado em um blog da empresa, afirma que conteúdos do tipo manipulam a realidade, e são um grande desafio para a indústria tecnológica.

Os vídeos serão excluídos caso as edições não estejam óbvias para o usuário ou se levarem o espectador a acreditar que uma pessoa tenha dito coisas que, na verdade, nunca disseram. 55 checadores, que falam 45 idiomas diferentes, serão os responsáveis por analisar e sinalizar os vídeos falsos – a medida não inclui sátiras e outros produções humorísticas.

Não é a primeira vez que o Facebook se envolve no combate aos deepfakes. Em setembro de 2019, a empresa doou US$ 10 milhões para um fundo voltado a aprimorar as tecnologias de detecção desse tipo de material. Mas a companhia já também recebeu críticas por se recusar a retirar um vídeo falso da presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, que viralizou no país no ano passado.

Deepfakes podem ser inofensivos. Neste vídeo, por exemplo, o rosto do ator Harrison Ford foi rejuvenescido e colocado em algumas cenas de Solo: Uma História Star Wars, do qual ele não participou. Mas, em muitos casos, podem ser perigosos e aumentar a desinformação, como manipular discursos de personalidades e chefes de Estado.

Até o próprio Mark Zuckerberg já foi vítima dos softwares de deepfake. No vídeo, o presidente do Facebook, em uma versão criada em computador, afirmava que o sucesso de sua plataforma era devido a uma parceria feita com uma organização secreta.

Fonte: Super Interessante

28 jan
Mais que Soft Skills: o que é necessário para uma carreira de sucesso?

iCEV

Quem está em busca de um emprego ou crescer na carreira precisa ter muito mais do que as mais famosas soft skills, como visão sistêmica e liderança, por exemplo.

Existem outras habilidades que também trarão bons resultados para a evolução profissional, vamos te dizer quais são para que você possa desenvolvê-las ou aprimorá-las.
Confira quais são:

1- Extrair o máximo da diversidade de gerações

Não adianta apenas saber lidar com diferentes gerações é preciso colocá-las juntas e fazê-las produzir ideias combinadas e inovadoras

2- Relativizar problemas

Ao invés de fazer alarde com problemas pequenos, saiba dimensioná-los para evitar que a empresa fique ansiosa sem necessidade

3- Objetividade

Não floreie suas comunicações, cada segundo perdido com informações que não interessam o negócio perde dinheiro

4- Checagem de dados e fatos

Não tome decisões baseadas em achismos, sempre use dados e fatos que mostrem a verdade

5- Timing da tomada de decisão

Não basta tomar a melhor decisão, é preciso usá-la no tempo correto, nem muito cedo para não “queimar” boas ideias nem tão tarde que o negócio fique prejudicado

6- Aprender com os erros dos outros

Além de aprender com seus próprios erros, ter a perspicácia de enxergar erros alheios e moldar sua atuação e evitar cair nas mesmas armadilhas de seus colegas!

 

 

24 jan
Constituição cidadã, mais de 30 anos: direitos, amarras e desafios

Escola de direito aplicado

Dia 24 de janeiro é comemorado o Dia da Constituição Federal

PARLAMENTARES COMEMORAM A APROVAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, EM 22 DE SETEMBRO DE 1988

Entre 1987 e 1988, o Congresso Nacional se dedicou a redigir a nova Constituição Federal do Brasil. O resultado desse trabalho simbolizou não só a formalização de princípios sociais e políticos que passariam a vigorar no país, mas também o fim da ditadura militar.

Chamada de Constituição cidadã pelo deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, a nova Carta substituiu o texto de 1967, que havia consolidado o golpe de 1964 ao conferir mais poderes à União e ao presidente da República.

“A persistência da Constituição é a sobrevivência da democracia. Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por imposição de sua honra: temos ódio à ditadura. Ódio e nojo” . Ulysses Guimarães,  presidente da Assembleia Nacional Constituinte, em discurso em 5 de outubro de 1988.

Com o fim do regime militar, em 1985, a aprovação da Constituição pelos parlamentares em 22 de setembro de 1988 foi um dos marcos principais na transição para a democracia. A promulgação da Carta ocorreu em 5 de outubro do mesmo ano.

Três décadas depois da aprovação, a Constituição mantém intactos pontos essenciais em sua concepção, ao mesmo tempo em que soma dezenas de alterações e atrai debates sobre as necessidades de ser ou não revista para dar conta dos desafios dos tempos atuais.

O QUE é a Constituição

ULYSSES SEGURA UM EXEMPLAR DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

É o conjunto de normas que regem o país. Está acima de todas as outras leis em vigor. Estabelece direitos e deveres dos cidadãos, disciplina o ordenamento jurídico e organiza o papel do poder público, definindo atribuições dos entes da federação (municípios, estados e União) e dos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). A Constituição também impõe limites para seus agentes — incluindo a possibilidade de impeachment do presidente da República.

Por ter sido formatada após a ditadura militar, período de 21 anos em que houve uma forte restrição de direitos civis e políticos no país, a Constituição de 88 se notabilizou pela ampliação dos direitos e garantias individuais, buscando, a partir de um extenso detalhamento, evitar eventuais retrocessos institucionais.

Os direitos básicos estão listados e assegurados, em especial, no artigo 5º do texto, que afirma, entre outros pontos, o seguinte:

todos são iguais perante a lei
é livre a manifestação do pensamento, de expressão e de religião
é inviolável a vida privada
é assegurado a todos o acesso à informação
é livre a locomoção no território nacional
é livre o direito de manifestação
é garantido o direito de propriedade
Nenhuma outra lei pode contradizer ou se sobrepor à Carta Magna. Se uma lei a confronta, é declarada inconstitucional. Esse controle cabe ao Supremo Tribunal Federal, órgão máximo do Judiciário brasileiro, cuja função maior é ser o guardião da Constituição — atribuição estabelecida pela própria Carta.

QUEM fez a Constituição de 88

FOTO: ARQUIVO/AG. SENADO REUNIÃO DO CENTRÃO, COMPOSTO POR CONSTITUINTES DE VÁRIOS PARTIDOS

A Constituição de 1988 é a sétima adotada no país — a sexta, se considerado somente o período republicano. A primeira data de 1824, imposta pelo então imperador do Brasil Dom Pedro 1º.

A Carta foi elaborada e debatida durante 20 meses por 559 parlamentares (72 senadores e 487 deputados federais) que integraram a Assembleia Nacional Constituinte. Houve ainda intensa participação de representantes da sociedade civil, com organizações de classe, entidades sociais e religiosas, e lideranças indígenas.

A convocação da Constituinte foi resultado do compromisso firmado durante a campanha presidencial de Tancredo Neves (1910-1985), primeiro presidente civil eleito, pelo voto indireto, após a ditadura. Tancredo, porém, morreu antes de assumir o cargo. Coube ao vice José Sarney assumir o Palácio do Planalto e instalar a Assembleia Constituinte.

FOTO: ARQUIVO/AG. SENADO INDÍGENAS ACOMPANHAM DAS GALERIAS DO CONGRESSO A VOTAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988

A escolha dos parlamentares foi feita por meio de eleições gerais em 1986. Deputados e senadores tomaram posse em fevereiro de 1987. Os eleitos tinham como função mais importante elaborar a nova Constituição, mas tiveram de conciliá-la com as demais atividades de um parlamentar.

Isso ocorreu porque a Constituinte não era exclusiva, ou seja, não foi instalada somente para redigir a futura Carta e ser dissolvida ao final dela. Por essa razão, após a votação do projeto, deputados e senadores continuaram no Congresso até a conclusão dos mandatos.

A maioria dos constituintes era filiada ao PMDB (atual MDB) e ao PFL. Entre os parlamentares, somente 26 eram mulheres, todas deputadas.

OS PARTIDOS EM 1987


O PMDB fazia oposição à ditadura militar. PFL e PDS, por sua vez, eram compostos por egressos da Arena, partido de sustentação do regime.

As três maiores bancadas faziam parte do “Centro Democrático”, que representava setores mais conservadores no Congresso, incluindo ainda partidos menores como o PDC e o PTB. Como oposição, representando grupos da centro-esquerda, havia as siglas recém-criadas, em especial o PT e o PDT.

Ulysses Guimarães, do PMDB, foi escolhido pela maioria como presidente da assembleia. Na função, ele foi um dos protagonistas na condução dos trabalhos.

Além de Ulysses, estavam ali parlamentares que se tornariam alguns dos principais líderes políticos do país, como Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer, além de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, que saíram do PMDB antes do fim da assembleia (junto com FHC) para fundar o PSDB.

As várias forças em jogo

FOTO: ARQUIVO/AG. SENADO ULYSSES RECEBE EMENDAS POPULARES PARA O TEXTO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988

A instalação da Assembleia Nacional Constituinte foi o passo inicial de um processo marcado por intensos debates. A organização do que entraria ou não na Carta foi feita a partir de comissões temáticas. As que tratavam de temas relacionados à economia e ao trabalho eram as mais disputadas pelos partidos.

Em paralelo, havia lobby dos mais diversos setores e a pressão de movimentos sociais, todos em busca de ver seus interesses contemplados. Ao todo, 122 emendas populares foram protocoladas no Congresso, assinadas por cerca de 15 milhões de brasileiros.

“Os corredores do Congresso fervilhavam de pessoas. Nós tínhamos milhares de pessoas diariamente no Congresso, nos corredores, nos gabinetes, levando papéis, levando pareceres, levando opiniões”
Bernardo Cabral, deputado constituinte pelo PMDB-AM, em relato à TV Senado divulgado em 2013.

Ao final das sessões, debates e audiências, em meados de 1987, os parlamentares tiveram de consolidar em um só projeto tudo o que havia sido feito nas comissões. A relatoria era do deputado amazonense Bernardo Cabral (PMDB), que recebeu a primeira versão, com 501 artigos.

Entre a formatação final e o início da votação, ficou para trás, por exemplo, a ideia de que o Brasil adotaria o sistema parlamentarista, em substituição ao presidencialismo. A proposta enfrentou resistências, em especial vindas do governo federal, e foi retirada.

Ficou definido que o sistema de governo seria debatido em um plebiscito futuro, o que ocorreu em 1993 — quando a maioria optou pela continuidade do presidencialismo, em vez do parlamentarismo ou da monarquia.

FOTO: ARQUIVO/AG. SENADO MANIFESTANTES COBRAM ARTIGOS SOBRE DESAPROPRIAÇÃO DE TERRAS NA CONSTITUIÇÃO

A formatação final envolveu mais embates. O projeto só começou a ser votado em janeiro de 1988. A análise em plenário expôs as divergências entre os parlamentares, exigindo 119 sessões até que se finalizasse a primeira votação, em 30 de junho de 1988.

Havia críticas por parte do setor empresarial, que considerava excessivos os direitos previstos. De outro lado, partidos da oposição diziam que faltavam direitos a trabalhadores e minorias. Sarney, presidente da República, chegou a usar a rede nacional de rádio e TV para dizer que aquela versão tornaria o país “ingovernável” em razão dos gastos previstos.

Após mais ajustes, três meses depois houve uma segunda votação. Em 22 de setembro, por 474 votos a 15, e 6 abstenções, a terceira versão foi aprovada. A bancada do PT votou contra o projeto, mas assinou a nova Constituição.

QUANDO a Constituição foi aprovada

FOTO: ARQUIVO/AGÊNCIA BRASIL – 1984 MANIFESTANTES DEFENDEM DIREITO A VOTO NA FRENTE DO CONGRESSO, EM BRASÍLIA

Os primeiros passos em direção a uma nova Constituição começaram ainda na década de 1970, dentro do grupo político que viria a formar o PMDB. Com apoio de outros setores, a legenda discutia a volta da democracia no país, ainda sob o comando dos generais desde 1964.

Até 1985, vigorou no país um regime durante o qual se registrou o chamado milagre econômico ao mesmo tempo em que as desigualdades sociais foram aprofundadas. No campo político, generais adotaram práticas arbitrárias, como o fechamento do Congresso, cassação de mandatos políticos e a imposição do bipartidarismo (com Arena, de apoio ao governo, e o MDB, oposição autorizada).

 

FOTO: CELIO AZEVEDO/AG. SENADO – 01.10.1985 TANCREDO NEVES DISCURSA NA SESSÃO DO COLÉGIO ELEITORAL, EM QUE FOI ELEITO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Houve censura aos veículos de comunicação, a artistas e repressão violenta a manifestações populares, com registros de prisão e tortura de pessoas contrárias ao regime. Em 2014, a Comissão da Verdade atribuiu à ditadura a responsabilidade pela morte e desaparecimento de 434 pessoas.

Em 1980, o movimento pela Constituinte cresceu, em consonância com outras ações que apontavam para o fim da ditadura, como a Lei da Anistia e o fim do bipartidarismo, ambos em 1979. Em 1984, a campanha das diretas reforçava o clima de abertura política.

Políticos, artistas e movimentos civis apostavam na força das manifestações para eleger, pelo voto popular, o presidente que substituiria o general João Batista Figueiredo, último presidente da ditadura. A despeito da intensa mobilização, a Câmara rejeitou a emenda que propunha o voto direto.

Coube então ao Colégio Eleitoral, com a participação apenas de parlamentares, eleger em 1985 Tancredo, o primeiro presidente civil após o regime.

“A primeira tarefa de meu governo é a de promover a organização institucional do Estado. (…) É nessa discussão ampla que ireis identificar os vossos delegados ao poder constituinte e lhes atribuir o mandato de redigir a lei fundamental do País”
Tancredo Neves

em seu primeiro pronunciamento após a eleição, em 15 de janeiro de 1985

Após a eleição e a morte de Tancredo, Sarney deu sequência ao projeto político. Em paralelo, ele lançou o Plano Cruzado, em 1986, na tentativa de conter a inflação e a alta desenfreada dos preços.

Enquanto boa parte da sociedade tinha de lidar com os efeitos da instabilidade econômica no dia a dia, brasileiros também viam a cultura pop florescer na década de 1980. O rock nacional ganhava mais espaço e surgia um dos mais conhecidos festivais de música do mundo, o Rock in Rio. A televisão aberta assumia cada vez mais relevância na cultura, na comunicação e nos hábitos de consumo.

Fora do Brasil, a política internacional estava às voltas com as ações econômicas de viés liberal de líderes como a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1925-2013) e o presidente americano Ronald Reagan (1911-2004). Nesse momento, caminhava-se para o fim da Guerra Fria, disputa pós-Segunda Guerra entre Estados Unidos e então União Soviética, bloco comunista desfeito em 1991.

EM QUE pontos a Constituição foi alterada ou ignorada

Mesmo sendo a lei máxima do país, a Constituição pode ser alterada. Mas dentro de regras estabelecidas pela própria Carta, que determina um rito específico a fim de se evitarem alterações excessivas e sem o devido debate público.

Para isso serve a emenda constitucional, nome dado à norma editada para substituir, acrescentar ou eliminar algum trecho da Constituição. Uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) só entra em vigor após ser debatida em comissão especial e aprovada em duas votações tanto na Câmara quanto no Senado. São necessários três quintos dos votos (308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores).

“A constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa, ao admitir a reforma”. Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, em discurso em 5 de outubro de 1988

Ainda assim, a Constituição impõe alguns limites às mudanças, considerando irrevogáveis as chamadas cláusulas pétreas, descritas no artigo 60. São elas:

a forma federativa de Estado (com a divisão entre União, Distrito Federal, estados e municípios)
o voto direto, secreto, universal e periódico
a separação dos Poderes
os direitos e garantias individuais (descritos no artigo 5º)
Entre 1988 e setembro de 2018, foram feitas 99 emendas, que trataram de temas como:

reeleição para presidentes, governadores e prefeitos (1997)
reforma do Judiciário (2004)
fim do voto secreto para análise de perda de mandato de deputados e senadores (2013)
direitos aos empregados domésticos (2013)
aumento de 70 para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória para ministros de tribunais (2015)
imposição de limite por 20 anos ao crescimento dos gastos públicos à inflação do ano anterior (2016)
Alterações mais profundas quase sempre são alvo de intenso debate e disputa partidária. A votação da PEC da reeleição, em 1997, foi entrecortada por denúncias de compra de votos na Câmara em troca de apoio ao texto. A despeito do escândalo, o episódio não impediu a aprovação da medida, que permitiu a Fernando Henrique disputar a reeleição naquele ano, saindo vitorioso.

Depois, os governo Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016) propuseram convocar constituintes a fim de se debater mudanças no sistema político. Recebidas com críticas pela oposição, as ideias não avançaram.

A questão da regulamentação

Mesmo após tantas mudanças, há outras centenas de dispositivos da Constituição à espera de regulamentação. Quando passou a vigorar, o texto tinha 382 dispositivos (termo genérico usado para se referir a artigos e parágrafos que compõem a Carta) que careciam de leis específicas. Estas leis definiriam a maneira como diretrizes previstas na Constituição seriam colocadas em prática.

Desde então, 263 foram regulamentados, a exemplo do que fizeram o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código de Defesa do Consumidor. Mas, até setembro de 2018, havia outros 119 pontos sem regulamentação. Em parte isso deixa temas relevantes sem regras claras, como o direito de greve de servidores públicos.

De outra parte, indica que alguns temas mostraram-se irrelevantes ou de difícil aplicação. Um exemplo era a norma que limitava a taxa de juros reais a 12% ao ano, que acabou revogada por uma emenda constitucional em 2003.

Os artigos não votados

O longo processo de discussão e redação da Constituição revelou suas falhas anos depois. Em 2003, o então ministro do Supremo, Nelson Jobim, contou ao jornal O Globo que dois dos artigos da Carta foram incluídos sem serem votados em plenário.

Jobim foi um dos deputados constituintes do PMDB. Segundo ele, a inclusão daqueles trechos ocorreu após uma deliberação somente entre líderes partidários que integravam a Comissão de Redação, responsável pelos ajustes finais do texto.

Um dos artigos era essencial, já que estabelecia o princípio da independência entre Executivo, Legislativo e Judiciário. O outro artigo segue sob sigilo, parte do “pacto de silêncio” que Jobim disse ter assumido com Ulysses. A revelação provocou reações entre parlamentares e representantes do meio jurídico, que pediram o impeachment de Jobim do Supremo, o que não ocorreu.

COMO a Constituição influenciou os rumos do país

Os artigos dispostos na Constituição de 1988 forjaram os princípios do que se entende por um Estado de bem-estar social — organização em que o Estado tem participação ativa na organização social e econômica de um país.

Inspirados em textos constitucionais de democracias já consolidadas, idealizadores da Carta brasileira vislumbravam nele um meio para combater problemas crônicos do país, como a desigualdade social. Não à toa, estão entre os primeiros artigos aqueles que tratam dos “direitos sociais”. Eles asseguram a todos os brasileiros:

educação
saúde
alimentação
trabalho
moradia
transporte
lazer
segurança
previdência social
proteção à maternidade e à infância
assistência aos desamparados
Esses princípios nortearam em parte a formatação de políticas públicas nacionais, como o SUS (Sistema Único de Saúde); a Previdência Social e a educação pública, com a definição de responsabilidades de cada ente federativo (União, estados e municípios) para essa área.

Para tanto, a Constituição previu como os governos federal, estaduais e municipais deveriam organizar receitas e despesas para garantir aqueles direitos, obrigando, por exemplo, que um percentual mínimo da receita de impostos fosse investido em saúde e em educação.

Na área trabalhista, a Carta também estabeleceu direitos essenciais, incluindo a unificação do salário mínimo em todo o país. Houve ainda a definição da jornada de trabalho de oito horas diárias e 44 horas semanais (antes, eram 48 horas), 13º salário e o aviso prévio, implantando e ampliando temas previstos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), de 1943.

POR QUE a Constituição está em debate permanente

FOTO: ARQUIVO/AG. BRASIL ATENDIMENTO EM AGÊNCIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL

Os 250 artigos da Constituição brasileira fazem dela uma das maiores do mundo, atrás apenas da lei máxima da Índia. O tamanho da Carta reflete a diversidade de temas incluídos nela e o processo de sua elaboração, marcado pela participação dos mais variados atores sociais e econômicos.

Alguns de seus autores atribuem ao contexto do país a necessidade de se fazer uma lei tão longa, que fosse capaz de dar conta dos diversos problemas políticos (ainda consequência da proximidade com o regime militar), sociais e econômicos, conferindo ao Estado um papel de bastante protagonismo.

Ao longo de 30 anos, têm sido recorrentes os debates em torno do texto constitucional e sobre a necessidade ou não de se rever pontos da Carta.

Mais recentemente, a discussão voltou quando o governo Michel Temer propôs uma reforma da Previdência, o que demandaria alterações na Constituição. Voltou também durante a tramitação da reforma trabalhista, aprovada em 2017, que não mexeu na Carta, mas alterou leis que, para parlamentares da oposição e para alguns professores de direito, ameaçam direitos previstos em 1988.

A Constituição em debate

CUSTO

As diversas obrigações do Estado definidas pela Carta tornam alto o custo público para implementação dos direitos sociais, na avaliação, por exemplo, do economista Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2003-2005). A vinculação orçamentária, que determina um percentual mínimo de investimento em certas áreas, acaba sobrecarregando o poder público.

“Os princípios da Constituição de 1988 são consensuais. Outra coisa é como implementa esses princípios. (…) A prioridade não é desvincular gastos em saúde e educação. A prioridade é melhorar a eficácia desses gastos. (…) Universalizar o acesso ao ensino básico foi uma imensa conquista. Mas não conseguimos uma educação de qualidade”
Marcos Lisboa

economista e presidente do Insper, em entrevista ao Nexo, publicada em 28 de abril de 2016

AMPLITUDE

A extensão dos direitos e a previsão de como eles deveriam ser alcançados aparece como tema complementar acerca do debate sobre custos e implementação da Carta. Diretor da FGV Direito SP, Oscar Vilhena Vieira entende a necessidade de rever pontos (como o regime da Previdência), mas sem mexer em direitos básicos.

“Há coisas que não podem ser desvinculadas (…) e friso que essas duas coisas são saúde e educação. E há outras coisas que devemos, sim, pensar em mecanismos de maior flexibilização. (…) Isso não significa que não devemos repensar mecanismos da eficiência a esses investimentos”
Oscar Vilhena Vieira

diretor e professor da FGV Direito SP, em entrevista ao Nexo, publicada em 28 de abril de 2016

DETALHISMO

Além dos artigos que tratam da organização política e jurídica do país e dos direitos fundamentais, a Constituição traz ainda questões ambientais, culturais, tributárias, sobre transporte e tantas outras. Entre pesquisadores e constituintes, há quem veja no excesso de temas a explicação para as inúmeras alterações feitas desde 1988, como avalia o cientista político Rogério Arantes, professor da USP.

“Minha preocupação era evitar que ela [a Constituição] fosse muito detalhada porque isso introduziria muita rigidez no processo político e administrativo brasileiro. Mudar a Constituição é sempre algo complexo. Na verdade, o que era objeto de leis em outros países acabou entrando na nossa Constituição”
José Serra

senador e deputado constituinte, em relato à TV Senado divulgado em 2013

PELO MUNDO: as origens das constituições

A expressão Carta Magna, comumente usada para se referir à Constituição, é referência à “Magna Charta”, do latim, que significa Grande Carta. Trata-se de um documento inglês de 1215 que impôs limites ao rei João da Inglaterra (conhecido como João sem Terra) e determinou que, a partir dali, ele deveria obedecer a procedimentos legais.

A importância da Grande Carta, cujo reconhecimento ocorreu somente séculos depois, foi sinalizar ao monarca que mesmo ele estava abaixo da lei. É sobre essa reconfiguração de poderes que tratam as primeiras constituições (algumas delas inspiradas na Grande Carta), dentro de um contexto de limitação do poder dos monarcas europeus, segundo definição do professor de direito Giuseppe de Vergottini, da Universidade de Bolonha, na Itália.

Por essa razão, explica Vergottini, o conceito de Constituição é associado, em essência, à ideia da separação de poderes e de garantias de direitos a todos os cidadãos.

Constituições na história

MAIS ANTIGA

Vem dos Estados Unidos, em 1787, aquela que é considerada a primeira e mais antiga Constituição do mundo moderno. Ela ainda está em vigor e teve 27 ajustes feitos desde então. E é pequena, comparativamente à brasileira, abordando mais princípios gerais da organização do país.

TEXTOS EUROPEUS

Em sequência, veio a da França, em 1791, que tinha como direitos fundamentais a liberdade e a igualdade de todos perante a lei. A Constituição francesa passou por dezenas de alterações, estando em vigor a versão de 1958. Na Alemanha, a primeira Constituição data de 1849, também passando por alterações. Está em vigor a de 1949. Com textos menores do que a versão brasileira, as cartas europeias influenciaram alguns dos princípios presentes na Carta de 1988.

NA AMÉRICA LATINA

Entre os países próximos do Brasil, México e Costa Rica têm a Constituição mais antiga, de 1917 e 1949, respectivamente. A mais recente, de 2010, é da República Dominicana. Neste momento, Venezuela e Cuba discutem mudar as leis máximas vigentes. Segundo pesquisadores, muitas das Cartas sofreram influência dos modelos europeus, mas a partir da década de 1980 há quem observe, nas constituições mais recentes, textos em que se sobressaem características mais próprias desses países.

EM ASPAS: considerações sobre a Constituição

“A garantia da dignidade da pessoa humana é o princípio mais importante na Constituição de 1988. (…) A Constituição criou sistemas, como o de educação, que é libertadora. Não há democracia sem os direitos fundamentais devidamente cumpridos”. Cármen Lúcia, ministra e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, em declaração em 9 de agosto de 2018

“O texto final, em face dessas negociações das diversas correntes políticas, tornou-se adiposo, com um elenco considerável de dispositivos sem nenhuma densidade constitucional, como aquele (…) que impunha a manutenção do Colégio Pedro 2º, no Rio de Janeiro, na órbita federal. Teve, todavia, méritos como: exigir a harmonia e independência dos Poderes (artigo 2º) e multiplicar o elenco dos direitos e garantias individuais”. Ives Gandra da Silva Martins, advogado e professor emérito da Universidade Mackenzie, em artigo à Folha de S.Paulo, de 18 de setembro de 2018.

“Os 30 anos da Constituição nos encontram na necessidade de defendê-la mais do que nunca de tentativas autoritárias. Sua vigência, mesmo que com deficiências, nos garante um ambiente de liberdade, pluralidade e tolerância. Este é o momento mais importante, desde 1988, para lembrar que esses valores precisam ser preservados”
Juana Kweitel, diretora-executiva da Conectas Direitos Humanos, em declaração ao Nexo.

“No mercado de balas de prata em que se transformou a política brasileira, não falta quem argumente pelo fim da Constituição de 1988, afirmando sua ruína fatal, nem quem sustente, no polo oposto, que todos os compromissos constitucionais se encontram hoje em perfeita harmonia institucional. Além de irreais, nenhuma dessas leituras faz justiça à Constituição de 1988. É dela que deve partir, afinal, a resposta madura à sua crise de identidade”. Conrado Hübner Mendes, professor de Direito Constitucional da USP, em artigo à revista Cult, de setembro de 2018.

VÁ AINDA MAIS FUNDO

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, versão oficial disponibilizada no site do Palácio do Planalto

Constituições anteriores do Brasil, compilação disponível no site do Palácio do Planalto

“Constituição, governo e democracia no Brasil”, artigo dos cientistas políticos Cláudio Gonçalves Couto e Rogério Bastos Arantes (2006)

“Políticas Sociais no Brasil: descentralização em um Estado federativo”, artigo da professora do Departamento de Ciência Política da USP Marta Arretche (1999)

Publicado por: Nexo Jornal 

 

22 jan
Linkedin divulga as 15 profissões em alta no Brasil em 2020

iCEV

O LinkedIn divulgou hoje a lista “profissões emergentes”, com as 15 posições em ascensão para o ano de 2020 no Brasil. O levantamento reúne as profissões que vivem um momento de alta com base em dados de usuários do LinkedIn com perfil público que tenham ocupado uma ou mais posições em tempo integral no Brasil nos últimos cinco anos. Além da lista, a rede social inclui quais são as habilidades mais requisitadas e os setores que mais contratam.

O destaque na edição deste ano o motorista. Ao observar os três setores da economia que mais devem demandá-los neste no, constata-se que, entre eles, estão as empresas ligadas a internet e a serviços e facilidades ao cliente, como os aplicativos de transporte de passageiros e os de compras e entregas. “Esperamos que essa lista seja um norte para as pessoas que estejam nessa transição ou ainda, no início da carreira”, diz Milton Beck, diretor geral do LinkedIn para a América Latina.

Confira abaixo a lista completa:

1. Gestor de mídias sociais

Cinco conhecimentos primordiais: marketing digital; redes sociais; Adobe Photoshop; Adobe Illustrator; e marketing. Três segmentos que mais buscam a profissão: Publicidade e marketing; mídia online; e internet.

2. Engenheiro de cibersegurança

Cinco conhecimentos primordiais: Docker Products; Ansible; DevOps; Amazon Web Services, AWS; e Kubernetes. Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; software de computadores; serviços financeiros.

3. Representante de vendas

Cinco conhecimentos primordiais: Outbound Marketing; inbound marketing; pré-venda; vendas internas; e prospecção. Três segmentos que mais buscam a profissão: Softwares de computadores; tecnologia da Informação e serviços; e internet.

4. Especialista em sucesso do cliente

Cinco conhecimentos primordiais: Inbound marketing; auxiliar no sucesso do cliente; relações com o cliente; marketing digital; e experiência do cliente. Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; software de computadores; e internet.

5. Cientista de dados

Cinco conhecimentos primordiais: Machine Learning; ciência de dados; linguagem Python; linguagem R; e ciência de dados. Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; bancos; e softwares de computadores.

6. Engenheiro de dados

Cinco conhecimentos primordiais: Apache Spark; Apache Hadoop; grandes bancos de dados; Apache Hive; e a linguagem de programação Python. Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; bancos; e serviços financeiros.

7. Especialista em Inteligência Artificial

Cinco conhecimentos primordiais: Machine learning; deep learning; linguagem de programação Python; ciência de dados; Inteligência Artificial (IA). Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; softwares de computadores; e instituições de ensino superior.

8. Desenvolvedor em JavaScript

Cinco conhecimentos primordiais: React.js; Node.js; AngularJS; Git; e MongoDB. Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; softwares de computadores; e internet.

9. Investidor Day Trader

Cinco conhecimentos primordiais: Bolsa de valores; Technical Analysis; investimentos; mercado de capitais; e o investimento de curto prazo Trading. Três segmentos que mais buscam a profissão: Serviços financeiros; mercado de capitais; e gestoras de fundos de investimentos.

10. Motorista

Cinco conhecimentos primordiais: Serviço ao cliente; Microsoft Word; liderança; Microsoft Excel; e vendas. Três segmentos que mais buscam a profissão: Internet; transportes terrestres e ferroviários; e serviços e facilidades ao cliente.

11. Consultor de investimentos

Cinco conhecimentos primordiais: Investimentos; mercado de capitais; mercado financeiro; renda fixa; e análise financeira. Três segmentos que mais buscam a profissão: Serviços financeiros; mercado de capitais; e bancos.

12. Assistente de mídias sociais

Cinco conhecimentos primordiais: Redes sociais; marketing digital; Adobe Photoshop; Instagram; e publicidade. Três segmentos que mais buscam a profissão: Publicidade e marketing; internet; Tecnologia da Informação e serviços.

13. Desenvolvedor de plataforma Salesforce

Cinco conhecimentos primordiais: Desenvolvimento de Salesforce.com; linguagem de programação Apex; recursos do Salesforce.com; administração de Salesforce.com; e Visualforce. Três segmentos que mais buscam a profissão: Softwares de computadores; Tecnologia da Informação e serviços; e consultoria em gestão.

14. Recrutador especialista em Tecnologia da Informação

Cinco conhecimentos primordiais: Recrutamento em TI; recrutamento; entrevista; pesquisa de executivos; e técnicas de recrutamento. Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; recrutamento e seleção; e Recursos Humanos.

15. Coach de metodologia Agile

Cinco conhecimentos primordiais: Kanban; metodologia Agile; Scrum; gestão de projetos em Agile; e agilidade para os negócios. Três segmentos que mais buscam a profissão: Tecnologia da Informação e serviços; softwares de computadores; e internet.

 

Publicado por: UOL 

17 jan
Como tirar suas metas do papel?

iCEV

Pode parecer uma tarefa difícil, mas vamos te dizer como tirá-las do papel e alcançar seus objetivos

 

Você aprendeu como definir metas alcançáveis, mas e agora? Como tirá-las do papel e partir para a ação?
Tudo o que fazemos tem um início, um trabalho e um resultado. A lacuna entre o início e o resultado final precisa ser preenchida para completar as metas. Por isso, nós do iCEV, vamos te dar dicas para tornar isso possível.

A importância de definir suas metas

Por que a definição de metas é tão importante? Significa que você sabe para onde está indo e trabalha diariamente, até chegar ao destino desejado.

Faça planos para criar mentalidade, habilidades e ferramentas para atingir seus objetivos. Crie as condições e o contexto para desenvolver e responsabilidade para trazer a criatividade e o comprometimento para atingir qualquer objetivo.

Mantenha seus objetivos visíveis o tempo todo

É muito importante ter um plano escrito para as metas que você definiu e como pretende chegar lá.

É ainda mais importante olhar para esse planejamento com frequência, porque durante sua jornada, você terá muitas distrações que te colocarão para fora da rota estabelecida pelas suas metas.

Você precisa se manter conectado aos seus objetivos e analisá-los com frequência, portanto, mantenha-os em algum lugar onde possa visualizá-los, em vez de definir metas em um caderno que vai ficar guardado.

Revise suas metas frequentemente e acompanhe seu progresso. Veja onde você está falhando e por quê. Ajuste sua meta com base no seu desempenho, mude o que precisar ser mudado, se não está funcionando para você, não é problema nenhum fazer uma alteração.

Comece a fazer

Você não precisa de um plano mirabolante para suas metas, mas sim um compromisso!

Você precisa entender que ficar parado, não vai te fazer alcançar nada. Esta é a parte difícil para a maioria das pessoas: dar o primeiro passo para chegar ao seu objetivo.

O problema é que a maioria das pessoas terminam todo o planejamento, se preparam para botar a mão na massa, então a hesitação se torna o maior inimigo da situação. O primeiro passo é o mais crítico de todos.

Evite a procrastinação

Um dos maiores inimigos para tirar suas metas do papel é empurrar suas metas com a barriga, não vai te fazer bem. Para evitar a procrastinação:

– Defina claramente datas e prazos.

– Comente o seu objetivo para os outros para que sua promessa o force a começar a trabalhar.

– Trabalhar suas metas em conjunto com outras pessoas, seus familiares por exemplo, é um inventivo a mais.

Às vezes é difícil seguir um cronograma porque coisas inesperadas surgem em nossas vidas, forçando você a empurrar suas datas de vencimento.
Por isso, seja realista e estabeleça uma quantidade máxima para adiar seus objetivos, assim você não vai se acomodar em sempre jogá-los mais para frente. Saiba como crescer na vida e alcançar o sucesso que você sempre sonhou

Antecipe as possíveis dificuldades

Você precisa estar preparado para todas as possíveis dificuldades que podem vir para atrasar suas metas. Prepare-se mentalmente para enfrentar os obstáculos e encontrar os meios e recursos para superá-los.

Faça uma lista de todos os possíveis obstáculos que você acha que poderá encontrar. Em seguida, faça um plano de contingência para superá-los. É claro que existem quedas que você nunca planejou ou esperou, e terá que lidar com esses problemas à medida que eles surgirem.

O mais importante é estar mentalmente preparado para enfrentar qualquer dificuldade ou desafio que surja em seu caminho e estar comprometido em encontrar uma solução.

Mantenha os pés no chão

Seja realista sobre seu objetivo; é realmente possível atingir essa meta? No tempo que você estabeleceu? Você tem a habilidade para fazer essas coisas? Qual é o propósito? É útil ou sem sentido? Faça a si mesmo estas perguntas antes de prosseguir.

Preocupe-se com a produção e não com a vontade de produzir. Visualizar seu resultado significa que você está pensando em um resultado imaginário, além de não fazer nada, tire a cabeça das nuvens e comece a trabalhar em suas metas.

Separe seu dia em blocos

Existe uma técnica chamada Pomodoro, que é um método de produtividade, cuja ideia é dividir o seu tempo em blocos de 25 minutos. Então, se você tem dificuldade em se manter focado em uma atividade, dedique-se 25 minutos a ela, e depois, descanse por 10 minutos. Repita esse procedimento ao longo do dia. É uma técnica eficiente para ajudar a tirar suas metas do papel.

A habilidade que você precisa aqui é autoconsciência, não do que você é, mas do que você está fazendo. Lembre-se de estar constantemente alerta de suas ações ou a falta delas.

Nem todo minuto da sua vida precisa ser planejado

Estabeleça um tempo durante a semana para você relaxar e, realmente, não fazer nada. A pausa é aliada da produtividade.

Fracasso e Sucesso

Nem tudo depende somente de nós, por isso, principalmente, atividades que dependam de outras pessoas, relaxe! Estresse é uma arma contra produtividade.

O fracasso é uma parte da escada que você sobe a caminho para o sucesso. Se você cometer erros, tudo bem. Entenda que cada erro que você encontra lhe dá experiência, e uma vez que uma determinada quantidade de experiências se acumule, você terá sucesso.

14 jan
A parcialidade dos algoritmos

Escola de tecnologia aplicada

Como a inteligência artificial absorve padrões discriminatórios e o que a ciência pode fazer para evitar essas distorções

ALGORITMO DO YOUTUBE CONDUZ A CONTEÚDOS CADA VEZ MAIS EXTREMISTAS, SOBRETUDO À DIREITA NO ESPECTRO POLÍTICO

Alguns algoritmos de inteligência artificial (IA) são desenvolvidos para aprender a reconhecer a música preferida do usuário, o gênero de filmes que lhe interessa, os assuntos que busca no jornal. O objetivo desse tipo de programação é identificar padrões – e, assim, automatizar decisões e facilitar a vida das pessoas. No entanto, por serem feitos para assimilar modelos de comportamento, os algoritmos também podem replicar atitudes que reforçam o racismo, a misoginia e a homofobia. Absorvem, reproduzem e, como resultado, robustecem a discriminação e a intolerância nas mais variadas formas.

Em agosto deste ano, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresentou um exemplo tão contundente desse círculo vicioso que repercutiu em diversas publicações da imprensa internacional: um processo de radicalização política no YouTube no contexto norte-americano, onde o algoritmo de recomendação tem um importante papel. “Já havia pesquisas qualitativas e reportagens que mostravam o YouTube como um terreno fértil para a proliferação de comunidades obscuras vinculadas à chamada alt-right [direita alternativa] norte-americana, cujas ideias são intimamente relacionadas à supremacia branca”, diz o cientista da computação Manoel Horta Ribeiro, atualmente doutorando na Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça. No mestrado na UFMG, sob orientação dos cientistas da computação Wagner Meira Jr. e Virgílio Almeida, ele queria entender como esse fenômeno acontecia.

O grupo vasculhou 331.849 vídeos de 360 canais de diferentes orientações políticas e rastreou 79 milhões de comentários. Um volume imenso de dados, tratável justamente graças a recursos de inteligência artificial. “O único trabalho manual foi a classificação dos canais conforme a orientação política, utilizando estudos e dados de ONGs [Organizações Não Governamentais] como a ADL [Anti-Defamation League]”, diz Ribeiro. Os resultados revelaram que os canais supremacistas brancos são beneficiados pela migração de apreciadores de canais politicamente conservadores de conteúdo menos radical. “Rastreamos a trajetória dos usuários que comentavam vídeos de canais conservadores e descobrimos que, com o passar do tempo, eles comentavam vídeos dos canais mais radicais. Havia uma migração consistente dos conteúdos mais leves para os mais extremos”, lembra Ribeiro. “Ainda estamos tentando entender o porquê dessa migração, mas acho que três razões podem explicar o fenômeno: o formato da mídia, na qual todos podem criar conteúdo e na qual os espectadores interagem muito diretamente com os criadores; o atual cenário político mundial; e o algoritmo, que permite que usuários encontrem ou continuem a consumir conteúdo extremista por meio do sistema de recomendação.”

As pesquisas envolvendo o YouTube vêm se tornando mais relevantes nos últimos anos. Segundo o cientista da computação Virgílio Almeida, professor emérito do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, a plataforma de vídeos já se mostrou muito interessante para a ciência. “O número de usuários é enorme – mais de 2 bilhões no mundo e 70 milhões no Brasil –, assim como seu impacto na sociedade”, diz o pesquisador. Seu departamento se tornou um verdadeiro celeiro de pesquisas sobre o fenômeno das redes sociais.

Com experiência anterior em análise de desempenho de sistemas computacionais, Almeida começou a se dedicar às redes sociais em 2007. Em uma sociedade cada vez mais conectada, o número e a abrangência dos estudos nesse campo cresceu. “Além dos alunos de computação, tive estudantes de economia, psicologia e letras. Entre os colaboradores mais recentes alguns são do direito, da administração e das ciências políticas”, enumera Almeida.

Os estudos que tiveram maior repercussão vieram do campo político – polarizado tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Em 2018, uma análise de discurso de ódio e discriminação em vídeos postados no YouTube por grupos de direita norte-americanos teve destaque na International ACM Conference on Web Science, na Holanda. O trabalho foi reconhecido como o melhor feito por estudantes: os alunos de doutorado Raphael Ottoni, Evandro Cunha, Gabriel Magno e Pedro Bernardina – todos do grupo de Wagner Meira Jr. e Virgílio Almeida.

Para investigar as falas transcritas dos YouTubers e os comentários postados nos vídeos, os pesquisadores da UFMG utilizaram as ferramentas Linguistic Inquiry Word Count (LIWC) e Latent Dirichlet Allocation (LDA). O LIWC permite a classificação de palavras em categorias correspondentes à estrutura das frases (pronomes, verbos, advérbios etc.) e ao conteúdo emocional (se expressam alegria, tristeza, raiva etc.). O LDA busca palavras que possam definir os principais tópicos de uma conversa.

“Utilizamos também uma ferramenta baseada em um teste psicológico para observar o viés dessas postagens”, explica Raphael Ottoni. Segundo ele, a ferramenta se baseia na comparação das distâncias entre palavras situadas em um mesmo contexto, com o fim de estabelecer associações. Isso é feito por meio de técnicas de aprendizado de máquina que convertem as palavras de um texto em vetores de números, por sua vez usados para calcular a similaridade semântica das palavras. Assim, em um determinado assunto, palavras que se situam mais próximas tendem a estabelecer entre si uma associação de significado. “Palavras como cristianismo apareciam no texto associadas com atributos de valor positivo, como bom ou honesto, enquanto islamismo era frequentemente relacionada a terrorismo e morte”, diz Ottoni. Semelhante tendência preconceituosa foi encontrada nas referências a comunidades LGBTQI+.

Essas técnicas foram, então, aplicadas à conjuntura brasileira. Os pesquisadores estudaram vídeos publicados no YouTube durante o período de eleições presidenciais de 2018, em 55 canais identificados com posições políticas desde a extrema esquerda até a extrema direita. Mensagens de ódio e teorias conspiratórias foram identificadas com mais frequência nos canais de extrema direita – e foram justamente esses que tiveram maior crescimento no número de visualizações, possivelmente influenciando o resultado das urnas.

O grupo de pesquisadores está agora finalizando um artigo sobre os resultados dessa análise. Mas, antes mesmo da publicação, o estudo foi citado por uma reportagem do jornal The New York Times, que fez uma série sobre a influência do YouTube em diferentes países, com destaque para o Brasil.

 

FOTO: LÉO RAMOS CHAVES/FAPESP

MECANISMOS DE BUSCA E REDES SOCIAIS REFLETEM E REFORÇAM PRECONCEITOS

Atração perigosa

Segundo Almeida, outras pesquisas já constataram que os algoritmos de recomendação de notícias e vídeos acabam se valendo da atração humana por notícias negativas e teorias conspiratórias para aumentar o engajamento dos usuários com a plataforma. “Uma pesquisa de um grupo do MIT [Instituto de Tecnologia de Massachusetts] publicada na revista científica Science mostra que os medos, as raivas as emoções mais extremas são fatores-chave na disseminação de tweets com falsidades”, destaca.

Da mesma maneira que o algoritmo aprende as músicas e os filmes preferidos do usuário, ele também aprende suas preferências políticas, razão pela qual as plataformas de compartilhamento de conteúdo – como o Facebook – transformam-se em bolhas quase intransponíveis de um determinado espectro político. O usuário recebe apenas as informações que corroboram suas opiniões prévias.

Foi para estudar esse fenômeno – inspirado pelo livro O filtro invisível (Zahar, 2012), do ativista político norte-americano Eli Pariser – que o cientista da computação norte-americano Christo Wilson, da Northeastern University, dos Estados Unidos, entrou no campo das redes sociais, em 2012. “Minhas pesquisas focavam, originalmente, o estudo da personalização dos algoritmos utilizados pelos mecanismos de busca, e desde então tenho expandido para outros tipos de algoritmos e contextos”, disse o pesquisador para Pesquisa FAPESP.

Atualmente em período sabático no Centro Berkman Klein para Internet e Sociedade, da Universidade Harvard, Estados Unidos, onde Almeida atua como professor-associado, Wilson tem acompanhado com interesse os achados dos pesquisadores mineiros. “Gosto muito dos estudos de Virgílio Almeida, Wagner Meira e Fabrício Benevenuto; eles fazem um trabalho incrível nas mídias sociais.” Em 2020, Wilson também pretende se voltar ao campo da política: planeja um grande estudo acerca do impacto das redes sociais nas próximas eleições de seu país. “Vamos monitorar a maioria dos serviços on-line para tentar entender como as pessoas encontram conteúdos e como eles afetam seu comportamento”, adianta.

EM MEIO A UMA PROFUSÃO DE VÍDEOS, É DIFÍCIL FUGIR DE UMA VISÃO PARCIAL

Discriminação algorítmica

A política é apenas um dos muitos temas que têm estimulado pesquisas do Departamento de Ciência da Computação da UFMG. O viés algorítmico pode ser encontrado onde menos se espera – como, por exemplo, nos serviços de assistentes inteligentes de voz do celular. Uma pesquisa realizada em parceria entre a Universidade de Fortaleza (Unifor) e o grupo da UFMG identificou que a eficiência dos assistentes de voz, como Google e Siri, varia conforme o sotaque e o nível de escolaridade.

A cientista da computação Elizabeth Sucupira Furtado, coordenadora do Laboratório de Estudos dos Usuários e da Qualidade em Uso de Sistemas (Luqs) conduziu um estudo qualitativo, em sessões individuais e presenciais, com dois grupos de voluntários: moradores da capital cearense, entre os quais vários nascidos em outros estados, e estudantes de uma classe noturna de Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Percebemos que os usuários nascidos nas regiões Sudeste e Sul eram mais compreendidos pelos softwares de assistentes de voz do que os outros”, revela a pesquisadora.

Erros de pronúncia (cacoépia), gagueira ou repetição de palavras e truncamentos (disfluência) também trouxeram prejuízos ao desempenho dos assistentes robóticos. Segundo a pesquisadora, uma vez que o sistema aprende com usuários que têm mais escolaridade, o treinamento dos assistentes de voz tende a se limitar a falas padronizadas. “É importante que as empresas percebam que existe um público que não está sendo atendido”, alerta Furtado. “Essas pessoas continuam excluídas da inovação tecnológica.”

Nos mecanismos de busca também se ocultam preconceitos. Foi o que demonstrou a cientista da computação Camila Souza Araújo em sua dissertação de mestrado pela UFMG, em 2017. Nos buscadores do Google e do Bing, a pesquisadora procurou pelos termos “mulheres bonitas” e “mulheres feias” e constatou um preconceito indiscutível de raça e idade. As mulheres identificadas como bonitas eram, majoritariamente, brancas e jovens. O viés se reproduziu na maioria dos 28 países onde o buscador Bing está presente e 41 países que utilizam o Google, mesmo os situados no continente africano.

A receita do preconceito

Ao utilizar sistemas de aprendizagem de máquina, a sociedade corre o risco de perpetuar preconceitos inadvertidamente, graças ao senso comum que vê a matemática como neutra. Um engenheiro de dados norte-americano, Fred Benenson, cunhou um termo para definir esse risco: mathwashing. Ele se baseou no greenwashing, o uso de estratégias de marketing pelas empresas para simular preocupação ambiental. Da mesma maneira, a ideia de que os algoritmos sejam neutros também beneficia e isenta de responsabilidade as empresas que os utilizam.

Ocorre que os sistemas de inteligência artificial são alimentados por dados, e quem faz a seleção desses dados são seres humanos – que podem ser movidos por preconceitos de forma inconsciente ou intencional. Um exemplo disso foi explicitado por um estudo publicado em outubro na revista Science, liderado por um pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Em um grande hospital daquele país, o grupo norte-americano verificou que o algoritmo responsável por classificar os pacientes mais necessitados de acompanhamento – por estarem em maior risco – privilegiava brancos em detrimento de negros. Isso acontecia porque o sistema se baseava nos pagamentos aos planos de saúde, que são maiores no caso de pessoas que têm mais acesso a atendimento médico, e não na probabilidade de cada um ter doenças graves ou crônicas.

De onde vem o viés

Em um estudo que se tornou referência na área, Solon Barocas, professor de Ética e Política em Ciência de Dados da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e organizador do workshop internacional “Justiça, responsabilidade e transparência na aprendizagem de máquina”, detalhe maneiras de se estabelecer o viés algorítmico

PELA DEFINIÇÃO DO ALVO

Para que a máquina inicie seu aprendizado, ela precisa saber que informações buscar. Por exemplo: se o objetivo é criar um filtro de spam, ela precisa aprender quais são os atributos ou características de uma mensagem que se deseje rotular como spam. Pòde ser o endereço de IP ou determinadas frases do conteúdo (“pílula mágica para perda de peso”, “milhões de dólares para você” etc.)

PELA ESCOLHA DAS AMOSTRAS

O viés ocorre quando o sistema de IA é treinado com dados tendenciosos ou infere dados a partir de amostras enviesadas. Por exemplo: o St. George’s Hospital, no Reino Unido, havia desenvolvido uma ferramenta para classificar candidatos à faculdade de medicina. Mas esse sistema se baseava em exemplos de admissões anteriores, que desfavoreciam mulheres e minorias raciais. O processo automatizado passou a refletir uma discriminação do passado.

PELA COLETA DOS DADOS

O universo de dados pode ser parcial. Por exemplo: o aplicativo Street Bump foi desenvolvido em 2012 pela prefeitura de Boston, nos Estados Unidos, para obter dados sobre as condições das ruas. Os dados, coletados por motoristas voluntários enquando dirigem, fornecem ao governo informações em tempo real para planejar as manutenções necessárias. Como há mais usuários de automóveis e smartphones entre as pessoas mais ricas, bairros pobres ficam de fora.

PELO USO DE MODELOS SIMPLISTAS

Quando uma empresa simplifica demais a seleção de dados, por questão de tempo ou custo, o resultado provevelmente será discriminatório. Por exemplo: um sistema de seleção de vagas de emprego que aceite apenas candidatos formados em universidades com altas mensalidades.

POR CORRELAÇÕES DISTORCIDAS

Nem sempre os dados disponíveis são suficientes para traçar correlações precisas e são usadas informações substitutas. Por exemplo: moradores de uma determinada região têm maiores problemas com inadimplência e um sistema hipotético de IA usa esse dado para decidir se clientes de um banco podem receber empréstimos. Se o CEP da residência tiver relação com a origem racial, ao considerar a região de moradia o sistema discriminaria a etnia.

Controle e responsabilidade

Proteger a sociedade da desinformação e do preconceito disseminados pela inteligência artificial é um desafio que poderia contar com a ajuda da tecnologia: a própria inteligência artificial pode oferecer formas de prevenção e controle.

Já existem, por exemplo, avanços na identificação das notícias falsas, mais conhecidas como fake news. Em outubro de 2018, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) lançou a versão piloto de uma ferramenta digital com esse objetivo. Ela está disponível, gratuitamente, via web ou WhatsApp. Basta submeter a notícia suspeita ao sistema de verificação. Ao constatar indícios de falsidade, o sistema responde: “Essa notícia pode ser falsa. Por favor, procure outras fontes confiáveis antes de divulgá-la”.

Segundo os autores do estudo, por enquanto o sistema consegue identificar, com precisão de até 90%, notícias que são totalmente falsas ou totalmente verdadeiras. Para separá-las, são usados parâmetros como o número de verbos, substantivos, adjetivos, advérbios, pronomes e, sobretudo, erros ortográficos presentes nos textos.

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um grupo liderado pelo cientista da computação Anderson Rocha, diretor do Instituto de Computação, tem se dedicado a desenvolver mecanismos de identificação de informações falsas veiculadas em fotos e vídeos. “Utilizamos técnicas de IA para comparar as informações que estão em determinado texto com comentários e possíveis imagens. Ao verificarmos esses três grupos de informação, apontamos a possibilidade de discrepância que pode levar à identificação de notícia falsa”, diz Rocha.

Os pesquisadores da Unicamp também se dedicam à identificação das falsificações incrivelmente realistas de áudio e vídeo, conhecidas como deep fakes, e ao estudo da autoria de textos postados em rede social, por meio de uma técnica que avalia o estilo de escrita do autor – a estilometria. Outra frente de pesquisa do grupo é a filogenia digital: “Buscamos o processo de evolução de um determinado objeto digital – imagem, vídeo ou texto – que sofre alterações sucessivas em sua versão original”, explica Rocha. O objetivo é identificar como determinada notícia postada em rede social vai sendo modificada ao longo do tempo por diferentes pessoas que adicionam ou removem elementos. “Dificilmente teremos uma única solução, global e genérica, para o combate às fake news, mas desenvolvemos ferramentas pontuais que vão enfrentando caso a caso. Para que conseguíssemos um salto que nos permitisse disponibilizar ferramentas de controle para a sociedade, precisaríamos ter investimento do setor privado tentando trazer esse conhecimento gerado na academia e transformar em produto”, opina o pesquisador.

Do setor privado também se espera maior transparência no desenvolvimento das ferramentas tecnológicas. O termo “responsabilidade algorítmica” tem sido cada vez mais utilizado nos debates sobre o uso da IA. Segundo o advogado Rafael Zanatta, especialista em direito digital e pesquisador do grupo de Ética, Tecnologia e Economia Digitais da USP, ainda não existem leis específicas relacionadas aos aspectos discriminatórios de algoritmos, mas já há iniciativas nesse sentido. Nos Estados Unidos, foi apresentado um projeto de lei denominado Algorithmic Accountability Act. Se ele for aprovado, as empresas terão que avaliar se os algoritmos que alimentam os sistemas de IA são tendenciosos ou discriminatórios, bem como se representam um risco de privacidade ou segurança para os consumidores. “Essa lei segue um pouco da lógica da legislação ambiental, é uma espécie de avaliação de impacto da ferramenta tecnológica”, compara Zanatta.

Em abril deste ano, a União Europeia divulgou uma série de diretrizes éticas para o uso da inteligência artificial. Entre elas, o estabelecimento de medidas que responsabilizem as empresas pelas consequências sociais da utilização da IA e a possibilidade de intervenção e supervisão humanas no funcionamento do sistema.

No Brasil, também se tentou introduzir uma lei prevendo a revisão humana de decisões automatizadas. Um cidadão que se sentisse prejudicado por uma decisão mediada por algoritmos – na concessão de um empréstimo, por exemplo – poderia requerer um revisor para esclarecer os critérios utilizados para a decisão. No entanto, o projeto foi vetado em julho de 2019 pela Presidência da República, sensível ao argumento das empresas de que a revisão humana acarretaria custos adicionais.

FOTO: LÉO RAMOS CHAVES/FAPESP

PESQUISAS SOBRE MULHERES BONITAS REVELAM UMA VISÃO RACISTA

Educação antiviés

Para Virgílio Almeida, a proteção contra o uso tendencioso da IA começa na educação. Ele destaca como exemplo a iniciativa de escolas da Finlândia que estimulam as crianças a desenvolverem espírito crítico e identificarem notícias falsas na web. Não basta, claro, educar o usuário, é preciso educar também o programador. “Para evitar o viés, uma das maneiras é dispor de dados mais diversos para treinar o algoritmo”, lembra o professor.

A estudante de graduação Bruna Thalenberg, uma das fundadoras do Tecs – Grupo de Comput{ação Social}, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, concorda: “O mundo está em constante mudança, os algoritmos não deveriam repetir o passado”. Fundado em 2017 como uma equipe de extensão, o Tecs nasceu do diálogo de estudantes da USP com o colega brasileiro Lawrence Muratta, que fazia ciência da computação na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, onde já havia um grupo discutindo a questão do viés.

“Sentíamos que o curso de ciência da computação estava muito afastado da sociedade”, conta o ex-aluno Luiz Fernando Galati, que hoje trabalha no Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação da Fundação Getulio Vargas. Ele conta que o objetivo inicial do grupo era promover palestras e debates, mas eles acabaram propondo a inclusão de um novo curso na grade curricular, o que foi feito. “As palestras que promovemos são oferecidas hoje na disciplina direito e software, sob a supervisão dos professores Daniel Macedo Batista e Fabio Kon.” O Tecs também participa da TechShift Alliance, que reúne 20 organizações de alunos universitários das Américas do Norte, do Sul e da Ásia, dispostos a debater as questões sociais ligadas à inteligência artificial. Os grupos se reúnem em um evento anual, chamado TechShift Summit.

Como seu próprio nome indica, além da reflexão, o grupo tem o propósito de se dedicar à ação, por meio de projetos que permitam a grupos marginalizados o acesso ao universo digital. Um desses projetos é o ensino de lógica de programação para alunos do Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente, a Fundação Casa. “O projeto surgiu de um contato entre uma integrante do Tecs e o Projeto Primeiro Livro, que fazia ações em unidades da Fundação Casa e em escolas públicas. A primeira turma do curso iniciou no segundo semestre de 2018”, conta a estudante Jeniffer Martins da Silva, educadora do projeto. Desde sua criação, mais de 40 jovens já passaram pelo curso.

Para os integrantes do Tecs, não são apenas os grupos atendidos pelo projeto que podem se beneficiar com os cursos, mas a área da ciência da computação como um todo. “Qualquer equipe com mais diversidade tem melhor desempenho. Mais riqueza de perspectivas leva a melhores e mais inovadoras soluções para os desafios que precisarem superar”, conclui Silva.

Publicado por: NEXO Jornal 

13 jan
Marketing Digital em 2020: saiba quais são as 7 maiores tendências

Escola de negócios e gestão

Inteligência artificial, análise de sentimento, busca visual: as tendências de Marketing Digital em 2020 são muitas. Entender como utilizá-las a favor de sua empresa pode ser o diferencial que você precisa para encantar os consumidores e começar o ano na frente da concorrência

O uso de redes sociais para interagir com consumidores foi uma das grandes revoluções proporcionadas pelo marketing na era da transformação digital

Entra ano, sai ano e o Marketing Digital segue se consolidando como uma das ferramentas mais eficientes para atrair consumidores e ampliar o alcance de uma marca.

O sucesso de estratégias voltadas para a internet atrai empresas de todos os tamanhos, o que faz com que a engrenagem de novidades nesse nicho gire cada vez mais rápido.

Para ser bem-sucedido em 2020, é preciso saber mais do que você sabia em 2019. Afinal, acompanhar as mudanças nas preferências da audiência e ficar por dentro das tendências que surgem a cada dia é fundamental para se destacar em um mercado já caracterizado pela alta competição.

Por isso, é bom se preparar o quanto antes para explorar as novas tecnologias que vêm surgindo e adotar as práticas mais recomendas para lidar com o público atual.

Pensando nisso, elaboramos este texto para listar as 7 principais tendências de Marketing Digital para 2020. Continue a leitura e acompanhe!

 

1. Uso de chats privados para comunicação

O uso de redes sociais para interagir com consumidores foi uma das grandes revoluções proporcionadas pelo marketing na era da transformação digital.

Esses canais servem como plataformas para atrair a atenção da audiência e, em casos mais avançados, dispõem de chats privados que podem ser usados para o atendimento.

O sucesso na comunicação via mensagem direta em redes como o Twitter e o Instagram fez com que as marcas olhassem com maior atenção para essa funcionalidade.

Os chats privados, afinal, são checados frequentemente pelos usuários e já fazem parte de sua rotina digital. Podemos dizer que é uma versão mais jovem e atual do email.

Seguindo esse pensamento, por que não investir na comunicação em aplicativos que, em essência, funcionam como chats privados?

É o caso, por exemplo do WhatsApp, cujas funcionalidades já vem sendo utilizadas para vendas há algum tempo. A tendência é que isso aumente e se expanda para outras áreas, como a nutrição de leads.

atendimento no whatsapp

 

Em vez de oferecer uma newsletter, por exemplo, algumas marcas já oferecem aos seus seguidores a inclusão em grupos do WhatsApp ou em listas de transmissão.

A popularidade do aplicativo, que o levou a ser comprado pelo Facebook em 2014, contribui para a eficácia desse tipo de abordagem.

Agora imagine se, além de servir como canal de atendimento e divulgação, o chat privado possa servir como ferramenta para a conclusão de compras.

Trata-se de uma tendência provável de ser desenvolvida. Na Índia, o app já permite a transação de dinheiro entre usuários, o que facilita a vida de empresas. Enquanto o serviço não é disponibilizado no Brasil, já é uma boa ideia se programar para explorá-lo assim que possível.

 

2. Ampliação do investimento em inteligência artificial

inteligência artificial chegou para ficar. Hoje, a tecnologia já é aplicada em recursos como os chatbots, atendentes virtuais que simulam um humano e conseguem aprender com as interações com os usuários.

A tendência é que esse tipo de aplicação seja apenas o começo de uma expansão de possibilidades.

Um exemplo que não deixa dúvidas da importância dessa tecnologia é o crescimento das buscas por voz. Já em janeiro de 2018, o número de pesquisas na internet utilizando esse recurso já ultrapassava a marca de 1 bilhão por mês. Sua popularidade, então, não é a grande novidade.

O que muda é que o desenvolvimento tecnológico vem tornando a experiência dos usuários cada vez mais qualificada. Hoje, a maioria dos serviços de reconhecimento de voz consegue processar até falas mais confusas, como as proferidas por crianças pequenas. Tal tecnologia é, portanto, algo cada vez mais presente na rotina das pessoas.

Cabe às empresas, então, usar essa tendência para ampliar a própria presença.

Ao otimizar o marketing em serviços como o Waze e o Google Maps, por exemplo, você vai permitir que assistentes virtuais, como a Alexa, encontrem e recomendem seu estabelecimento aos usuários em localizações próximas.

 

3. Aumento da personalização da experiência

Se você acessar qualquer rede social, notará que o feed traz, com frequência, recomendações baseadas em sua experiência na internet.

Os assuntos que você mais se interessa, os canais que você mais acessa e até perfis de possíveis conhecidos são oferecidos para enriquecer e personalizar sua navegação.

Nada disso é por acaso. A personalização dos conteúdos para agradar ao usuário é uma tendência que vem se desenvolvendo há algum tempo e promete alcançar seu pico em 2020.

Se você não conhece a importância desse movimento para os seus resultados. Segundo uma pesquisa da Accenture Interactive 91% dos consumidores se declaram mais propícios a comprar com marcas que trazem ofertas e recomendações relevantes aos seus interesses. Bem, se você aplica uma estratégia de email marketing já sabe o que isso significa, não é?

A personalização no envio de ofertas e no oferecimento de newsletters já é algo considerado essencial. A tendência é que esse canal, em 2020, receba ainda mais atenção.

 

4. Valorização da transparência de empresas

Para personalizar a experiência dos usuários, é primordial contar com dados da audiência. Só assim é possível saber suas preferências, horários de maior interação e até as informações mais básicas, como nome, gênero e endereço de email. O crescimento do uso desses dados, contudo, gerou um efeito negativo.

Sem regulamentação clara sobre o assunto, diversas companhias utilizam os dados de consumidores de forma questionável. Isso veio à tona em casos recentes de vazamento, como o protagonizado pelo Facebook. O resultado natural é a desconfiança desenvolvida por grande parte do público.

Se por um lado as empresas que utilizam práticas duvidosas encontram maior dificuldade para se relacionar com a audiência, aquelas que prezam pela transparência conseguem se destacar.

Um estudo apontou que companhias produzindo conteúdo de forma honesta conseguem reter até 94% dos clientes.

Adotar esse tipo de política é algo mais essencial se pensarmos na iminência da Lei Geral de Proteção de Dados, que entra em vigor em 2020. Com ela, além de agradar ao consumidor, a adoção de princípios transparentes passa a ser importante para evitar punições legais. Confira o que você pode fazer para botar sua empresa nesse caminho:

  • estabeleça os valores, a missão e a visão do seu negócio;
  • deixe claro que seu interesse não se resume aos lucros;
  • responda com honestidade aos questionamentos dos consumidores;
  • só utilize dados sob permissão de seus donos;
  • abra espaço para os feedbacks e valorize sua importância.

 

5. Expansão da busca visual

busca visual é um recurso cada vez mais frequente em buscadores, que permite que uma pesquisa se inicie a partir de uma imagem enviada pelo usuário, que pode ser até mesmo um printscreen.

Trata-se de uma tendência que segue a linha de otimização constante da experiência dos usuários.

O uso de figuras para a realização de buscas é mais interessantes do que o de textos ou áudios por um simples motivo: 90% das informações transmitidas ao cérebro humano são em forma de imagem (que inclusive são processadas 60 mil vezes mais rápido que qualquer texto). Então, como o marketing pode explorar isso?

Um método muito interessante é a integração desse tipo de busca com e-commerces.

Ferramentas como o Pinterest Lens permitem que o usuário, ao ver um item que o interessa em uma imagem, possa buscar artigos semelhantes nos catálogos de lojas digitais com apenas um clique.

pinterest lens

Por isso, é fundamental manter seu inventário atualizado e otimizar o SEO, especialmente o relacionado às imagens. Inserir title tags e descrições é fundamental para que o algoritmo de busca entenda do que se trata a figura e possa relacioná-la às pesquisas realizadas pelos usuários.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Criteo, empresas que investirem nesse recurso vão, até 2021, experienciar um aumento de até 30% em suas margens de lucro.

Além disso, segundo a Slyce, o uso da busca visual já aumenta as visualizações do produto em 48%, a taxa de permanência no site em 58% e causa um aumento de 9% no ticket médio.

 

 

6. Criação de conteúdos em áudio

Assim como as imagens, o áudio é um elemento que vem se popularizando no Marketing Digital, principalmente no que diz respeito às buscas por voz. Porém, a tendência vai muito além da mera realização de pesquisas por meio da fala.

Em busca de experiências cada vez mais ágeis e eficientes, os usuários têm dado muita atenção a conteúdos sonoros.

A mera inclusão de um player como alternativa à leitura de um texto torna o conteúdo mais atraente para a audiência, que pode apertar o play e se dedicar a outras tarefas de forma simultânea.

áudio em conteúdo

Isso é apenas um indicativo da força desse tipo de conteúdo. Se você quiser mesmo explorar os benefícios de um material disponibilizado por áudio, valer considerar a criação de um podcast.

Esse tipo de mídia apresenta um grande crescimento. Só nos Estados Unidos, o número de ouvintes praticamente triplicou na última década.

Se o podcast trouxer um conteúdo considerado de valor, seu efeito na audiência é enorme. Como se trata de uma oferta gratuita, o cliente vai se sentir privilegiado por ter acesso às informações do programa. O resultado é a recomendação para terceiros e a ampliação do alcance orgânico da sua marca.

Vale lembrar que, assim como os conteúdos criados para o seu blog, o podcast não precisa — nem deve — ser relacionado diretamente ao seu produto. A ideia é criar uma experiência diferenciada para sua persona e, a partir disso, expandir sua autoridade no mercado.

 

7. Crescimento do uso da análise de sentimento

Quando fazemos um post em uma rede social, tentamos gerar reações positivas na audiência, concorda?

Geralmente, a partir dos comentários deixados pelas pessoas que visualizam o conteúdo, é possível assumir se ele causou uma reação agradável ou não, mas isso fica complicado quando o volume de interações é muito grande.

Mais uma vez, a inteligência artificial vem ao resgate. Por meio da combinação de técnicas de Processamento de Linguagem Natural (PLN) e machine learning, já existem sistemas capazes de atribuir pontuações ponderadas de sentimentos às frases deixadas por usuários da internet. É o que chamamos de análise de sentimento.

O objetivo é classificar os comentários como positivos, negativos ou neutros de forma automática. A partir disso, é possível estabelecer uma média do sentimento geral da audiência.

Uma das métricas mais utilizadas nesse sentido é a saúde do monitoramento, calculada com a divisão dos comentários neutros ou positivos pelo total de interações.

Isso se torna possível a partir da análise de palavras-chave deixadas pelos usuários, como “gostei” “odiei” etc. Com o tempo, a capacidade de aprendizado do sistema permite que ele aprimore os critérios utilizados para mensuração.

Com esse tipo de insight, você pode manter sua estratégia de conteúdo em constante otimização. Afinal, será possível notar padrões e identificar os tipos de linguagem, elementos visuais e gatilhos causam no público o sentimento desejado pela equipe de marketing.

O melhor de tudo é que esse tipo de análise não se restringe às suas redes sociais. Basicamente, qualquer estrutura de dados que contem com conteúdos textuais podem gerar insights sobre o sentimento de quem publicou. Assim, é você pode usar o recurso para monitorar a opinião pública sobre a marca ou sobre produtos específicos.

Para atuar com excelência no mercado atual, é preciso mais do que bons produtos e serviços. Sua empresa precisa saber como utilizar os recursos disponíveis de modo a oferecer as melhores experiências para o consumidor e possibilitar o aumento das oportunidades de negócio.

Por isso, acompanhar as tendências de Marketing Digital é papel fundamental de qualquer profissional da área. Essas mudanças são sempre ligadas ao comportamento do público, cujo entendimento é fundamental para a elaboração de estratégias eficientes.

 

Fonte: Rock Content 

07 jan
Especialistas dão 11 dicas para uma boa sustentação oral

Escola de direito aplicado

ministros e advogados recomendam estudar o processo e nunca ler a defesa

Brasília,15/06/2016. Sessão da Corte Especial do STJ. Foto : Sergio Amaral/STJ

Como evitar que a sustentação oral seja o momento perfeito para que o magistrado confira o celular, converse com seu assessor ou termine de dar aquela lida em um de seus votos?

JOTA foi atrás da resposta e ouviu onze profissionais do Direito, que deram dicas sobre o que fazer – e não fazer – durante a defesa oral no plenário.

Conheça os detalhes do seu caso, ensaie a sustentação oral com antecedência, enfatize os pontos relevantes e, sobretudo, não leia a defesa. Leia abaixo as preciosas lições de ministros, advogados, professores e procuradores.

Ensaiar, ensaiar e ensaiar 

Edson Vidigal, advogado e ex-presidente do STJ

O advogado dá o roteiro a ser seguido: em primeiro lugar fazer um resumo do caso, em linguagem simples. Em seguida, marcar o tempo da sustentação oral em um despertador e ler o texto em voz alta, de preferência em frente a um espelho grande.

“Escutando a própria voz e vendo sua imagem e desenvoltura, você pode ser seu maior crítico. E assim melhorar seu desempenho cada vez mais”, diz.

Depois de ensaiar é a hora de cortar os excessos.

“Vá suprimindo adjetivos e frases a mais, foque-se no caso objetivamente”, afirma.

Por fim, na hora da sustentação oral, o advogado não deve agir com arrogância ou falsa humildade.

“O advogado em começo de carreira deve praticar a tolerância, o respeito, a humildade, lembrando-se sempre que nunca deve chaleirar o juiz”, finaliza.

Nunca ler

Marco Aurélio de Mello, ministro do STF

O advogado deve demonstrar domínio da matéria tratada no processo, sem ler o conteúdo da sustentação oral. “A leitura se torna enfadonha”, enfatiza o ministro.

Para Marco Aurélio, “a espontaneidade deve ser a tônica” da sustentação oral, assim como o bom uso da voz. Emprestar à voz um tom humanístico, segundo ele, acaba sensibilizando os magistrados.

Também não é necessário, para Marco Aurélio, citar doutrinas durante a defesa oral do caso. “Doutrinas nós encontramos nos livros”, diz.

Conhecer o processo

Rafael Ramia Muneratti, defensor público

Ler o caso diversas vezes. Para o defensor, a atividade é importante para guardar detalhes que poderão ser úteis durante a sustentação oral. Ele não recomenda, porém, que o advogado perca tempo citando a matéria legal tratada no processo.

“É importante não ficar passando para os ministros os conhecimento da lei, porque isso eles já sabem. Não sou eu como defensor que vou explicar o Direito aos ministros”, diz.

O defensor já usou a criatividade ao fazer uma sustentação oral. Em 2015, ele foi ao Supremo defender a descriminalização das drogas para uso próprio, e iniciou sua sustentação citando a música Lucy in the Sky With Diamonds, dos Beatles. Isso porque as iniciais do título da canção formam a palavra LSD.

“Ninguém imaginava que eu poderia começar com uma música. Os ministros olharam para mim”, afirma.

Nunca agir com arrogância

Sacha Calmon, advogado tributarista 

Para Calmon, a arrogância pode prejudicar o maior bem a ser perseguido pelo advogado: o interesse do cliente. Por isso, para ele, nunca se deve dizer durante uma sustentação oral que um determinado posicionamento da Corte está errado.

“O que podemos, e devemos, é demonstrar as peculiaridades do nosso caso e pedir, se for o caso, uma nova reflexão dos julgadores sobre determinado tema”, diz.

Chamar a atenção para os detalhes do caso

Humberto Martins, vice-presidente do STJ

Em uma boa sustentação oral, o advogado deve destacar quais pontos diferenciam o caso que ele defende dos demais. Devem ser ressaltados, para ele, os pontos que possam influenciar no julgamento do processo.

É importante ainda, segundo o ministro, a adequação do conjunto probatório à tese jurídica defendida.

“A sustentação oral deve dar ênfase às questões de fato discutidas no processo e como o direito se aplica”, diz.

Conhecer os argumentos da parte contrária

Indira Quaresma, advogada e professora de sustentação oral

A advogada compara a sustentação oral a um jogo de xadrez: é preciso saber a jogada de seu oponente. Saber quais os elementos serão levados à tribuna pela outra parte é importante, e, em geral, fácil de encontrar.

“A maioria dos argumentos já está no recurso”, afirma.

Para ela, uma boa sustentação oral conta com uma boa introdução, que capte a atenção dos magistrados, e uma boa conclusão. Durante a defesa ela indica a utilização de citações e histórias.

“Minhas sustentações são menos Direito e muito mais vida”, diz.

O advogado, segundo ela, deve sempre cumprimentar e agradecer os magistrados. Além disso, está proibido contar piadas, utilizar palavras de baixo calão e subir à tribuna com a pretensão de que vai ensinar o magistrado.

“Temos que falar como se estivéssemos conversando, e não ensinando os ministros e desembargadores”, finaliza.

Ser ousado

Kakay, advogado criminal

A dica vem de um criminalista que já recitou até poesia no plenário do Supremo. Para Kakay, não adianta bater em pontos sobre jurisprudência ou acórdãos dos tribunais, que, em geral, já são conhecidos pelos magistrados.

“Temos que saber que os ministros conhecem profundamente o Direito, e mostrar o processo sobre outro ângulo, com alguma ousadia e alguma novidade”, afirma.

Para ele, é importante usar a criatividade. Ele cita como exemplo a sustentação oral que fez na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.983, que tratava da possibilidade de realização de vaquejadas no país.

“Eu falei um pouco da minha experiência como filho de vaqueiro, como pessoa que conhece o âmbito da matéria tratada”, diz.

Usar o tom de voz adequado

Og Fernandes, ministro do STJ

Para o magistrado, a sustentação oral deve ter clareza, objetividade e o tom de voz adequado. “Nem sussurro nem grito”, resume.

Respeitar o tempo

Rogerio Schietti, ministro do STJ

O respeito ao tempo regimental – de 15 minutos, geralmente -, é fundamental. Schietti também aponta como essenciais a objetividade e clareza por parte do advogado, além de uma abordagem técnica por parte do profissional.

Demonstrar segurança

Márcio Amazonas, procurador do trabalho

Demonstrar segurança com as palavras e conhecimento do assunto tratado na sustentação oral. O procurador também considera importante organizar as informações em ordem cronológica.

“É chato quando uma exposição fica voltando no tempo toda hora”, diz.

Por fim, o procurador lembra que os magistrados podem interromper ou discordar do profissional que está fazendo a sustentação. Nessas situações, deve ser mantida a compostura.

“A antipatia do corpo de julgadores é a última coisa que você quer”, afirma.

No tribunal do júri, utilizar a linguagem adequada

Bruno Magalhães, procurador federal e membro do Grupo de Apoio ao Tribunal do Júri do Ministério Público Federal

O procurador lembra que, no tribunal do júri, o caso não será analisado por juízes togados, mas por pessoas “comuns”. Por conta da peculiaridade, não vale a pena se prender a termos jurídicos ou artigos de leis.

“O esqueleto [da sustentação] é a lei, mas a carne não pode ser a lei, porque ficaria enfadonho”, afirma.

Além disso, para Magalhães, deve-se atentar para fazer uma sustentação oral que não seja monótona e que utilize uma linguagem “média”. O júri, ele destaca, pode ser formado por pessoas de diferentes classes sociais e profissões, e todas devem entender o conteúdo do processo.

Por fim, o procurador recomenda atenção a todas as provas do caso. Conhecer todos os detalhes do processo pode definir o resultado do julgamento.

 

Fonte: JOTA

03 jan
As 20 Grandes Ideias que mudarão o mundo em 2020

iCEV

Em 2019, vivenciamos inovações tecnológicas surpreendentes, decisões políticas tumultuadas e um ambiente de trabalho exaustivo. O final do ano, no entanto, é a época perfeita para desacelerar e refletir.

Todo mês de dezembro, os Editores do LinkedIn olham atentamente para seus feeds e procuram dezenas de colaboradores para identificar as grandes ideias que moldarão o ano seguinte. Que conversas serão importantes para a comunidade profissional? Em 2020, um tema está prestes a surgir: após uma década de profundas mudanças, os profissionais estão avaliando e questionando o mundo que construíram e os seus valores. São questões como: o capitalismo está funcionando como deveria? Como nos comportaremos como habitantes do planeta? Por que transformamos em heróis os fundadores de empresas de tecnologia? Será que colocamos o trabalho em uma posição muito alta?

Não podemos prometer que acertaremos em tudo, mas nos mantemos transparentes: no ano passado tivemos um acerto de 58% em nossas previsões de 2019 — como mostra o colega George Anders. Esse foi o melhor índice que já obtivemos, algo que, portanto, nos habilita a tentar outra vez.

Também o convidamos a se juntar a nós nesta tentativa destemida de espiar o futuro. Que grande ideia você acha que surgirá no próximo ano? Compartilhe nos comentários ou publique um post, artigo ou vídeo no LinkedIn com a hashtag #BigIdeas2020. Agora, conheça as nossas 20 grandes ideias para 2020.

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1. O benefício mais desejado no trabalho será o tempo. 

O trabalho flexível não é mais um subsídio concedido a alguns funcionários; é uma demanda de todos. A geração Z e os millennials estão liderando o caminho ao estabelecer uma nova relação com o escritório, de acordo com reportagem  de Claire Cain Miller e Sanam Yar, do New York Times. Experimentos com uma semana de trabalho de quatro dias estão se espalhando pelo mundo: A Microsoft tentou no Japão, enquanto o Partido Trabalhista britânico prometeu isso em seu manifesto eleitoral. Empregadores do setor privado em experimentos de pequena escala contam que um expediente mais curto não prejudica os resultados — pelo contrário. “A boa vontade pode compensar para os empregadores”, diz John Pencavel, professor de economia em Stanford que estudou a relação entre a duração da jornada de trabalho e a produtividade. “Menos horas de trabalho talvez não comprometa a produtividade. Menos horas de trabalho pode envolver menos custo de mão de obra. Empregadores e funcionários se beneficiam com isso.”

Quem pode ser beneficiar com isso são as mães, que historicamente sofreram com remuneração mais baixa e menos chances de promoção em decorrência da opção por um trabalho flexível. Entre mulheres com formação acadêmica avançada que deixaram seus empregos, 69% teriam permanecido na empresa se os empregadores tivessem oferecido opções de trabalho mais flexíveis, de acordo com a pesquisa do Boston Consulting Group. O fundamental é envolver os funcionários na busca de maneiras de trabalhar com mais eficiência, diz Charlotte Lockhart, CEO da organização de advocacia The 4 Day Week. Sua empresa de serviços financeiros, a Perpetual Guardian, reduziu a semana de trabalho de seus 240 funcionários na Nova Zelândia de cinco para apenas quatro dias. “Todos querem se sentir valorizados no trabalho, mas isso não deve prejudicar os outros aspectos da nossa vida”, pondera Lockhart. “Nossas vidas pessoais estão sendo prejudicadas, e estamos começando a reconhecer isso.”

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2. A guerra entre as plataformas de streaming ficará ainda mais sangrenta.

“Em 2020, mais dinheiro será gasto em programas com roteiros originais do que em toda a década dos anos 90”, conta o professor de marketing da NYU Scott Galloway. “Em 100 anos, olharemos para esta era e concluiremos que a forma de arte que a define será a televisão”. Este ano, a Apple e a Disney lançaram serviços para competir com os players já estabelecidos: Netflix, Amazon e Hulu; HBO Max, Peacock (da NBC) e Quibi seguirão seus passos em 2020. “A (Netflix) corria sozinha na frente e, de repente, o que vemos é uma Olimpíada”, diz Galloway. “As empresas mais criativas e com os melhores recursos do mundo estão todas investindo neste negócio.”

Os consumidores podem precisar assinar mais serviços à medida que o catálogo cresce, mas a concorrência vai forçar a redução dos preços. “Os 12,99 dólares (da Netflix) pareciam o negócio mais vantajoso do mundo”, ressalta Galloway. O Apple TV+ foi lançado por apenas 5 dólares por mês. Os serviços de streaming são sedutores para a Apple, Amazon ou Disney, ele explica. Eles promovem a fidelidade do consumidor e oferecem oportunidades de monetização em parques de diversões, bonecos de ação, iPhones ou entregas da Amazon Prime. A Netflix ainda tem a vantagem de ser pioneira, mas para players muito semelhantes ou para o Hulu — que não têm negócios auxiliares e precisam pagar uma taxa para Apple, Amazon ou Google para chegarem aos nossos dispositivos — a guerra do streaming está prestes a ficar sangrenta.

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3. Uma nova contagem regressiva da mudança climática já começou.

De greves escolares até a “Extinction Rebellion”, de Greta Thunberg ao ”New Deal” Verde, a pressão pública envolvendo a crise climática aumentou em 2019 de uma forma que, francamente, não prevíamos. Agora, a contagem regressiva final para 2030 começa.

Na próxima década, 184 países precisam cumprir os compromissos de redução de emissões, que assumiram em Paris cinco anos atrás, a fim de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 °C. Mas essas promessas não estão sendo cumpridas. Em primeiro lugar,os cientistas agora alertam que uma meta de 1,5 °C é mais factível. Ativistas esperam que a cúpula da COP26 das Nações Unidas em Glasgow em novembro próximo ajude a corrigir os rumos.

“Glasgow será o grande marco no aumento das expectativas”, explica Oli Brown, cientista ambiental e membro associado da Chatham House. Manter a pressão será fundamental, acrescenta sua colega Laura Wellesley: “Se observarmos um aumento contínuo da preocupação pública pelo clima e pelo consumo, estaremos preparando o terreno, potencialmente, para alguns compromissos bastante ambiciosos”.

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4. Os governos podem ter que tratar a recapacitação profissional como um novo ensino básico.

Passamos anos estimando quantas vagas de nossos empregos seriam roubadas pelos robôs. Agora é hora de pensarmos em como as pessoas vão viver nessa nova realidade e entender os detalhes da recapacitação constante da força de trabalho. Existem três opções, explica Jason Wingard, Reitor da Escola de Estudos Profissionais da Universidade de Columbia: Os trabalhadores estarão entregues à própria sorte em um modelo de prestação de serviço, as empresas investirão para manter seus talentos atualizados e na folha de pagamentos… ou os governos assumem essa responsabilidade.

“Temos que fazer algumas perguntas importantes: é nossa responsabilidade garantir que nossa sociedade esteja preparada?”, pergunta Wingard. Para prepararem os trabalhadores para a Era Industrial, as nações construíram uma infraestrutura de Ensino Fundamental e Médio. Agora, os governos podem precisar fazer algo semelhante para a educação de adultos. E Wingard estuda essa opção. “Precisamos ter o que costumava ser chamado de faculdade comunitária, mas de uma forma que prepare as pessoas continuamente”, ela opina. “Se você, como cidadão, está pagando seus impostos e disposto a se desenvolver e a adquirir novas competências, reciclagens profissionais devem ser disponibilizadas gratuitamente para você e com o objetivo de torná-lo um profissional mais qualificado para o mercado de trabalho”. É uma questão de soberania e competitividade, ele ressalta. Pessoas e empresas podem atravessar fronteiras para encontrar talento ou oportunidades; os países, no entanto, ficam para trás.

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5. Falaremos mais abertamente sobre saúde mental no local de trabalho.

A depressão e a ansiedade custam à economia global 1 trilhão de dólares a cada ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Para os empregadores, esse é um problema real de retenção de talentos e, para os funcionários, uma necessidade crescente. Iniciada por uma nova geração, essa conversa é urgente, mas ainda tímida. “Grandes empresas temem não estar preparadas para lidar com o impacto dessa conversa de forma segura para os negócios e para os funcionários”, relata Aaron Harvey, fundador da Made of Millions Foundation. Harvey publicou um guia sobre saúde mental no local de trabalho depois de, como funcionário, decepcionar-se com o que via, e iniciou a campanha #CaroGerente (#DearManager, no original em inglês) nas redes sociais, para motivar as pessoas a falarem sobre o assunto.

A promoção da saúde mental no local de trabalho, no entanto, gera questões de privacidade, exposição legal e discriminação. A psicóloga clínica Ellen Hendriksen recomenda que, por razões legais, apenas funcionários iniciem a conversa. E devido ao estigma que ainda existe, os funcionários devem primeiro avaliar a cultura da empresa em que trabalham para decidir se há riscos em revelarem seus problemas de saúde mental. “A abordagem deve contar com uma política de divulgação e um plano” com acomodações razoáveis, argumenta Hendriksen. “É importante não apresentar os problemas de saúde mental como um quebra-cabeça que seu chefe precisa consertar.” Os gerentes podem dar o exemplo, sendo francos sobre as suas próprias dificuldades. Para construir uma cultura de apoio, com confidencialidade, é fundamental ter um plano que permita acomodações e benefícios iguais aos da cobertura para questões de saúde física. “Em vez de atuarem como protetores ou juízes, aconselho os empregadores a agirem como defensores do tema”, ela conta.

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6. O século asiático começará sob nuvens escuras.

Em 2020, as economias asiáticas serão mais fortes do que todo o resto do mundo somado pela primeira vez desde o século XIX. A Ásia também abrigará mais da metade da classe média do mundo. O centro de gravidade do mundo está, sem dúvida, mudando para o Oriente. Mas este século asiático pode começar instável: o Fundo Monetário Internacional alertou que o crescimento na Ásia pode desacelerar, com a China perdendo força, tensões entre o Japão e a Coreia e Hong Kong paralisado por protestos. No último trimestre, o crescimento da Índia caiu ao seu ritmo mais lento desde 2013.

A desaceleração do crescimento na Ásia testará o sistema capitalista, alerta Esther Duflo, economista do MIT e ganhadora do Prêmio Nobel de 2019. “China e Índia têm liderado a retirada de muitas pessoas da pobreza nos últimos 30 anos”, explica ela. “Em um mundo em que as desigualdades explodem e os ricos estão ficando mais ricos, uma verdade é que os muito pobres também estão ficando mais ricos. Se a China e a Índia desacelerarem e deixarem de fazer isso, essa será uma grande questão para a legitimidade de todo o projeto do capitalismo.”

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7. Dissecaremos o que significa comer carne.  

Alternativas à carne já estão ganhando adeptos entre os consumidores e fazendo inimigos no setor — diversos estados agrícolas nos EUA, por exemplo, aprovaram leis que limitam apenas aos produtos de origem animal o uso de palavras como “carne”, “hambúrguer” ou “leite”. O setor de pecuária tem feito propostas semelhantes ao Congresso americano e à Comissão Europeia. O assunto não é trivial: o mercado de alternativas à carne poderá chegar a US$ 140 bilhões no final da década, segundo estimativas do banco de investimento Barclays.

E qual será o fator realmente revolucionário nos próximos 10 anos? A chegada da carne cultivada em laboratório, como carne de gado, suína ou de frango produzida a partir de células animais e sem abate. “A chegada da carne cultivada é uma ameaça muito maior para o setor de pecuária, que agora tenta organizar-se para enfrentá-la”, diz Laura Wellesley, pesquisadora de alimentos na organização Chatham House. Enquanto isso, ela acrescenta, “as empresas de carne de laboratório têm como alvo aqueles que consomem carne, assim como os freezeres e os balcões frigoríficos de carne nos supermercados. Elas não querem que seu acesso a essas áreas ou bases de clientes seja prejudicado.”

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8. O capitalismo estará no banco dos réus.  

“O sistema que faz o capitalismo funcionar bem para a maioria das pessoas está quebrado.” Não, essa citação não vem da pré-candidata democrata Elizabeth Warren; é de um artigo viral do LinkedIn de Ray Dalio, gestor de fundos de hedge e bilionário americano. “O mundo está se aproximando de uma grande mudança de paradigma”, alerta Dalio.

  • Uma primeira saída: O capitalismo reformará a si mesmo, como prometido na declaração de agosto, assinada por 181 CEOs proeminentes. As empresas devem atender às necessidades de todas as partes interessadas, abandonar o curto prazo e trabalhar para melhorar a sociedade, não apenas lucrar com ela, escreveram os membros da Business Roundtable, uma organização sem fins lucrativos baseada em Washington. A ganância não serve mais a ninguém. As empresas adotarão essa mentalidade por conta de um crescente corpo de evidências de que o bom comportamento corporativo contribui para o resultado final, diz Alex Edmans, professor de finanças na London Business School. “A responsabilidade corporativa não é um extra opcional”.
  • Uma segunda solução: Os eleitores —e os governos que eles elegem — assumirão o controle dessa questão. Em 2020, nem mesmo uma plataforma profissional pode evitar falar sobre política. Na campanha presidencial dos EUA, a questão dos ricos e pobres voltou a ser o centro das atenções. Warren e seu colega pré-candidato Bernie Sanders não ficaram impressionados com a declaração da Business Roundtable, considerando-a uma retórica vazia. “Precisamos ver alguma substância para compensar o cinismo” aconselha Jim O’Neill, economista e ex-ministro conservador do governo britânico. A reforma “não precisa acontecer por meio dos governos, mas eu suspeito fortemente que é a única maneira de acontecer”, acrescenta ele. “Negócios vivem de acordo com regras, e as regras não são suficientemente rígidas.”
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9. O reconhecimento facial se tornará mais onipresente e mais controverso.

A tecnologia de reconhecimento facial parece estar em toda parte nos dias de hoje. Ela é utilizada para determinar a intenção do comprador em uma casa de espetáculos na Austrália, para registrar a presença de trabalhadores em um escritório na Indonésia e até para supervisionar a atenção das crianças em idade escolar na China. Um algoritmo de reconhecimento facial tornou-se o recrutador  em algumas das maiores empresas dos Estados Unidos. A tecnologia está em uso em pelo menos 17 aeroportos nos EUA, enquanto o governo francês está preparando um aplicativo para smartphone que exige que os cidadãos façam login facial para acessar uma variedade de serviços públicos. A China requer escaneamento facial para a aquisição de uma linha telefônica, e a Huawei comercializa com entusiasmo a sua tecnologia de reconhecimento facial para cidades africanas.

Essa transformação ocorria com pouco debate público, até que manifestantes de Hong Kong deram destaque a essa questão. “Se não traçarmos um limite, essa tecnologia invasiva se tornará uma parte onipresente de nossas vidas, com efeitos devastadores para a liberdade humana”, diz Evan Greer, vice-diretora da ONG que advoga por direitos digitais Fight for the Future Luta. Críticas como a de Greer apontam para questões de segurança de dados, ameaça às liberdades civis e perda de privacidade. Os defensores dessa tecnologia, por outro lado, apontam para conveniência e maior segurança. Se e como usar o reconhecimento facial estará em debate público em 2020. “Estamos em uma encruzilhada onde as decisões políticas que tomamos como sociedade determinarão se a tecnologia será usada em prol da liberdade ou da opressão”, diz Greer.

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10. A era do empreendedor absoluto irá acabar…

O colapso da WeWork lembrou a todos que uma empresa precisa ter mais do que uma boa história para contar. O professor de marketing da NYU Scott Galloway prevê um declínio de 50% no valor de “empresas unicórnio” de capital fechado em 2020. “As empresas de consumo que se apresentam como empresas de tecnologia SAAS (software como serviço) substituíram lucros e margens por visão e crescimento”, diz ele. Ele as apelidou de incineradoras, empresas que queimam dinheiro para comprar crescimento sem nenhuma perspectiva de obter margens operacionais positivas. O fraco IPO da Uber foi o alerta — e o caso do WeWork foi a confirmação — de que o mercado financeiro não será seduzido por fundadores carismáticos e pela narrativa esperta que conquistou os investidores, explica Galloway. Segundo ele, o capital retomará o controle da situação.

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11. Mas os investidores não deixarão de amar os unicórnios totalmente.

A narrativa de estouro da bolha é sedutora, mas não tem respaldo em dados, argumenta Anand Sanwal, CEO da plataforma de inteligência financeira CB Insights. Claro, haverá um escrutínio mais minucioso para avaliações bilionárias, que irão além de manchetes lisonjeiras, especialmente vindo de funcionários de tecnologia que não querem ficar de mãos vazias como os do WeWork ficaram, ele explica. No entanto, há simplesmente um excesso de capital em busca de uma oportunidade. Há muitos setores em busca de transformação para que o fenômeno dos unicórnios termine. “Sim, algumas empresas ruins serão financiadas. Essa é a natureza do jogo”, explica ele. “São as poucas empresas que sobrevivem que realmente transformam as coisas.” Quanto a qualquer esperança de que a cultura mude, ele aponta para Travis Kalanick. O controverso fundador da Uber levantou US$ 400 milhões com um investidor também controverso para uma empresa que apresenta exatamente as mesmas questões éticas e legais da Uber. “Se você for um fundador que já fez dinheiro para seus investidores no passado, ainda será financiado”.

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12. Um novo tipo de fundador de startup irá emergir.

O cansaço geral com negócios construídos por avaliações bombásticas e fantasiosas se espalhou pelo mercado. Isso abre espaço para uma nova raça de equídeos na cena das startups: as zebras. A fundadora e CEO da consultoria Hearken Jennifer Brandel, co-autora de “The Zebra manifesto” (“O manifesto da zebra”), explica: as zebras são startups dedicadas a resolver problemas do mundo real, construindo negócios sustentáveis e lucrativos que crescem em um ritmo gerenciável, recusando os ciclos habituais de rodadas de financiamento. “Elas se baseiam em valores, que vão além do ‘crescer rápido e sair de cena’”, diz ela. Fundadores de empresas zebra são basicamente mulheres e empreendedores de minorias que ficaram de fora do modelo de capital de risco por anos. Agora, eles simplesmente não estão interessados em entrar no jogo dos unicórnios. Eles não são empreendedores em série buscando a primeira chance de vender suas empresas e lucrar com opções de ações. “Os unicórnios são as maiores organizações sem fins lucrativos já vistas”, diz Brandel. “Acho que as pessoas estão começando a enxergar mais claramente.”

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13. A transformação social passará pelo empreendedorismo.

No segundo país mais desigual do mundo, a busca de soluções para nossos problemas sociais é urgente. Melhorar a qualidade de vida das comunidades mais pobres do Brasil será feito cada vez mais, segundo explica Edu Lyra, fundador da rede Gerando Falcões, por meio da “transformação de dentro pra fora; construindo impacto a partir da escassez”. O sucesso do produtor Konrad Dantas, da KondZilla, tanto em seu canal no YouTube como na série Sintonia, feita em parceira com o Netflix, já mostrava que as comunidades brasileiras estão conseguindo contar as suas histórias e mostrar a sua arte. “As favelas passaram a ser produtora de conteúdo e não apenas espectadora de shows”, diz Lyra. O ponto de inflexão agora é apoiar mais inovações, desde novidades tecnológicas como novos modelos de negócio que começam a emergir. “Tem empreendedor no morro criando impressora 3D com sucata. Estamos também criando soluções inovadoras e não apenas recebendo ajuda. O mundo precisa olhar pra isso e entender um lugar de acelerador desta transformação que vem do empreendedorismo que está na periferia.”

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14. Sua capacidade de foco será a sua competência mais importante.

Se você já se pegou percorrendo seu feed do Instagram sem pensar, sem nem mesmo se lembrar de como chegou lá, não está sozinho. Em um estudo da plataforma de aprendizado Udemy, dois terços dos trabalhadores admitiram olhar para seus telefones por pelo menos uma hora durante o dia de trabalho. O custo disso é alto para empresas e funcionários.

“Cada vez que os funcionários pegam seu telefone ou tendem a se distrair, o trabalho deixa de ser feito”, alerta Brian Solis, autor de ‘Lifescale: How to Live a More Creative, Productive, and Happy Life’ (Equilíbrio de vida: como ter uma vida mais criativa, produtiva e feliz). “Isso está tendo um impacto incrível e pouco estudado na produtividade, criatividade e felicidade dos funcionários.” Surpreendentemente, existem poucas pesquisas sólidas sobre o assunto, mas alguns estudos estimam que o custo para a produtividade chegue a muitas centenas de bilhões de dólares somente nos EUA. “Embora as distrações não sejam necessariamente sua culpa, elas são sua responsabilidade”, escreve Nir Eyal, autor de “Indistractable: How to Control Your Attention and Choose Your Life” (Indistraível: como controlar sua atenção e escolher sua vida”). Eyal oferece estratégias que podem ajudar você a recuperar seu foco: domine seus gatilhos internos, planeje seu dia, faça pactos consigo mesmo ou com seus amigos. Ah, e controle seus gadgets.

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15. A mudança climática será o principal tema para proprietários, investidores e seguradoras de imóveis.

Em novembro, um cliente da gigante imobiliária americana Redfin desistiu de comprar uma casa em um bairro nobre de Houston, conta o CEO Glenn Kelman. A franquia do seguro contra inundações para a propriedade era alto demais. Essa é uma das formas bastante reais pelas quais as mudanças climáticas estão remodelando a nossa geografia urbana. “Essa tornou-se uma questão muito pessoal para as pessoas que tentam vender suas casas, e definitivamente se transformou em uma ansiedade generalizada para quem compra esses imóveis”, diz Kelman. “Mesmo que os políticos não tenham precificado esse risco, os mercados já o fizeram”.

Investidores institucionais estão pressionando os gestores de ativos a precificar o risco climático de seus ativos, explica Emilie Mazzacurati, CEO da empresa de inteligência de mercado Four Twenty Seven. A propriedade corre risco de inundação ou incêndio? As franquias dos seguros vão aumentar? E quanto aos impostos locais? A região perderá população e empregos? A exposição do setor de seguros é um grande ‘elefante na sala’, acrescenta ela. Nas regiões onde as seguradoras não se arriscam mais, os governos podem intervir com programas de seguros substitutos. “O problema, quando você faz isso, é que está enviando o sinal errado”, ressalta Mazzacurati. “Você está transferindo o risco para o governo, o que é bom para proteger indivíduos, mas não é sustentável se houver risco de todas essas casas serem queimadas repetidamente”.

A alternativa é abandonar algumas áreas e deixar a natureza tomar conta: nações insulares do Pacífico se mudaram, os governos estaduais de Nova York e Flórida estão comprando imóveis de proprietários em áreas propensas a inundações e o País de Gales está desapropriando uma vila inteira.

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16. Previsões sobre uma nova recessão global irão diminuir — mas não desaparecerão totalmente.

Embora a década seguinte à Grande Recessão tenha sido boa para as economias desenvolvidas, em termos estatísticos já passou da hora de outra contração global. Isso aumenta a ansiedade entre economistas, legisladores e empresários. O momento exato da próxima recessão é uma incógnita; na lista de Big Ideas do ano passado, achamos que ela viria no fim de 2019 ou em 2020 (ainda não podemos dizer que erramos). Personalidades influentes, como o Presidente do Federal Reserve dos EUA Jerome Powell e a sua ex-presidente Janet Yellen veem um crescimento moderado contínuo na maior economia do mundo até 2020. Christine Lagarde, a nova presidente do Banco Central Europeu, também disse em setembro que sua perspectiva básica não inclui uma recessão global, embora o crescimento seja “medíocre” e haja uma “grande ameaça” no atual conflito comercial entre os EUA e a China. Simon Thorp, diretor de investimentos da Aperture Investors, está preocupado que instrumentos tradicionais de estímulo, como cortes nas taxas de juros e programas de compra de títulos, sejam menos capazes de estimular os investimentos na próxima crise. E para aqueles que planejam com antecedência, aqui está um gráfico útil do que poderia desencadear a próxima recessão global quando ela chegar com tudo.

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17. Os reguladores irão atrás das Big Tech sob novos ângulos.

Deveríamos estar vivendo uma era de inovação, com setores de rápido crescimento atraindo centenas de novos empreendimentos. Entretanto, isso não acontece, diz o professor de marketing da NYU Scott Galloway. “Duas vezes mais startups estavam sendo criadas durante o governo Carter do que hoje”, ressalta. “E a razão é que os setores que mais crescem em nossa economia — equipamentos de tecnologia, redes sociais, pesquisa e comércio eletrônico — estão sob o controle de uma ou duas empresas.” Uma ação antitruste poderia resolver isso, diz Galloway. Esse processo começará na Europa, acrescenta ele. Enquanto as grandes empresas de tecnologia mantêm seus amigos em Washington, observamos a tentativa da França de impor um imposto sobre as receitas das empresas de tecnologia — a ideia já é recebida com ameaças de tarifas retaliatórias pelos EUA. De Londres, Azeem Azhar também vê a regulamentação chegando, mas de maneira desordenada: “Não acho que será coerente, será algo mais precipitado — o que é um bom começo”.

Nos EUA, cidades e estados estão liderando o movimento antitruste. Em 2020, o foco mudará para o impacto da tecnologia nas pequenas empresas. As empresas locais têm sido cada vez mais forçadas a usar Google, Amazon e Facebook para alcançar clientes. Mas essas mesmas plataformas foram acusadas de minar concorrentes menores, alterando algoritmos de pesquisa e reduzindo o tráfego na web. “O gigantismo dessas empresas, juntamente com a integração generalizada dessas plataformas […] levantam questões que devem interessar a quem se preocupa com acesso a mercados, privacidade de dados, desenvolvimento de pequenas empresas, empreendedorismo e inovação”, explica Nydia Velázquez, presidente do Comitê de Pequenas Empresas da Câmara dos Deputados dos EUA, em uma declaração em novembro.

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18. O mundo enfrentará uma escassez global na enfermagem. 

Países no mundo inteiro estão enfrentando uma escassez de profissionais de saúde. Essa necessidade é particularmente elevada nos países de baixa e média renda (como o Brasil), onde a estimativa de déficit é de 18 milhões para os próximos 10 anos. No entanto, há sinais de que 2020 — o ano em que fundadora da enfermagem Florence Nightingale comemoraria seu 200º aniversário — será o ano que a Organização Mundial de Saúde está chamando de O Ano dos Enfermeiros e Parteiros.

Enfermeiros e parteiros serão responsáveis por cerca da metade do déficit projetado para profissionais de saúde na próxima década. A OMS está planejando um grande esforço para promover formação, treinamento e apoio no trabalho para enfermeiros, algo muito maior do que apenas preencher uma lacuna crítica na força de trabalho. “Como 70% da força de trabalho global em saúde é feminina, empregos para profissionais de saúde são empregos para mulheres”, explica o Diretor Geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Portanto, em outras palavras, investir em profissionais da saúde paga um dividendo triplo: para a saúde, para o crescimento econômico e para a igualdade de gênero.”

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19. A neurociência será a aliada de empresas de tamanhos variados.

Há uma série de gatilhos mentais utilizados com a intenção de aumentar as vendas. São desde o uso inteligente da aversão à perda até o apelo ao sentimento de nostalgia. Segundo Camila Farani, presidente da G2Capital e jurada do Shark Tank Brasil, “em um mundo cada vez mais digital e movido por dados, a ciência e as empresas ainda têm muito a evoluir no entendimento sobre como o cérebro humano se comporta em relação ao consumo”. Grandes companhias já são mestres em criar situações que estimulam o inconsciente e provocam a tomada de decisão. A Amazon, por exemplo, fez isso com sua loja física Amazon Go ao oferecer uma experiência de compra sem atrito; Apple e Samsung apelam à narrativa da novidade para conseguir uma legião de fãs antes mesmo do início das vendas de seus produtos. A mudança é que agora técnicas desse tipo ficarão mais sofisticadas e estarão ao alcance de negócios médios e pequenos. “Vejo o uso da neurociência pelos negócios como uma possível próxima grande onda, que certamente tem tudo para decolar em 2020. E não apenas por parte das grandes corporações: qualquer tipo e tamanho de empresa pode se beneficiar dessa nova ciência. Basta ter a capacidade de enxergar quais são os gatilhos que melhor impactam seus clientes”.

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20. Vamos questionar o valor do trabalho em si.

Uma ideia central conecta a maior atenção que estamos dando ao trabalho flexível, à semana de trabalho de quatro dias, à saúde mental no trabalho e também a outras tendências crescentes no local de trabalho: talvez o trabalho tenha sido um falso ídolo desde o príncipio. A Europa sempre teve suas dúvidas, mas mesmo as nações mais obcecadas pelo trabalho estão questionando uma cultura sempre ativa e centrada em realizações. Membros da classe rica dos Estados Unidos começaram a fazer planos para se aposentar mais cedo, enquanto os trabalhadores chineses estão começando a se rebelar contra o modelo 9-9-6 (trabalho das 9h00 às 21h00, seis dias por semana). “Essa geração está realmente atenta à energia que dedicam ao trabalho e à que dedicam a qualquer outro aspecto de suas vidas”, observa o CEO da Redfin Glenn Kelman. Os líderes precisam se adaptar se esperam atrair e manter os melhores talentos.

Kelman tem sentimentos dúbios em relação a essa mudança. Ele cresceu na cultura de “saco de dormir debaixo da sua mesa” do Vale do Silício. “Essa obsessão por produtividade, crescimento e competitividade apenas estimulou todas as novas gerações a provar seu valor trabalhando o tempo todo”, diz ele. Poderia ser destrutivo, mas também produziu resultados para os indivíduos e para os países. Essa ânsia toda diminuiu. “Parte disso são apenas os frutos da abundância, e outra parte é um ceticismo mais profundo sobre o capitalismo”, afirma. “Apenas precisamos fazer com que o capitalismo funcione melhor, para que as pessoas se dediquem mais”. Ou talvez nossos valores estejam evoluindo, e isso não é problema. “Estamos menos consumistas; como isso pode ser ruim?”

 

Fonte: LinkedIn

01 jan
Passo a passo de como definir metas alcançáveis ainda hoje

iCEV

Aprenda aqui como definir metas alcançáveis a partir do modelos SMART. Te damos 5 dicas de como atingir todos os seus objetivos!

Segundo uma frase clássica do filme “Alice no País das Maravilhas”, se você não sabe aonde quer chegar, qualquer lugar serve.

Para não correr o risco de se chegar a um lugar desagradável, é preciso estabelecer metas e objetivos e, depois, batalhar para alcançá-los. Mas, antes disso, é importante deixar claras as diferenças entre esses conceitos.

Objetivo é o propósito de se realizar alguma coisa, ou seja, é o guia que determina aonde se quer chegar. Meta, por sua vez, é o objetivo quantificado. Ela é temporal e necessariamente ligada a prazos.
Observe o exemplo:

  • Objetivo: crescer o meu blog;
  • Meta: aumentar o tráfego orgânico em 150% até o final do segundo quarter do ano.

Neste texto, mostramos por que a definição de metas é tão importante para atingir os objetivos e como isso deve ser feito. Além disso, destacamos um guia passo a passo para você começar hoje ainda. Vamos lá?

Por que as metas são tão importantes para alcançar os objetivos

Na hora de definir um objetivo, as possibilidades são inúmeras. Por exemplo, o famoso empreendedor Elon Musk, CEO da Tesla, tem a meta de colonizar Marte em um determinado momento. Ninguém o impediu de ter estabelecido planos para isso. No entanto, não sabemos ainda se isso acontecerá de fato.

Ter uma definição de metas, portanto, não assegura de que ela será atingida e isso pode gerar muita frustração. Por outro lado, sem nenhuma meta, é pior ainda. Afinal, você pode ir para qualquer lugar, mas isso certamente não condiz a necessidade do seu negócio. Acertei, não é verdade?

Para que a sua meta esteja alinhada com o propósito de atingir seus objetivos, utilize o método SMART.

Método SMART

Para ajudar na tarefa de definição de metas, nada melhor do que o método SMART, um acrônimo para as palavras em inglês Specific, Menssurable, Achievable, Realistc e Time-based.

Para definir as metas por meio dessa técnica, vamos ver o significado de cada letra do acrônimo:

S: Specifc (seja específico)

Quando definir suas metas, você precisa ser necessariamente específico. Os objetivos precisam estar claros na sua mente. Não diga apenas “quero mais sucesso para a minha empresa”.

Determine algo como “dentro de três anos, quero aumentar o alcance online do meu negócio e conquistar o número de mais de “x”% das aquisições provenientes do meio digital. Para isso, investirei o montante “y” em estratégias de Marketing Digital.

Dessa maneira, seu objetivo se torna muito mais tangível.

M: Measurable (defina objetivos mensuráveis)

Para alcançar uma meta, será necessário que você a acompanhe de perto. Então, será preciso que você meça seus resultados constantemente, para ver se está indo no caminho certo.

Por exemplo, se você quer produzir conteúdo para o seu blog corporativo, deve se atentar a algumas questões: em qual estágio sua empresa está hoje e como pretende estar no futuro? Como pretende medir sua evolução?

A: Achievable (defina objetivos atingíveis)

É essencial que você seja realista. Pensar em conquistar as primeiras posições no Google, com poucos dias da sua estratégia ativa, é algo que, convenhamos, está um pouco distante daquilo que pode alcançar. Ser realista é crucial para não ter frustração.

R: Realistic (seja relevante)

Sua meta faz muito sentido para o seu negócio? Está ligada aos valores e ao propósito dele? Essa relevância é primordial para você, principalmente nos dias difíceis, em que terá vontade de “chutar o balde” por ser incapaz de ver os resultados.

T: Time-based (defina um prazo)

Qual prazo você definiu para bater essa meta? Sem um prazo, é muito mais fácil você, ou sua equipe, procrastinar e “empurrar com a barriga”.

Objetivos sem prazo acabam se tornando desgastantes. Mas fique atento: se você não atingiu o que esperava, não fique prorrogando. Talvez seja o momento de avaliar o que deu errado e refazer os planos, com novas estratégias e objetivos.

5 passos para estabelecer metas

Agora que você tem uma ideia melhor em relação à definição de metas alcançáveis, é o momento de partir para a prática. Por isso:

1. Estabeleça o objetivo

Você precisa definir seu objetivo. Isso ajudará a ficar comprometido com eles. Para que isso traga resultados, você precisa anotá-los e revisá-los de forma constante.

Essa anotação deve estar sempre em um lugar de destaque e que o restante da sua equipe também tenha acesso fácil. Você pode usar post-its, cartolinas ou ter um quadro dos sonhos.

2. Planeje as metas

O planejamento de metas tem de ser muito alinhado com as coisas que você realmente deseja para a sua empresa. Ou seja, é preciso que você realmente se preocupe e se importe com as coisas que quer buscar para ela.

Quando você realmente valoriza a meta, estará dando um grande passo para conquistá-la. Além disso, quando você se organiza, se torna mais produtivo.

3. Crie um indicador

Ter um controle dos seus avanços e resultados é primordial para a sua motivação e organização. Sempre que perceber que está perdendo o controle, pare e volte em direção aos seus objetivos.

Você pode a acompanhar o progresso em planilhas ou por meio ferramentas de Business Intelligence..

4. Execute

É muito bom pensar naquilo que poderá ser conquistado, mas o objetivo principal é ser prático. Por isso, já comece a trabalhar desde já. Aqui, o alerta é para que não se comprometa com muitas tarefas. O ideal é se prender somente às ideias nas quais você e o seu time verdadeiramente poderão se empenhar.

5. Avalie e revise

Talvez isso não esteja claro, mas é muito provável que tenha alcançado inúmeras metas. Por um momento, esqueça tudo aquilo que não deu certo e avalie as coisas nas quais você acertou.

Sempre fique atento a todos esses detalhes, pois isso vai te dar mais força e confiança para continuar seguindo rumo às suas conquistas.

Além disso, revise periodicamente todas as suas metas. Pode ser que alguma deixe de fazer sentido e, assim, você precise estabelecer novos desafios.

Agora que você já sabe muitos detalhes para a definição de metas, é a hora de colocar a mão na massa para fazer acontecer.

Em linha gerais, você precisa ter equilíbrio para determinar sonhos grandes, mas sem tirar os pés no chão. As metas devem ser sempre ousadas e, ao mesmo tempo, realistas.

 

Fonte: Rock Content

30 dez
O poder da Gratidão

iCEV

A gratidão é o sentimento de felicidade e prazer que pode ser sentido ao agradecer por algo ou a alguém, levando a liberação de hormônios responsáveis pela sensação imediata de bem-estar.

Quando agradecemos por algo ou valorizamos pequenas coisas do dia a dia, há a ativação de uma região do cérebro conhecida conhecida como sistema de recompensas, havendo a liberação de dopamina e ocitocina, que é um hormônio responsável pela sensação de bem-estar e felicidade. Assim, quando nos sentimos gratos por algo, temos imediatamente aumento da sensação de prazer e, por consequência, diminuição dos pensamentos negativos. Saiba mais sobre os efeitos da ocitocina no corpo.

A gratidão deve ser praticada diariamente, tornando-a um hábito, pois assim pode-se ter uma vida mais leve e feliz.

O poder da gratidão

A gratidão possui vários benefícios para saúde, como por exemplo:

  • Melhora a sensação de bem-estar e prazer;
  • Aumenta a auto-estima;
  • Diminui o estresse e os sentimentos negativos, como raiva, angústia e medo, por exemplo;
  • Melhora o sistema imunológico;
  • Diminui a pressão sanguínea;
  • Aumenta o sentimento de generosidade e compaixão.

A gratidão pode ser interpretada como um estado de espírito, em que a pessoa reconhece as pequenas conquistas do dia a dia e passa a valorizá-las.

Como aumentar a gratidão

O sentimento de gratidão pode ser estimulado a partir de pequenas atitudes do dia a dia, como acordar com pensamentos positivos, por exemplo, e ao final do dia refletir sobre as conquistas.

É importante focar também o pensamento no agora e condicionar a felicidade a pensamentos específicos, o que faz com que haja pensamentos positivos sobre a vida de um modo geral.

Agradecer por pequenas coisas e fazer algo por outras pessoas também estimula o sentimento de gratidão, bem-estar e prazer.

Fonte: Tua Saúde 

26 dez
O novo marco legal para as decisões e responsabilização dos agentes públicos

Escola de direito aplicado

Com o advento da Lei 13.655/18, foram instituídas novas regras visando conferir “segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”, especialmente através de modificações do sistema decisório no âmbito do direito público e da responsabilidade dos agentes públicos. Deste modo, foram acrescentados os artigos 20 a 30 na Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB), os quais, agora, recentemente, foram regulamentados, pelo Decreto 9.830/19, de 10/06/2019.

A par do confronto entre defensores e críticos da inovação legal, o objetivo da presente análise é estritamente técnico, de sorte a elucidar os pontos mais relevantes, notadamente aqueles de maior impacto no dia a dia da administração pública, dos gestores e do direito público.

Sobre este novo arcabouço jurídico, cumpre destacar desde já a mitigação da responsabilidade dos gestores e agentes públicos, a qual, nos termos do art. 12 do Decreto 9.830/19, somente ocorrerá nos casos de dolo ou erro grosseiro, no desempenho de suas funções. Quanto ao dolo, o decreto cuidou de incluir tanto o direto, que é a própria vontade intencional, quanto o eventual, existente quando o agente, conscientemente, assume o risco do resultado, ou seja, daquele determinado acontecimento.

Concernente ao erro grosseiro, o próprio Decreto cuidou de defini-lo expressamente, prevendo-o como aquele manifesto e evidente, praticado com culpa grave, a qual consiste na ação ou omissão, com elevado grau de negligência, imprudência ou imperícia, nos termos do § 1º, do art. 12. Ou seja, o erro grosseiro consiste, em suma, na culpa grave, a qual, por sua vez, compreende o elevado grau de imprudência, imperícia ou negligência.

O citado art. 12 ainda cuidou de obtemperar que o dano expressivo não poderá, por si só, caracterizar o dolo ou erro grosseiro, bem como que a complexidade da matéria será considerada em eventual responsabilização do agente público.

Outrossim, o gestor não será automaticamente responsabilizado pela opinião técnica, emitida por agente público competente, que tiver adotado como fundamento da sua decisão, salvo se presentes elementos que o possibilitem aferir o dolo ou o erro grosseiro desta manifestação técnica, ou na hipótese de conluio entre os referidos agentes.

Contudo, a despeito da limitação da responsabilização dos agentes públicos, cumpre pontuar entendimento divergente do TCU (acórdãos 5547/19 e 2391/18), com espeque no art. 37, § 6º, da Constituição Federal, no qual a responsabilização financeira por dano ao erário não se restringe aos casos de dolo ou erro grosseiro, mas abrange o dolo ou a culpa, sendo esta em qualquer de suas modalidades, ou seja, sem qualquer gradação ou limitação. Assim, a limitação para as hipóteses de dolo e erro grosseiro, consistente na culpa grave, aplicar-se-ia apenas à responsabilização decorrente do poder sancionatório, quais sejam as sanções como multa, inabilitação para ocupar cargos, etc. Por certo, tal questão ainda passará por um afunilamento doutrinário e jurisprudencial, de sorte a tornar-se maturada e consolidada.

Nesta toada, em entendimento diverso, o IBDA – Instituto Brasileiro de Direito Administrativo publicou recentemente os enunciados sobre a interpretação da LINDB, e, dentre os quais, asseverou que “O art. 28 da LINDB, para os casos por ele especificados (decisões e opiniões técnicas) disciplinou o § 6º do art. 37 da Constituição, passando a exigir dolo ou erro grosseiro (culpa grave) também para fins de responsabilidade regressiva do agente público” (enunciado nº 20)1.

Concernente à temática decisória, a alteração promovida na Lei de introdução cuidou de asseverar, no seu art. 20, que “não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão”, seja na esfera administrativa, controladora ou judicial. Ou seja, em quaisquer dessas searas, ainda se pode decidir com base em valores jurídicos abstratos, que compreendem não só os princípios, mas também outras normas com conceitos jurídicos indeterminados, contudo, deverá haver uma análise prévia das consequências práticas da decisão, o que acaba por faze-la integrar às razões de decidir, como assinala o professor Marcio André Lopes Cavalcante2.

Deve-se destacar a preponderância conferida ao princípio da proporcionalidade na motivação das decisões baseadas em tais valores, cujos termos exige a demonstração da necessidade e da adequação da medida imposta, inclusive diante das possíveis alternativas existentes, e observando-se os critérios da adequação, proporcionalidade e da razoabilidade (§ 3º do art. 3º do Decreto 9830/19 e art. 20, parágrafo único da LINDB).

Ressalte-se em todo caso que, a análise da regularidade da decisão não poderá culminar na substituição das atribuições e competências dos agentes públicos e entidades da administração, inclusive quanto à definição das políticas públicas, nos termos do art. 13, do Decreto 9.830/19.

Em se tratando da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, a decisão que decretá-la deverá indicar expressamente suas consequências jurídicas e administrativas, bem como apontar as condições para que a regularização ocorra de modo proporcional, equânime, sem prejuízo aos interesses gerais, e sem impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas excessivas, diante das peculiaridades do caso.

Neste passo, o decreto 9830/19, no seu art. 4º, § 4º, veio permitir a modulação dos efeitos da aludida invalidação, de sorte que o decisor poderá restringir os efeitos da declaração de invalidade, ou decidir que sua eficácia será iniciada em momento posteriormente definido, considerando as consequências jurídicas e administrativas da decisão para a administração e para o administrado, e sempre (desde que) visando a mitigação dos ônus ou das perdas excessivas dos administrados ou da administração pública.

Aliás sobre a invalidação, cumpre destacar a preponderância da convalidação, como medida prioritária à anulação, na fase de regularização do ato, consoante o enunciado nº 7, do IBDA: “Na expressão “regularização” constante do art.21 da LINDB estão incluídos os deveres de convalidar, converter ou modular efeitos de atos administrativos eivados de vícios sempre que a invalidação puder causar maiores prejuízos ao interesse público do que a manutenção dos efeitos dos atos (saneamento). As medidas de convalidação, conversão, modulação de efeitos e saneamento são prioritárias à invalidação.”3

No mais, destaquem-se relevantes instrumentos para eliminar situações de irregularidade, incerteza jurídica ou conflituosa na aplicação do direito público, tais como o compromisso, nos termos do art. 26, da LINDB. A autoridade administrativa poderá celebrá-lo com os interessados, após oitiva do órgão jurídico, e desde que presentes razões de relevante interesse geral, no qual buscará solução jurídica proporcional, equânime e eficiente, prevendo obrigações, prazos para cumprimento e sanções, além, inclusive, de compensação, para a hipótese de benefícios indevidos, ou prejuízos anormais ou injustos, decorrentes do processo ou da conduta dos envolvidos.

Por sua vez, o Decreto 9.830/19 trouxe a previsão de outro instrumento, consistente no termo de ajustamento de gestão, o qual pode ser firmado entre agentes públicos e órgãos de controle, com a finalidade corrigir falhas apontadas em ações de controle.

Assinale-se, por fim, o dever do estado, através das autoridades competentes, em buscar e promover, de forma ativa, a segurança jurídica, através da edição de súmulas administrativas, regulamentos, respostas a consultas, nos termos do art. 30. Ou seja, nas palavras do prof. Carlos Ari Sundfeld, um dos autores do anteprojeto de lei, “agora é do estado, e não dos destinatários” (administrados) o ônus de obter segurança e certeza quanto ao conteúdo e efeito das leis no campo público”4, na esteira do espírito da norma. Na mesma toada, o Decreto 9.830/19 impôs às autoridades públicas o dever de aumentar a segurança jurídica na aplicação de normas, inclusive por meio, também, de normas complementares e orientações normativas.

1 http://ibda.com.br/noticia/seminario-promovido-pelo-ibda-aprova-enunciados-sobre-a-lindb

2 https://www.dizerodireito.com.br/2019/06/breves-comentarios-lei-136552018-e-ao.html

3 http://ibda.com.br/noticia/seminario-promovido-pelo-ibda-aprova-enunciados-sobre-a-lindb

4 Duque, Marcelo Schenk. Segurança Jurídica na aplicação do Direito Público. Salvador: Editora JusPodivm, 2019. Prefácio. P. 11/12

Fonte: Jota

25 dez
Produtividade: 25 dicas de como ser mais produtivo no trabalho

iCEV

Quer aprender como ser mais produtivo para otimizar seu trabalho? Confira essas 25 dicas sobre produtividade para você colocar em prática agora!

Produtividade

Em uma escala de 1 a 10, como você avaliaria a sua própria produtividade no trabalho?

Lembre-se que não importa o quão produtivo você possa ser, haverá sempre oportunidades para melhorar e aumentar o seu nível de produção.

O primeiro passo é ser uma pessoa orientada para os resultados. O restante se baseia em pensamentos, atitudes e estratégias que ajudarão a manter o foco e alcançar resultados mais elevados.

O experimento faz parte da vida de quem deseja aumentar a produtividade. Diferentes métodos e sistemas são testados para verificar se devem ser adotados ou descartados, dependendo da eficácia que eles proporcionam.

Para a sua sorte, já utilizamos muitas técnicas eficientes e compartilharemos com você nesse post como poderá colocá-las em prática para produzir mais em menos tempo e com melhor qualidade. Confira!

1. Planeje o seu dia na noite anterior

Antes de dormir, gaste apenas cinco minutos para planejar o dia seguinte.

** Liste todas as coisas que você deseja e o que precisará fazer.** Coloque as tarefas em ordem de prioridade.

Dessa forma, você poderá dormir mais tranquilo, sem se preocupar em lembrar o que terá que fazer no dia seguinte. Além disso, terá maior foco ao acordar desperdiçando menos tempo do seu dia.

2. Liste as tarefas mais difíceis em primeiro lugar

Além de ordenar as tarefas por prioridade, procure posicionar as mais difíceis de serem realizadas no topo da sua lista.

À medida que o dia vai passando e as atividades mais desafiadoras vão sendo eliminadas, o dia vai melhorando com uma agenda mais leve.

3. Identifique seus períodos de produtividade

Todos nós temos um período do dia em que somos mais produtivos.

Algumas pessoas produzem mais pela manhã, outros a tarde e outros ainda durante a noite e madrugada.

Identifique estes períodos e programe as tarefas mais difíceis para serem realizadas neles.

Assim, no restante do dia, poderá executar atividades mais leves.

4. Faça uma coisa de cada vez

Se você possui tarefas que exijam um alto nível de concentração, mantenha o foco em realizá-las uma de cada vez.

Não tente ser multitarefas nesses casos, pois o trabalho pode até ser rapidamente concluído, mas poderá perder a qualidade e ter ocorrências de falhas no processo.

Na verdade, se você fizer uma coisa de cada vez, o foco em cada tarefa poderá ser maior aumentando a qualidade dos resultados e reduzindo o tempo necessário para realizá-las.

5. Priorize o que deve ser feito

Tarefas que não possuem urgência em serem realizadas e estão na lista somente por serem agradáveis ou por desejo de fazer precisam ser removidas por completo.

Por que desperdiçar o seu tempo fazendo algo que não é importante? Avalie constantemente as coisas que você faz refletindo sobre a sua real importância naquele momento.

Muitas vezes, descobrirá um monte de atividades que, além de tomar o seu tempo, não estão levando a lugar algum.

Corte ou adie essas tarefas da lista e dos seus hábitos diários para focar no que realmente importa.

Existe uma regra chamada 80/20 que se refere ao fenômeno em que 20% das ações levam a 80% dos resultados. Então, identifique quais são esses 20% e concentre-se nas tarefas que geram os 80% dos resultados.

6. Faça da sua lista um hábito de controle

Uma lista de coisas a fazer permite identificar rapidamente todas as tarefas que precisam ser feitas no seu dia reduzindo o esforço mental para se lembrar delas.

Porém, algumas atividades urgentes acabam aparecendo. Adicione-as na lista do lado ou abaixo da tarefa que está realizando para não esquecer.

Caso não seja tão urgente ou importante pode ser adicionada na lista do dia seguinte.

Quando tiver o hábito de usar a lista, poderá melhorar a sua organização e eficiência. Sendo assim, faça uma lista adaptável para adicionar as tarefas que surgirem e tiverem menor importância para serem realizadas mais tarde.

Durante todo o dia, haverá muitas coisas que exijam a sua atenção e, para não perder o foco, vá adicionando essas atividades menos urgentes.

Geralmente são pequenos trabalhos que não levam muito tempo, mas podem ser muito importantes.

7. Não adie as suas tarefas

O pensamento de deixar para depois o que precisa ou pode ser feito agora representa um grande gastador de tempo e leva a grandes acúmulos de tarefas.

Para ajudar a mudar esse pensamento, sempre que pensar em adiar uma tarefa por indisposição, preguiça ou dificuldade, lembre-se de quantas coisas que poderia ter realizado se nunca deixasse nada para depois.

Essa prática com o tempo se tornará hábito e a sua produtividade pessoal aumentará espantosamente.

8. Use ferramentas de produtividade

Existem ferramentas, softwares e hardwares, que nos ajudam a ser mais produtivos e você deve utilizá-las.

O Google Now, por exemplo, é um aplicativo que poder ser utilizado em smartphones, tablets e notebooks e serve como um assistente pessoal.

Com ele você pode criar listas de tarefas, fazer pesquisas na internet, mandar mensagens, realizar chamadas, fazer anotações e muito mais apenas utilizando o comando de voz.

Ou seja, você não precisa mais parar o que está fazendo para realizar essas tarefas. Basta dizer o comando e o aplicativo faz o trabalho para você.

O Google Now é apenas um exemplo. Faça uma pesquisa na internet e descobrirá uma infinidade de recursos, gratuitos ou não, que podem tornar-se aliados da sua produtividade.

9. Pratique a meditação

A meditação ajuda a limpar a mente, acalma a ansiedade, faz a sua consciência despertar para as prioridades e ajuda você a se concentrar no trabalho.

Quanto maior for a sua clareza mental, mais poderá se concentrar nas tarefas, e a produtividade será elevada com qualidade.

Reserve trinta minutos do seu dia em um local silencioso e com boa vista, ouça os sons da natureza ou escute músicas tranquilas. Sente-se ou deite-se para ficar confortável.

Feche os olhos e reflita sobre o mundo a sua volta e como você interage como ele. Os resultados podem ser fantásticos.

10. Durma bem

Um bom sono pode aumentar consideravelmente os níveis de produtividade.

Lembre-se que não é só a quantidade de horas dormidas que importa, mas a qualidade do sono.

A lista de tarefas já elimina boa parte das preocupações em lembrar o que será feito no dia seguinte. Então, antes de dormir, tente relaxar.

Afaste-se da televisão, computadores, telefones e qualquer outro dispositivo que tome a sua atenção.

Você pode utilizar esse momento para praticar a meditação e limpar a desordem mental. Verá como consegue dormir melhor.

11. Acorde mais cedo

A vida profissional é uma verdadeira competição. Por isso, comece o seu dia à frente dos outros.

Acordar cinco ou dez minutos antes pode ser o suficiente para adiantar muitas coisas e deixar você ainda mais motivado para se manter na liderança.

O dia ficará um pouco mais longo dando tempo para realizar mais tarefas do que o habitual.

12. Seja organizado

Manter tudo de forma organizada faz com que as tarefas sejam mais fáceis de serem identificadas e realizadas.

Tenha um bom sistema de arquivamento para os seus documentos (tanto para as cópias digitais quanto para as impressas) para que você possa acessar o que quiser com facilidade e rapidez. Essa é apenas uma dica.

Você deve analisar o nível de organização física e digital que possui e tentar melhorá-lo da forma como puder.

Ser produtivo não é apenas fazer mais coisas em menos tempo. Mas fazê-las de uma forma que realmente trarão resultados e retornos positivos. Pensando nisso, montamos e disponibilizamos gratuitamente o Quadro de Produtividade. Com ele, você vai descobrir as atividades que valem seu tempo de verdade e poderá focar apenas nos projetos mais promissores!

13. Elimine suas distrações

Durante o dia, muitas distrações podem afetar o nosso desempenho no trabalho.

Páginas de redes sociais, televisão, rádio, telefone, conversas paralelas e outros desperdiçadores de tempo devem ser removidos antes mesmo de começar a trabalhar.

Se você não precisa da internet para executar certas tarefas, corte o acesso por completo.

Você vai perceber que, naturalmente, começará a fazer o seu trabalho no devido tempo.

14. Divirta-se trabalhando

Encontre uma maneira mais agradável e divertida de se fazer as coisas e verá como o trabalho ficará mais empolgante.

Esse método é um dos melhores e mais utilizados para elevar os níveis de produtividade.

Dedique um tempo para pensar como pode fazer as tarefas mais complexas serem divertidas e motivadoras e surpreenda-se com os resultados.

Você pode brincar de desafiar a si mesmo cronometrando o tempo que leva para realizar certas tarefas e sempre buscar quebrar um novo recorde.

15. Aprenda com os melhores

Identifique os profissionais que são os melhores no que você faz. Siga-os, aprenda com eles, entenda as melhores práticas utilizadas, adote e molde-as aos seus comportamentos.

Isto influenciará na sua curva de aprendizagem, o tornará um profissional mais completo, atualizado e eficiente aumentando as chances de sucesso na carreira.

Materiais e videoaulas indicados para melhorar sua produtividade:
• Produtividade 4.0: como render mais utilizando a tecnologia a seu favor
• Quadro de Produtividade Comunidade Rock Content e Runrun.it
• Hacks de Produtividade por E-mail!
• Hackeando a Produtividade: GTD, Pomodoro e Inbox Zero simultaneamente usando o Trello
• Playlist de Produtividade Foca no Freela
• [Planilha] Ferramentas e aplicativos para produtores de conteúdo

16. Delegue tarefas

Muitas tarefas que você executa podem ser realizadas por outras pessoas. Talvez até melhor do que você mesmo.

Avalie o que você faz para descobrir se alguma atividade pode ser transferida para alguém com mais tempo disponível e/ou com maiores habilidades para realizá-las.

Tire o máximo proveito do tempo que você tem delegando essas tarefas.

17. Terceirize a produção

Se você paga alguém para realizar os trabalhos, pode utilizar a internet para contratar um profissional freelancer sem qualquer vínculo empregatício.

Devido à concorrência, é possível encontrar profissionais dispostos a realizarem um trabalho de ótima qualidade com preços bastante atraentes.

18. Recompense a si mesmo

Um incentivo pode animar as coisas. Estabeleça pequenas recompensas por suas metas alcançadas diariamente, mensalmente e anualmente.

As recompensas devem ter a importância do esforço dedicado e boa relevância para você.

Por exemplo: uma boa recompensa diária seria realizar uma atividade prazerosa com o tempo que sobra no fim do dia.

Na sexta-feira ou sábado, um happy hour com amigos pode servir como uma recompensa semanal.

Caso bata a meta anual, presenteie-se com uma viagem de férias. A final, você merece.

19. Aprenda a dizer não

Muita gente tem dificuldades em dizer não, mas às vezes é preciso.

Dizer sim para todas as pessoas e coisas que você não quer fazer, tarefas que não são importantes, e as atividades que não estão relacionadas com os seus objetivos, impedirá o progresso do que realmente importa ou do que você realmente deseja fazer.

Se você quer fazer tudo conforme o planejado, significa que terá de levantar e dizer não para outras pessoas e coisas que possam te desviar do objetivo traçado.

20. Crie um ambiente propício

Seu ambiente de trabalho tem um papel fundamental no quesito desempenho.

Certifique-se de que você está trabalhando em um espaço pessoal e que te motiva.

Prepare um ambiente organizado, limpo, confortável, silencioso ou com sons ambientes estimulantes da concentração e relaxamento.

Use odores agradáveis, iluminação na medida certa e incentivos visuais para motivá-lo a alcançar as metas pessoais e profissionais.

21. Melhore a sua postura

Talvez você não saiba, mas a postura pode afetar a sua produtividade.

Procure sentar de forma confortável, mas mantenha a postura correta.

Uma boa postura contribui para diminuir o cansaço gerado e impede o surgimento de dores na coluna vertebral e músculos.

Além disso, quanto mais confortável estiver, mais tempo terá a sua capacidade de atenção e produtividade focada no trabalho.

22. Limite os seus pensamentos

Não se preocupe com cenários hipotéticos e que ainda não ocorreram.

Muitos pensamentos e sentimentos negativos são gerados por essas preocupações desnecessariamente, uma vez que muitas dessas situações nunca ocorrerão.

Evite viver em uma bolha com esses pensamentos. Ao contrário, foque em soluções para cada situação, caso venham a acontecer no futuro.

Assim você se sentirá mais seguro e confiante.

23. Aproveite melhor o tempo no transporte

O transporte pode representar grande parte do seu dia. Por isso, tente reduzir o tempo do trajeto traçando rotas mais curtas, pegando um táxi, pegando uma carona do trabalho para casa, etc.

Se tudo isso não for possível, encontre maneiras de aproveitar melhor o tempo no ônibus, metrô ou táxi para ser produtivo.

Realize tarefas mais simples e que exijam menos concentração durante o trajeto.

Com ferramentas como o Google Now, citada anteriormente, até mesmo dirigindo você pode fazer do seu tempo de viagem mais produtivo.

Indicação de leitura:
🠆 13 podcasts sobre carreira e lifestyle para você acompanhar

24. Defina uma meta

Um alvo ou uma meta lhe dará algo para se apegar.

É a motivação que você precisa para melhorar a produtividade. Melhor ainda. É um desafio que deve ser superado por você.

As metas devem ser divididas por etapas de curto, médio e longo prazo para ajudar a manter o foco e serem alcançáveis para não gerar frustrações.

25. Tire férias

Depois de um ano colocando todas essas dicas em prática, é normal ficar cansado fisicamente e mentalmente.

Chega uma hora em que o desempenho fica seriamente comprometido. Por isso, tire férias.

Essa será uma boa recompensa por todo o esforço dedicado no trabalho. Quando voltar, comece tudo de novo e supere a si mesmo.

As dicas entregues nesse post somente trarão resultados reais se forem colocadas em prática.

Caso contrário, não passarão de teorias. Para aumentar a produtividade no trabalho e ter sucesso na carreira dependerá de sua própria vontade e dedicação.

Então, arregace as mangas e bom trabalho!

Fonte: Rock Content

24 dez
Qualidade de vida – 14 dicas de comportamento para você exercitar

iCEV

01 – Planejamento

 Planeje a sua semana, o seu dia, e até as próximas oito horas, porém não abra mão de sua liberdade de ação, criatividade e improviso, e acima de tudo não seja dependente de nada e de ninguém e tão pouco faça com que as pessoas sejam dependentes de você.

(“Não acrescente dias à sua vida, mas vida aos seus dias” – Harry Benjamin- 1885-1986).

02 – Concentração

 Centralize o seu foco de corpo e alma em cada coisa que vá fazer, procurando fazê-la de forma certa e na primeira vez. Não se permita tentar fazer várias coisas ao mesmo tempo. Pesquisas comprovam que quando se tenta fazer inúmeras coisas ao mesmo tempo, nada sai próximo do razoável, além da sua mente ficar em frangalhos.

(“Nossa mente nunca está bem a não ser quando está em paz consigo mesma.” – Sêneca – Corduba, Hispânia, 4 a.C. — Roma, 65 d.C. ).

 

03 – Se desligar

 A cada duas horas de trabalho concentrado, de uma pausa de dez a quinze minutos. Saia para se arejar, tomar uma água e aproveite para falar com pessoas sobre outros assuntos.

(“O trabalho mais produtivo é aquele que sai das mãos de uma pessoa alegre.” – Victor Pauchet – médico francês, 1869-1936).

04 – Ignore o ser insubstituível

Pense! O que vai acontecer seu eu der uma parada agora! Saiba que nada vai acontecer e no outro dia, as coisas vão estar como deixou. O mesmo ocorre em qualquer atividade humana seja na vida familiar, entre amigos ou profissional.

(“Você está sempre livre para mudar de idéias e escolher um futuro ou um passado diferente.” – Richard Bach – Escritor – E.U.A. – 1936).

05 – Não tente ser responsável por tudo e por todos

 Principalmente quando se trata de fazer com que as pessoas estejam felizes todo o tempo. Claro que dentro do possível, você pode até tentar, mas na grande maioria das vezes são as pessoas que não querem.

(“A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos.” – Thomas Hardy – novelista e poeta inglês – 1840-1928).

 

06 – Ser humilde

Quando precisar de ajuda deixe ao lado o orgulho e a vaidade, peça a aquelas pessoas que Você considera que são neutras, de bom senso e experientes.

(“Quando venço, não sou eu quem vence. De certa forma, termino o trabalho de um grupo de pessoas.” – Ayrton Senna – piloto brasileiro – 1960-1994).

 

07 – Diga não sem se magoar

Você não é obrigado a agradar todas as pessoas e tão pouco se sentir culpado achando que magoou uma ou outra pessoa. Saiba que um “não” bem colocado e no momento certo evita inúmeras e variadas situações.

(“É pior cometer uma injustiça do que sofrê-la, porque quem a comete transforma-se num injusto e quem a sofre não.” – Sócrates – filósofo ateniense – (470–399 a.C.).

 

08 – Identifique quando uma situação é real ou imaginária

Procure diferenciá-los identificando-os rapidamente. Uma das maiores perdas de tempo e ocupação de nossa capacidade mental são perdidos com situações imaginarias ou adivinhações. Utilize o seu tempo e sua mente somente com os fatos e situações reais.

(“A primeira regra é manter o espírito tranquilo. A segunda é enfrentar as coisas de frente e toma-las pelo que realmente são.” – Marcus Aurelius – Romano – 121, imperador romano de 161 a sua morte em 180).

 

09 – Ansiedade e tensões

Ao exercitar os itens acima, com certeza, você não deverá ter qualquer tipo de tensões e ansiedades, a não ser que se envolva com situações de outras pessoas. Neste caso é melhor observar os diálogos, comportamentos e ações, para se tomar uma posição.

(“A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância.” – Dalai Lama – monge budista Tibetano – Tenzin Gyatso – 1935 –).

10 – Valorize o seu dia a dia

Descubra a satisfação e o prazer das coisas simples que a vida oferece como alimentar-se, passear na praça, ouvir as pessoas mais experientes, dormir algumas horas a mais, tomar três banhos ao dia, ler um bom livro, curtir a família e os amigos, porém manter o que foi conquistado na vida pessoal e profissional e ficar atento para novos desafios.

(“Plante seu jardim e decore sua alma ao invés de esperar que alguém lhe traga flores” – William Shakespeare – dramaturgo e poeta inglês -1564-1616).

 

11 – Atualização

Num mundo globalizado são de vital importância ser atualizado, informado e usando todas as facilidades que os avanços tecnológicos proporcionam, porém não cometa com Você, a indelicadeza de se tornar um escravo das tecnologias.

(“Pessoas inteligentes acreditam em apenas metade do que ouvem. Os perspicazes sabem em que metade deve acreditar.” – Anônimo –).

 

12 –Harmonia no Lar

Nunca transporte qualquer situação ou dificuldades do seu dia a dia para o seu lar. Faça de sua casa uma espécie de refugio espiritual, de alegria, de confraternização e de satisfação em reencontrar todos os dias os seus entes queridos que adoram compartilhar com Você o seu jeito de Ser.

(“Um herói é uma pessoa comum que encontra força para perseverar e resistir aos mais esmagadores obstáculos.” – Christopher Reeve –ator de cinema estadunidense – 1952-2004 –).

 

13 – Aprecie o verde da natureza

 Visite a natureza, faça caminhadas e transpire com a umidade das arvores. Caminhe pela praia entre no mar e encha-se de energias que a Mãe natureza proporciona tanto emocional como fisicamente.
(“Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta.” – Carl Young – político e advogado canadense – 1941 –).

14 – Flexibilidade

Toda a rigidez de uma rocha, fica bem numa rocha e jamais nos seres humanos. Para os homens cabe a flexibilidade com firmeza.
(“Apenas os sábios e os estúpidos nunca mudam.” – Confúcio –filósofo Chinês – 551 a.C. – 479 a.C.)

23 dez
Como empresas de qualquer porte podem investir em projetos de impacto social

Escola de negócios e gestão

Projetos de impacto social trazem benefícios para a sociedade e os colaboradores, o fortalecimento da marca e até mesmo resultados econômicos para a empresa. Entenda por que e como começar suas ações de responsabilidade social e os impactos dessa iniciativa no seu negócio.

“Quando crescer, vou ser um astronauta”. É assim a conversa de muitas crianças, não é mesmo? Elas sonham alto e acreditam que ser grande é um dos requisitos para conquistar seus objetivos.

Essa também é a percepção de muitos empresários quando o tema é o desenvolvimento de projetos de impacto social. Determinam metas, traçam planos de crescimento e adivinha só! Entra ano, sai ano, continuam com o mesmo objetivo de ser grande.

Sabe o que isso significa? Que almejar o crescimento é algo necessário e contínuo no mundo business e que não existirá um momento sequer em que os gestores vão querer algo diferente.

Então por que atrasar seu envolvimento social? Nós temos motivos sólidos para que seu negócio comece um projeto social o quanto antes, independentemente de seu porte. Aqui vão alguns números:

-segundo a Content Trends 201972,5% das empresas respondentes usam o Marketing de Conteúdo para reconhecimento e fortalecimento da marca;

-na pesquisa da Markestein70% dos consumidores se dizem interessados em saber o que as marcas estão desenvolvendo como ações de responsabilidade social e ambiental;

-nessa mesma pesquisa, 44% dos consumidores entrevistados disseram estar dispostos a pagarem mais caro por produtos e serviços se tal acréscimo resultar na manutenção contínua dos projetos sociais e ambientais das empresas.

Ou seja, para negócios que querem crescer, fortalecer a marca, conquistar clientes e explorar novos diferenciais de mercado, o desenvolvimento de um projeto social agora, e não no futuro, pode ser a melhor estratégia de crescimento. Mas, é claro, isso não é tão simples.

Além de todo o planejamento, a definição do projeto e o estudo dos custos, ainda é preciso alinhar a ideia com a cultura e a imagem da empresa.

Ainda na pesquisa da Markstein, 74% dos consumidores disseram que grandes empresas que realizam ações sociais têm a autopromoção como primeiro objetivo. Além disso, 73% afirmaram acreditar que tais programas são desenvolvidos para compensar os danos que tais corporações causam.

Em resumo, existe uma linha que separa os projetos de impacto social que trazem retornos positivos para os stakeholders e a empresa, e aqueles que não passam de ações superficiais.

Por isso, elaboramos este conteúdo para compartilhar nossa experiência na concepção do Rock.org e das demais ações sociais da empresa, apresentar alguns conceitos importantes na área de desenvolvimento e responsabilidade social e inspirar você e sua empresa para a criação de um projeto de impacto social relevante.

Boa leitura!

Responsabilidade social: conceitos básicos e contexto histórico

A evolução das ações de responsabilidade social deixa muito claro sua importância, mas aqui vale a definição do conceito para delimitar seus domínios.

O conceito de responsabilidade social

Trata-se de um movimento e o conjunto de ações criadas voluntariamente pelas empresas do setor privado que visam trazer melhorias para a sociedade em que estão inseridas e seu público interno, ou seja, colaboradores e parceiros.

Vale frisar o termo “voluntário”, pois tais ações não estão associadas a eventuais compensações obrigatórias impostas pela administração pública, nem a boas práticas que buscam deduções fiscais.

Por exemplo, o Colégio Logosófico de Belo Horizonte anunciou no início do ano de 2019 que começaria a obra de sua unidade na cidade de Nova Lima.

Para tal, além de obter as devidas licenças ambientais, a escola também fará um aporte para o fundo pecuniário que o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) determina para todos os empreendimentos da região.

Esse montante, por sua vez, é utilizado para a realização de obras de mitigação do impacto viário que tais construções e empreendimentos causam com o aumento do fluxo de pessoas e carros.

Além disso, a escola também fará uma rua interna para agilizar o embarque e o desembarque de alunos e funcionários na tentativa de amenizar ainda mais o tráfego.

Ou seja, o aporte que trará benefícios ao trânsito é obrigatório, mas o estacionamento que agiliza a movimentação de alunos no início e no fim das aulas, não. O primeiro, portanto, não caracteriza uma ação de responsabilidade social embora traga melhorias, mas o segundo, sim.

Percebe que nem sempre categorizamos algumas estratégias e ações das empresas da forma certa? Será que seu negócio já está realizando ações de responsabilidade social e nem se deu conta?

Essa confusão é natural, e, por que não dizer, histórica. Ações obrigatórias como as previstas nesse TAC de Nova Lima, incentivos fiscais que o governo oferece para fomentar iniciativas sociais e aquelas que, de fato, são voluntárias, foram se misturando com o tempo.

Contexto histórico das ações sociais em 3 atos

A relação e as condições de trabalho nos séculos anteriores eram muito mais arcaicas. As divisões de classe da sociedade eram muito delimitadas e exerciam forte influência nas interações humanas. Confira, a seguir, as etapas da evolução das ações sociais.

Revolução Industrial: o ápice das condições insalubres de trabalho e degradação ambiental

Na época da Revolução Industrial, o dono da indústria pouco ou nada se preocupava com o bem-estar de seu funcionário ou com o meio ambiente que explorava.

Acidentes fatais de trabalho por falta de proteção para o funcionário e desastres ambientais eram muito comuns nessa época, principalmente porque o crescimento das indústrias também fomentou o surgimento de cidades em seu entorno, mas nem sempre com as condições saudáveis necessárias.

Doenças se espalhavam mais rapidamente e a concorrência por empregos fazia com que as pessoas aceitassem trabalhar mais, ganhando menos. O descarte de resíduos das indústrias em rios intoxicavam as cidades e seus moradores. Era uma situação insustentável.

As condições trabalhistas, no entanto, começaram a mudar justamente nessa época, boa parte em função de greves e apelos dos trabalhadores.

Áreas de recreação e descanso, intervalo para o almoço, definição de carga horária e idade mínima para o trabalho começaram a surgir. Ainda que hoje sejam condições mínimas e previstas em leis, naquela época não eram unanimidade, mas um ato voluntário de alguns industriais.

Filantropia: investimentos sociais fundamentados nos sentimentos paternalistas

Vivenciar uma época como a Revolução Industrial e enxergar tais injustiças e condições degradantes não deve ter sido uma coisa simples, e, com isso, alguns empresários burgueses iniciaram ações de melhorias de forma voluntária. Mas, nesse caso, por questões pessoais e de filantropia.

Muitas universidades americanas famosas foram fundadas a partir de doações generosas do empresariado norte americano, por exemplo.

Criavam fundos para a criação de um hospital ou doavam coleções inteiras para museus. Tais ações proporcionavam grandes benefícios para a sociedade, mesmo desconectadas das atividades primárias de seus doadores.

Henry Ford fez avanços e melhorias nos benefícios oferecidos aos seus funcionários, e Andrew Carnegie, americano dono de um dos maiores conglomerados industriais no século XIX, fez história com suas ações e publicações que valorizavam e justificavam sua filantropia.

hospital henry ford

Duas das ações judiciais são icônicas na história da responsabilidade social. A primeira, em 1919, foi quando o grupo de acionistas entrou na justiça contra Ford, que queria destinar parte dos lucros para incentivos salariais para os funcionários.

A segunda, em 1953, também era uma reclamação de acionistas da Smith Manufacturing Company contra a doação de recursos para a Universidade de Princeton.

Essa, no entanto, teve decisão favorável para a filantropia, e, notadamente, influenciou a forma como a justiça analisava tais questionamentos e como as empresas e acionistas percebiam favoravelmente tais atitudes.

Despertar da sociedade: melhores direcionamentos para as ações sociais

As ações de filantropia continuaram acontecendo, assim como novas leis de incentivo também foram criadas para que as empresas fossem estimuladas a fazerem mais.

O Direito Trabalhista evoluiu e entidades como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) — agência tripartite da Organização das Nações Unidas (ONU) —, onde trabalhadores, empresas e governos têm seus representantes, se fortaleceram e trouxeram novas contribuições e conscientização para a sociedade.

Naturalmente, as pessoas começaram a questionar quais eram os benefícios gerados para as empresas e a sociedade. Afinal, a corrupção assolava vários países, ações compensatórias não eram percebidas como melhorias, desastres ambientais continuavam acontecendo e notícias sobre o buraco na camada de ozônio preocupavam a todos.

A sociedade, então, começou a conquistar a transparência que demandava, bem como a fortalecer sua voz. A globalização e o acesso à informação fez com que os stakeholders pudessem questionar e opinar.

A mudança nas relações comerciais, a competição do mercado e as alterações no comportamento de consumo também fizeram com que as empresas se preocupassem mais com sua reputação e imagem.

A filantropia realmente mudou os propósitos das ações, fazendo com que as melhorias propostas para o ambiente de trabalho e a sociedade deixassem de ser a busca por condições mínimas e aceitáveis, e fez com que tivesse um foco no bem-estar das pessoas.

Sua concepção, no entanto, continuou evoluindo, fazendo com que a responsabilidade social mudasse, assumindo um propósito maior e um viés genuíno.

Ou seja, os projetos sociais passaram a ter relação com a empresa e trazer resultados perceptíveis para trabalhadores e sociedade, com o propósito único de transformar positivamente as condições atuais, e não somente trazer visibilidade e propaganda institucional.

E é aí que perguntamos: quem disse que somente as grandes empresas devem se preocupar e podem promover tal mudança?

Uma estatística que consolida esse questionamento é que, na atualidade, 99% das empresas no Brasil e nos EUA são classificadas como de pequeno ou médio porte.

Já imaginou como esse montante pode fazer a diferença que precisamos? Se sua empresa precisa de inspiração, é só conhecer alguns cases e projetos de impacto social que fazem sucesso.

Cases inspiradores: projetos sociais de sucesso

Para criar um projeto de impacto social genuíno, é muito importante alinhar seus propósitos e suas ferramentas com aquilo que já existe no negócio. E entender a concepção dessa ideia a partir de exemplos de outras empresas é um ótimo exercício.

Então, a ideia aqui é trazer inspirações. Algumas delas são de empresas grandes, mas isso não significa que sua empresa deve seguir aquele caminho, mas apenas entender como a estratégia foi montada e, então, usar como referência.

Ben&Jerry’s

A marca de sorvete internacionalmente conhecida tem um projeto de impacto social muito amplo. Ela se empenha tanto pelas causas ambientais relacionadas ao aquecimento global quanto pela garantia de direitos civis iguais para casais homossexuais.

Um dos pontos altos de sua estratégia de responsabilidade social é que, além de promover suas ações, ela também participa de campanhas e movimentos que estejam alinhados com suas causas e valores.

E, claro, faz isso com toda sua irreverência. Entre suas ações, podemos citar:

-Paz, Amor e Sorvete, em que fomentam instituições e movimentos que promovem paz e justiça social e econômica para todos;

-Comércio Justo, também conhecido internacionalmente como Fairtrade, onde dão preferência à contratação de agricultores de países em desenvolvimento para fornecimento de suas matérias-primas, garantindo que eles tenham oportunidades no mercado competitivo;

-If it’s melted, it´s ruined, que, em tradução livre, significa que, se derreter, está arruinado. Trata-se de uma campanha contra o aquecimento global em que todas as sorveterias e canais sociais recolhem assinaturas para adesão ao Movimento Global Climático.

bend and jerry

Essas ações se desdobram em muitas outras que pregam a conscientização e a ação da sociedade. Quando a Campanha Rock The Vote (RTV) foi lançada para incentivar os jovens a participarem das eleições americanas, a Ben&Jerry’s lançou o Free Cone Day, onde os cones de sorvete eram gratuitos.

Assim, longas filas de jovens se formaram nas lojas e a RTV conseguiu registrar um recorde da instituição de 11.000 novos eleitores em um só dia. Simples e eficiente, certo?

Além disso, a empresa também tem a fundação Ben&Jerry’s que engaja seus funcionários, formam grupos de ação e tomam decisões sobre causas para as quais devem contribuir.

Ou seja, a cultura da empresa e seus valores estão tão consolidados, que as iniciativas são criadas também pelos funcionários da empresa.

Patagônia

Campeões da terra em 2019. Esse é o mais recente título que a marca de produtos de aventura, a Patagônia, recebeu da ONU.

Além de incorporar a sustentabilidade em todos os seus processos de produção, a marca também é reconhecida por seus investimentos e apoio às ações para a proteção do meio ambiente, onde, é claro, seus principais clientes usam seus produtos.

Entre suas ações sociais, temos:

-o uso de materiais reciclados em 70% de seus produtos, além do compromisso de ampliar para 100% até o ano de 2025;

-substituíram o algodão convencional por cânhamo e algodão orgânico, que têm produções com menores impactos ambientais e ações de restauração;

-desde 1985, doam 1% das vendas anuais para a preservação e a restauração do meio ambiente. Seu fundador, Yvon Chouinard, junto com Craig Matthews, criaram a organização sem fins lucrativos chamada “1% para o Planeta”, para incentivar e ensinar outras empresas a fazerem o mesmo;

Chouinard costuma relatar que a marca Patagônia foi criada para ajudar a salvar o planeta, e isso demonstra claramente o posicionamento de sua liderança.

Líderes engajados nos projetos de impacto social são determinantes para seu sucesso. Não por acaso, seus esforços foram reconhecidos pela entidade mundial mais importante que trata do tema.

IBM

Se o case da Patagônia se destaca pelo papel da liderança nas suas ações sociais, o P-TECH da IBM é um exemplo do alinhamento bem-sucedido entre o know-how da empresa e sua contribuição para a sociedade.

Lançado em 2011, em parceria com educadores da cidade de Nova York, o programa tem como objetivo formar profissionais com as habilidades necessárias para a revolução digital em que vivemos.

Nesse caso, ele capacita jovens para conclusão do ensino médio, técnico e superior, voltados para a área de STEM (Ciências, Tecnologias, Engenharia e Matemática), com práticas no ambiente de trabalho e mentorias no setor privado.

Pela complexidade do projeto, ele depende de parcerias com os governos locais. O Brasil e outros países da América Latina já fazem parte, e, em 2019, outros 20 já anunciaram sua intenção de aderir ao P-TECH.

A formação dura em média 3 anos e, em 2020, a previsão é de que 10 mil alunos iniciem seus estudos na América Latina.

Ambev

Outro ponto elementar para o sucesso dos projetos de impacto ambiental é a dedicação exclusiva de uma pessoa ou um setor para as ideias e as ações da empresa.

A Ambev traz um exemplo rico sobre isso. O programa educacional VOA foi desenvolvido para levar a mentoria e noções avançadas de gestão para o terceiro setor, e, inicialmente, era trabalhado de forma paralela pelo setor de RH.

Mas a demanda cresceu tanto e os efeitos foram tão positivos que, atualmente, sua dedicação é exclusiva e tem total apoio da diretoria.

Segundo os dados do site oficial do VOAsão 115 ONGs beneficiadas, 5 milhões de pessoas impactadas e 12 mil horas de seus funcionários doadas para a mentoria dos gestores do terceiro setor.

Bacana, não é mesmo? Essa doação de know-how e horas de trabalho é um modelo muito eficiente para empresas pequenas ou médias que querem trabalhar alguma ação de responsabilidade social.

Essa foi uma das ações que realizamos aqui na empresa, o projeto chamado One Rock, que explicamos a seguir.

Projetos Rock Content: a concepção de nossas ações sociais

Pelos cases que citamos, fica claro que o envolvimento da liderança, o fortalecimento da cultura entre os funcionários, o direcionamento das ações para áreas de conhecimento do negócio e o foco no que é realmente relevante para a sociedade são alguns dos pilares para o sucesso, certo?

Aqui na Rock Content eles também sempre nortearam nossas ações, inclusive aquelas que envolvem programas de incentivo, como é o caso do Festival Elas, produzido 100% por mulheres, e o Prêmio Zumbi de Cultura, que valoriza a cultura negra.

Rock.org

A concepção do projeto Rock.org traz todos esses elementos que citamos. Para começar, isso sempre foi um desejo dos fundadores da empresa, portanto, o apoio deles era garantido.

Mas como a empresa tem vivido um crescimento acelerado, não dava para tocar um projeto de tamanha grandeza e importância de forma paralela. Então, a decisão seguinte foi escolher alguém para se dedicar exclusivamente ao seu desenvolvimento.

benchmarking e o estudo de outros modelos, como o que propusemos ao citarmos os cases, também fez parte do nosso processo de criação, além, é claro, de misturar nossa cultura e nosso know-how para conceber um projeto de relevância para nossos stakeholders.

Assim nasceu a Rock.org, que tem como objetivo gerar oportunidades de crescimento para iniciativas sociais e jovens.

A ideia era abrir oportunidades para pessoas que não as tinham, compartilhar conhecimento com jovens que poderiam trilhar caminhos de sucesso e usar nosso know-how de marketing para dar a visibilidade que ONGs e instituições sociais precisavam para suas ações.

Para fazer tudo isso acontecer, no entanto, seria preciso engajar nossos colaboradores e garantir que eles pudessem dedicar uma parte de seu tempo de trabalho para o projeto.

Assim, decidimos parar todo o time por um dia. E, como todo gestor sabe, tempo é dinheiro.

Porém, essa ação gerou resultados diretos e indiretos muito mais substanciais do que o montante gasto. Além de impactar positivamente o público-alvo, que eram as ONGs e suas causas, o Rock Volunteer Day também trouxe:

-aumento do orgulho dos nossos colaboradores em fazerem parte de uma empresa socialmente responsável;

-atração de novos talentos que se identificaram com a ação;

-experiência diferenciada e gamificada para os colaboradores, que se viram em times fora dos habituais e trabalhando arduamente para o mesmo resultado.

No nosso caso, além do investimento de um dia inteiro dedicado a fomentar a plataforma Rock.org, também gastamos com premiações, material de divulgação e lanche, mas nada comparado ao retorno tão plural que tivemos.

Rock University

Rock University é uma das referências em conteúdo e formação para profissionais na área de marketing, e, a cada curso vendido na plataforma, outro é doado para um jovem que precisa de oportunidades de desenvolvimento ou um líder de ONG.

Empresário sombra

Em parceria com a ONG internacional Junior Achievement, recebemos alunos de instituições públicas para que eles vivenciem áreas profissionais de interesse.

Vivências como essas inspiram os futuros profissionais, demonstram a realidade do mercado e fazem com que eles saibam quais direcionamentos seguir para seu desenvolvimento acadêmico.

Aqui na Rock Content, além de conhecer setores relacionados ao Marketing Digital, também é possível visitar áreas de desenvolvimento e TI, bem como outras convencionais, como Recursos Humanos e Financeiro.

Ou seja, temos um mix de ações de responsabilidade social interessante por aqui. Enquanto algumas demandam investimentos, outras necessitam apenas da dedicação do nosso tempo ou a doação de um serviço que já está pronto.

Então, para uma empresa de médio ou pequeno porte, qual deles é o mais aconselhável? E como começar?

Plano de ação: como desenvolver seu projeto de impacto social em 2020

O primeiro passo, sem dúvidas, é envolver os gestores do negócio e fazer com que eles inspirem o restante do time. Depois, um brainstorming pode ajudar a encontrar uma causa para abraçar.

Faça um brainstorming

brainstorming, quando diferentes profissionais se juntam para pensar em novas ideias e soluções para uma demanda, pode trazer visões interessantes sobre problemas sociais e ambientais vivenciados no entorno da organização.

Por isso, é muito valioso que ele seja feito com profissionais de diferentes áreas, formações e níveis hierárquicos. Cada um deles terá uma perspectiva e uma experiência diferente em relação à sociedade e ao mercado em que a empresa está inserida.

Use cases de sucesso e redes sociais para se inspirar

Conhecer cases de projetos de impacto social é muito importante, uma vez que eles ajudam a entender a relação com o core business das empresas e até mesmo quais causas ainda estão carentes de atenção.

Outra medida interessante, especialmente para empresas pequenas e médias que não podem investir muito, é buscar ideias nas redes sociais.

Alguns perfis são dedicados exclusivamente a compartilhar boas ações, sejam de pessoas, sejam de empresas. Outros são de entidades que denunciam situações de risco, problemas ignorados ou comunidades negligenciadas. Alguns exemplos são:

  • @midiamor;
  • @razoesparaacreditar;
  • @sonoticiaboa;
  • @upworthy;
  • @greenpeace;
  • @unep;
  • @unesco;
  • @unicef.
instagram razoes para acreditar

Esses exemplos podem criar insights importantes para seu brainstorming e fazer com que um projeto social seja desenvolvido com o que a sociedade mais valoriza: relevância.

Saiba quais são os principais tipos de ações sociais

Algumas ações sociais são mais tradicionais, até mesmo pelo contexto histórico que apontamos. Entre elas temos:

Filantropia corporativa

Que pode acontecer de várias maneiras, desde a doação de parte dos lucros para instituições não governamentais e também a definição de políticas internas, como dobrar a doação que um funcionário faz para uma organização, por exemplo

Voluntariado corporativo

Que é quando a empresa dedica parte de seus talentos, especialmente os profissionais, para ajudar em causas sociais.

doação de 1% do horário de trabalho é um ótimo exemplo, que, aliás, é seguido por muitas empresas, inclusive a Salesforce.

Liderança ambiental

Promovendo mudanças em suas cadeias produtivas, comprando créditos de carbono e contribuindo para causas relacionadas ao meio ambiente.

Empresas que pregam a sustentabilidade também podem ser incluídas nessa categoria, afinal, estão diminuindo o impacto de suas atividades na natureza e, em muitos casos, reduzindo suas despesas de consumo.

Práticas éticas de trabalho

Promovendo a igualdade no ambiente corporativo, combatendo preconceitos, garantindo o respeito às diferenças e oferecendo benefícios mais justos para seus trabalhadores, como uma licença maternidade prolongada.

Responsabilidade econômica

Fazendo os pagamentos regulares de impostos, participando de programas de compensação para a sociedade e oferecendo salários que permitam que seus funcionários não fiquem suscetíveis às variações da economia local.

Defina os objetivos da empresa

Qual é o propósito da sua empresa? Quando a Patagônia decidiu trocar sua principal matéria-prima, quis diminuir os danos ambientais de sua cadeia produtiva, ainda que isso representasse um acréscimo no valor final de seus produtos.

A IBM quis formar profissionais que estivessem prontos para lidar com os novos desafios da Transformação Digital, e, quem sabe, absorver esses talentos em seu quadro.

Outras empresas almejam:

-melhorar as condições dos seus fornecedores primários;

-corrigir injustiças sociais;

-ajudar, por exemplo, 50 famílias carentes ou 400 jovens;

-tornarem-se referências em responsabilidade social.

É claro que o objetivo genuíno é ajudar, retribuir. Mas isso precisa ser traduzido em números, ou quantificado. Por isso, é fundamental racionalizar o que se espera de um projeto de impacto social. Uma boa dica para isso é seguir um checklist:

-alinhe os objetivos da empresa com o que é relevante para clientes, sociedade e funcionários;

-foque iniciativas que provoquem impactos reais;

-procure dados estatísticos sobre a demanda social para identificar possíveis conexões emocionais entre público e empresa.

Trace as ações necessárias para conquistar tais objetivos

Nesta etapa, é importante alinhar os objetivos sociais às mudanças que serão promovidas na empresa.

Aqui na Rock Content temos uma equipe jovem, inovadora e consciente. Desse modo, concluímos que propor uma ação que ajudasse na empregabilidade e na educação de outros jovens causaria um ótimo engajamento.

Assim, definir as ações ficou mais simples. Bastou juntar nossa força interna e seus conhecimentos de marketing para direcionar tudo isso para o público que queríamos atingir, fossem os jovens, fossem as ONGs que cadastramos e mentoramos.

Escolha ferramentas para incentivar as ações internas

Compartilhar conhecimento está na cultura da Rock Content, e, em um desses episódios, uma de nossas supervisoras trouxe informações e estratégias muito valiosas sobre gamificação.

Uma das premissas da responsabilidade social é usar recursos e talentos para promover os impactos necessários, certo?

Nesse caso, usamos esse conhecimento para criar um projeto que envolvesse nossos colaboradores e fizesse com que todos trabalhassem em alta performance no Volunteer Day.

Liste as atividades e seus respectivos prazos de conclusão

Fazer um planejamento ajudará a organizar as próximas etapas. Entre elas, podemos citar:

-conscientização e sensibilização dos colaboradores;

-identificação de um líder, talentos que podem ajudar na elaboração e multiplicadores para manter o time engajado;

-período de teste do projeto, de um ano, por exemplo;

-apuração dos resultados e eventuais ajustes.

Ponto de partida: comece agora

Depois que iniciamos nossas ações, nos envolvemos com outras entidades e projetos, muitas ONGs nos procuraram e trouxeram novas demandas e um universo de possibilidades surgiu no nosso horizonte.

Não conseguimos atender a todos imediatamente, mas criamos um modelo de edital por meio do qual as ONGs interessadas podem se inscrever.

Clientes da nossa empresa também nos procuraram querendo saber como começar, o que foi muito importante, afinal, inspiramos outras empresas a começarem também e essa onda multiplicadora deve continuar.

Então, que tal criar um projeto de impacto social na sua empresa?

Se pensar bem, seus colaboradores ficarão felizes em fazer parte de uma empresa engajada social e ambientalmente, a sociedade se beneficiará com suas ações e os clientes se identificarão com sua marca.

Todo mundo ganha, certo? Se ainda tem alguma dúvida ou quer entender como funciona nosso projeto, convidamos você para uma visita ao Rock.org, e, claro, nos colocamos à disposição para ajudar!

 

Fonte: Rock Content 

21 dez
Parte 2 – Vamos descomplicar! Como fixar com mais facilidade o conteúdo acadêmico?

iCEV

Agora vamos aprofundar mais um pouco, na Parte 1 você viu que ler repetidas vezes pode não ser a melhor forma de absorção de conteúdo acadêmico. A metacognição pode ser ensinada e aprendida, então na parte 2 vamos mostrar de uma forma mais prática como colocar isso em prática.

Um exemplo guiado de uso de metacognição

Passe por ciclos de análise e identificação “do quê”Quais são os fatos importantes? Quais são os conceitos mais importantes? O que eu entendo? O que eu não entendo?

Depois, mergulhe mais fundo, identificando onde o conhecimento importante se encaixa em um conhecimento pré-existente. Responda as seguintes perguntas nesse processo:

-Como resumiria isso brevemente? Quais são os principais conceitos?

-Isso me lembra algo que eu já conheço nesse domínio do conhecimento?

-Isso me lembra alguma coisa em outro domínio não relacionado do conhecimento?

-Que outras coisas eu sei que apoiam a veracidade desse conceito?

-Posso pensar em outra coisa que conheça que contradiga esse conceito?

-Conheço exemplos concretos ou práticos que ilustram ou iluminam esse conceito?

-Quão desafiador é para mim compreender isso?

-Se este é o QUE, posso explicar o POR QUE? (ou vice-versa, conforme aplicável)

-Por que isso é tão importante saber?

-Eu acho isso interessante? Por que é esse o caso, ou por que não?

-Eu acho isso surpreendente? Por que é isso ou por que não é esse o caso?

-Como posso aplicar isso no mundo real?

Lembrando o que você aprende para sempre

Como você pode se lembrar do que aprendeu para sempre? Esquecer é o normal da mente humana. Isso foi comprovado pelos experimentos realizados por Ebbinghaus há mais de um século. A única maneira de manter deliberadamente sua capacidade de recuperar o conhecimento específico que você deseja lembrar é manter propositadamente suas memórias através da prática de recuperação.

Se esse termo é novo para você, estamos falando em testar sua memória para cada conceito e fato individual. A prática de recuperação pode ser realizada usando flashcards.

O conceito de flashcards é você vincular aos conceitos e fatos em seus materiais de aprendizagem. Então, na prática de recuperação, se tiver dificuldades com uma resposta, é só “clicar em um link” que abrirá o conteúdo de aprendizado de origem no local exato relevante para o cartão de memória flash. Utilizando a memória e voltar rapidamente à sessão de recuperação.

Isso é especialmente útil, pois você pode fazer isso sozinho, a qualquer momento que desejar. A prática também pode ser alcançada estudando-se com amigos ou na escola quando o professor o testar durante discussões em sala de aula, questionários ou exames. Estou muitos anos além da minha fase acadêmica formal da vida, mas, como aprendiz ao longo da vida, os cartões de memória são meu objetivo para as coisas que quero lembrar para sempre.

 

Aviso: Flashcards são uma ferramenta poderosa para fortalecer a capacidade de recall, mas não devem ser usados ​​para aprender algo em primeiro lugar! Consuma e compreenda ativamente o material primeiro. Registre os principais conceitos e fatos que você deseja lembrar, criando flashcards de repetição espaçada. Em seguida, teste e desenvolva sua capacidade de recordar o que aprendeu com cartões de memória flash!

Por que a prática de recuperação é tão poderosa e como você pode torná-la ainda mais eficaz?

Sabemos que toda vez que você recupera uma memória, você a altera e também fortalece sua capacidade de recuperá-la. Com base nas pesquisas atuais, sabemos que as memórias são armazenadas no nível de um agrupamento de sinapses pertencentes a uma coleção de neurônios.

Este grupo de neurônios é chamado de engrama . O neurônio típico tem milhares de sinapses e, sem dúvida, todo neurônio que participa de um engrama armazenando uma memória específica também participa de muitos outros engramas que armazenam outras memórias. Isso explica por que as memórias são tão associativas e por que, quando lembramos de uma memória, rapidamente temos outras memórias surgindo na consciência, o que parece ser uma cascata espontânea.

Se eu pedir para você pensar em pizza, sem dúvida surgirá um fio de pensamentos relacionados e, às vezes, aparentemente não relacionados. Por exemplo, seu primeiro pensamento em pizza pode provocar uma lembrança de seu primeiro encontro com seu cônjuge quando você foi a uma pizzaria. Esse pensamento pode levar a lembrar que hoje de manhã sua querida esposa pediu para você voltar para casa mais cedo hoje. Então você deve se lembrar de que está aborrecido por ter que cumprir a obrigação de jantar que está correndo para casa para participar. É assim que a Internet do nosso cérebro funciona.

Somos abençoados com uma capacidade de armazenamento quase ilimitada para memórias, mas o problema é recuperá-las quando precisamos delas. É disso que se trata o esquecimento e a experiência da ponta da língua.

Quando praticamos a recuperação, fortalecemos nossa capacidade de recordar essa memória. Isso ocorre porque fortalecemos as conexões sinápticas do engrama da memória. Mas também criamos novas associações cada vez que recuperamos uma memória, ao vinculá-la às circunstâncias e ao contexto em que estamos, toda vez que a recuperamos.

A ciência cognitiva e a neurociência maximizam os neurônios que disparam juntos, são um truísmo e estão incorporados no poder da prática de recuperação deliberada. Cada vez que você pratica a recuperação de um fato ou conceito, facilita a recuperação novamente no futuro.

 

Mas é escalável praticar a recuperação de todos os fatos e conceitos acadêmicos que você gostaria de manter ao seu alcance?

Imagine que você tenha uma coleção de 20.000 flashcards dos conceitos e fatos acadêmicos dos quais deseja se lembrar facilmente. O que você faz quando acorda todas as manhãs? Praticar a recuperação de todos os 20.000?

É aqui que entra a repetição espaçada, espaçamento AKA. O espaçamento permite que você pratique apenas o pequeno subconjunto de sua coleção que você provavelmente está próximo de esquecer. Com um bom algoritmo de espaçamento que seleciona e programa sua prática diária, provavelmente estamos falando em revisar menos de 100 cartões por dia dentre os 20.000 que estão em sua coleção há pelo menos um mês. (Os flashcards mais recentes geralmente precisam de prática mais frequente durante o primeiro mês.)

Os algoritmos de espaçamento geralmente levam em consideração a sua classificação de quão facilmente você conseguiu recuperar a resposta correta no tempo anterior em que praticou o flashcard e o período de tempo desde a última vez que praticou.

Além de tornar escalável o gerenciamento de uma grande coleção de cartões de memória flash, a outra grande vantagem do espaçamento é que você deve praticar a recuperação de maneira ideal quando estiver perto de esquecer uma resposta, mas não atravessar completamente para concluir o esquecimento. Quanto mais esforço for necessário para recuperar uma resposta, mais forte será o efeito de desenvolver sua capacidade de recordar esse conceito ou fato no futuro.

Principais Conclusões

Não há habilidade que você possa dominar que seja mais valiosa do que a capacidade de consumir conteúdo acadêmico com uma mente questionadora, utilizando a metacognição. Ao pensar em sua interação consciente com o conteúdo e ter um diálogo interno enquanto o processa, você pode identificar as partes importantes, controlar o seu nível de atenção e compreensão e considerar cuidadosamente onde esses novos aprendizados se encaixam no universo daquilo que você já conhece.

Ao criar sua base de conhecimento, crie o hábito e a prática de capturar seus aprendizados em flashcards de repetição espaçada enquanto consome seus materiais de aprendizagem. Então, todos os dias, pratique a recuperação desse pequeno subconjunto de cartas que você está quase esquecendo. Você descobrirá que pode manter, continuamente, todos os aprendizados que deseja lembrar. Para sempre.

 

 

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