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20 nov
Negros e negras brasileiros que deveriam ser mais estudados nas escolas

iCEV

“Parece que os negros não têm passado, presente e futuro no Brasil. Parece que sua história começou com a escravidão, sendo o antes e o depois dela propositalmente desconhecidos.”

Quem afirma é o antropólogo Kabengele Munanga, professor do Centro de Estudos Africanos da Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências e Humanidades da USP. Não à toa, o Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, é baseado na história envolta em mistérios e lendas de Zumbi dos Palmares, escravo que liderou um quilombo em Alagoas no século 17.

Considerado o maior herói do movimento negro brasileiro, Zumbi teria sido assassinado em 20 de novembro de 1695. A data, porém, só foi descoberta em 1970 e só em 2003 foi incluída no calendário escolar.

Ainda assim, é constante a reclamação, por parte de ativistas, de que negros e negras proeminentes na história brasileira continuam sendo deixados de lado nas aulas de História. Conheça alguns deles.

Zumbi dos Palmares

No século 17, Zumbi foi capturado por bandeirantes ainda bebê e entregue ao padre Antônio Melo, em Porto Calvo, região do Rio São Francisco. Sabe-se que ele foi batizado pelo padre com o nome de Francisco, mas a data exata de seu nascimento não é conhecida.

Com 15 anos, Zumbi conseguiu fugir para o Quilombo dos Palmares, atual região de Alagoas. No quilombo – uma das comunidades livres fundadas por escravos que conseguiram fugir dos seus senhores -, o adolescente adotou o nome de Zumbi, que significa “espectro, fantasma ou deus” no idioma quimbundo.

O Quilombo dos Palmares foi o maior das Américas, abrigando cerca de 20 mil habitantes em 11 povoados.

“Zumbi liderou a luta contra a escravidão e reuniu não apenas muitos negros que fugiam das senzalas, mas também indígenas e brancos insatisfeitos com o regime escravista”, disse Kabengele Munanga à BBC Brasil.

Zumbi foi o último líder do Quilombo dos Palmares e chefiou a luta de resistência contra os portugueses, que durou 14 anos e terminou com sua morte, em 1695.

Mesmo carente de armas, o Quilombo dos Palmares tinha uma eficiente organização militar. A comunidade resistiu a 15 expedições oficiais da Coroa.

Na décima sexta expedição, depois de 22 dias de luta, Zumbi foi capturado, morto e esquartejado por bandeirantes. Sua cabeça foi enviada para o Recife, onde ficou exposta em praça pública até se decompor.

Dandara dos Palmares

Assim como Zumbi, não há registros do local nem da data de nascimento Dandara. Acredita-se que ela foi levada para o Quilombo dos Palmares ainda criança. Lá teria aprendido a caçar, lutar capoeira e manusear armas. Foi uma das líderes do exército feminino em Palmares e mulher de Zumbi, com quem teve três filhos.

Depois que o Quilombo foi tomado pelos portugueses,em fevereiro de 1694, Dandara cometeu suicídio para não ser capturada e voltar à escravidão.

Milton Santos

Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia. Filho de dois professores primários, ele tornou-se um dos geógrafos negros mais conhecidos no mundo.

Sua formação, no entanto, não era em Geografia, e sim em Direito, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Santos foi o precursor da pesquisa geográfica na Bahia e, na década de 1990, tornou-se o único pesquisador brasileiro a ganhar o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel de Geografia. No mesmo período, ganhou um Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira, pelo livro A Natureza do Espaço.

Após o golpe militar de 1964, o baiano foi perseguido e preso pelo regime, por ter sido representante da Casa Civil na Bahia durante o curto governo de Jânio Quadros. Com ajuda do consulado da França, conseguiu asilo político na Europa.

O geógrafo deu aulas e fundou laboratórios na França, na Inglaterra, na Nigéria, na Venezuela, no Peru, na Colômbia e no Canadá. Ele conseguiu retornar ao Brasil somente nos anos 1980.

Apelidado de “Cidadão do mundo”, Milton Santos recebeu vinte títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da América Latina e da Europa, publicou mais de 40 livros e mais de 300 artigos científicos. Morreu em 24 de junho de 2001.

Machado de Assis

Filho de um mulato pintor de paredes e de uma imigrante portuguesa que trabalhava como lavadeira, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Rio de Janeiro. A escravidão foi abolida somente 49 anos após o seu nascimento.

Por causa do preconceito racial, ele teve acesso limitado ao ensino e se tornou autodidata. No seu primeiro trabalho, em uma padaria, aprendeu com a patroa a ler e traduzir em francês.

Aos 17 anos, se tornou tipógrafo na Imprensa Nacional. Passou a colaborar para diversas revistas aos 19 anos e, pouco depois, trabalhou para jornais como Correio Mercantil e Diário do Rio de Janeiro.

Machado de Assis só se tornou um escritor conhecido a partir de 1872, com a publicação do romance Ressurreição. Ele foi eleito o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. O livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em 1881, é considerado sua maior obra e uma das mais importantes em língua portuguesa.

O romancista morreu em 29 de setembro de 1908.

Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 13 de maio de 1881, no Rio de Janeiro, neto de escravos e filho de professores.

Em 1897, menos de dez anos após o fim da escravidão, ele foi aceito na importante escola de Engenharia do Rio de Janeiro – o único negro da sala. No entanto, ele abandonou a universidade em 1902 para cuidar do pai, que sofria de uma doença mental.

Lima Barreto tornou-se funcionário público para sustentar a família e, nas horas vagas, escrevia reportagens para o jornal carioca Correio do Amanhã, denunciando o racismo e a desigualdade social no Rio de Janeiro.

Um dos principais romances brasileiros, O Triste Fim de Policarpo Quaresma, foi o segundo romance publicado por Barreto.

Ele morreu em 1922, aos 41 anos, considerado louco. Deixou uma obra de dezessete volumes e nunca recebeu nada para escrever nenhum deles.

Seu reconhecimento como escritor veio somente após a morte. Em 2017, foi o homenageado da Feira Literária de Paraty, um dos maiores eventos da literatura brasileira.

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus nasceu em 1914, em Sacramento, Minas Gerais. De família pobre, ela cursou somente os primeiros anos do primário, e se mudou para São Paulo em 1937, onde trabalhou como doméstica e catadora de papel.

Nesse período, ela mantinha consigo inúmeros diários onde relatava o seu dia a dia como moradora da favela do Canindé.

Em 1958, ao fazer uma reportagem no Canindé, o jornalista Audálio Dantas conheceu Carolina e leu seus 35 diários. Dois anos depois, ele publicou um dos diários com o título de Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada. A obra vendeu mais de 100 mil exemplares em 40 países e foi traduzida em 13 línguas.

Em 1961, Carolina de Jesus lançou Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada e, no ano seguinte, publicou Pedaços da Fome, seu único romance.

Depois de desentendimentos com editores, em 1969, a escritora saiu de São Paulo e mudou-se para um sítio. Morreu em 1977, aos 62 anos, de volta à pobreza.

Abdias do Nascimento

Neto de escravos, Abdias do Nascimento nasceu em uma família em 1914, na cidade de Franca, em São Paulo. Ele começou a trabalhar aos 9 anos e, para conseguir se mudar para São Paulo, se alistou no Exército.

Nascimento teve que abandonar a instituição, no entanto, ao entrar para o movimento da Frente Negra Brasileira, que realizava protestos em locais públicos contra o racismo.

Em 13 de outubro de 1944, ele criou o Teatro Experimental do Negro, junto com outros artistas brasileiros. Escritores da época, como Nelson Rodrigues, escreveram peças teatrais especialmente para o grupo, que também se dedicou a alfabetizar ex-escravos e transformá-los em atores.

Durante a ditadura militar, Nascimento foi preso e enviado ao exílio. Ele retornou ao Brasil somente em 1981.

Além de ator, teatrólogo e ativista, Abdias Nascimento foi deputado federal pelo Rio de Janeiro logo após o final do regime militar. Na década de 1990, foi eleito senador, sempre com a plataforma da luta contra o racismo.

Ele faleceu em 24 de maio de 2011, aos 97 anos.

Teodoro Sampaio

Quem passa pela movimentada rua Teodoro Sampaio, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, geralmente não sabe a importância do homem que dá nome à via. Filho de uma escrava e de um padre, Teodoro Sampaio nasceu em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 1855.

Seu pai, o padre Manoel Sampaio, o levou para o Rio de Janeiro criança e o matriculou no regime de internato no Colégio São Salvador. Em 1877, ele se formou engenheiro.

Por anos, ele trabalhou como professor de matemática e desenhista do Museu Nacional para poupar dinheiro e comprar a alforria de sua mãe e irmãos.

Em 1879, Sampaio participou da expedição científica ao Vale do São Francisco para estudar os portos do Brasil e a navegação interior. Ele ajudou a fundar o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1894, e a Escola Politécnica da USP, em 1930.

Morreu no Rio de Janeiro em 1937.

Sueli Carneiro

Aparecida Sueli Carneiro Jacoel nasceu em São Paulo, em junho de 1950. É a mais velha dos sete filhos de uma costureira e de um ferroviário. Doutora em filosofia pela USP, foi a única negra no curso de graduação da Universidade, na década de 1970.

Hoje, ela é uma das mais importantes pesquisadoras sobre feminismo negro do Brasil. Seu nome e ativismo foram relacionados à formulação da política de cotas e à lei antirracismo.

Em 1988, Sueli fundou o Geledés – Instituto da Mulher Negra, uma organização política de mulheres negras contra o racismo e sexismo. É uma das maiores ONGs de feminismo negro do país. Entre os vários serviços prestados pelo instituto, está o de assistência jurídica gratuita a vítimas de discriminação racial e violência sexual.

Ainda em 1988, Carneiro foi convidada para integrar o Conselho Nacional da Condição Feminina. É vencedora de três importantes prêmios sobre feminismo e direitos humanos: Prêmio Benedito Galvão, Prêmio Direitos Humanos da República Francesa e Prêmio Bertha Lutz.

André Rebouças

Neto de uma escrava alforriada e filho de Antônio Pereira Rebouças, um advogado autodidata que se tornou conselheiro de D. Pedro 2º, André Rebouças nasceu em 1838, em Cachoeira, Bahia, em uma família classe média negra em ascensão no Segundo Reinado.

Por causa da posição atípica de sua família para a época, André e seus seis irmãos receberam uma boa educação. O menino e um de seus irmãos, Antônio Rebouças, se tornaram importantes engenheiros e abolicionistas.

Como engenheiro, seu maior projeto foi o da estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá, considerado, até hoje, uma realização arrojada.

Como abolicionista, ele criou, junto de Machado de Assis, Joaquim Nabuco e outros abolicionistas importantes da época, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão.

Após o fim da escravidão, no entanto, a monarquia também chegou ao fim. Com a proclamação da República, em 1889, a família de D. Pedro 2º e pessoas ligadas a ele, como a família Rebouças, tiveram que partir para o exílio.

André nunca mais retornou ao Brasil. Em 09 de maio de 1898, deprimido com o exílio, o engenheiro se jogou de um penhasco perto de onde vivia, em Funchal, na Ilha da Madeira.

Algumas capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Curitiba, têm avenidas e túneis chamados de Rebouças em homenagem ao engenheiro negro.

Fonte: BBC Brasil

16 nov
Facebook abre seleção para cursos gratuitos de programação para jovens

Escola de tecnologia aplicada

O Facebook abriu o processo seletivo para oferecimento de bolsas de estudo para jovens interessados em cursos gratuitos em programação, desenvolvimento de apps e inovação. A empresa promete 4.200 bolsas para seis cursos diferentes que serão realizados presencialmente na Estação Hack, mantida pela companhia em São Paulo.

 

Como existem diversos cursos, o perfil do público-alvo pode variar, mas a empresa afirma que na maioria dos casos as aulas são voltadas para jovens entre os 14 e os 25 anos, sem exigência de conhecimento prévio.

O processo seletivo dará preferência a alunos matriculados ou egressos da rede pública de ensino, mas a empresa também afirma que esse critério não é essencial. Além disso, a seleção também se dará por ordem de inscrição.

Os cursos serão realizados por meio de parcerias com instituições de ensino como Junior Achievement, MadCode e MasterTech, que têm experiência na capacitação de jovens.

Veja quantas bolsas cada curso oferece:

1.000 bolsas para curso Desenvolvimento de Aplicativos
800 bolsas para curso Aprenda a Programar em um Final de Semana
400 bolsas para curso profissionalizante Academia de Programação
700 bolsas para o curso Conectado Com o Amanhã
700 bolsas para o curso Montando sua Carreira
600 bolsas para o Innovation Camp

Veja a descrição básica de cada curso:

Desenvolvimento de aplicativos

O curso ministrado pela MadCode é uma introdução à programação e ao desenvolvimento de aplicativos para equipamentos móveis. O curso ensina os preceitos básicos e, por isso, é voltado para quem ainda não teve contato com o assunto.

Carga horária: 35 horas (segundas, terças e quintas-feiras)

Público-alvo: alunos de 14 a 17 anos

Informações e inscrições: http://madcode.com.br/estacao-hack/

Aprenda a Programar em um Fim de Semana

Desenvolvido pela MasterTech, o curso trabalha conteúdos de design thinking, introdução a programação e introdução a IONIC. O curso é voltado para quem nunca teve contato com o assunto.

Carga horária: 20 horas (sábados e domingos)

Público-alvo: jovens de 16 a 25 anos

Informações e inscrições: https://mastertech.com.br/EstacaoHack

Academia de Programação

O programa da MasterTech oferece uma formação generalista em programação voltada para oportunidades profissionais. Serão trabalhados conteúdos de “front end”, “back end” e programação de aplicativos.

Carga horária: 120 horas (4 semanas)

Público-alvo: alunos que tenham concluído com sucesso o curso Aprenda a Programa em um Final de Semana

Informações e inscrições: https://mastertech.com.br/EstacaoHack

Montando sua carreira

Fazendo uso de jogos e atividades digitais, o programa da Jr. Achievement motiva e desperta os alunos para as carreiras CTEM (Ciência, Tecnologia, Engenharias e Matemática).

Carga horária: 3 horas (terças-feiras)

Público-alvo: alunos matriculados no Ensino Médio

Informações e inscrições: http://www.jabrasil.org.br/jasp/programas/estacaohack

Conectado Com o Amanhã

O programa da Jr. Achievement possibilita aos alunos um momento de reflexão sobre seu futuro e preparação para o mercado de trabalho, oferecendo perspectivas de carreiras e informações sobre quais são as competências comportamentais desejadas no mercado de trabalho.

Carga horária: 5 horas (terças-feiras)

Público-alvo: alunos matriculados no Ensino Médio

Informações e inscrições: http://www.jabrasil.org.br/jasp/programas/estacaohack

Innovation Camp

O objetivo deste programa da Jr. Achievement é desenvolver habilidades empreendedoras e mostrar ferramentas de trabalho, que possibilitem aos estudantes encontrarem soluções inovadoras para um desafio proposto. Durante o processo, os alunos contam com a ajuda de mentores que vão auxiliá-los durante o desenvolvimento da ideia.

Carga horária: 8 horas (sábados)

Público-alvo: alunos matriculados no Ensino Médio e Superior

Informações e inscrições: http://www.jabrasil.org.br/jasp/programas/estacaohack

15 nov
Cresce contratação de startups por grandes empresas no Brasil

Escola de negócios e gestão

A contratação de empresas nascentes por grandes companhias já bem estabelecidas no mercado está crescendo no Brasil, mostra um levantamento feito pela organização 100 Open Startups, que atua exatamente na conexão entre essas duas pontas. Segundo a pesquisa, entre julho de 2016 e o mesmo mês de 2017 foram firmados no Brasil 135 contratos entre startups e grandes corporações. Nos 12 meses anteriores, o resultado ficou em apenas 46 contratações.

Ao todo, houve entre meados do ano passado e julho deste ano 631 aproximações entre pequenas e grandes, mas apenas 181 dessas conversas foram confirmadas por meio de contratos formais. As conversações que efetivamente resultaram em negócios envolveram 110 corporações e 54 startups.

Dos contratos fechados, 54% estabelecem as startups como fornecedoras de serviços e/ou produtos. Outros 21% preveem a execução de projeto piloto pelas novatas.

Como exemplo de grandes empresas que buscam esse tipo de parceria, recentemente a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) vinha em conversações com seis startups, enquanto a Votorantim Metais fechou acordo com nove novatas.

Entre as startups que mais fecharam contratos estão a GoEpik, que trabalha com soluções de realidade aumentada para a indústria, e a Lean Survey, que atua como plataforma de pesquisa de mercado. O número de negócios, porém, não foi revelado.

Fonte: DCI

14 nov
Advogado lança aplicativo para promover democracia on-line

Escola de direito aplicado

No início de 2013, Ronaldo Lemos, 41, viu um grande amigo cometer suicídio. Era Aaron Swartz, fundador do Reddit e ativista da internet, que foi preso nos EUA após hackear artigos de uma revista científica no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e torná-los públicos.

O episódio de repercussão mundial fez martelar uma questão na cabeça do advogado brasileiro, mestre em direito por Harvard e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e líder do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS): qual o futuro de quem é ativista e luta pela democratização da tecnologia?

A morte trágica do colega e a pressão para consolidar as demandas que resultariam no Marco Civil da Internet, lei que regula o uso da rede no Brasil, fizeram com que Lemos emagrecesse 20 kg. Ele também deixou a barba crescer e repensou sua atuação.

Até ali, colecionava feitos significativos. Além de ter montado e liderado o grupo de trabalho de tecnologia e sociedade na Fundação Getúlio Vargas, ajudou a regulamentar as “creative commons” (que trata de direitos autorais), questionou o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) sobre o repasse de verbas para produções digitais e já assinava coluna na Folha.

Infância high-tech

Ao mapear a indústria cultural das periferias do Brasil para o livro “Tecnobrega – O Pará Reinventando o Negócio da Música”, ele confirmou as enormes potencialidades da tecnologia. “A chave para entender o Brasil está na base da pirâmide. O brasileiro tem uma capacidade incrível de subverter e criar em cima da tecnologia, seja para fazer música, seja para montar um negócio. Isso é referência para o mundo.”

A sociedade tecnológica e da informação em que vivemos hoje se revelou para Lemos ainda na infância. Isso porque, quando tinha dez anos, sua cidade natal, Araguari (MG), foi escolhida pelo Ministério das Comunicações para o projeto piloto de TV a cabo no país.

“Não sei por que foi escolhida. Mas o impacto que isso provocou, após meados dos anos 1980, foi imensurável”, recorda-se ele, menino do interior que tinha acesso a todos os canais estrangeiros. “Nem os jornais tinham isso.”

O contato com as novidades tecnológicas o ajudou a alcançar seu primeiro emprego. Estudante da Universidade de São Paulo (USP), na faculdade do largo São Francisco, na capital paulista, ele foi contratado por um escritório de advocacia em 1995 por ser um dos raros universitários a ter uma conta de e-mail.

“Eu queria cursar cinema, mas optei por direito, por ser mais palatável para meus pais”, conta. Mas já era um universitário conectado. “Na época da conexão discada, o pessoal fazia fila na minha casa para ver como era. Eu tinha e-mail, o rol@usp.com.br, que era do grupo de pesquisa da faculdade.” Colocou a informação no currículo e, depois, descobriu que fora contratado em razão deste diferencial.

O emprego colocou de novo Lemos diante do fator de transformação na sua vida: o escritório para o qual trabalhava estava envolvido na elaboração da Lei do Cabo (de 1995 e revogada em 2011), que ditou a implantação da TV a cabo no país.

O mergulho definitivo na seara tecnológica se deu quando, com uma bolsa de estudos, o mineiro foi para os EUA, onde fez mestrado em Harvard. Em seguida, tornou-se pesquisador e representante do MIT Media Lab no Brasil.

Referência

Ao voltar ao país, fundou o Centro de Tecnologia e Pesquisa (CTS), embrião do ITS, em 2003. Conheceu sua mulher, a artista plástica Vivian Caccuri, em 2005, e passou a estruturar o seu grande legado, o Marco Civil da Internet, que levou sete anos para ser consolidado e virou lei no Brasil em abril de 2014.

Se você joga Pokémon Go ou assiste à Netflix, deve isso ao Marco Civil e a Lemos. Se você usa um celular que veio de fora do país ou não é homologado pela Anatel, saiba que ele ainda funciona graças a Lemos e ao ITS.

Além de garantir a neutralidade da rede, a privacidade de quem a utiliza e a liberdade de expressão, o Marco Civil da Internet- e Lemos, por tabela – virou referência mundial.

Assim, em 2013, quando se questionou sobre qual poderia ser seu futuro, o empreendedor mineiro refletiu sobre como potencializar a tecnologia para impactar a vida das pessoas.

“Eu trabalho num emprego que criei, no ITS. Então, eu penso que tenho que trabalhar o dobro para mostrar o valor dele, ser criativo, inovador e gerar impacto.”

Protagonismo popular

Além de concretizar o Marco Civil, elogiado até pelo criador da web (www) Tim Berners-Lee, Lemos concluiu que deveria sanar o que mais afligia a população: a crise de representatividade política e a falta de confiança nos políticos.

Pesquisou, então, quantas leis tinham sido criadas no país a partir da vontade popular. E descobriu que esse número era de apenas cinco desde o fim da ditadura, na década de 1980, sendo a última a Lei da Ficha Limpa, em 2010.

Em conversa com o juiz aposentado Márlon Reis, autor do texto, detectou que o maior entrave para a representatividade nas leis era a coleta de assinaturas e sua posterior auditoria.

Foi, então, procurar a resposta na tecnologia. E encontrou a solução no “blockchain”, sistema capaz de criar banco de dados único, seguro e certificado. No caso, Lemos o utilizou para garantir a coleta de assinaturas digitais, com dados de CPF e título de eleitor.

Surgiu, dessa forma, de conhecimentos compartilhados (“Eu nunca faço nada sozinho”), o aplicativo “Mudamos”, que coleta os dados para projetos de lei de iniciativa popular de forma segura e simples.

“É fantástico como a tecnologia pode permitir mudanças. Para colher as assinaturas da Ficha Limpa, foram dois anos. E tinha o risco de um deputado pedir prova de autenticidade, como uma auditoria nas assinaturas. Agora, isso pode ser feito em meses, dias”, afirma Reis.

Lançado em março de 2017, o “Mudamos” foi baixado por mais de 500 mil usuários, que podem propor ou endossar projetos de lei na plataforma.

A confiança na ferramenta se apega ao artigo 61 da Constituição, que, em suma, diz que o Congresso ou as Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais devem apreciar iniciativas populares ou projetos de lei que tenham a adesão de 1% do número de votantes da última eleição.

“Isso fará com que a população seja protagonista novamente, não apenas nas eleições”, afirma Lemos.

O “Mudamos” exibe hoje temas que vão do recall de parlamentares (a possibilidade de revogar mandatos) e do voto limpo (contra a compra de apoio político) até ações para limpar rios em Curitiba e convocar plebiscito em São Paulo (sobre privatização).

A plataforma está aberta a crescer, como Lemos, o advogado high-tech que virou empreendedor social.

Fonte: Folha de São Paulo

13 nov
Como o cérebro funciona durante o vestibular?

iCEV

Entenda como ocorrem as conexões cerebrais e quais partes do órgão são ativadas no período em que o candidato faz a prova

A organização do cérebro humano não é estática. Suas conexões se movimentam o tempo todo, de acordo com a atividade a ser realizada. Foi essa conclusão a que chegou uma pesquisa feita por cientistas da Universidade de Stanford. Durante testes de memória, por exemplo, identificaram que a atividade cerebral ocorreu de forma mais integrada com relação ao estado de repouso. E, quanto maior a rapidez e a precisão na realização da tarefa, mais integrado o cérebro parecia.

Imagine, então, o nível de atividade cerebral durante uma prova de vestibular, em que a pressão e a ansiedade são constantes. “Nesta situação, não apenas o cérebro reage, mas ele se comunica com outros órgãos do corpo, o que denominamos de eixos. Existe o eixo hipotalámo-hipófise-supra-renal, por exemplo, que fica mais ativado frente a uma situação estressante.

Essa ativação leva à produção de noradrenalina, aumenta a pressão arterial, a frequência cardíaca e respiratória e há aumento também do cortisol que, em excesso, pode prejudicar, inclusive, a nossa capacidade de memorizar”, explica Flavio Shansis, médico psiquiatra e professor da Graduação em Medicina na Unisinos. Talvez seja por isso que tanta gente tem “branco” no momento da prova.

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De acordo com ele, as áreas ditas mais nobres do cérebro são ativadas durante o vestibular, dentre as quais o corte pré-frontal é bem importante. “Existem áreas mais relacionadas à memória, ao processamento de dados, que são mais estimuladas quando colocadas em demanda.

Estudos mostram que áreas nobres, como o corte pré-frontal, por exemplo, são ativadas quando são desafiadas, e isso é mostrado em exames de neuroimagem funcional. Portanto, provavelmente, no momento de uma prova, essas e outras áreas serão mais demandadas”, explica Shansis. Áreas da memória, como o hipocampo, também podem ser mais ativadas em situações que requeiram evocação de conhecimentos anteriormente adquiridos, que é o caso do vestibular.

E como as conexões cerebrais não são estáticas, é possível aprimorá-las para obter um melhor desempenho no vestibular. A leitura e os exercícios de memória podem não apenas aumentar as conexões, como torná-las mais eficientes. Dormir bem também é fundamental, pois a falta de sono diminui a criatividade, a concentração, o aprendizado e a capacidade de planejar e resolver problemas, deixando o raciocínio lento.

Veja, a seguir, quais partes do cérebro são acionadas durante o vestibular:

Fonte: Revista Galileu

09 nov
Descubra quais são as faculdades mais tecnológicas do mundo!

Escola de tecnologia aplicada

A tecnologia hoje rege os avanços da humanidade, e é exatamente por isso que formar profissionais capazes de dar continuidade a essa evolução é altamente necessário. E, por onde mais esse momento poderia começar, se não nas faculdades tecnológicas, os grandes berços da inovação?

Quanto mais valiosa a experiência universitária no âmbito tecnológico, melhor serão os resultados de aprendizado do aluno, a médio e longo prazo. Laboratórios de ponta e centros avançados de pesquisa cada vez mais têm estado presentes dentro dos campi ao redor do mundo.

Com recursos e ferramentas tão fortes, o resultado são prêmios e reconhecimento mundial para os alunos. Acompanhe o post e descubra quais são as faculdades mais tecnológicas do mundo!

MIT: Massachusets Institute of Technology (EUA) — a número 1 do mundo em tecnologia

A MIT é a terceira melhor universidade do mundo segundo o Center for World University Rankings (CWUR), e a melhor do mundo na área de tecnologia e engenharia, segundo o QS World University Rankning by Subject, ranking promovido anualmente pela consultoria Quacquarelli Symonds.

Em seus 156 anos de existência, a MIT tornou-se o maior e mais importante centro de pesquisa científica do mundo, e isso só foi possível por sua forte estrutura tecnológica, baseada em centros de pesquisa avançada.

A principal característica da instituição é seu foco em metodologias que abordam a solução de questões de nível mundial, e, por conta disso, essa abordagem produziu uma série de cientistas renomados, além de 80 prêmios Nobel e 56 vencedores da Medalha Nacional da Ciência.

Apesar de seu viés tecnológico e científico, o fundo de doações de U$ 10 bilhões permite que a MIT também abra espaço para as artes e questões humanitárias.

A MIT Press, agência de comunicação da instituição, publica anualmente 30 revistas e 220 livros renomados. Essas publicações trazem conteúdo proveniente de pesquisas sobre tendências científicas, industriais e de campos relacionados.

Stanford University (EUA) — a segunda melhor tecnológica do mundo dá ênfase ao meio ambiente

Situada em Palo Alto, na California, Stanford é a segunda melhor faculdade tecnológica do mundo, segundo o QS World University Rankning by Subject, e a segunda melhor universidade do mundo, de acordo com o ranking CWUR.

Com tantas referências positivas em rankings, Stanford conta com vastos recursos para pesquisa de ponta e um fundo de investimento de de U$ 18,7 bilhões, proveniente de doações.

Tanto poderio financeiro proporciona estudos e pesquisas altamente avançadas, por meio de recursos tecnológicos de última geração. Grande parte desses estudos são voltados para questões ambientais e ecológicas. Isso se dá pois a instituição é vizinha da reserva ecológica de Jasper Ridge, de 1.189 hectares.

Cientistas e pesquisadores usam essa proximidade para estudar ecossistemas em primeira mão e desenvolverem iniciativas em defesa dos animais e do meio ambiente. Além disso, eles utilizam um radiotelescópio de 45 metros, o “The Dish”, para estudar a ionosfera.

A instituição foi responsável por 22 prêmios Nobel, originou 51 membros da Sociedade Americana de Filosofia, 158 membros da Academia Nacional de Ciência e 5 vencedores do Prêmio Pulitzer.

Cambridge University (Inglaterra, Reino Unido) — a inovação a todo vapor no “Velho Mundo”

A mais forte representante da Europa no cenário mundial de melhores universidades, Cambridge é a quarta melhor instituição de ensino superior do mundo, segundo o ranking CWUR, e a terceira melhor entre as faculdades tecnológicas, segundo o QS World University Rankning by Subject.

Com pouco mais de 800 anos de existência, Cambridge tem registros históricos impressionantes quando se trata de estudos que resultaram em importantes avanços da humanidade.

Lá Isaac Newton fez estudos sobre suas leis de movimento, Ernest Rutherford pesquisou sobre as divisões do átomo, Charles Darwin deu início à teoria da evolução e a dupla James Watson e Francis Crick descobriu o DNA.

Cambridge hoje segue os estímulos e a condução de pesquisas do mesmo porte destas apresentadas, que foram capazes de mudar o curso da história da humanidade, tudo isso com avançadas ferramentas tecnológicas.

A instituição consegue isso por meio de suas instituições e departamentos internos, como o Departamento de Engenharia a Escola de Tecnologia e o Departamento para a Liderança e Sustentabilidade.

Além de todo seu peso histórico, Cambridge também é detentora de um recorde: 94 prêmios Nobel conquistados. Nenhuma outra instituição alcançou essa marca.

Faculdades tecnológicas no Brasil — conheça as referências no país

O Brasil também investe na alta qualidade da formação de profissionais. Algumas das melhores instituições da América Latina se encontram espalhadas pelo país.

Tanto nas instituições públicas, quanto nas particulares, o foco no desenvolvimento de pesquisas e no ensino, tendo as tecnologias avançadas como ferramenta, eleva nível de aprendizado. Conheça agora as principais faculdades tecnológicas do Brasil.

USP

A Universidade de São Paulo é a 143ª melhor faculdade do mundo de acordo com o QS World University Rankning by Subject e a melhor da América Latina, segundo o ranking da revista Times Higher Education.

A USP oferece entre suas graduações os cursos de Engenharia Aeronáutica, Computacional, Eletrônica e Mecânica.

No seu campus da Escola Politécnica, na cidade de São Paulo, ela abriga os cursos de tecnologia e engenharia, com um total de sete mil alunos.

Unicamp

Situada em Campinas, São Paulo, a faculdade aparece como a segunda melhor da América Latina, no ranking da Times Higher Education. Mundialmente ela é a 195ª melhor, de acordo com o QS World University Rankning by Subject.

A faculdade de tecnologia, localizada na cidade de Limeira, tem 45 anos de existência, e nesse tempo já se tornou a mais concorrida no país.

Os laboratórios da instituição abrem espaço para pesquisas constantes nas áreas de engenharia de telecomunicações, semicondutores e computação.

A instituição é tão forte que teve seu curso de engenharia elétrica e mecânica colocado como o 47º melhor do mundo em 2015 pelo QS World University Rankning by Subject.

UFRJ

A Universidade Federal do Rio de Janeiro é a quinta melhor da América Latina no ranking da Times Higher Education, e apareceu como a melhor do Brasil no ranking da Folha de São Paulo em 2016.

Com quase um século de existência, a universidade possui 4 campi no Rio de Janeiro, totalizando cerca de 40 mil alunos.

A instituição é referência em pesquisas nos campos de engenharia, com laboratórios para telecomunicações, realidade virtual, circuitos integrados e engenharia de software. Tudo isso graças ao COPPE/UFRJ, seu instituto de pós-graduação.

IME

O Instituto Militar de Engenharia, localizado no Rio de Janeiro, é referência no ensino superior, tendo um rigoroso processo seletivo que exige tanto aptidão intelectual, quanto física, por ser uma instituição militar.

Com 225 anos de tradição, o IME oferece cursos em diversas áreas da engenharia como elétrica, eletrônica, de telecomunicações, de computação e até nuclear, esta só para a pós-graduação.

ITA

Faculdade pública da Aeronáutica, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica é vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos.

A instituição é referência em pesquisas tecnológicas e oferece cursos de engenharia mecânica, aeronáutica, eletrônica, civil, de computação e aeroespacial.

Na hora de escolher qual universidade cursar, vale avaliar até onde ela pode levar você e analisar o que os ex-alunos têm alcançado no mercado de trabalho.

Seus amigos, assim como você, também têm dúvidas sobre quais são as melhores faculdades tecnológicas? Então, compartilhe este conteúdo em suas redes sociais e divida a informação com eles!

iCEV

O iCEV – Instituto de Ensino Superior, traz para o Piauí o primeiro curso bacharelado em Engenharia de Software, coordenado pela Escola de Tecnologia Aplicada. O projeto é integrado, com gatilho para aplicação prática e discussões atuais. As pesquisas desenvolvidas terão possibilidades de parcerias com as gigantes Google, Facebook e Microsoft. Alé, disso, estão previstos para 2018 cursos de pós-graduação em Desenvolvimento de Jogos, Governança de T.I, Tecnologias Educacionais.

Fonte: Ascom iCEV

09 nov
Escola de negócios: você realmente sabe o que elas são?

Escola de negócios e gestão

Empreender, ser um profissional diferenciado e estar apto para enfrentar os dilemas no mundo dos negócios são alguns dos seus desejos para o futuro? Então, a melhor escolha para atingir os seus objetivos é estudar em uma escola de negócios. Mas o que elas são?

Tratam-se de instituições que vão muito além do senso comum, visando formar estudantes diferenciados, que desenvolvam suas funções de maneira inovadora e competente.

Assim, a forma mais inteligente de investir o seu dinheiro é fazê-lo no seu crescimento profissional. Mas, para investir com segurança, é preciso saber que apenas oferecer cursos na área de gestão não garante que uma instituição se declare escola de negócios, já que muitos recursos precisam ser disponibilizados para que o profissional desempenhe um trabalho de alta qualidade.

O objetivo específico dessa escola é desenvolver, de forma prática, as potencialidades do estudante de maneira que ele seja capaz de encontrar e propor soluções para os problemas que surgem — assim como fará no mercado de trabalho. Quer conhecer as qualidades e o funcionamento dessas escolas? Continue lendo e confira!

Paralelo entre teoria e prática

Colocar o conhecimento em prática é a melhor forma de aprender um conteúdo, não é mesmo? É isso que a escola de negócios oferece como diferencial aos estudantes. Para que uma escola de negócios seja reconhecida existem algumas especificidades que precisam existir em sua estrutura, uma delas é a grade curricular, que é voltada para a prática das disciplinas.

Laboratórios modernos que simulem um ambiente empresarial, um bom programa de estágio e um corpo docente qualificado são outras características necessárias para que uma instituição seja uma escola de negócios. Percebe-se que, como foi dito, oferecer somente cursos de graduação ou de pós-graduação na área de gestão não é o suficiente para formar um profissional que esteja à frente dos demais.

Sendo assim, o contato com a prática que a instituição proporciona ao estudante vai estimular o conhecimento dos trabalhos realizados por outros profissionais. E isso, consequentemente, será um ponto positivo no momento real de trabalho no futuro, em que terá que garantir bons resultados para o crescimento da sua própria empresa ou para a qual ele trabalha.

A escola de negócios dá ao estudante a oportunidade de experimentar o contato com o mundo empresarial. E é por isso que ela vai muito além de um ensino baseado em disciplinas com livros didáticos: neste ambiente, acredita-se que um vasto conhecimento da profissão e da realidade das empresas são adquiridos na prática.

Desenvolvimento de forma integral

Os jovens que desejam empreender e serem destaques por competência e eficiência no mundo empresarial estão no caminho certo ao decidirem se capacitar em uma escola como essa. Contudo, mesmo que já estejam cursando uma graduação, é essencial complementá-la com um curso que proporcione conhecimento pleno da profissão.

A instituição se preocupa em formar o estudante por completo, ou seja, desenvolvendo suas habilidades para que as funções sejam exercidas de modo que fuja do que é comum.

Há uma preocupação em buscar inovações e melhorias nos conteúdos para que a aproximação com o mundo real dos negócios seja absoluta. Assim, quando o estudante concluir a graduação e se tornar um profissional, estará preparado para encarar as metas e aplicar todos os seus conhecimentos adquiridos, assegurando um trabalho de qualidade incomparável.

O profissional saberá reconhecer todas as necessidades de cada área de uma empresa e trabalhar para que prejuízos sejam evitados, por isso, a instituição tem a preocupação em desenvolver de forma integral cada estudante. Só assim, ele será um líder preparado para a vida real da profissão.

Escolas de negócios reconhecidas

Temos, no Brasil, muitas escolas com cursos reconhecidos internacionalmente. Três delas, a Fundação Dom Cabral, o INSPER e a FGV-EAESP, figuram entre as melhores do mundo. Muitos acreditam que vão chegar no primeiro dia no curso e ter aula sobre estratégias de gestão, não é mesmo?

Pois bem, esse não é um método que a Fundação Dom Cabral utiliza com seus estudantes, por exemplo. O assunto inicial é ligado à filosofia com questionamentos sobre o futuro da gestão e, para isso, vão para as cidades históricas estudar na prática a arte, a sustentabilidade e a cultura.

Mas para quê? Para que a consciência do aluno seja mais aberta às novidades no mercado de trabalho, tornando-se mais preparado para as mudanças e, principalmente, para lidar com as complexidades no mundo dos negócios.

O INSPER, em São Paulo, procura acompanhar as demandas das empresas com a finalidade de saber quais são as características de profissionais que são bem qualificados, para então, desenvolver as habilidades necessárias dos estudantes.

Já a FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas em São Paulo) privilegia a conexão com a prática e busca estar sempre em constante inovação despertando o espírito empreendedor do estudante.

No iCEV – Instituto de Ensino Superior, a Escola de Negócios e Gestão também foca na prática já nos primeiros períodos, colocando o aluno como protagonista do aprendizado. Além disso, há investimento em um Centro de Empreendedorismo que contempla a criatividade, a validação de ideias, a lógica de vender valores e o comportamento do consumidor. Laboratório de startup, disciplinas voltadas para o design thinking e consumer behavior (esta, ministrada toda em inglês), compõe a grade “fora da caixa”.

Enfim, são escolas que oferecem cursos com um objetivo bem mais relevante do que apenas ensinar matérias de administração, contabilidade e finanças, por exemplo.

O grande propósito que as instituições pretendem alcançar é formar profissionais e líderes, por meio de projetos realizados na prática, que serão capazes de solucionar problemas e atingir metas nas empresas e, claro, de maneira mais eficiente que qualquer outro profissional da área.

A globalização trouxe ao mundo muitas oportunidades de crescimento profissional e investir em uma escola de negócios vai permitir que você amplie seus conhecimentos e suas habilidades nas áreas de gestão, administração, marketing, entre várias outras. Investir em conhecimento é investir no seu futuro profissional!

Profissionais que desejam seguir carreira no mundo dos negócios precisam reconhecer a necessidade de estar em constante mudança, acompanhando de perto as inovações. Portanto, é imprescindível que se formem em uma escola de negócios, pois elas preparam o aluno para que ele seja inserido no mercado de trabalho da maneira mais completa e inovadora.

Fonte: Ascom iCEV

07 nov
5 desafios que todo advogado enfrenta ao falar com seus clientes

Escola de direito aplicado

Se você é advogado ou está estudando Direito, provavelmente já ouviu “advogados falam difícil”, não é?

Sabemos que a linguagem jurídica pode ser, de fato, bastante complicada, principalmente para quem não é da área. Mas será que a “regra” de que advogados sempre falam de forma complexa é mesmo certa?

Pensamos que não. Temos certeza que, com o preparo e o conhecimento necessários, qualquer advogado consegue driblar os “palavrões” do Direito e conversar de uma forma mais clara com seus clientes.

Para começar a pensar sobre esse assunto, separamos CINCO dos muitos desafios que praticamente todo advogado enfrenta ao falar com seus clientes. Confira cada um deles e comece agora mesmo a treinar a sua oratória, comunicando cada vez melhor com as pessoas no seu escritório!

1. Ser objetivo

Você conhece a expressão “encher linguiça”? Se sim, sabe que ela significa “falar com pouca objetividade”, contando muitos detalhes de uma história ou demorando muito a chegar ao ponto central do assunto.

Bom, os advogados são constantemente acusados de usarem essa tática, seja nos tribunais ou no diálogo com os seus clientes. Por isso, um dos principais desafios para falar com as pessoas de modo mais claro é, justamente, deixar de “encher linguiça”, como se diz por aí, e ser mais objetivo.

Esse desafio não é exclusividade dos advogados. Para ser um bom comunicador é preciso ser objetivo, não importa qual seja a profissão. Hoje em dia, mais que nunca, as pessoas estão acostumadas a informações rápidas. Por isso, quando conversam face a face, também esperam a mesma agilidade.

Na hora de falar com seus clientes, tente ser o mais direto possível. Evite trazer dados desnecessários e foque no problema central. Tente explicar a situação com clareza, evitando dar muitas voltas no mesmo assunto.

Os maiores comunicadores costumam usar uma tática bastante simples nas suas apresentações. Eles desenvolvem o raciocínio seguindo dois pontos: “como é agora” e “como poderia ser no futuro”. Para os advogados, esse recurso pode ser muito útil.

Para explicar um processo, por exemplo, tente falar assim, mostrando como é a realidade do seu cliente no momento e como ela poderá ser no futuro. Dessa forma, você garante a objetividade na sua fala!

2- Usar menos termos técnicos

Tradicionalmente, os profissionais do Direito, como juízes, promotores e advogados, eram vistos pela sociedade como intelectuais. Com esse estereotipo, nasceu a necessidade do “falar bonito”, usando termos que, às vezes, as pessoas sequer compreendem.

A internet trouxe muitas mudanças e a grande maioria dessas mudanças impactou a forma como as pessoas se comunicam. Atualmente, “falar bonito” não é mais algo típico de um bom comunicador ou um intelectual de respeito. Um bom comunicador é, hoje, aquele que se faz entender com facilidade.

E, com os advogados, isso não é diferente. Na área do Direito especificamente, falar bonito significa usar muitos termos técnicos para mostrar um ponto de vista ou defender uma ideia.

Bem, se você quer falar com seus clientes com maior clareza, um passo fundamental é deixar essa tradição de lado e, sempre que possível, recorrer às palavras comuns (e não aos termos técnicos).

Quando você usa excessivamente termos técnicos, dificulta o entendimento da sua mensagem. E, oras, qual é a intenção quando falamos com alguém? Sermos entendidos, certo? Portanto, não faz sentido usar palavras que o outro não conhece, ok?

Mantenha o bom português, falando de uma maneira gramaticalmente correta, mas dê preferência a expressões mais compreensíveis e use os termos técnicos somente quando esse uso for indispensável.

3- Não explicar a solução em etapas

Não é preciso ser advogado ou estudar Direito para saber que os processos burocráticos podem ser bem complicados no Brasil, não é verdade? Geralmente, os clientes se sentem confusos e necessitam que os advogados expliquem a solução em etapas.

“Livia, como assim?” Às vezes, quando entendemos muito de um assunto, temos a tendência a explicar apenas os pontos de chegada e partida. Mas os clientes não estão tão acostumados com o sistema jurídico quanto você.

Por isso, não fale apenas sobre o passo ou a solução final, mas mostre as etapas de como chegar até lá. Isso, além de ser mais compreensível para os clientes, serve para tranquilizá-los e deixá-los a par de todos os detalhes do problema. Por exemplo: “o primeiro passo é mandar os documentos; em seguida, iremos protocolar tal item no cartório; depois disso, recolheremos assinaturas; e, ao final, é só esperar o retorno”.

O importante é: seja claro!

4- Dificuldade em se vender

Para ter sucesso no trabalho, é fundamental saber se vender. Não adianta apenas trabalhar com dedicação e se esforçar para ter bons resultados, é preciso mostrar isso para os outros.

Pode parecer estranho, mas essa é a verdade. Saber vender a si mesmo não significa ser exibido ou prepotente. Nos dias de hoje, essa é uma habilidade que todo profissional deve ter, desde a entrevista de emprego até no dia a dia do trabalho.

Para os advogados, a regra é a mesma. Sabemos que existem MUITOS advogados formados e especializados nas mais diversas áreas. Então, para conseguir novos clientes e manter os antigos, não tenha medo em vender o seu trabalho, mostrando bons resultados e experiências positivas que você já viveu na sua trajetória profissional, ok?

5- Criar uma apresentação institucional atraente

Esse desafio está bastante ligado ao anterior. Se você pertence a uma instituição – ou se tem a sua própria instituição –, crie uma apresentação atraente. Para isso, esteja sempre atento a alguns itens, como:

– Um bom cartão de visitas: tenha sempre à mão um cartão com suas informações e garanta que esse cartão seja bem feito, com uma boa logomarca.

– Se optar por manter um site ou redes sociais, faça isso de um modo bem feito. Se possível, peça ajuda a um profissional especializado no assunto. Tente incluir conteúdo interessante nas suas redes e esteja mais próximo aos seus clientes.

Esteja atento a esses cinco desafios sempre que se comunicar com seus clientes ou futuros clientes! Lembre-se: uma boa comunicação é indispensável para o sucesso de todos os profissionais, especialmente aqueles que, como os advogados, lidam diariamente com o público!

Fonte: www.thespeaker.com.br

06 nov
Ferramentas que vão te ajudar nos estudos para o vestibular

iCEV

Aplicativos e tutoriais te ajudam a estudar de graça na internet e no celular

Quando os livros e apostilas não parecem mais o suficiente para sua salvação no vestibular e no Enem, a internet entra em cena para organizar seus estudos e ensinar tudo o que você precisa saber na hora da prova. Com um pouco de foco, os apps e canais do Youtube que separamos nessa lista devem facilitar a rotina de qualquer vestibulando:

1. Ligado no Enem
App com mais de 140 horas de cursos com professores de cursinho preparatório, divididos por matérias do ensino médio. Disponível para Android, iOS, Windows Phone e outros celulares.

2. Me Salva!
Canal de vídeo com aulas curtas sobre os principais temas do vestibular e playlists de “extensivos” para estudar todas as disciplinas do ensino médio.

3. Geekie Games
Com resumos, aulas em forma de vídeo e simulados do Enem, o aplicativo foi desenvolvido para Android e pode ser usado em tablets.

4. Oficina do Estudante
O canal explica como fazer uma boa redação, comenta os livros que caem no vestibular e separa aulas de todas as matérias do ensino médio.

5. App Prova Enem
Criado por uma startup de professores, o app oferece questões divididas por área de conhecimento e organiza um ranking de estudos. Disponível para celulares ou navegação no computador.

6. Descomplica
Vídeos sobre atualidades, dicas de como organizar os estudos e outros temas que costumam cair nas provas do Enem.

7. EstudaVest
Questões e simulados de vestibulares e do Enem, disponível para todos os celulares e também na internet.

8. Aula Livre
Vídeos dinâmicos organizados pelas matérias tradicionais do ensino médio.

9. Youtube Educação
A ferramenta do Youtube ajuda a buscar vídeos e tutoriais de ensino médio e fundamental em português.

10. Edu.app
Dedicado aos estudos do Enem, reúne as principais videoaulas da ferramenta Youtube Edu. Disponível para Android.

11. FGV Ensino Médio Digital
Curso online da Faculdade Getúlio Vargas, com vídeos divididos pelos temas mais comuns em provas de vestibular.

12. O Matemático
Matemática, física, estatística e tudo o que você tem dificuldade de entender sobre números.

13. Aula De
Todas as matérias do vestibular ensinadas em vídeo por um time animado de professores.

Fonte: Revista Galileu

02 nov
Quais são as linguagens que os programadores mais preferem evitar?

Escola de tecnologia aplicada

O Stack Overflow, conhecido site de perguntas e respostas para programadores, tem uma seção em que você pode cadastrar seu currículo e informar quais linguagens você prefere usar no trabalho, e quais pretende evitar. Esta informação fica pública em seu perfil.

Após analisar centenas de milhares de perfis, o Stack Overflow descobriu as linguagens de programação mais “odiadas” pela comunidade.

O Perl está na frente, e por uma margem bem grande. Ela foi criada por Larry Wall, linguista e programador da NASA, no final dos anos 80. Trata-se de uma linguagem bastante versátil, mas que pode ser confusa e deselegante, criando dores de cabeça para o programador. Por isso, em comparação a um canivete suíço, ela é descrita como uma “motosserra suíça”.

Na sequência, temos Delphi e VBA (usada nas macros do Excel), seguidas de longe pelo PHP, Objective-C, CoffeeScript e Ruby. No outro extremo, os programadores demonstram maior interesse em R, Kotlin e TypeScript.

É bom deixar claro: a análise do Stack Overflow não significa que os programadores tenham ódio pessoal contra o Perl ou Delphi. Na verdade, isso mostra que eles preferem não trabalhar com essas linguagens — talvez porque não sejam muito desejáveis para suas carreiras.

Temos também o outro lado: há quem odeie JavaScript, mas não há como fazer desenvolvimento web sem ele, então você não vai encontrar essa linguagem como a mais “odiada”. Para a análise, foram consideradas as linguagens com pelo menos 2 mil menções nos Developer Stories.

O Stack Overflow também fez uma análise mais abrangente, levando em conta sistemas operacionais, plataformas e bibliotecas que os desenvolvedores preferem evitar. As tecnologias mais “odiadas” são o Internet Explorer, Visual Basic, COBOL e Adobe Flash:

Faz todo o sentido que desenvolvedores não queiram trabalhar, por exemplo, com o Internet Explorer: a própria Microsoft migrou seu foco para o Edge, ainda que o navegador para Windows 10 tenha suas limitações. Por sua vez, o Flash já tem data para morrer.

Como explica o Stack Overflow, “isso não é uma acusação contra as tecnologias, sua qualidade ou sua popularidade. É simplesmente uma medida de quais tecnologias estimulam sentimentos negativos fortes em pelo menos um subconjunto de desenvolvedores, que se sentem confortáveis ​​compartilhando isso publicamente”.

Fonte: Tecnoblog

01 nov
66% dos brasileiros querem abrir o próprio negócio para ter mais liberdade e autonomia

Escola de negócios e gestão

Estudo realizado pela MindMiners, em parceria com o PayPal, fez um raio X do empreendedorismo no Brasil.

Dois terços dos brasileiros (66%) querem abrir a própria empresa para ter mais liberdade e autonomia. É o que mostra uma pesquisa realizada pela MindMiners, encomendada pelo PayPal, que fez um raio X do empreendedorismo no Brasil.

O estudo, divulgado nesta terça-feira (31/10), foi realizado entre 31 de agosto e 11 de setembro de 2017, e contou com a participação de 300 homens e mulheres que sonham em empreender.

Segundo os dados revelados pela pesquisa, 20% dos futuro empreendedores querem criar uma empresa de tecnologia. Sendo que 51% dos entrevistados pensam em um negócio multicanal, pois querem abrir uma loja física e online.

Apesar disso, 64% desses indivíduos ainda não buscaram ajuda para iniciar a empresa. Quem já o fez, procurou o Sebrae (19%) e universidades/faculdades (13%).

A falta de capital foi apontada por 49% dos entrevistados como o que mais atrasa a tomada de decisão para iniciar o negócio.

Empreendedores atuais

A pesquisa também avaliou as motivações e características de empresários que já estão com a empresa operando. O modelo de negócio escolhido pela maioria deles é o B2C (34%), que vende diretamente ao consumidor final, seguido por 24% que vendem para o varejo e 8% para marketplaces.

Em relação ao investimento no negócio, os dados mostram que 39% das pessoas afirmam ter colocado pelo menos R$ 10 mil do próprio bolso na empresa e que 19% dos entrevistados juram que não investiram nada. Quem precisou buscar um sócio, encontrou ajuda com familiares (51%) e amigos (29%).

Características em comum

Assim como quem sonha em abrir uma empresa, quem já começou o negócio tem se interessado pelo conceito de multicanal, cerca de 42% dos entrevistados afirmam ter loja física e online.

Outro ponto em comum é que 57% dos empresários afirmaram que viam a empresa própria como a chance de ter mais liberdade e autonomia.

Gustavo Carrer, Consultor sênior Sebrae, diz que os resultados da pesquisa indicam uma transformação no perfil do empreendedor brasileiro. “As pessoas que eu atendia há 20 anos tinham dúvidas muito mais básicas do que os empresários de hoje. Isso mostra um amadurecimento. As pessoas não se assustam mais quando veem a palavra plano de negócio. Pelo contrário, já chegam com um rascunho pronto quando nos procuram”.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

31 out
UBER: A polêmica sobre a natureza jurídica do aplicativo e sua legalidade

Escola de direito aplicado

1. O aplicativo uber e o surgimento de uma nova forma de transporte público ou privado

O tema da atualidade que cada vez mais passa a ser o cotidiano dos noticiários e da conversas de rua onde uma forma inovadora de se deslocar pelos grandes centros urbanos sem a necessidade de se valer de veículos próprios ou transporte públicos incomoda certos grupos e dividem opiniões entre políticos, população e até mesmo os juristas.

O Brasil recebeu a menos de um ano a inovação tecnológica dos aplicativos de transporte privados já existente em outros grandes centros e, como neles, o debate de sobre sua validade e legalidade o acompanharam com muita polêmica.

Infelizmente, ao contrário de outros lugares onde o debate ideológico ou jurídico foram os mais relevantes, no Brasil estes vieram a ser acompanhados de muita polêmica, principalmente envolvendo tensões e batalhas quase campais entre os permissionários de serviços transporte e aqueles que entenderam haver uma brecha na legislação para que a atividade pudesse ser desenvolvida por empreendedores privados.

A polêmica vem diariamente sendo debatida nos meios de impressa, vez o outra geram conseqüências criminais com depredação de bens privados, mas uma coisa é certa, há cada dia esses aplicativos ganham mais força e afeição da população, o que pode ser um caminho sem volta, ainda que não haja uma regulamentação especifica para a atividade.

A justificativa pela necessidade de autorização ou até mesmo permissão para que esta inovação tecnológica com conseqüências para a vida real da população são muitas: má prestação de serviço por parte dos permissionários, livre concorrência, direito de escolha, exclusividade do exercício da atividade por parte de permissionários, controle estatal na atividade, etc.

Embora acredite que cada qual tem seu fundamento e razões reais de defesa de um lado ao outro, pretendo com esse artigo apresentar suas divergências e, com isso, possibilitar uma formação de entendimento crítico pelo leitor que poderá se posicionar de um lado ou outro.
2. Da natureza jurídica do serviço

O primeiro ponto a ser debatido é de fato qual seria a natureza jurídica do serviço explorado pelo Uber e por qualquer outro aplicativo que certamente será criado após o sucesso que o Uber vem tendo. A questão inicial se o serviço é considerado uma forma de transporte público de passageiros por tarifa, tal como os taxis, ou um transporte privado de passageiros.

Pensar nesta diferença inicialmente possibilita traçar argumentações jurídicas distintas e, com isso, justificar sua legalidade ou ilegalidade. Pois bem, a premissa sobre a natureza jurídica do serviço mostra sua divergência conceitual que, após definida, afastam as teses dos defensores de cada corrente de tal maneira que dificilmente um consenso possibilitará sua convergência novamente.

Sabe-se que a análise de argumentações jurídicas sobre dois pontos normalmente possuem divergências tão pouco significativas que, embora divergentes, alinham-se em paralelo quanto a sua conceituação, possibilitando, assim, que possam convergir para uma conclusão comum, ainda que não exatamente no sentido da inicialmente proposto.

No caso do Uber, as correntes são antagônicas, o que implica na calorosa discussão não apenas da legalidade ou ilegalidade, mas na tentativa mais evidente de tentar desconstruir a tese contrária do que defender de fato a tese favorável.

Argumentos são apresentados por um ou outro lado que saem do jurídico e passam pela impressão pessoal ou justificativas que, sob a ótica da argumentação jurídica, não podem ser aceitas para defender uma ou outra parte.

Veja, os defensores do Uber justificam a necessidade de se manter o serviço em razão da baixa qualidade dos serviços de taxis, da idade dos veículos, da má-formação ou capacidade de atendimento de seus motoristas. De fato, tais pontos são observados na grande maioria dos taxistas que exploram o serviço permissionário nos grandes centros, mas não podem ser justificativa para defender a validade ou legalidade dos serviços disponibilizados pelo Uber, pois não são argumentos jurídicos e sim simples impressão pessoal do público geral. Ora, se o serviço é ruim, cabe ao Poder Público empreender medidas para melhorá-lo e não permitir que outros o façam diante de sua inércia ou negligencia.

Do outro lado, de igual forma, os taxistas defendem que o serviço do Uber possuem vantagens na não necessidade de suportar os efeitos da fiscalização pública, não pagamento de impostos ou taxas devidas em razão da atividade de permissão pública. Da mesma forma, são argumentos que não possuem qualquer fundamentação jurídica capaz de serem utilizados no debate sobre sua legalidade ou não. Veja, se o Uber ou seus motoristas vem sonegando o recolhimento fiscal decorrente de sua atividade, cabe ao Poder Público fiscalizar, autuar e cobrar, mas não impedir a atividade caso ela venha a ser considerada lícita. Da mesma forma, eventual necessidade de pagamento de taxas ou outras contribuições existentes para uma parte ou outra devem fazer parte uma análise efetiva se tais cobranças ou isenções desequilibram a concorrência. Como se sabe, os taxistas de fato pagam taxas aos municípios, o que os motoristas do Uber estão desobrigados, mas de igual forma possuem redução no pagamento de IPVA que os motoristas do Uber não fazem jus.

Percebe-se, portanto, que não seriam esses os argumentos necessários a justificar a legalidade ou ilegalidade do aplicativo, mas sim se, sob a ótica da legislação vigente, o serviço é considerado um serviço de transporte público ou um serviço de transporte privado de passageiros.

Este é o ponto em que ambas as correntes se divergem e, pelo presente estudo, se pretende apontas as duas e qual vem sendo o posicionamento legislativo e judicial.
3. Transporte público ou privado de passageiros

A legislação brasileira, tal como ocorre em outros países que inclusive já proibiram o Uber (França e Espanha), define de forma clara na Lei 12.468/11[1] e na Resolução 4.287/14 da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre), que o transporte público individual remunerado de passageiros somente pode ser realizado por taxistas. A resolução da ANTT estabelece, ainda, que é considerado “serviço clandestino o transporte remunerado de pessoas, realizados por pessoa física ou jurídica, sem autorização ou permissão do Poder Público competente”.

Fundamenta-se, ainda, que se tratando de um serviço de interesse e regulamentação pública, a ausência de controle por parte do Poder Público implicaria em riscos aos seus usuários e passageiros, sem falar na possibilidade de se travar uma concorrência desleal.

Importante examinar as características jurídicas dos dois serviços para verificar se possuem a mesma natureza jurídica ou se, de fato, há determinantes diferenças que possam possibilitar a sua coexistência sem qualquer prejuízo ou argumentação de concorrência desleal.

O serviço de taxi é caracterizado como um serviço público de transporte individual que necessita de prévia autorização do Poder Público Municipal que impõe regulamentação objetiva, regras de fiscalização e formas e limitações ao serviço.

A padronização do serviço mostra-se evidenciada nas cores e sinais distintivos dos taxis, inclusive dentro do veículo onde se obriga a apresentação do certificado de licença e autorização como nome, numero e foto do motorista, o que possibilita aos passageiros identificá-lo com facilidade nas ruas públicas e para eventuais reclamações.

O serviço de taxis impõe privilégios na circulação (não são submetidos a restrições de circulação em áreas dos grandes centros), isenções ou reduções tributários na aquisição de veículos ou dos impostos anuais necessários a sua circulação.

A contrapartida exigida pelo Poder Público regulador é o impedimento na recusa de passageiros, a utilização de pacote tarifário previamente definido, o que os impede de cobrar, em tese, valores superiores ao estabelecido.

Já os serviços prestados pelo Uber se divergem de forma significativa daqueles impostos aos taxistas, o que denotam não poderem ser considerados como públicos para fins de enquadramento na legislação federal.

Os motoristas do Uber não podem, ao contrário dos taxistas, fazerem uma atendimento ostensivo nas ruas, ou seja, estão impedidos de atender passageiros sem que seja por meio do aplicativo, não possuem qualquer isenção tributária ou fiscal e, por outro lado, não necessitam de padronização ou observância de fixação de preços.

Ao impor que o atendimento a passageiros somente se dará por meio do aplicativo, os defensores do Uber entendem que o serviço deixa de ser público pois somente aquele seleto grupo que buscou a contratação do aplicativo possui acesso ao serviço, tornando-o privado e exclusivo a um determinado grupo de pessoas que, por livre escolha e vontade, optaram por utilizar o serviço disponibilizado pelo aplicativo.

Com uma leitura rápida da Lei 12.468/11, pode-se concluir pela ilegalidade do Uber, uma vez que os seus motoristas vêem realizando o transporte de passageiros, mediante tarifa e por corrida.

Todavia, sob a análise da distinção jurídica dos serviços é possível concluir que apenas os taxistas exercem de fato “transporte público individual de passageiros”.

Ora, somente os taxistas, detentores de autorização pública para exercer a atividade, possuem controle de preços, obrigatoriedade de atendimento indiscriminado de passageiros e um regime de fiscalização, pois os motoristas do Uber, embora sujeitos a fiscalização estatal, possuem uma atividade essencialmente privada, com a remuneração por preços livres onde o passageiro aceita a corrida e não o contrário, onde o motorista é obrigado a fazê-lo.

A Lei 12.587/2012 que define as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana confirma esse entendimento ao conceitual “transporte público individual”como o “serviço remunerado de transporte de passageiros aberto ao público, por intermédio de veículos de aluguel, para a realização de viagens individualizadas (Art. 4º , VIII).

Ao se estabelecer a universalidade de atendimento ao público o serviço de taxi impede a recusa de passageiros. Com a expressão “aluguel de veículos” sugere que os serviços ofertados aos passageiros são decorrente de um atendimento por preço certo e previamente definido, para um trajeto imposto a aceitação.

Já o serviço do aplicativo Uber possui uma sistemática diversa. Este serviço não é aberto ao público, pois é prestado segundo uma certa autonomia do motorista que possui o direito de aceitar ou não uma determinada corrida. Não se trata de veículo de aluguel, mas veículo privado onde o motorista exerce a atividade profissional.

Sabe-se que a legislação estabelece restrição tão somente para o exercício do transporte publico individual, nada falando sobre o transporte privado, fato este que abre a discussão sobre a legalidade ou não do serviço prestado pelo Uber.

Mas será que o serviço prestado pelo Uber pode ser considerado transporte privado e passageiros?

Ora, há grande discussão sobre esse entendimento. Há que defenda que o fato de poder recusar corrida e cobrar preço diferenciado retira o caráter público. Há que defenda que o atendimento, embora pelo aplicativo, não retira a natureza de atendimento ao publico geral.

São estes os desafios que o Judiciário e o Legislativo terão para que superar para colocar fim a celeuma existente na analise de ambos as formas de transporte e, com isso, definir sobre sua legalidade ou não.
4. Definição legislativa municipal ou federal

Por fim, o último ponto de reflexão deste artigo se apresenta na tentativa política de se solucionar o problema sem que, antes, se analise o contesto legal da matéria não penas sobre a existência ou não de limitação do transporte na legislação evidente, mas qual a competência legislativa para regulamentar ou proibir a matéria.

O ano 2015 muito se falou sobre a proibição ou não do serviço ofertado pelo serviço do Uber, o que trouxe ao debate público e os primeiros sinais de interferência política na definição do serviço.

Tão logo a matéria passou a ser cotidianamente debatida pelos órgãos de imprensa, algumas prefeituras, buscando encerrar o conflito nas ruas, passou a proibir por meio de determinação administrativa advinda de Poder Executiva, que fosse fiscalizado, multo e apreendido veículos particulares que estivessem promovendo o transporte de passageiros.

Tão logo iniciaram as fiscalizações, a justiça foi acionada a solucionar o primeiro impasse: Poderia o Poder Executivo ditar tais diretrizes sem um amparo legislativo para tanto?

As liminares foram sendo obtidas e o Poder Executivo se viu privado de impedir a atividade do aplicativo.

Na tentativa de regular a matéria e visando uma aparição pública por parte dos políticos com cargo no legislativo, projetos de leis municipais passaram a tramitar com regime de urgência, audiências públicas foram realizadas. Na mesma tocada, deputados estaduais apresentaram projetos para ambos os lados, uns para proibir e outros para permitir.

O debate político vem se desenvolvendo desde então, tendo sido aprovada a regulamentação com caráter de proibição pela Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte, já sancionado pelo Prefeito e pela Câmara dos Vereadores de São Paulo, embora ainda não sancionado pelo Prefeito Paulista.

Diante de tais inovações legislativas, novas tentativas de obstar o efeito da legislação baterem as portas da Justiça que concedeu liminar para impedir a aplicação da norma pelos órgãos de fiscalização.

As decisões judiciais, em sua essência justificam o entendimento de que a atividade exercida pelo Uber possui ampara no Art. 5º, inciso XIII[2] e Art. 170, parágrafo Único[3], ambos da Constituição Federal, razão pela qual a legislação municipal seria incostitucional.

Enquanto não sobrevier regulamentação específica, a atividade econômica que utiliza o UBER como ferramenta não pode ser obstada pelo Poder Público. Não se pode falar em clandestinidade ou ilegalidade apenas porque a atividade, essencialmente privada, ainda não foi regulamentada. Vige, nesse particular, o princípio da autonomia da vontade.

Não se ignora que se trata de atividade que demanda algum nível de regulamentação e fiscalização estatal, porém caberá à Lei apenas regulamentar o serviço. Em vista da sua natureza privada, eventual norma que viesse a proibir ou banir o serviço seria inconstitucional.
Referências

[1] “É atividade privativa dos profissionais taxistas a utilização de veículo automotor, próprio ou de terceiros, para o transporte público individual remunerado de passageiros, cuja capacidade será de, no máximo, 7 (sete) passageiros.”

[2] é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.

[3] É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.

 

Por: Thiago da Costa e Silva Lott – Advogado
Fonte: lottbraga.com.br

25 out
Direito e tecnologia: o Direito antecipou as TICs?

Escola de direito aplicado

O direito está, desde sempre, ligado à tecnologia. Se pensarmos na invenção da escrita, por exemplo, uma das tecnologias mais antigas e mais revolucionárias já criadas, logo poderemos encontrar uma interseção com o direito, pois entre os mais antigos textos de que se tem notícia estão precisamente os das leis, como o Código sumério de Ur-Nammu ou o Decálogo de Moisés.

A própria ideia, ínsita à dinâmica da norma jurídica, de que um texto escrito pode prefigurar uma conduta humana e uma consequência dependente da ocorrência ou não dessa conduta, controlando-a remotamente, é uma tecnologia simbólica altamente complexa. Com as adaptações necessárias, esse mesmo princípio está também na base do conceito de “cibernética”, palavra criada apenas no século XX pelo matemático Norbert Wiener, com a mesma raiz de “governo”.

Não seria exagero dizermos que o direito antecipou muitas das ideias hoje presentes nas tecnologias da informação. Para começar, as leis jurídicas precedem os algoritmos na concepção de que se pode estabelecer um procedimento rígido para a consecução de um objetivo. Depois: o que é um processo judicial senão um grupo fechado de discussões, entre partícipes determinados e em torno de um assunto, muito antes da invenção dos “chats”? O que seria o Diário Oficial senão um “sítio” para onde devem se dirigir os possíveis interessados em certas notícias? O que seriam os cartórios extrajudiciais senão “provedores” que nos permitem navegar num conjunto vasto de documentos e produzir outros? E assim sucessivamente.

Hoje, no entanto, é a tecnologia que avança e traz consigo necessidades jurídicas. Os romanos, na sua infinitamente aguçada intuição prática, tinham um brocardo: o impossível a ninguém obriga (“ad impossibilita nemo tenetur”). O reverso do brocardo é talvez mais perspicaz: tudo o que é possível de ocorrer, é juridicamente relevante e pode obrigar. Ou seja, tudo que pode vir ao caso interessa ao direito.

Acontece que a ciência está ampliando o horizonte do possível e criando novas e inusitadas maneiras de realizar coisas de que já éramos capazes. Desde que o homem conseguiu “projetar o seu pensamento em engrenagens” (Dionysius Lardner), os fatos que podem ocorrer aumentam mais e mais. Então, o direito se amplia concomitantemente.

Incumbe aos juristas a função de acomodar esses novos fatos e novos procederes, que surgem aos borbotões, dentro do “sistema operacional jurídico”, que funciona sobre a base do binômio lícito/ilícito. Esta é a relação mais peculiar, hoje, entre o direito e a tecnologia, embora talvez não a mais evidente, nem a mais corriqueira.

São tantas e tão diferentes as novas relações sociais que surgem a todo momento por causa das tecnologias que o direito sequer está tendo condições de responder de imediato às necessidades de seu uso. Basta pensar, a título exemplificativo, na recente polêmica em torno do bloqueio do WhatsApp para cumprimento de ordem judicial; ou nas inúmeras discussões em torno do direito de ter certos fatos do passado apagados da Internet (right to be forgotten). Que dizer, então, das altamente complexas questões que são e serão cada vez mais colocadas pela Inteligência Artificial? É patente a necessidade de um novo pensamento jurídico, mais interdisciplinar e resiliente para lidar com essas situações imprevistas. O jurista hoje não pode mais saber apenas direito. É absolutamente indispensável que conheça minimamente os diferentes campos de saber que se abrem a todo instante, ainda que apenas por livros de divulgação científica.

É preciso também que o jurista desenvolva a sua “imaginação jurídica” para que compreenda toda a complexidade dos novos tempos e possa formular respostas inéditas para problemas inéditos. As primitivas fontes éticas do direito recobrarão naturalmente a sua importância num campo tão aberto e sem referências conhecidas; a argumentação jurídica deverá buscar aportes técnicos de outros campos.

Os problemas que estão por vir serão realmente ainda mais desafiadores. A que ponto chegarão as tecnologias? Ninguém pode dizer. Chegaremos talvez, um dia, a nos perguntarmos se as máquinas poderão ser titulares de direitos, ao lado dos seres humanos, e a resposta provavelmente será positiva em algum momento. Isaac Asimov, num conto clássico (“Homem Bicentenário”), imaginava já nos anos 1970 a situação de um juiz do futuro que estivesse julgando um pedido de liberdade feito por um robô senciente. O veredito do juiz, na fundamentação imaginada por Asimov, apoiou-se no seguinte pensamento: “ninguém tem o direito de recusar liberdade a qualquer criatura de inteligência suficientemente desenvolvida a ponto de compreender o conceito e desejar essa condição”. Não é implausível que um caso assim possa mesmo vir a ocorrer e tenha uma solução semelhante a essa. É claro que não seria esse um caso prosaico, mas ele acena com um mundo incrível de possibilidades que sequer podemos conceber.

Enfim, o futuro do direito está interligado a muitos campos do saber, da biologia à astronomia, passando pela medicina, pela computação, e tantas outras áreas. Em todos esses variados saberes, têm surgido fatos inabituais, descobertas exóticas que produzem novas e inusitadas relações sociais. O direito precisará, usando a sua velha técnica de preordenar comportamentos, dirigir e, em certos casos, quiçá obstruir, as novas sendas que se abrem.

18 out
Como aumentar a produtividade da sua empresa (e da sua vida)

Escola de negócios e gestão

Manual anti-procrastinação: métodos e ferramentas para te ajudar a ser mais produtivo

Davi Gabriel da Silva é um consultor de métodos ágeis e agente de mudanças organizacionais que atua com projetos de tecnologia há quase uma década. Entusiasta de temas como autogestão, empoderamento e autonomia no trabalho, ele é especialista em aumentar a eficácia de times corporativos usando o método de organização Getting Things Done, ou GTD. Traduzido como “A arte de fazer acontecer”, esse método foi criado pelo especialista em produtividade David Allen e se baseia na ideia de que podemos ser mais produtivos e controlar nosso stress por meio da organização do excesso de pendências que rondam a nossa mente.

“Sempre fui fascinado pela forma como nós, enquanto empresas e indivíduos, nos organizamos para alcançar algo maior”, conta. “Mas foi só quando o time de desenvolvimento de software do qual eu fazia parte falhou miseravelmente que decidi estudar a fundo sobre isso. Depois que comecei a entender mais sobre formação de times, metodologias de gestão e modelos organizacionais, decidi me dedicar integralmente a isso”, diz.

Davi faz treinamentos que ensinam sobre organização e produtividade – não apenas dentro de empresas, mas também para a vida pessoal. “O trabalho do século 21 é predominantemente criativo e colaborativo, então a comunicação e as relações entre as pessoas são fundamentais. Ainda achamos que somos ‘apertadores de parafuso’ e temos que fazer a nossa ‘função’ bem, mas não paramos para refletir sobre essa função.”

Nesta entrevista, o especialista fala sobre o conceito de produtividade e explica alguns dos métodos e ferramentas disponíveis para ajudar a buscá-la sem perder de vista nossos reais objetivos.

O que é produtividade para você? E para as empresas?

Para mim, produtividade é ser eficiente (fazer certo a coisa) e eficaz (fazer a coisa certa). A visão das empresas com relação à produtividade ainda está muito pautada no primeiro critério (eficiência) e pouco no segundo (eficácia). Muitas pessoas acham que um dia produtivo é aquele em que você fica o tempo todo na frente do computador fazendo a sua função, sem interrupções. Mas isso é ser eficiente. Não necessariamente você está sendo eficaz, ou fazendo a melhor coisa para você e para a sua organização.

Por que escolheu trabalhar com o método Getting Things Done, ou GTD?

Eu o escolhi por ser muito provocativo – ele desafia algumas recomendações tradicionais de “gestão do tempo” – e por não ser apenas uma ferramenta de produtividade: o objetivo principal dele é reduzir o stress! Existem dois aspectos do método que eu gosto muito.

O primeiro é o chamado de “mente clara como água”. A visão clássica de produtividade é você estar trabalhando em um ritmo alucinado, pegando cada vez mais trabalho. Mas o GTD diz que, para você ser mais produtivo, a sua mente precisa estar tranquila, descansada e “clara como água”. Para isso, você precisa esvaziar completamente a cabeça, de modo a se concentrar no que você está fazendo neste exato momento.

O segundo é “pare de simplesmente criar to-do lists”. Muitas metodologias de “gestão do tempo” dizem que você deve criar listas de coisas a fazer, planejando assim tudo o que você pretende executar em um determinado dia/data. Acontece que é praticamente impossível prever o que você vai fazer ou deixar de fazer hoje ou amanhã. O resultado é que, no final do dia, você acaba adiando diversas tarefas para o dia seguinte, e assim sucessivamente.

Isso é uma fonte de stress. O GTD propõe uma abordagem na qual você cria listas de “próximas ações”, sem especificar “prazos artificiais” para coisas que não têm prazo. Dessa forma, você experimenta uma sensação de tranquilidade. Quando você está “livre”, seleciona uma ação da sua lista de “próximas ações”.

Todas as startups costumam ser fãs de ferramentas de organização de tempo e produtividade, mais do que as empresas convencionais? Por quê?

As startups vivenciam todos os desafios das empresas tradicionais mais a escassez de recursos e a necessidade de encontrar um modelo de negócio escalável. Toda essa “pressão” faz com que a produtividade (fazer bem a coisa certa) seja muito importante.

Como garantir que a busca pela produtividade (tanto na vida pessoal quanto no trabalho) não esteja sobrecarregando os indivíduos?

Focando no segundo aspecto da produtividade: a eficácia. Trabalhar em um ritmo sustentável é importante para que possamos continuar fazendo a coisa certa por um longo período de tempo. Se focamos só em fazer bem uma determinada coisa (eficiência), a tendência é dedicarmos cada vez mais tempo a ela. Mas precisamos trabalhar de forma inteligente também! E isso significa ritmo sustentável.

O que é preciso para validar um método de produtividade? Como você avalia se ele é bom ou não?

Acho que muitos métodos podem funcionar. Prefiro o GTD pela simplicidade e objetividade. Mas, para mim, o método não é tão relevante assim: o que importa é se você vai ter disciplina para segui-lo!

Individualmente, como uma pessoa pode avaliar se uma ferramenta serve para ela ou não? Como saber se é hora de persistir ou abandoná-la?

Acredito que a melhor forma de avaliar é testando. Eu já usei diversas ferramentas e até costumo trocá-las com uma certa frequência. Um bom critério de avaliação é se ela comporta todas as informações que você precisa registrar. Eu gosto de anotar o nome da tarefa, a lista/categoria, o contexto (local) e eventualmente uma data. Uma ferramenta sem esses quatro campos é inviável para mim. Outra coisa que eu acho importante é a capacidade de repetir (tornar recorrentes) as tarefas. Acho que as pessoas não devem investir esforço em usar uma ferramenta específica (se exige esforço, não serve), mas focar na disciplina de ter um registro.

A rotina de trabalho de oito horas vem sendo questionada, inclusive porque pesquisas mostram que trabalhar menos horas pode ser mais produtivo. Qual é a sua opinião sobre essa discussão?

Acho que isso entra na mesma linha da questão da eficiência X eficácia. Trabalhar menos, mas trabalhar nas coisas certas e com maior qualidade, vai certamente tornar você mais produtivo. As empresas brasileiras ainda focam a sua atenção muito na eficiência, achando que manter todos ocupados o tempo inteiro é a coisa mais importante em uma organização.

Você é a favor do home office?

Sim, sou a favor do home office. Mas eu acho que ele pode ser desvantajoso em equipes onde a interdependência entre as atividades de pessoas diferentes é grande. Mesmo usando todas as ferramentas de comunicação disponíveis hoje em dia (videoconferência, ferramentas de compartilhamento de arquivos, mensagem instantânea, etc.), ainda não temos tecnologia que possa substituir de forma satisfatória a comunicação face a face com um quadro branco. O home office pode tornar você mais eficiente, mas às vezes também o torna menos eficaz (pela falta de comunicação).

Pela sua experiência, que hábitos ou práticas têm sido eficientes em ajudar as pessoas a se tornarem mais focadas e organizadas?

O método GTD pode nos ajudar a registrar todas as nossas pendências, de modo a esvaziarmos a cabeça e nos tornarmos mais concentrados na atividade que estamos fazendo agora. Para isso, a aplicação de um “sistema confiável de organização” (que é a proposta do GTD) é vital. Eu tenho o meu sistema (uso o Remember the Milk) no qual registro todas as pendências da minha vida. Toda vez que lembro de alguma coisa importante, anoto lá e esqueço. Dessa forma eu consigo esvaziar a cabeça, pois confio que ele vai me avisar quando necessário.

Costumo utilizar uma técnica de priorização de quatro critérios: contexto, tempo disponível, energia e importância. Primeiro, avalio se estou no contexto adequado para executar uma tarefa: em casa, no trabalho, na internet, no cliente etc. Depois, vejo quanto tempo a tarefa pode levar e verifico se tenho o necessário. Por exemplo, entre uma reunião e outra, posso selecionar uma tarefa que leve menos de cinco minutos. O terceiro critério é o mais negligenciado e corresponde à energia disponível. Quando queremos executar algo com qualidade, precisamos avaliar se dispomos da energia mental ou física necessária. Por exemplo: costumo deixar as tarefas mais chatas para a parte da manhã, quando estou mais disposto. Também gosto de fazer exercícios nesse horário. Por último, temos o critério da importância, em que escolhemos qual o projeto ou ação mais relevante de acordo com outros fatores.

Você tem alguma história para contar de como conseguiu ajudar com o GTD uma empresa que estava com processos muito desorganizados?

Sim. Em muitas organizações as pessoas têm um hábito terrível de se comprometer com datas o tempo todo. É o famoso “o-quê-para-quando” (what by when). O que acontece é que essas pessoas ficam aceitando várias tarefas com prazos artificiais para criar um tipo de “compromisso consciente”. O problema dessa abordagem é que, quando aceitamos um projeto para uma determinada data, não olhamos toda a nossa lista de pendências e verificamos se a nova missão é possível e prioritária em relação ao resto. Pior ainda: muitas vezes nem sequer anotamos o que nos comprometemos a fazer. Em uma organização para a qual prestei consultoria, esse era um hábito terrível e muito frequente. Muito compromisso com datas e poucas entregas. Eu confrontei esse hábito fazendo diversas palestras e workshops de GTD, reforçando a importância de adotarmos um sistema confiável de registro e termos o hábito de “capturar” as pendências.

Algumas empresas tentam disseminar o uso de ferramentas de chat corporativo para diminuir o uso do e-mail. Você acredita que o e-mail atrapalha a produtividade?

A principal dificuldade do e-mail está associada ao fato de ele ser uma ferramenta assíncrona. O chat corporativo e as mensagens instantâneas são ferramentas de comunicação síncrona, o que permite maior agilidade na troca de informações. Acredito que por esse motivo o chat pode ser mais produtivo. Por outro lado, ele pode causar mais interrupções e desvio de atenção.

Fonte: Livro “Seja mais produtivo. Agora” da jornalista Ana Prado.

17 out
Arbitragem no direito do trabalho: agora é possível!

Escola de direito aplicado

Com o intuito de modernizar a regulamentação das relações de trabalho no Brasil foi promulgada a Lei nº 13.467/2017, intitulada de “Reforma Trabalhista”, que inseriu 96 disposições na Consolidação das Leis do Trabalho.

Um dos pilares da nova legislação, é a tentativa de diminuir o número de demandas perante o Poder Judiciário trabalhista que, como todos os demais ramos, encontra-se lotado, com milhares de processos.

Uma das sugestões para tentar minimizar esse problema, temos, por exemplo a previsão contida no artigo art. 507-A da CLT, que autoriza expressamente a adoção, em certos casos, da arbitragem como método alternativo de solução de conflitos.

A Reforma Trabalhista, no particular, adota solução já encampada em vários países, tais como Estados Unidos[1] e Itália[2].

Pela Reforma, a arbitragem será admitida nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Nessa hipótese, poderá ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei de Arbitragem.

São pré-requisitos para a adoção da arbitragem que: (i) o trabalhador perceba remuneração superior ao dobro do teto de benefícios do Regime Geral de Previdência Social; (ii) iniciativa do trabalhador para inclusão desta cláusula; ou (iii) anuência expressa do trabalhador (art. 507-A da CLT).

No mais, tudo tem que estar de acordo com os termos previstos na Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, conforme listado abaixo:

  1. a cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, podendo estar inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ele se refira; e,
  2. nos contratos de adesão, como a maioria dos contratos de trabalho, a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula.
    A novidade legislativa entrará em vigor no dia 11 de novembro de 2017. É preciso uma mudança cultural no mundo corporativo, principalmente entre médias e pequenas empresas, que poderão se valer de um método rápido e seguro de solução de controvérsias.

Esta medida beneficia os empregados, que não precisarão aguardar a resposta de um Poder Judiciário muitas vezes moroso, ineficiente e que somente no primeiro grau da Justiça do Trabalho possui uma taxa de congestionamento de 46% na fase de conhecimento e 77% na fase de execução, conforme aponta o Relatório da Justiça em Números de 2017 (ano-base de 2016, p. 122).

Por outro lado, no processo arbitral, a sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Caso nenhum prazo seja convencionado entre elas, a sentença deverá ser proferida em seis meses

Torcemos para que o novo espírito seja rapidamente incorporado às práticas trabalhistas, o que, por certo, trará grandes vantagens para todos, inclusive para o próprio Poder Judiciário.

[1] cf. Xavier Blanc-Jouvan, Le développement de l’arbitrage des litiges en droit du travail: à la redécouverte d’une institution française en disgrace. Étude comparative des droits français et américain, in: Revue de l’arbritrage, 2003, p. 348 e seguintes.

[2] cf. art. 806, § 2º, do Código de Processo Civil Italiano.

[3] MIZIARA, Raphael; NAHAS, Thereza. Impactos da reforma trabalhista na jurisprudência do TST. São Paulo: RT, 2017. Ação civil pública. Prática de arbitragem nos dissídios individuais trabalhistas. Período posterior à dissolução dos contratos de trabalho. Inaplicabilidade. Arts. 114, §§ 1º e 2º, da CF, e 1º da Lei nº 9.307/1996. Imposição de obrigação de se abster. O instituto da arbitragem não se aplica como forma de solução de conflitos individuais trabalhistas, seja sob a ótica do art. 114, §§ 1º e 2º, da CF, seja à luz do art. 1º da Lei nº 9.307/1996, pois a intermediação da câmara de arbitragem (pessoa jurídica de direito privado) não é compatível com o modelo de intervencionismo estatal norteador das relações de emprego no Brasil. Quando se trata de Direito Individual do Trabalho, o princípio tuitivo do emprego inviabiliza qualquer tentativa de se promover a arbitragem, alcançando, inclusive, o período pós-contratual, ou seja, a homologação da rescisão, a percepção das verbas daí decorrentes e até mesmo eventual celebração de acordo. Com esses fundamentos, a SBDI-I, por maioria, conheceu dos embargos interpostos pelo Ministério Público do Trabalho, por divergência jurisprudencial, e, no mérito, deu-lhes provimento para, reformando a decisão que chancelara a atividade de arbitragem em relação ao período posterior à dissolução do contrato de trabalho, desde que respeitada a livre manifestação de vontade do ex-empregado e garantido o acesso irrestrito ao Poder Judiciário, condenar a reclamada a se abster de promover amplamente a arbitragem envolvendo direitos individuais trabalhistas, inclusive após a cessação do contrato de trabalho e no que tange à tentativa e/ou à efetiva formalização de acordos entre empregados, ou ex-empregados, e empregadores. Vencido o Ministro Ives Gandra Martins Filho. TST-E-ED-RR-25900-67.2008.5.03.0075, SBDI-I, rel. Min. João Oreste Dalazen, 16.4.2015. (Informativo TST nº 104).

12 out
Um robô que salva vidas: inteligência artificial a serviço da medicina

Escola de tecnologia aplicada

Laura é um robô diferente. Não foi feita de lata e nem tem os braços mecânicos que costumam ser associadas às criaturas de sua classe. Ela foi criada para analisar dados e salvar vidas a partir da tecnologia cognitiva. Ela identifica pacientes que podem desenvolver sepse (uma resposta desregulada do sistema imunológico a uma infecção) e avisar a equipe médica para que um tratamento seja iniciado. A cada 3,8 segundos Laura procura qual pessoa internada em um hospital está em estado mais crítico, algo que seria humanamente impossível. O objetivo é poupar tempo dos profissionais, recursos dos hospitais e o mais importante: salvar vidas. A cada hora sem tratamento, o risco de uma pessoa morrer de sepse aumenta 8%.

A invenção de Laura se deve a uma morte que poderia ter sido evitada. Laura era o nome de uma menina que morreu da doença apenas 18 dias após nascer. Foi quando seu pai, o analista de sistemas Jacson Fressato, 38 anos, começou uma caçada para descobrir os culpados. Durante nove meses ele fez trabalhos voluntários em hospitais para tentar encontrar o motivo de a menina partir tão cedo. Ele descobriu que não havia um culpado, mas um acúmulo de causas. Para eliminá-las, era necessário criar um sistema que permitisse aos médicos tomar decisões mais rápidas. Fressato decidiu desenvolver a plataforma por conta própria. Custou R$ 1 milhão, metade do valor bancado por um investidor-anjo.

No final de 2016, o robô foi implantado no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. Em menos de 90 dias, diminuiu em 10% a mortalidade da sepse grave e aumentou em 27% o desempenho da equipe. No começo de 2017, o software começou a ser implantado pela prefeitura de Curitiba para monitorar e criar base de dados dos pacientes atendidos pelas unidades públicas. “A Laura ajuda a diminuir mortalidade porque otimiza os recursos do hospital”, afirma Fressato.

COMO FUNCIONA

Assim que o robô é implantado, começa a garimpar a base de dados de todos os sistemas integrados do hospital e fazer uma classificação de risco. Laura foi programada para identificar pontos-chaves que montam a sepse, ou seja, ela cruza informações como dados vitais alterados e disfunções orgânicas, e calcula o tempo médio de atendimento entre todos os pacientes que estão no sistema do hospital. Com isso, consegue identificar um quadro de risco e avisar a equipe médica por meio de monitores. A tela laranja significa que um paciente está propenso a desenvolver sepse. Em casos mais graves, o robô manda SMS para os médicos. “O sonho de Laura é tecnologia de ponta e acessível para todos com o menor custo possível”, diz Fressato. O robô é doado para hospitais filantrópicos, mas é preciso pagar o custo de aplicação, de R$ 42 mil reais.

Fonte: Revista Istoé

11 out
Dica do criador do Waze para startups: ‘Resolva um problema’

Escola de negócios e gestão

O sonho de criar uma startup com uma ideia revolucionária, vendê-la por milhões de dólares a uma grande companhia e depois se aposentar certamente é comum a muita gente que começa a empreender. Exceto pela parte da aposentadoria, foi isso que aconteceu com o economista israelense Uri Levine um dos criadores do Waze. Ele diz que busca sucessos maiores que o aplicativo comprado por 1,1 bilhão de dólares (3,45 bilhões de reais atualmente) pelo Google em 2013.

Levine, ao contrário dos outros co-fundadores, saiu da empresa após a sua venda. Tem participação em nove startups e dá palestras sobre empreendedorismo pelo mundo. Durante evento na capital paulista nesta terça, disse que o principal para quem quer seguir o mesmo caminho é procurar um problema para resolver, algo grandioso, que vá melhorar o mundo.

“A boa notícia é que há muitos problemas a serem resolvidos. A má, é que ainda há muitos”, disse durante entrevista após o evento. “O trânsito não está resolvido, os serviços médicos têm muitos problemas. Se você olhar para os dos Estados Unidos, por exemplo, o custo é cinco vezes maior do que na Alemanha. E não são cinco vezes melhores. São quase a mesma coisa, mas são simplesmente mais caros. Há muita ineficiência nisso”, explica.

Outro campo que vê como promissor é o da educação porque, segundo ele, não houve mudanças na forma de ensinar e aprender no último século, e o mundo mudou muito nesse tempo. “Nossos avós tinham um trabalho durante toda a vida deles, e nossos pais tinham uns cinco. Mas, olho para meus filhos: no último ano, eles tiveram cinco trabalhos”, compara. “Talvez nós tenhamos que aprender algo que é completamente diferente, ou adaptabilidade, ou novas habilidades, em vez de ficar fazendo sempre a mesma coisa”, diz.

Para escolher o problema, diz que é preciso identificar quais pessoas são afetadas por ele, e como elas percebem a questão. Aí então, gastar tempo procurando entendê-lo melhor. O Waze levou cerca de um ano até que os os mapas, feitos através das informações enviadas pelo GPS do celular dos usuários, ficassem bons, na sua avaliação.

Levine diz que as informações compartilhadas por usuários, que foram vitais para o Waze, são uma grande fonte de conhecimento para quem quer resolver um problema. “Esse modelo de contribuição colaborativa é a maneira mais rápida de conseguir informação que não está disponível. E as pessoas, definitivamente, estão ‘ok’ com a ideia de compartilhar”, disse.

Da sua trajetória, disse que aprendeu que é preciso estar focado no problema em vez da solução, o que julga difícil. E que os empreendedores devem se preparar para atravessar um “deserto” – época que ocorre após a excitação inicial com o projeto, em que parece que as coisas não progridem, mas na qual se deve continuar tentando, sem medo de errar.

Sobre a venda ao Google, diz que teve “sentimentos diversos”. E, apesar de recomendar que empreendedores comemorem conquistas, garante que não fez “nada de especial” após a transação, apenas teve a certeza de que poderia fazer algo maior. “[As minhas startups] são as coisas nas quais estou trabalhando atualmente. E continuo desenvolvendo porque tenho a mesma paixão que antes. Mas, agora estou ‘anabolizado’. Então, qualquer coisa que tentar fazer, será muito mais impactante”, disse.

09 out
20 aplicativos para facilitar a vida dos universitários

iCEV

São tantas as tarefas com as quais um estudante precisa lidar dentro da faculdade que, às vezes, parece impossível lidar com todas de uma vez. No entanto, a tecnologia pode ser muito útil para ajudar a conciliar todos os estudos, bem como fornecer materiais de estudo e ferramentas úteis para ajudar em trabalhos – tudo que um universitário precisa para aproveitar a faculdade ao máximo.

Para ajuda-lo, selecionamos 20 aplicativos, divididos em categorias, que com certeza facilitarão seu dia a dia. Confira a lista!

Organização

1. Any.do

Se organizar é fundamental para qualquer estudante e, por isso, o any.do é um aplicativo que faz a diferença. O software criar listas de tarefas e ainda permite que os usuários as sincronizem com seus dispositivos, para acessá-lo de qualquer lugar.

2. Mailbox

Estudantes costumam receber muito e-mails e pode ficar difícil se encontrar em meio a tantas mensagens. O Mailbox permite que o usuário trabalhe com vários e-mails de uma vez, organize-os em pastas e crie lembretes, para que nenhuma mensagem importante passe despercebida.

3. Dropbox

Ter um backup de seus arquivos acessível de qualquer lugar é o sonho de todo o estudante. Isso já se tornou realidade por meio do Dropbox, que armazena dados na nuvem, permitindo que você acesse seus arquivos de qualquer lugar – e sem limite de armazenamento.

4. Google Drive

Com o Google Drive também é possível gerenciar todos os dispositivos do Google em um só lugar, consequentemente conseguindo ver seus arquivos de maneira fácil e rápida. Por também possuir armazenamento na nuvem, o Google Drive permite que seu conteúdo seja acessado de qualquer lugar, basta conseguir uma conexão de internet.

5. Studious

Diga adeus à velhas agenda de papel. Com o Studious é possível reunir todas as informações necessários para seus estudos, como horários de aulas, prazos para trabalhos e matérias de aulas. Outra vantagem é que o aplicativo cria lembretes sobre suas tarefas para que você não perca nenhum prazo.

6. Self Control

A distração causada pela internet é um dos fatores que mais prejudicam os estudantes. Nesse caso, o Self Control pode ajudar a manter o foco e inclusive se organizar melhor. O aplicativo bloqueia seus sites favoritos por determinados períodos de tempo, para que você não desvie sua atenção das aulas ou outras tarefas importantes.

7. Clear

Em muitos casos, são tantas atividades de que um estudante precisa manejar que uma lista de tarefas apenas não é suficiente. Quando isso acontece, o Clear pode ser a melhor solução. Ele permite criar diversas listas de tarefas ao mesmo tempo e sincronizá-las, para que o estudante tenha a dimensão de tudo o que precisa fazer ao longo do dia.

Materiais de estúdio

8. Scribd

O Scribd reúne milhares de livros digitais, sobre diversos temas, em um só lugar. Como é acessado por pessoas de todo o mundo, é possível encontrar livros raros, artigos manuscritos e muitos outros documentos interessantes, que não estariam a disposição de outra maneira. Ainda é possível selecionar seus artigos favoritos e criar a própria biblioteca, que está à disposição para ser acessada de qualquer lugar.

9. Mathway

O Mathway simplifica muitos problemas de estudantes da área de exatas. Sua função é encontrar a solução de problemas matemáticos e ainda fornecer o passo a passo da resposta correta. Ideal para os problemas e trabalhos mais difíceis.

10. Chegg

O gasto com livros didáticos é um dos maiores investimentos dos estudantes durante as aulas. Para diminuir esse custo é possível contar com o Chegg. Através dele o estudante pode alugar livros didáticos por um preço menor que o necessário para comprá-los, o que garante uma boa economia.

11. TED

Poucos sites reúnem tanto conteúdo útil e inspirador quanto o TED. Com palestras sobre diversos temas, o site pode oferecer ótimas dicas para seus estudos e colaborar para a formação acadêmica.

12. iTunes U

O diferencial do iTunes U são suas parcerias: ele contém videoaulas de algumas das mais conceituadas universidades do planeta, como Yale, MIT, Oxford e Cambridge. Uma ótima oportunidade para aprender mais e ter novas ideias!

Idiomas

13. Dictionary. Com

Para estudantes que tenham aulas de inglês na graduação, o Dictionary.com é uma excelente opção de aplicativo, pois é um dicionário online bastante completo. Como diferencial, ele possui gírias e palavras menos conhecidas do idioma, além de funções como a chance de saber o que outros usuários estão procurando e se atualizar sobre as novas tendências de vocabulário da língua inglesa.

14. The Oxford Dictionary

Um dos dicionários mais conceituados em inglês, o Oxford Dictionary também tem sua versão mobile. É uma ótima ferramenta para quem está procurando por uma fonte confiável, que ainda oferece diversos recursos como a pronúncia das palavras e as variantes britânicas e americanas.

15. Duolingo

Esse aplicativo é ideal para estudantes que desejem aprender novos idiomas. Com o Duolingo é possível estudar Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Holândes, Dinamarquês, Sueco, Inglês e até mesmo Português. Isso é possível graças à metodologia do software, que trabalha com testes e brincadeiras que seguem a lógica de um jogo, tornando o aprendizado mais divertido.

Ferramentas para trabalho

16. Feed. Ly

Notícias são as melhores maneiras de estudar sobre atualidades, porém, é difícil encontrar tempo para acompanhar todos os jornais. O Feed.ly serve justamente para isso: com ele é possível programar seus sites favoritos e suas áreas de interesse. Sempre que houver uma notícia relacionada, ele seleciona os links e cria um lembrete par que você se mantenha bem informado.

17. CliffsNotes

Nem sempre é possível acompanhar toda a carga de leitura demandada pelas aulas. Para isso existe o CliffNotes, aplicativo que reúne resumos de livros, lista de personagens e até mesmo informações em áudio para que você possa fazer suas provas e trabalhos mesmo que não tenha conseguido ler o livro.

18. Easy Bib

Precisa usar uma citação de um livro, mas não sabe qual é a bibliografia? O Easy Bib resolve esse problema! Basta digitar o nome do livro ou procurar seu código de barras para ter todas informações necessárias para a bibliografia, como nome do autor, ano de publicação e editora.

19. RealCalc Scientific Calculator

Útil para estudantes da área de exatas que precisam fazer cálculos específicos. O RealCalc faz cálculos como uma calculadora científica, o que perfeito para obter resultados precisos em tempo rápido.

20. Snap2PDF

Muitas vezes, ao encontrar textos online, estudantes se deparam com formatos de arquivo que não abrem em qualquer dispositivo e acabam causando transtornos. O Snap2PDF é uma boa maneira de contornar esse problema, afinal, com apenas uma foto ele converte para qualquer texto para o PDF, formato aceito pela maioria dos aparelhos.

Fonte: TecMundo

05 out
Você sabe como nasce um emoji?

Escola de tecnologia aplicada

Em junho de 2016, Anna Levin enviou uma mensagem para o suporte ao usuário do WhatsApp com o seguinte assunto: Very disappointed! A professora de medicina da USP estava frustrada com a relação de emojis – as carinhas, corações e outros ícones que podem ser incluídos nas mensagens – disponíveis no aplicativo. Dentre as opções, não constava uma imagem que lhe parecia imprescindível: uma capivara.

(Ilustração: Andrés Sandoval_2017)

Levin é uma entusiasta desses mamíferos desde que uma pequena família deles apareceu há coisa de quatro anos na raia olímpica da USP, onde ela pratica remo duas vezes por semana. “No princípio eram três, e a gente não tinha a menor ideia de como elas tinham ido parar ali, porque é tudo cercado”, disse a professora.

Com ar bonachão e pelagem farta, é difícil não simpatizar com a capivara, o maior dos roedores, do tamanho de um cachorro respeitável. Com os remadores da USP não foi diferente. Os visitantes viraram mascotes instantâneos e passaram a batizar uma regata anual organizada na raia universitária. No grupo de WhatsApp da equipe de remo, em meio a informes práticos, piadas e correntes, são corriqueiras as histórias e fotos das capivaras – cuja população local agora já passa de quarenta indivíduos. “A gente sentia falta de um emoji para falar delas, claro”, disse Levin. “Tem emoji pra cada coisa, por que não um de capivara?”

Foi imbuída de ideais republicanos que ela tomou a dianteira e escreveu para o aplicativo. Não tinha ideia de que, em matéria de emojis, o WhatsApp não passa de um títere nas mãos de uma organização cujo nome parece saído de um romance distópico: a Unicode Consortium. Impotente diante do pedido, o solícito atendente do aplicativo a direcionou à página do labiríntico site da Unicode que elenca os requisitos para submeter a proposta de um novo emoji à avaliação. Levin – uma especialista em doenças infecciosas e parasitárias – descobriu então a burocracia insuspeita para sugerir um novo ícone. “É mais complexo que enviar um projeto à Fapesp.”

Os primeiros emojis surgiram no Japão antes mesmo da existência dos celulares. Era a febre dos pagers, e Shigetaka Kurita, um funcionário da empresa NTT Docomo, criou um alfabeto de caracteres especiais bem simples para facilitar a comunicação de sentimentos e ideias abstratas – e também para se diferenciar da concorrência. Apesar da semelhança sonora com a palavra emoticon, muito usada nos primórdios da internet (e que vem da união dos termos em inglês para “emoção” e “ícone”), emoji é um neologismo japonês que junta as palavras e (“imagem”) e moji (“letra”).

Os caracteres se tornaram tão populares no Japão que, quando a Apple lançou o primeiro iPhone, não havia possibilidade de penetrar naquele mercado se deixasse os emojis de fora. Fizeram então uma adaptação dos desenhos criados por Kurita: a ideia era que, num primeiro momento, apenas os japoneses pudessem acessar o banco de caracteres. Mas, como sói acontecer no mundo da tecnologia, hackers não demoraram a quebrar o código e liberar o acesso para todos. Por isso abundam os ícones ligados à cultura japonesa, como o sushi, a tempura e o cocô sorridente, improvável símbolo de sorte naquele país.

Desde então os emojis conquistaram a internet – hoje há 2 666 opções disponíveis – e também o mundo offline (de chaveiros a almofadas, é possível encontrar toda sorte de bugigangas no formato dos símbolos mais populares). Há registros de conversas inteiras baseadas só em trocas de ícones; o romance Moby Dick ganhou uma versão escrita exclusivamente com os símbolos e de título infame, Emoji Dick; até o Estado Islâmico tem lançado mão do recurso para arregimentar novos soldados pelo Twitter.

O papel da Unicode, consórcio sem fins lucrativos que congrega representantes das gigantes da era digital, como Google, Apple e Microsoft, é uniformizar os emojis. Como eles funcionam como caracteres (e não como imagens inseridas na mensagem), era preciso que um ícone enviado de um iPhone pudesse ser lido em computadores e outros modelos de celular. O consórcio trabalha justamente para garantir a legibilidade dos caracteres em diferentes sistemas operacionais.

Com a popularidade, veio também o anseio por uma maior representatividade dos emojis. Usuários reivindicaram a opção de escolher a cor da pele do bonequinho, a inclusão de famílias gays e comidas populares como bacon e abacate – além, é claro, de animais nativos de diferentes regiões, como a capivara. Acostumado a se reunir bissextamente para debater a inclusão de caracteres de dialetos com poucos falantes, o comitê da Unicode se viu às voltas com legiões de usuários frustrados com a ausência, a presença, ou o design de um sem-número de emojis.

Para solicitar o ícone da capivara à Unicode, Anna Levin deveria seguir um roteiro específico. Precisou pesquisar a ocorrência do termo em várias línguas no Google, mas teve também que explicar como o emoji poderia ser útil na comunicação de diferentes grupos e mostrar que nenhum desenho já existente cumpria essa função. “Foi como uma pesquisa científica”, comparou a professora. “Descobri, por exemplo, que a capivara estampa uma moeda no Uruguai, e anexei uma foto na proposta.”

A Unicode defende que o protocolo detalhado ajuda a provar que um candidato a emoji é realmente útil. “Não pode ser só ‘Bem, acho que o emoji de um esquilo bêbado seria maneiro’”, brincou Mark Davis, cofundador e presidente do consórcio, em entrevista à revista Time. Davis lembrou que os emojis não constituem uma linguagem universal, e que é impossível prever em que contexto serão adotados. “Você obviamente conhece o uso que se faz da berinjela”, disse ele ao entrevistador, aludindo ao legume fálico recorrente em mensagens licenciosas.

Convicta de que a capivara merece seu próprio emoji, Levin vislumbra outros usos do ícone para além do propriamente zoológico: “Não tem aquela história de puxar a capivara de alguém, no sentido de checar sua ficha corrida?”, aventou. O emoji de capivara, conclui-se, tem potencial para viralizar entre delegados e detetives.

No começo de agosto, a Unicode divulgou uma lista com os 67 finalistas para a atualização de emojis que será feita no ano que vem. A imprensa destacou a inclusão de um novo montinho de cocô, agora triste, mas chama a atenção ainda a presença do bagel e da manga, entre os alimentos, e da lhama e do guaxinim, no reino animal. “Nada de capivara por enquanto”, lamentou Anna Levin.

A bem da verdade, a professora sequer chegou a submeter a candidatura do roedor, por esbarrar noutra exigência do formulário. Além de justificar a criação do emoji, o solicitante deve ainda oferecer um esboço do ícone. “Não conheço nenhum designer, não consegui ninguém pra desenhar nossa capivara”, disse. Mas Levin é persistente e pretende formalizar a proposta em 2018. “Pode esperar a capivara na próxima atualização!”

Fonte: Revista Piauí

03 out
Alienação fiduciária: “mas só faltam duas parcelas”?

Escola de direito aplicado

O sujeito pretende comprar um automóvel. Sem dinheiro, ele opta por algum tipo de financiamento. O Banco, evidentemente, precisa de uma garantia de que receberá o dinheiro que emprestou. O sujeito resolve, então, dar o próprio carro que pretende comprar em garantia. É mais ou menos isso que se chama de alienação fiduciária. Bom para todos, certo?

 

Depende. O consumidor pode pagar só uma parcela da dívida com o Banco e criar para este o ônus de ir atrás do bem dado em garantia. Dá trabalho, mas ao menos o Banco sabe que poderá reaver o bem, posteriormente vendê-lo e, assim, compensar suas perdas. Ou saberia. Imaginem o caso.

 

O nosso mesmo sujeito hipotético adquiriu o bem, pagou mais de 90% do financiamento e, por conta das circunstâncias da vida, deixou de pagar as últimas cinco ou seis parcelas. Isso autorizaria o Banco a reaver o automóvel cujo financiamento já havia sido quase integralmente pago?

 

De acordo com a teoria do adimplemento substancial, não. Se você paga substancialmente sua dívida, o credor não pode – ou não poderia – se valer da parte pequena que você não pagou para tentar rescindir o contrato. Parece justo, não é? Tudo bem que você está inadimplente. Mas pera lá, certo? A parcela inadimplente não é nada perto daquilo que você pagou. É mais justo que eu fique com o bem, que o contrato permaneça e que o Banco tente, de outras formas, receber o valor que não foi pago.

 

Pois é. Esse parecia o entendimento – para usar um termo caro aos juristas – pacífico na jurisprudência nacional. Até a 2ª Seção do STJ pegar todos de surpresa e decidir, no REsp 1.622.555, que a teoria do adimplemento substancial não se aplica aos contratos de alienação fiduciária.

 

Além da surpresa – o STJ adora a teoria do adimplemento substancial – o destaque ficou para os trechos do voto-vencedor, do Ministro Marco Aurélio Bellizze, que consideravam que a aplicação da teoria, antes de proteger o consumidor, prejudicava todo o sistema.

 

O tipo de garantia existente nesses tipos de contrato – o próprio veículo financiado – confere uma relativa segurança à instituição financeira, que não depende da eventual existência de patrimônio do devedor para assegurar a quitação da dívida.

 

E se o Banco não puder, a partir de um determinado limiar, reaver o bem, qual seria o resultado principal? O aumento do risco. Se a garantia da alienação fiduciária era relativamente simples e facilmente executável, agora pode ficar mais complexa, já que os Bancos teriam que apelar a outros meios de cobrança para conseguir o adimplemento integral do débito do devedor.

 

O que o Ministro Bellizze observou é que esse aumento do risco se refletiria num custo adicional para as operações de alienação fiduciária. E esse custo adicional resultaria em juros maiores. Juros maiores que nenhum consumidor gostaria de pagar. Ainda que a busca e apreensão de um automóvel quase integralmente quitado pareça excessiva, ela é o que garante uma certa segurança no contrato, o que impacta, diretamente, o custo do financiamento.

 

Ainda não há como saber o que essa decisão significará para o futuro do direito do consumidor (e do direito privado em geral). Mas é interessante observar uma mudança na lógica da decisão: o STJ considerou, dentre outros fatores, o impacto econômico da decisão. E fez mais: considerou não impacto desta decisão específica, mas o impacto que a aplicação do “entendimento” adotado teria naquele micro-sistema de crédito. Será isso a indicação de novos tempos?

 

02 out
Os millennials chegaram às empresas. O que fazer agora?

iCEV

A geração dos millennials, aquelas pessoas nascidas depois dos anos 80, vem tomando lugar nas empresas com uma frequência cada vez maior. Para a especialista em gestão Joanna Barsh, diretora emérita da consultoria McKinsey, isso impõe um série de desafios para os gestores, e é preciso se adaptar. Em novembro, Joanna virá ao Brasil participar da conferência HSM Expo, em São Paulo, onde falará sobre essas e outras questões.

“Não existe mais aquela fidelidade com a empresa” (Jemal Countess/Getty Images)

Em seu novo livro, Grow Wherever You Work (“Cresça onde quer que trabalhe”, numa tradução livre), ela orienta a geração millennial a lidar com os desafios do trabalho. Esses desafios de hoje são diferentes daqueles do passado?

Não acho que eles sejam diferentes. O que difere é a mentalidade da geração millennial. Os jovens entendem que as empresas podem demitir a qualquer hora se for necessário cortar custos ou se a companhia for vendida. Por outro lado, pensam que, se não estiverem gostando do trabalho, vão procurar outro lugar. Ou seja: não existe mais aquela fidelidade à empresa, porque a empresa também não é mais fiel ao funcionário.

De que forma isso ocorre na prática?

Quando enfrentam um desafio, os millennials pensam: “Talvez eu deva me demitir e tentar outra coisa. Talvez deva virar empreendedor”. Eles sentem que, se não estiverem crescendo, se desenvolvendo, vão deixar a empresa. Isso vem de um sentimento de autodependência muito forte.

Por que a fidelidade com as empresas foi perdida?

Porque os millennials nasceram num mundo mais instável. Um mundo em que há recessão econômica, os conflitos mundiais e os acontecimentos inesperados ocorrem o tempo todo. Além disso, muitos viram seus pais perder o emprego. Sabem que o ambiente das empresas é rigoroso e que eles têm de cuidar de si mesmos. Acreditam que a carreira é uma responsabilidade deles, mas também é uma questão de escolha. Também por causa disso, mudam de emprego com mais frequência.

É uma geração que se arrisca mais?

Não. Conheço muitas histórias de millennials que se arriscam mais, mas também conheço muitos millennials que não se arriscam em nada. É mais uma questão individual. Não acho que seja uma questão geracional.

Como as empresas podem se adaptar a essa mentalidade?

Para as empresas gerenciarem os funcionários mais jovens de forma mais efetiva, precisam oferecer um trabalho que tenha um significado para os funcionários. Em que eles sejam capazes de aprender, de crescer e evoluir na carreira. Em que eles se sintam parte de uma comunidade. Um trabalho em que falar diretamente com o presidente da companhia seja algo natural.

Imagino que não seja fácil criar um ambiente assim, certo?

As grandes empresas com as quais me relaciono começaram a treinar seus gestores para se comunicar melhor, para reconhecer que precisam liderar as equipes de forma diferente. Isso porque os millennials estão se demitindo em número tão grande que virou um problema. O custo de recrutar pessoas e vê-las sair da empresa o tempo todo é muito alto.

Essas medidas têm funcionado?

Ainda é cedo para dizer. Pretendo fazer uma pesquisa com as empresas agora para saber quais medidas tiveram sucesso. A verdade é que tudo está sendo experimentado. Então, vamos ver uma mudança contínua das empresas nos próximos cinco anos.

Fonte: Revista Exame

28 set
Alto-falantes inteligentes esbarram nos sotaques brasileiros

Escola de tecnologia aplicada

Os alto-falantes inteligentes já estão nas casas de diversos americanos. Segundo a consultoria eMarketer, 35,6 milhões de pessoas usarão aparelhos como o Amazon Echo, o Apple Homepod e o Google Home em 2017. O Brasil, entretanto, ainda não teve lançamento de nenhum produto dessa categoria e especialistas indicam um dos principais motivos do atraso: os diferentes sotaques e as regionalidades idiomáticas dos brasileiros.

Esses aparelhos são caixas de som que podem obedecer aos seus comandos de voz à distância. A proposta deles é atender às suas ordens quando ditas de maneira natural, e não robótica, travada ou, de alguma forma, codificada.

Qual é a vantagem disso? Várias. Esses produtos podem funcionar como uma central de controle para os seus aparelhos conectados à internet, como lâmpadas inteligentes, Smart TVs ou mesmo termostatos (mais populares nos Estados Unidos do que no Brasil). Ao dizer um simples “apagar as luzes” ou um simpático “boa noite” para o seu alto-falante, tudo pode ser desligado logo que você se deitar. Fora isso, também é possível usar os aparelhos para fazer listas de compras ou mesmo encomendar os itens que faltam na sua casa.

Esses produtos trazem três assistentes de voz diferentes: Alexa (Amazon), Siri, (Apple) e Google Assistente (Google). Os dois últimos já entendem o idioma português brasileiro há algum tempo. A Alexa, a caçula entre eles, fala prioritariamente inglês.

Rodrigo de Deus, diretor de estratégia para tecnologias emergentes na consultoria PwC, afirma que o mercado para os assistentes de voz tende a crescer nos próximos anos no Brasil, mas será preciso vencer alguns obstáculos, como o preço dos produtos, as parcerias de negócios entre as fabricantes e lojas online, a infraestrutura de internet no país e os diferentes sotaques do português.

Para aprender o idioma e seus regionalismos, a tecnologia pode ser uma aliada graças ao machine learning, uma técnica de aprendizagem de máquina que permite que eletrônicos aprendam mais rapidamente do que humanos. Ainda assim, eles precisam ser ensinados de maneira parecida com o que fazemos com crianças.

“Para que o machine learning ajude esses aparelhos, ainda é preciso que eles passem por um estágio de evolução. Ele precisa ser adaptado ao português para poder evoluir. Conforme o mercado crescer, isso vai ajudar a incorporar o jeito do brasileiro falar. Não é só a tradução, é o jeito como as pessoas falam, como fazem perguntas, seus sotaques e nuances de linguagem”, disse Deus.

Andre Miceli, coordenador do MBA e Pós-MBA em marketing digital da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestre em administração pelo Ibmec RJ, afirma que o idioma pode ser uma barreira, mas reforça que há outras questões importantes que travam o lançamento dos alto-falantes inteligentes no nosso país.

“Se olharmos a história, é fácil encontrar diversos eventos com atrasos nos lançamentos de soluções de empresas de tecnologia como Amazon, Apple, Microsoft, Google e de muitos outros gigantes. Ninguém se posicionou formalmente a respeito do que motivou o fato dessa vez, mas usualmente temos duas grandes razões: logística e mercado. No primeiro grupo temos questões relacionadas à distribuição, importação, regionalização e afins. No segundo grupo, vemos as empresas gerenciando seus lançamentos em função de questões de mercado”, declarou Miceli.

O professor diz ainda que há casos em que as empresas retardam seus lançamentos para deixar os concorrentes entrarem primeiro com o novo produto no mercado. O objetivo? Aprender com a experiência deles e redesenhar suas estratégias.

Falando português

Falando agora estritamente do problema do idioma para assistentes de voz em português, a IBM passou por um processo interessante. Ela treinou, junto ao banco Bradesco, a sua inteligência artificial Watson para aprender a nossa língua. Foram meses de uso da tecnologia por funcionários do banco. Eles tornaram o Watson um verdadeiro especialista nos produtos da empresa. Com isso, os bancários podem recorrer a ele sempre tiverem alguma dúvida.

Atualmente, a IBM informa que a acurácia do Watson para voz é de 97% e de 96% para interações via texto.

Outra forma que a empresa encontrou de aliar tecnologia, arte e treinamento para o Watson foi usar sua inteligência artificial na exposição “A Voz da Arte”, realizada neste ano na Pinacoteca de São Paulo.

Por meio de um app de iPhone, as pessoas puderam perguntar naturalmente ao Watson e ouvir respostas sobre obras de arte expostas no museu. Isso ajudou o produto da IBM a aumentar seu acervo de respostas para possíveis perguntas. As 7 mil variáveis de perguntas se transformaram em 40 mil após dois meses de exposição.

Guilherme Novaes, líder de Watson na IBM Brasil, contou os principais desafios da tecnologia atual de reconhecimento de linguagem natural.

“Falar com pouco ruído, em um ambiente controlado e sem interferências, é uma coisa. Quando você vai para um local barulhento, essa acurácia pode ser reduzida. Isso não é exclusividade do Watson. É um desafio que qualquer empresa vai ter. Nesse caso, temos que treinar continuamente o Watson para entender a intenção da pergunta nesses ambientes barulhentos”, afirmou Novaes.

Por essas e outras razões, as interações via mensagens de texto têm altíssima precisão. Com isso, o treinamento é rápido.

“É como uma criança pequena com taxa de aprendizagem muito mais alta do que a de um ser humano”, disse Novaes.

Quem lança primeiro?

O Google Home pode ser um dos primeiros a chegar ao país. Empresa anunciou neste ano que chegará em breve ao país com uma estratégia de longo prazo para lançamentos de hardware no nosso mercado. No anúncio, um dos aparelhos mostrados à imprensa foi justamente o Google Home.

A Amazon não teria o mesmo alcance de negócios que tem nos Estados Unidos. No nosso mercado, a empresa vende basicamente livros, enquanto lá ela vende de tudo. No entanto, fontes ligadas a Amazon indicam que a compra da Saraiva no Brasil é possível dentro de pouco tempo. Se isso acontecer, a Amazon poderia oferecer mais produtos para serem comprados por meio do Echo. Vale notar também que a companhia já abriu seu espaço online para outras varejistas parceiras, transformando sua loja em um marketplace–outra medida que aumenta o acervo da empresa.

A Apple, apesar de ter a Siri em português, não deu indícios de que vai trazer o produto ao Brasil em breve. Porém, a página do release de imprensa do produto no site oficial da Apple foi traduzida para português.

Fonte: Revista Exame

26 set
Novas tecnologias e a formação do profissional jurídico

Escola de direito aplicado

Um texto dedicado a tranquilizar – ou não – o atual estudante de direito

Ao se formar em direito, cada geração encontra uma realidade diferente quando entra no ambiente de trabalho. É perfeitamente possível dizer que o advogado contemporâneo de Rui Barbosa é um profissional totalmente diferente daquele que exercia o mesmo ofício em meados da década de 90, época em que as privatizações agitavam o Brasil. Nos últimos tempos – entenda-se meses – o frenesi gira em torno de temores relacionados à chegada da tecnologia de ponta no âmbito jurídico.

A questão que corre entre estagiários e estudantes de direito é: haverá emprego para quando se graduarem?

De fato, é inegável que recentemente o mercado tem sofrido impacto atrás de impacto por conta do surgimento cada vez mais proeminente de tecnologias aplicáveis às profissões jurídicas. Ao presenciar um software emitir uma debênture em seis minutos ou uma plataforma gerar uma petição em menos de dez, é totalmente compreensível que o graduando de hoje pense em “correr para as colinas”. A ideia de que a automação e a inteligência artificial talvez substituam a atuação destes profissionais – principalmente os mais novos – é realmente apavorante para quem sequer concluiu o ensino superior.

O objetivo destas tecnologias, contudo, é outro. O surgimento de ferramentas tão sofisticadas não tem como mote a substituição do trabalho de um advogado, por exemplo, e sim tornar o seu trabalho mais intelectual e especializado. A noção é que seja liberado o tempo de um profissional altamente qualificado para que este possa de fato se concentrar na realização de tarefas que exigem sua inteligência e dedicação.

Com este ponto, sim, o graduando deve se preocupar. Em pouco tempo, gradativamente será mais exigida uma formação aprofundada dos profissionais jurídicos, em um mundo bastante competitivo no qual sobreviverá aquele capaz de desenvolver tarefas complexas. Diante disso, resta imaginar que o futuro do graduando em direito depende de si; nunca foi tão fundamental que o tempo de faculdade seja dedicado exclusivamente à aquisição de conhecimentos que vão muito além do básico.

Isso envolve escolher uma área desde cedo, pesquisar com afinco os temas que lhe concernem, produzir conteúdo relevante e se relacionar com o mercado assim que possível. Parece uma tarefa árdua para alguém tão jovem, porém toda a energia que isto demanda faz com este seja o melhor momento para cumpri-la. Afinal de contas, em um ambiente em que tarefas triviais se tornam automatizadas, o espaço é reservado somente para os indispensáveis.

Todas estas ideias passam longe de serem apocalípticas. Muito pelo contrário: há quem diga que a atuação de advogados será inteiramente substituída por “robôs”. Entretanto, a relação existente com tais sistemas é mais simbiótica do que parece: a questão da confiança, o engenho intelectual e o contato interpessoal, por exemplo, são aspectos que ressaltam a indispensabilidade de características que somente o ser humano pode prover. Neste sentido, quem sabe o advento destas tecnologias não signifique um retorno às atividades para as quais o aspecto humano mais se faz necessário, em detrimento de funções burocráticas e administrativas que juristas assumiram, desnecessariamente, ao logo da história.

O que eu gostaria de ter ouvido enquanto ainda estava na graduação era uma noção da realidade que tento passar por meio deste texto. O mundo encontrado para além dos muros da faculdade é totalmente diferente do que ainda se prega na maior parte dos cursos de direito. Da forma como serviços são cobrados até a forma como estes são executados, novas tecnologias vêm transformando o propósito das profissões jurídicas – para melhor. Por tal razão, uma parcela desta formação diferenciada também cabe às instituições de ensino, que devem ser capazes de transmitir a seus alunos os desafios enfrentados no “campo real”.

Atualmente, é indispensável que sejam trazidas ao ambiente acadêmico discussões relacionadas às preocupações dos profissionais de um amanhã não tão distante, em que relações sociais serão balizadas por elementos pouco inteligíveis, como códigos e linguagens diferenciadas. O ser humano se relacionará cada vez mais com máquinas e esta interação não pode passar despercebida por juristas. Se não houver a atenção desde cedo a tais temas, em breve poucos graduados serão capazes de tratar a seu respeito – e que caos isto seria.

Voltando à indagação levantada no início do texto: diante desse cenário, é preciso “correr para as colinas”?

Francamente, não. O maior conselho possível é não ignorar que estas mudanças já são verdade e que cada um se faça necessário neste terreno tão competitivo que é o mercado de trabalho em direito. Para se destacar daqui para frente, é primordial não perder tempo reclamando ou abnegando a tecnologia. A competitividade está aí: passo a passo maior e as atividades jurídicas, mais especializadas.

Se empenhar para ser indispensável é o caminho mais conveniente para o jovem operador do direito do futuro.

Fonte: Victor Cabral Fonseca/JOT

25 set
Nunca diga estas frases numa entrevista de emprego

iCEV

“Com a dificuldade de encontrar emprego, as pessoas têm chegado mais desesperadas aos processos seletivos e muitas vezes acabam falando o que não deviam”, diz ela. Exageros, mentiras, autoelogios e até palavrões têm aparecido com mais frequência nas salas de entrevista, segundo a recrutadora.

 

Esses tropeços no discurso podem arranhar a imagem de um candidato ou até excluí-lo do processo seletivo, e portanto devem ser evitados. Mas a preocupação com a própria fala também não pode gerar artificialismos e criar comportamentos robóticos — que, por sua vez, também afastam oportunidades.

“O candidato precisa falar o que pensa, ser espontâneo”, afirma Guilherme Malfi, gerente da divisão de recursos humanos da consultoria Talenses. Para ele, o único critério que realmente deve balizar o discurso de um profissional na entrevista de emprego deve ser o respeito: não cabe falar de forma grosseira ou preconceituosa. “Esse é o meu único fator de exclusão”, diz o headhunter.

Ainda assim, certas frases específicas podem, sim, boicotar a sua candidatura — especialmente se acompanhadas por outros fatores não-verbais, tais como linguagem corporal, tom de voz e aquilo que Mota e Malfi descrevem como “a energia do candidato”.

Mesmo as falas mais adequadas não empolgarão o entrevistador se a pessoa estiver sentada de forma desleixada, falar com um tom de voz displicente e parecer desanimada com a vaga.

Quando o silêncio é ouro

Embora a comunicação seja um processo complexo — e tudo dependa, a rigor, do contexto em que acontece —certas frases simbolizam comportamentos considerados inadequados para as necessidades atuais do mercado de trabalho.

Os recrutadores da Produtive e da Talenses listaram algumas sentenças que valem (bem) menos do que o silêncio:

“Como me vejo daqui a cinco anos? Não tenho ideia”

Entrevistas de emprego não servem apenas para checar se você é compatível com a vaga oferecida; a ocasião também é usada para conhecer o seu nível de maturidade e interesse pela própria carreira. “Quando alguém responde que nunca pensou sobre o próprio futuro, mostra que não é protagonista de sua história, que não se conhece e não sabe o que quer”, diz Mota.

A falta de autoconhecimento também pode ser demonstrada por ambições irreais. “Daqui a cinco anos, me vejo como o CEO desta empresa” é o tipo de frase que sugere arrogância e até ingenuidade quando parte, por exemplo, de um analista sênior. “Melhor seria dizer que deseja ter sua própria equipe, e que inclusive está fazendo sessões de coaching no momento para desenvolver suas habilidades de liderança”, recomenda a gerente da Produtive.

“Meu ex-chefe era muito grosseiro”

Além de antiético, esse tipo de declaração pejorativa soa aos ouvidos do seu potencial empregador como um mau presságio: se a pessoa está maldizendo seu antigo líder, por que não faria isso no futuro com ele também?

Para Malfi, fazer críticas sobre a sua experiência anterior não é proibido. Tudo, mais uma vez, depende do tom e das palavras escolhidas. “Você pode dizer, por exemplo, que não concordava com a linha de gestão do seu antigo chefe pelos motivos x, y e z”, explica ele. “É muito diferente de dizer que ele era burro”.

“O ritmo é puxado demais? / Tem muita hora extra?”

Não há nada de errado em pedir detalhes sobre o modelo de trabalho do contratante. No entanto, na visão dos especialistas, demonstrar uma preocupação muito grande com a carga de trabalho pode cair mal numa entrevista.

“É comum ouvir candidatos perguntando se a empresa exige muito, se os funcionários costumam trabalhar até mais tarde, sobre banco de horas, férias, salário, feriado”, diz Mota. Segundo ela, esse tipo de indagação transmite que o candidato só está preocupado com sua própria comodidade, e que não está tão interessado efetivamente no trabalho que pode desempenhar naquela empresa.

“Quanto tempo passei na empresa X? Não lembro direito, deixe eu ver aqui no currículo”

Segundo Mota, muitos candidatos mostram dificuldades para relembrar detalhes da sua trajetória e acabam usando o próprio CV para “colar” na hora da entrevista.

É um tiro no pé. Frases que demonstram que o candidato não domina sua história profissional costumam levar à desclassificação. “Se ele não conhece sua própria carreira, quem é que vai conhecer?”, diz a especialista da Produtive. “É uma postura que revela despreparo e descaso pela própria vida profissional”.

“Sou mais criativo do que a média”

Pecado mortal em currículos, o autoelogio também precisa ser evitado na entrevista — especialmente se vier desacompanhado de justificativas concretas. “Dizer que você é bom, muito melhor em algo do que os outros, não diz absolutamente nada”, afirma Malfi.

No lugar de frases vagas sobre as suas competências, é melhor contar histórias reais e específicas sobre algo que você fez.

Vale descrever algum projeto do qual você participou, por exemplo, mas nunca de forma genérica: diga exatamente qual foi a sua contribuição e que “marcas” você deixou. “Mencione resultados que a empresa não teria tido se você não estivesse lá”, recomenda o gerente da Talenses.

Fonte: Revista Exame

21 set
Cientistas conectam cérebro humano com internet pela primeira vez

Escola de tecnologia aplicada

Nas últimas décadas a neurociência evoluiu a passos largos com o auxílio de tecnologias como eletroencefalogramas, ressonância magnética e tomografias computadorizadas, mas compreender em detalhes como o cérebro humano funciona e processa informações ainda representa um grande desafio para os neurocientistas. Uma das áreas mais desafiadoras dentro da neurociência é a pesquisa em interfaces cérebro-computador, mais conhecida pela sigla BCI (em inglês, brain computer interface).

Esse ramo da neurociência busca entender como criar interfaces que permitam uma comunicação direta entre o cérebro e um equipamento externo, como um computador ou uma prótese. Tais interfaces permitem aos cientistas mapear, estudar e reparar danos no cérebro humano. Atualmente, as pesquisas em BCI sao majoritariamente dedicadas a criar tecnologias que permitam à pessoas com limitações auditivas, visuais ou de movimento, restaurarem parcialmente essas capacidades com o uso das chamadas neuropróteses. Mas o potencial das interfaces cérebro-computador não para por aí. Além de ajudar pessoas com problemas de saúde, essa tecnologia também pode futuramente transformar a forma como nos comunicamos, aprendemos e experimentamos o mundo.

Um exemplo disso é o experimento apresentado na matéria do site Futurism, chamado Brainternet. Os pesquisadores que o idealizaram dizem ter conseguido, pela primeira vez, conectar um cérebro humano à internet. O projeto consiste em coletar sinais elétricos cerebrais de um usuário através de um equipamento de eletroencefalograma, sinais que são então transformados em dados e transmitidos para uma página na internet, em tempo real.

O grande desafio hoje é criar uma comunicação de mão dupla entre o cérebro e o computador, na forma de inputs e outputs de informações. Por enquanto só é possível capturar o ‘output’ do cérebro, ou seja, “gravar” o que os neurônios estão transmitindo, sendo o projeto Brainternet um exemplo disso. Futuramente pesquisadores acreditam que será possível também realizar ‘inputs’ de informação — introduzir informação externa através da estimulação correta dos neurônios.

Grandes empresas do vale do silício também estão atentas para o potencial das interfaces cérebro-máquina, investindo milhões de dólares no desenvolvimento dessa área de pesquisa. Em abril, em sua conferência F8, o Facebook, revelou ter um time de sessenta engenheiros trabalhando no desenvolvimento de uma BCI que possibilitará ao usuário digitar apenas com seu pensamento, sem a necessidade de controles ou teclados. O plano é que, eventualmente, as pessoas possam navegar ambientes de realidade virtual e realidade aumentada apenas com sua mente.

Outro grande destaque na área é Elon Musk, que recentemente criou uma nova empresa, a Neuralink, com o objetivo de usar BCI para reparar danos e eventualmente para ampliar nossas capacidades intelectuais e cognitivas. Com a iminência do rápido desenvolvimento da inteligência artificial, uma das grandes preocupações de Musk, futuristas e pesquisadores, é que a inteligência humana se torne obsoleta. Uma solução plausível para o problema é a possibilidade de, através de interfaces cérebro-máquina, nos conectarmos a essas inteligências artificiais, permitindo aos humanos acompanhar sua rápida evolução.

Esse cenário futuro nos convida a pensar nossa relação com a tecnologia e até mesmo repensar o que significa ser humano. A interação com nossas tecnologias até então se deu através de telas, teclados, interfaces visuais ou por voz, mas um futuro onde nossas ferramentas se confundem com nós mesmos talvez não esteja tão distante.

Fonte: Medium

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