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Entenda os impactos da pandemia de coronavírus nas economias global e brasileira

Pandemia afeta produção e cadeias globais de suprimentos, fecha fronteiras, derruba bolsas, cancela eventos no mundo todo e eleva temores de uma recessão global.

18 de Março de 2020
Pessoas caminham em Las Ramblas, via que é um tradicional ponto turístico em Barcelona, na Espanha, neste domingo (15)  — Foto: Emilio Morenatti/AP

Pessoas caminham em Las Ramblas, via que é um tradicional ponto turístico em Barcelona, na Espanha, neste domingo (15) — Foto: Emilio Morenatti/AP

A pandemia de coronavírus tem provocado abalos nos mercados globais, nas cadeias globais de suprimentos e na atividade econômica como um todo, elevando o risco de uma recessão global.

O avanço do coronavírus tem colocado regiões inteiras em quarentena e confinamento, com diversos países fechando as fronteiras e decidindo ampliar medidas restritivas para tentar frear a disseminação da doença e minimizar os impactos econômicos.

Embora o maior número de casos confirmados ainda estejam concentrados na China, a Europa se tornou o novo epicentro do coronavírus, com países como Itália, Espanha e França e Espanha impondo quarentena nacional à população.

Veja a seguir os principais impactos e possíveis consequências do avanço do coronavírus nas economias global e brasileira:

Coronavírus: Europa é o novo epicentro da pandemia

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Economia paralisada

Além dos impactos nos mercados e no comércio global, com interrupção de produção industrial e cancelamentos de grandes eventos, a pandemia tem levado governos a determinar o fechamento de lojas e serviços, a suspensão de aulas, em meio a uma convocação cada vez maior para que a população fique dentro de casa.

Na China, o coronavírus fechou fábricas e centros comerciais e deixou muitos cidadãos trancados em suas casas por medo do contágio, reduzindo drasticamente o consumo e a produção industrial.

Fora da China, Itália, Espanha, França Irã e Coreia do Sul estão entre os mais afetados pela pandemia.

Na América Latina, aulas foram suspensas em diversos países e países como Argentina, Chile e Colômbia decidiram fechar as fronteiras por 15 dias.

No Brasil, medidas de restrições de circulação de pessoas nas ruas e escolas entraram em vigor nesta segunda-feira (16).

Funcionária desinfeta mesa de escola fechada como precaução contra o Covid-19 em Beirute, no Líbano, na terça-feira (3). — Foto: Mohamed Azakir/Reuters

Funcionária desinfeta mesa de escola fechada como precaução contra o Covid-19 em Beirute, no Líbano, na terça-feira (3). — Foto: Mohamed Azakir/Reuters

Viagens aéreas, feiras internacionais, eventos e shows têm sido cancelados no mundo todo. Nos Estados Unidos, o Festival Coachella, que ocorreria em abril na Califórnia, por exemplo, foi adiado para outubro. Até a estreia mundial de “Sem tempo para morrer”, novo filme do agente James Bond, foi adiada.

No Japão, todas as escolas de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio foram orientadas a ficar fechadas até o fim das férias da primavera em abril para ajudar a conter o surto. Já o parque da Disney em Tóquio anunciou que ficará fechado por duas semanas. E a ministra da Olimpíada já alertou que há a possibilidade de adiamento dos Jogos Olímpicos.

Já a Arábia Saudita suspendeu as peregrinações a Meca também para cidadãos sauditas.

Desaceleração da economia global e da China

Já é praticamente consenso que a economia global e o PIB (Produto Interno Bruto) da China deverão crescer menos que o esperado em 2020. E analistas já avaliam que a dimensão da crise poderá ser maior que a da crise financeira de 2008.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu a previsão de crescimento da economia mundial para 2020, passando a projetar um crescimento de 2,4%, menor expansão desde 2009 e ante expectativa anterior de 2,9%, citando o coronavírus e as contrações na produção chinesa.

projeção da OCDE para a China é de uma taxa de crescimento de 4,9% em 2020, 0,8 ponto a menos do que as estimativas de novembro. Em 2019, o PIB chinês desacelerou para 6,1%, o menor crescimento em 29 anos.

Vale lembrar que a China é a segunda maior economia do mundo, com uma participação no PIB global da ordem de 18%.

O Goldman Sachs passou a projetar estagnação nos EUA nos primeiros três meses do ano, contra crescimento de 0,7% esperado antes. Para o 2º trimestre, a estimativa é de contração de uma 0,5%, ante projeção inicial de estabilidade.

Para piorar o cenário global, a Arábia Saudita e a Rússia iniciaram uma guerra de preços por maior participação no mercado de petróleo, que derrubou a cotação da commodity para US$ 30 – patamar que não era registrado desde o início de 2016.

Entenda o impacto do novo coronavírus e 'guerra do petróleo' na economia

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Cadeias globalmente integradas

O coronavírus também traz consequências para os principais parceiros comerciais chineses e para as cadeias globais de suprimentos, incluindo eletrônicos e até medicamentos.

A China produz atualmente mais de 20% de todos os bens intermediários manufaturados que são consumidos no mundo. No segmento eletroeletrônico, as exportações chinesas de bens intermediários respondem por mais de 10% da produção global desses produtos.

Segundo um relatório da Trendforce, empresa chinesa de análise de cadeia de suprimento, a produção de smartphones no primeiro trimestre de 2020 pode cair 12% se comparada ao mesmo período em 2019. Se confirmada a previsão, essa seria a pior produção para o primeiro trimestre em 5 anos. E outros tipos de dispositivos, como monitores, TVs e notebooks, também devem ter redução de milhões de unidades na produção.

A catedral de Milão e a piazza del Duomo praticamente vazia depois do surto do novo coronavírus — Foto: Miguel MEDINA/AFP

A catedral de Milão e a piazza del Duomo praticamente vazia depois do surto do novo coronavírus — Foto: Miguel MEDINA/AFP

Bolsas desabam pelo mundo

A pandemia tem provocada perdas históricas nas bolsas. Na Europa, as ações recuaram despencaram a mínimas de 2012.

Nos EUA, as perdas no ano das empresas listadas em bolsa passa de US$ 5 trilhões. No mundo, estima-se aproximadamente US$ 14 trilhões em valor de mercado perdidos, e até ativos seguros, como o ouro, estão sendo vendidos para compensar as perdas.

Entre as ações mais afetadas estão as de companhias aéreas, empresas do setor de turismo, tecnologia, eletrônicos, automóveis e até alimentos.

O temor de uma recessão global tem levado os bancos centrais a reduzirem as taxas de juros e a anunciar medidas de estímulo, mas o sentimento de pânico ainda prevalece nos mercados.

O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) anunciou, em pleno domingo, a redução da taxa de juros dos Estados Unidos para a faixa de 0% a 0,25% ao ano, o que agravou os temores sobre o impacto econômico da pandemia. Foi o segundo corte de juros em menos de duas semanas.

Preços do petróleo desabam

Os valores do petróleo também têm sido abalados, recuando para US$ 30 – mínima que não era registradas desde 2016.

O tombo se acentuou depois que a Arábia Saudita iniciou uma guerra de preços com a Rússia por maior participação no mercado, ampliando ainda mais o ambiente de incerteza de investidores já preocupados com o coronavírus e o risco de uma recessão global.

O corte de preços e aumento da produção anunciado pela Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, veio na esteira do fracasso das negociações entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia, que é o 3º maior produtor mundial e se opôs à proposta de cortes mais profundos na produção sugeridos pelos países do grupo para estabilizar os preços do petróleo.

Médicos (na parte de cima da imagem) passam por camas vazias enquanto um paciente descansa em um hospital temporário criado para pacientes com o novo coronavírus COVID-19 em um estádio de esportes em Wuhan, na província central de Hubei, na China — Foto: AFP

Médicos (na parte de cima da imagem) passam por camas vazias enquanto um paciente descansa em um hospital temporário criado para pacientes com o novo coronavírus COVID-19 em um estádio de esportes em Wuhan, na província central de Hubei, na China — Foto: AFP

Médicos (na parte de cima da imagem) passam por camas vazias enquanto um paciente descansa em um hospital temporário criado para pacientes com o novo coronavírus COVID-19 em um estádio de esportes em Wuhan, na província central de Hubei, na China — Foto: AFP

Empresas projetam lucros menores

Em meio à tensão global, as empresas como Apple, Microsoft, AB InBev, United Airlines, IAG, Mastercard, ToyotaDanone e Diageo passaram a alertar seus acionistas que o surto afetará seus resultados.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), por exemplo, estima que o setor de transporte aéreo de passageiros pode sofrer perdas de até US$ 113 bilhões em receita este ano, uma vez que pessoas em todo o mundo têm cancelado viagens não essenciais.

Diversas companhias como Google recomendou que todos os funcionários nos Estados Unidos e no Canadá trabalhem de casa devido ao surto do novo coronavírus.

No Brasil, a Petrobras também já adiantou que o resultado financeiro da companhia no primeiro trimestre deverá ser impactado, principalmente em razão da queda no preço internacional do petróleo. Atualmente, cerca de 65% do petróleo produzido pela Petrobras é vendido para a China.

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Impacto na economia brasileira

As preocupações em torno dos impactos do coronavírus na economia global também tem pesado nas revisões para baixo nas projeções para o crescimento da economia brasileira em 2020.

mercado brasileiro reduziu para 1,68% a previsão a alta do PIB em 2020, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, mas diversos bancos e consultorias já estimam um crescimento mais próximo de 1,5%. E crescem também as apostas de um novo corte na taxa básica de juros, atualmente em 4,25% ao ano.

Ministério da Economia reduziu sua estimativa oficial para o crescimento do PIB em 2020 de 2,4% para 2,1%, destacando que o tamanho do impacto da crise provocada pelo coronavírus sobre os países “dependerá da sua magnitude e da dinâmica de sua recuperação”.

“A epidemia pode provocar comportamentos precaucionais na população como diminuição de viagens, reduções de jornada, ou ainda, adoção de home-office”, avaliou o ministério em boletim.

Choques da economia chinesa geralmente afetam também o Brasil. Vale lembrar que a China é o destino de quase 30% de tudo que o Brasil exporta atualmente.

Além de importante comprador de commodities brasileiras como minério de ferro e soja, o país asiático também tem papel relevante como fornecedor para a indústria local, especialmente a de produtos eletroeletrônicos. E já há relatos de falta de peças para a montagem de produtos, em razão da interrupção da produção e redução dos estoques na China.

O coronavírus também tem provocado abalos no mercado de ações e no câmbio. O dólar superou pela 1 vez na história o patamar de R$ 5. Já a Bovespa perdeu o patamar de 80 mil pontos e acumula queda de cerca de mais de 35% em 2020.

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Produção suspensa em fábricas do Brasil

A fábrica da LG e unidades da Samsung e da Motorola tiveram produção suspensas no Brasil, por falta de componentes eletrônicos que deveriam vir da China. A falta de peças para produção de celulares obrigou a fábrica da LG Eletronics, em Taubaté (SP), levou a empresa a dar férias coletivas para cerca de 200 funcionários.

A China é a principal fonte de componentes do Brasil. O país é um dos principais vendedores de chips, circuitos integrados e outras partes e peças que vão se tornar celulares, máquinas de lavar, televisores e diversos outros eletrônicos em outros países.

De acordo com informações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), metade das empresas já têm problemas no recebimento de materiais da China.

Soja, minério e carne

Do lado da exportação, o principal impacto de curto prazo tem sido nos preços das principais commodities vendidas pelo Brasil. As cotações da soja, do petróleo e do minério de ferro têm recuado diante do temor de uma desaceleração da economia chinesa.

A soja representa cerca de 30% de tudo o que o Brasil exporta para a China, seguido de petróleo (24%) e minério de ferro (21%).

Como os contratos de compra e venda destes produtos costumam ser fechados com meses de antecedência, as vendas nos próximos meses para a China estariam asseguradas. A maior preocupação é de que o surto se estenda muito além deste primeiro trimestre ou uma desaceleração mais forte da economia chinesa.

As exportações de carne brasileira para a China, que estavam em alta depois de a peste suína africana atingir a oferta de carne do país asiático desde meados de 2018, também devem ser afetadas.

Ouro em alta

A busca por ativos considerados mais seguros também tem feito saltar o preço do ouro, que atingiu o maior valor em 7 anos, chegando a US$ 1.684,60 a onça (28,34 gramas).

 Fonte: G1

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