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19 set
ONGs, OAB e psicólogos se unem para recorrer contra a “cura gay”. Retrocesso?

Escola de direito aplicado

A decisão da Justiça Federal do DF que ressuscitou a controvérsia sobre a “cura gay” causou furor entre ativistas da causa LGBT nesta segunda-feira (18/9).

Após pedido ajuizado em ação popular, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho concedeu liminar permitindo que psicólogos tratem a homossexualidade como doença. Na prática, a decisão autoriza tratamentos de “reversão sexual”. Para entidades de defesa dos direitos dos homossexuais, a decisão significa “retrocesso” e deve aumentar o preconceito contra essas minorias.

“Caminhamos muito para a garantia dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais nos últimos anos. Não podemos acreditar que, após todo esse tempo de luta e esclarecimento, possamos permitir medidas tão preconceituosas”, afirma Jussara Barros, presidente da ONG Estruturação, entidade de defesa dos direitos LGBT no Distrito Federal.

A decisão da Justiça Federal é fruto de uma ação movida por um grupo de psicólogos que defende a “cura gay”. No processo, eles pediam a suspensão da Resolução nº 01/99, do Conselho Federal de Psicologia (CFP). O dispositivo determina que os profissionais da área lutem contra o preconceito e se abstenham de exercer qualquer ação que trate a homossexualidade como doença.

Ao conceder a liminar na última sexta-feira (15), o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho não suspendeu a resolução, mas determinou ao CFP que a interprete de forma a não proibir a prática de tratamentos de reorientação sexual. Segundo o magistrado, esse entendimento “afeta a liberdade científica do país”.

Para a advogada Cynthia Barcellos, integrante da Comissão Especial da Diversidade Sexual do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a decisão é “lamentável”. “A gente vê que essa determinação é um retrocesso e, além de tudo, permissiva ao preconceito. Com os grandes avanços que a causa LGBT tem conseguido nos últimos anos, a reação do conservadorismo tem sido forte. Mas vamos nos posicionar veementemente contra essa medida”, disse a especialista.

Reação

Após a concessão da liminar, o Conselho Federal de Psicologia se comprometeu a recorrer da decisão. Segundo a entidade, as terapias de reorientação sexual representam “uma violação dos Direitos Humanos e não têm qualquer embasamento científico”.

Por meio de nota, o CFP informou que “o processo está em sua fase inicial e afirma que vai recorrer da decisão liminar, bem como lutará em todas as instâncias possíveis para a manutenção da Resolução Nº 01/99, motivo de orgulho de defensoras e defensores dos Direitos Humanos no Brasil”.

Segundo a advogada Cynthia Barcellos, a OAB também deve somar aos esforços contra a decisão da Justiça Federal: “As seccionais já estão se articulando para prestar todo o apoio possível à CFP durante a fase recursal do processo”. Barcellos também orienta qualquer pessoa que sofrer preconceito por conta da determinação a procurar os órgãos responsáveis e denunciar a agressão.

Além da mobilização nacional, entidades do DF se organizam para contestar a decisão da Justiça. Uma delas é o Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos do DF (CDPDDH). Segundo o presidente do CDPDDH, Michel Platini, “essa decisão não tem amparo legal nem fundamentação científica. Já estamos conversando com nossos advogados e estudamos medidas judiciais contra a decisão”.

A presidente da ONG Estruturação também crê na derrubada da liminar: “Acreditamos que o Conselho Federal de Psicologia vai conseguir cassar a determinação. E nós, que fazemos parte do movimento LGBT no DF, também estamos nos organizando para dar uma resposta como um todo”, finaliza.
OMS

Desde 1990, a homossexualidade não é considerada doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade havia incluído a condição na classificação internacional de doenças de 1977, como patologia mental.

No dia 17 de maio de 1990, no entanto, a homossexualidade foi retirada da lista e, desde então, é comemorado na data o Dia Internacional Contra a Homofobia. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia já não considera a homossexualidade como enfermidade desde 1985.

Fonte: Metrópoles

15 set
As profissões e habilidades mais promissoras para o futuro

Escola de negócios e gestão

"O que precisamos para ser bons profissionais é ter uma curiosidade constante"

Aquela trajetória tradicional que consistia em ir para a escola nos primeiros anos da vida, fazer faculdade e passar o resto do tempo trabalhando caiu por terra. Agora, as décadas que seguem à universidade serão as mais importantes na educação de um profissional. Trata-se do “lifelong learning”, ou aprendizado ao longo de toda a vida. Um dos fortes defensores desse novo modelo é o brasileiro Leandro Herrera, fundador da empresa de educação Tera. Nesta quinta-feira (14/09), ele falou sobre como se manter produtivo diante de um futuro ainda incerto, durante evento promovido pelo espaço de coworking Cubo, em São Paulo.

 

“O que precisamos para ser bons profissionais é ter uma curiosidade constante”, diz Herrera. Ele trabalhou durante os últimos dez anos com educação e inovação, com passagens como professor na Fiap e na ESPM. “Para mim, toda empresa é um organismo vivo. Elas existem porque há pessoas ali que se juntam para produzir algo que tenha valor para a sociedade. E o nosso oceano é a internet”, diz Herrera. “Num período de 10 anos, adicionamos 3 bilhões de pessoas na internet. Isso transforma tudo.”

O aumento no número de pessoas conectadas, ele lembra, mudou o ranking das maiores empresas do mundo. Em 2017, as cinco maiores companhias do mundo são de tecnologia: Apple, Amazon, Microsoft, Facebook e Google. “Como organismos, essas empresas se moldaram ao meio. Produziram um novo DNA.” Herrera diz que a chave foi construir um ecossistema que permitisse que elas sobrevivessem: com uso de dados, tecnologia adaptativa e orientação ao design.

E isso também se aplica à carreira de profissionais, segundo ele. “Também estamos sendo afetados e sobreviverão os mais adaptados ao meio. Em 25 anos, 47% dos empregos terão desaparecido, segundo a The Economist. É um super desafio para a gente. É um momento incômodo.”

Essas mudanças no mercado, com robôs tomando postos de trabalho, afeta diretamente a educação. O modelo atual, que privilegia os primeiros anos de vida, não faz mais tanto sentido. Quem entra no mercado, aponta Herrera, não está necessariamente apto para trabalhar. “Isso é bastante sintomático do problema que nós temos. Entra a necessidade de mudarmos o mindset.” O empreendedor defende que, agora, as pessoas não podem parar de aprender.

Tendências e profissões

Herrera destaca que existem “macrotendências” quando se trata de carreira. São as mudanças que estão revolucionando o mercado de trabalho. Uma delas é a extrema longevidade: a expectativa de vida está aumentando muito. “Vamos viver até os 100 anos, ótimo, mas isso muda a natureza do trabalho.”

Outra macrotendência é ascensão de máquinas e sistemas inteligentes. Ou seja, cada vez mais a tecnologia passa a desempenhar as funções hoje realizadas por humanos. Há também um “novo ecossistema de mídias”. A forma como nos comunicamos tem mudado e o mundo está hiperconectado.

Diante desse cenário, existem competências que todo o profissional deveria ter daqui a diante, segundo ele:

Transdisciplinaridade: o uso de conhecimentos de várias áreas ao mesmo tempo

Gestão de carga cognitiva: recebemos muitas informações de todos os lados simultaneamente, e precisamos pensar na melhor maneira de absorver tudo isso

Inteligência social: a importância dessa habilidade não vem de hoje, mas há agora uma pressão maior sobre nossas qualidades sociais (saber lidar com o próximo, sobretudo)

Proficiência em novas mídias: “se nós estamos olhando para o futuro, precisamos entender os novos padrões de linguagem”, diz Herrera

Colaboração virtual: sim, aquelas conversas de Skype contam. Mas agora precisamos dar mais valor e nos sentirmos mais familiarizados com essas relações remotas

Pensamento adaptativo: temos de criar coisas novas diante de novas realidades

Algumas das profissões que devem se destacar são aquelas que mesclam negócios e tecnologia, afirma Herrera. “É o que chamamos de profissionais híbridos.” Quer exemplos? Cientistas de dados, UX designers, desenvolvedores mobile, growth marketers, digital product manager e desenvolvedores de web. Já começou a se preparar?

Fonte: Época Negócios

10 set
Os 12 melhores filmes jurídicos dos últimos 25 anos. Veja a seleção do IMDb!

Escola de direito aplicado

Sobram listas indicando filmes para advogados e estudantes de direito na internet. Na ideia de criarmos uma, resolvemos determinar dois critérios. O primeiro, que iríamos sugerir os melhores filmes para advogados baseados no ranking do IMDb (Internet Movie Database, traduzido para o português como base de Dados de Flimes na Internet). O site foi adquirido pela Amazon. Com e é uma das maiores referências em avaliação de filmes, reunindo notas concedidas popularmente.

O segundo critério é que fossem apenas selecionados filmes de 1991 para cá. Ou seja, na lista estariam apenas sugestões de filmes lançados nos últimos 25 anos. Isto porque filmes antigos (década de 50, 60) são muito bem avaliados no IMDb e a lista seria composta basicamente por eles. No entanto, são difíceis de serem encontrados na internet ou no Netflix, por exemplo, para assistir. Foi assim que a nossa seleção foi feita, diferente de todas as outras listas encontradas em sites e blogs. Como o site do IMDb é americano, retiramos as sinopses do Adorecinema, site nacional de muito prestígio, que também avalia filmes, além de divulgar as notas da imprensa e dos telespectadores.

 

O Informante (1999)

Nota: 7,9

Sinopse: Em 1994, ex-executivo da indústria do tabaco deu entrevista bombástica ao programa jornalístico “60 Minutos”, da rede americana CBS. Dizia que os manda-chuvas da empresa em que trabalhou não apenas sabiam da capacidade viciadora da nicotina como também aplicavam aditivos químicos ao cigarro, para acenturar esta característica. Na hora H, porém, a CBS recuou e não transmitiu a entrevista, alegando que as consequências jurídicas poderiam ser fatais. Baseando-se nesta história real, O Informante narra a trajetória do ex-vice-presidente da Brown & Williamson Jeffrey Wigand (Russell Crowe) e do produtor Lowell Bergman (Al Pacino), que o convenceu a falar em público.

 

As Duas Faces de Um Crime (1996)

Nota: 7,7

Sinopse: Em Chicago, um arcebispo (Stanley Anderson) assassinado com 78 facadas. O crime choca a opinião pública e tudo indica que o assassino um jovem de 19 anos (Edward Norton), que foi preso com as roupas cobertas de sangue da vítima. No entanto, um ex-promotor (Richard Gere) que se tornou um advogado bem-sucedido se propõe a defendê-lo, sem cobrar honorários, tendo um motivo para isto: adora ser coberto pela mídia, além de ter uma incrível necessidade de vencer.

 

Filadélfia (1993)

Nota: 7,7

Sinopse: Andrew Beckett (Tom Hanks) é um promissor advogado que trabalha para um tradicional escritório da Filadélfia. Após descobrirem que ele é portador do vírus da AIDS, Andrew é demitido da empresa. Ele contrata os serviços de Joe Miller (Denzel Washington), um advogado negro que é homofóbico. Durante o julgamento, este homem é forçado a encarar seus próprios medos e preconceitos.

 

Questão de Honra (1992)

Nota: 7,6

Sinopse: Após um soldado morrer acidentalmente em uma base militar, depois de ter sido atacado por dois colegas da corporação, surge a forte suspeita de ter existido um “alerta vermelho”, uma espécie de punição extra-oficial na qual um oficial ordena a subordinados seus que castiguem um soldado que não tenha se comportado corretamente. Quando o caso chega aos tribunais, um jovem advogado (Tom Cruise) resolve não fazer nenhum tipo de acordo e tentar descobrir a verdade.

 

Hurricane: O Furacão

Nota: 7,3

Sinopse: Em junho de 1966, Rubin “Hurricane” Carter (Denzel Washington) era um forte candidato ao título mundial de boxe. Entretanto, os sonhos de Carter vão por água abaixo quando três pessoas são assassinadas num bar em Nova Jersey. Indo para casa em seu carro e passando perto do local do crime, Carter é erroneamente preso como um dos assassinos e condenado à prisão perpétua. Anos mais tarde, Carter pública um memorial, chamado “The 16th round”, em que conta todo o caso. O livro inspira um adolescente do Brooklyn e três ativistas canadenses a juntarem forças com Carter para lutar por sua inocência.

 

Advogado do Diabo (1997)

Nota: 7,5

Sinopse: Kevin Lomax (Keanu Reeves), advogado de uma pequena cidade da Flórida que nunca perdeu um caso, contratado John Milton (Al Pacino), dono da maior firma de advocacia de Nova York. Kevin recebe um alto salário e várias mordomias, apesar da desaprovação de Alice Lomax (Judith Ivey), sua mãe e uma fervorosa religiosa, que compara Nova York a Babilônia. No início tudo parece correr bem, mas logo Mary Ann (Charlize Theron), a esposa do advogado, sente saudades de sua antiga casa e começa a testemunhar aparições demoníacas. No entanto, Kevin está empenhado em defender um cliente acusado de triplo assassinato e cada vez dá menos atenção sua mulher, enquanto que seu misterioso chefe parece sempre saber como contornar cada problema e tudo que perturba o jovem advogado.

 

Meu Primo Vinny (1992)

Nota: 7,5

Sinopse: Quando Bill Gambini (Ralph Macchio) e um amigo são acusados de assassinato eles decidem chamar Vincent La Guardia Gambino (Joe Pesci), um primo de Bill que é advogado, para defendê-los. Mas quando Vinny chega descobre-se que ele se formou há poucas semanas e nunca defendeu nenhum tipo de causa e, para piorar as coisas, Vinny vai medir forças com Jim Trotter III (Lane Smith), um experiente promotor, e também com Chamberlain Haller (Fred Gwynne), um juiz que não suporta seu modo de se vestir e de se comportar no tribunal. Mas Mona Lisa Vito (Marisa Tomei), sua extrovertida e bela noiva, resolve ajudá-lo a esclarecer o caso.

 

Tempo de Matar (1996)

Nota: 7,4

Sinopse: Em Canton, no Mississipi, dois brancos espancam e estupram uma menina negra de dez anos. Eles são presos, mas quando estão sendo levados ao tribunal para terem o valor da sua fiança decretada o pai da garota (Samuel L. Jackson) decide fazer justiça com as próprias mãos e mata os dois na frente de diversas testemunhas, além de acidentalmente ferir seriamente um policial. Ele é preso rapidamente, mas a cidade se torna um barril de pólvora e, além do mais, a defesa tem de se defrontar com um juiz que não permite que no julgamento se mencione a razão que fez o pai cometer o duplo homicídio, pois o julgamento é de assassinato e não de estupro.

 

Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento (2000)

Nota: 7,3

Sinopse: Erin (Julia Roberts) é a mãe de três filhos que trabalha num pequeno escritório de advocacia. Quando descobre que a água de uma cidade no deserto está sendo contaminada e espalhando doenças entre seus habitantes, convence seu chefe a deixá-la investigar o assunto. A partir de então, utilizando-se de todas as suas qualidades naturais, desde a fala macia e convincente até seus atributos físicos, consegue convencer os cidadãos da cidade a cooperarem com ela, fazendo com que tenha em mãos um processo de 333 milhões de dólares.

 

O Poder e a Lei (2011)

Nota: 7,3

Sinopse: Mick Haller (Matthew McConaughey) é um advogado diferente, a começar pelo seu local de trabalho devidamente instalado no banco de trás de seu carro, um automóvel modelo Lincoln. Separado da competente promotora Maggie (Marisa Tomei), ambos possuem uma filha e tudo corria bem com ele defendendo pequenos conflitos, mas um dia um caso importante caiu em suas mãos e ele estava disposto a provar a inocência do réu, um jovem milionário (Ryan Phillippe) acusado de assassinato. Só que ele não imaginava seu cliente escondendo a verdade, o que pode tornar todo o processo numa causa perdida.

 

Terra Fria (2005)

Nota: 7,3

Sinopse: Após um casamento fracassado, Josey Aimes (Charlize Theron) retorna à sua cidade natal, no Minnesota, em busca de emprego. Mãe solteira e com dois filhos para sustentar, ela é contratada pela principal fonte de empregos da região: as minas de ferro, que sustentam a cidade há gerações. O trabalho é duro mas o salário é bom, o que compensa o esforço. Aos poucos as amizades conquistadas no trabalho passam a fazer parte do diaadia de Josey, aproximando famílias e vizinhos. Incentivada por Glory (Frances McDormand), uma das poucas mulheres da cidade que trabalha nas minas, Josey passa a trabalhar no grupo daqueles que penam para arrancar o minério das pedreiras. Ela está preparada para o trabalho duro e, às vezes, perigoso, mas o que não esperava era sofrer com o assédio dos seus colegas de trabalho. Como ao reclamar do tratamento recebido é ignorada, ela decide levar à justiça o caso.

 

Conduta de Risco (2007)

Nota: 7,3

Sinopse:Michael Clayton (George Clooney) trabalha numa das maiores firmas de advocacia de Nova York, tendo por função limpar os nomes e os erros de seus clientes. Tendo trabalhado anteriormente como promotor de justiça e vindo de uma família de policiais, Clayton é o responsável por realizar o serviço sujo da firma Kenner, Bach & Ledeen, que tem Marty Bach (Sydney Pollack) como um de seus fundadores. Apesar de estar cansado e infeliz com o trabalho, Clayton não tem como deixar o emprego, já que o vício no jogo, seu divórcio e o fracasso em um negócio arriscado o deixaram repleto de dívidas. Quando Arthur Evans (Tom Wilkinson), o principal advogado da empresa, sofre um colapso e tenta sabotar todos os casos da U/North, uma empresa que é cliente da Kenner, Bach & Ledeen, Clayton é enviado para solucionar o problema. É quando ele nota a pessoa em que se tornou.

Fonte: JusBrasil

08 set
Adeus, tomada! Pesquisadores criam celular que não precisa de bateria

Escola de tecnologia aplicada

Uma equipe com engenheiros elétricos e cientistas da computação da Universidade de Washington desenvolveu um celular que não depende de bateria para funcionar.

Para realizar a façanha, eles eliminaram um dos fatores que mais consome energia nos aparelhos convencionais: o processo de conversão de sinais analógicos que transmitem som em dados digitais que possam ser lidos pelo dispositivo. Dessa forma, o consumo foi reduzido a meros 3,5 microwatts.

O telefone usa duas fontes para responder a essa demanda: uma célula solar que tem o tamanho de um grão de arroz e se comunica com estações base a pouco mais de 15 metros de distância ou sinais de rádio transmitidos de uma estação a cerca de 9 metros de distância.

Este último sistema usa vibrações produzidas pelo microfone e pela saída de som durante as ligações. Há uma antena conectada a esses componentes que converte os pequenos movimentos em sinais analógicos de rádio compatíveis com estações que emitem sinal celular.

Na transmissão, o telefone usa as vibrações do microfone para transformar padrões de fala em sinais de rádio. Na recepção, ele converte sinais de rádio em vibrações sonoras que são captadas pela saída de áudio.

Foram usados componentes comuns e uma placa de circuito impresso na montagem do protótipo, e os pesquisadores conseguiram fazer com que o aparelho efetuasse e recebesse ligações via Skype sem complicações. Para isso, construíram uma estação personalizada para transmitir e receber os sinais de rádio, mas a tecnologia concebida pela equipe poderia ser integrada à rede celular já existente ou até mesmo a roteadores Wi-Fi caseiros.

“Você poderia imaginar no futuro que todas as torres de celular ou roteadores Wi-Fi poderiam vir com nossa tecnologia de estação base incorporada. E, se toda casa tem um roteador Wi-Fi, você poderia ter cobertura do celular sem bateria em qualquer lugar”, comentou Vamsi Talla, coautor do projeto, ao blog da universidade.

Os pesquisadores ainda trabalham em formas de melhorar o protótipo para que ele ofereça mais cobertura, criptografia e até um esquema de transmissão de vídeo por uma tela interativa feita com e-ink.

Fonte: Avast

05 set
O talento pode ser o seu maior inimigo: conheça o mindset de crescimento

Escola de negócios e gestão

Carol Dweck

Quando Jack Welch assumiu a GE, em 1981, a companhia estava avaliada em US$ 13 bilhões. Ao deixar o posto de CEO, 20 anos depois, o valor da multinacional em Wall Street havia saltado para US$ 490 bilhões. Era a empresa mais valiosa do mundo. Fundada e liderada por Kenneth Lay, a Enron chocou o mundo ao quebrar, em 2001. A gigante do setor elétrico, com dívidas de US$ 13 bilhões, deu entrada no que até então era o maior pedido de falência da história americana. O que levou a trajetórias opostas duas das mais admiradas empresas dos Estados Unidos? A psicóloga social Carol Dweck, professora de Stanford pioneira nos estudos de desenvolvimento pessoal, tem uma resposta: estilos de gestão antagônicos, influenciados por duas mentalidades distintas – o mindset de crescimento e o mindset fixo. Batizados e definidos por Carol no livro “Por que algumas pessoas fazem sucesso e outras não”, os mindsets (mentalidades) representam a maneira como encaramos a vida e reagimos ao fracasso.

Welch acreditava no desenvolvimento constante dos profissionais e no trabalho em equipe. Era capaz, segundo Carol, de ouvir, dar crédito e aprender com os seus erros. Todas as características que definem um líder com mindset de crescimento. Já a Enron, sob a direção de Lay, criou uma cultura corporativa de culto ao talento, típica de um mindset fixo. Falhar não era uma opção. Durante anos, os diretores da empresa maquiaram balanços e inflaram os lucros. Nesta entrevista, concedida após o lançamento no Brasil de Mindset: a Nova Psicologia do Sucesso, uma versão atualizada da obra que a alçou à fama, Carol explica como os dois tipos de mentalidade podem fazer os negócios e a sua vida muito diferentes.

 

Como os diferentes tipos de mentalidade afetam as chances de sucesso na vida?
Algumas pessoas acreditam que nascem com uma quantidade fixa de talento, enquanto outras pensam que são capazes de desenvolver suas habilidades ao longo da vida. O primeiro grupo tem o que chamamos de mindset fixo. Já o segundo possui o mindset de crescimento. Ter um mindset de crescimento não significa achar que todos somos iguais ou que qualquer um pode fazer qualquer coisa, mas sim que todos podem melhorar consideravelmente trabalhando duro, aprendendo novas estratégias e recebendo mentoria. Nossas pesquisas mostram que os profissionais com mindset de crescimento tendem a ter mais sucesso por diversos motivos. Eles estão mais dispostos a aceitar novos desafios e não temem que um eventual fracasso os faça parecer pouco talentosos. Eles também são mais persistentes quando enfrentam obstáculos.

 

A senhora já disse que valorizar o intelecto e a inteligência nos fez falhar como sociedade. Pode explicar?
Reverenciar o talento é acreditar que ele é fixo. Ou você tem ou não. Isso favorece um modelo no qual as pessoas precisam se provar constantemente, em vez de se arriscar em projetos nos quais possam falhar. Ao passo que reverenciar o processo de tentar estratégias diferentes e aprender com os reveses encoraja as pessoas a encararem mais desafios e a serem mais persistentes.

 

Quais questões as pessoas podem se perguntar para saber qual tipo de mentalidade elas possuem?Ninguém possui um mindset 100% fixo ou 100% de crescimento. Para descobrir qual deles predomina você deve se perguntar se concorda que todos têm uma determinada quantidade de inteligência e podem fazer pouco para mudá-la. Se a resposta for sim, você tem um mindset mais fixo. Alguém com um mindset de crescimento diz: qualquer um, independentemente de quem seja, pode se tornar bem mais inteligente.

 

É possível virar a chave, ou seja, mudar a mentalidade?
Sim. Em nosso trabalho com jovens, ensinamos que toda vez que eles assumem uma tarefa difícil o cérebro pode formar novas e mais fortes conexões. Dessa forma, no longo prazo, eles podem aumentar suas habilidades. Explicamos as implicações disso e incluímos depoimentos de outros estudantes e de famosos admirados por eles contando como um mindset de crescimento os ajudou. Há também a mentoria entre os próprios jovens relacionada aos princípios do mindset de crescimento.

 

Ter um mindset fixo é um problema?
Todos nós adotamos um mindset fixo às vezes. Mas fazer isso boa parte do tempo pode ser um problema porque, se você pensa que suas habilidades são fixas, você começa a se preocupar: eu tenho talento suficiente? Se eu fizer algo desafiador, isso vai revelar que eu não sou inteligente? Melhor, então, fazer alguma coisa que seja mais fácil para mim. Portanto, ter um mindset fixo pode te tirar dos desafios que irão te ajudar a avançar e te fazer evitar as adversidades, que também te fazem crescer.

 

Para a teoria do mindset de crescimento, então, o fracasso pode ser bom?
Fracassos e reveses podem ser bastante produtivos. Não é que ter um mindset de crescimento fará você necessariamente gostar de falhar mas, é muito menos provável que você veja isso como algo que te rotule como um fracassado ou incompetente. É mais provável você começar a pensar: ok, o que eu aprendi com isso?

 

No mundo dos negócios, há muitos executivos bem-sucedidos que podem ser incluídos na turma dos que valorizam as habilidades fixas. Como você explica isso?
Eu não tenho dúvida de que alguém com mindset fixo possa ser muito bem-sucedido. Porém, nós vivemos hoje num mundo que muda a uma velocidade sem precedentes. E, mesmo que uma empresa descubra algo lucrativo, ela irá enfrentar concorrência rapidamente. Portanto, os profissionais realmente têm de ficar à frente da curva. É preciso estar aberto a más notícias e a críticas. A experimentar e olhar claramente para o que não deu certo e para o que você precisa mudar. Por isso, eu acredito que mais do que nunca um mindset de crescimento ajuda no mundo dos negócios.

 

O que fez esses profissionais de mindset fixo serem tão bem-sucedidos em grandes empresas?
Os negócios não estavam mudando tão rápido quanto agora. Pode ser que eles não tenham precisado das habilidades hoje necessárias para se manter atualizados. E, no passado, alguém que se apresentasse como gênio, agisse como gênio e classificasse os outros como gênios ou não, muitas vezes era reverenciado. Eles ganhavam status. Mas não acho que isso funcione tão bem atualmente. Hoje, você precisa receber retorno e encorajar o desenvolvimento de seus funcionários.

 

A senhora acha que atualmente as corporações estão mais abertas ao desenvolvimento gradativo das habilidades? Existe tempo – e paciência – para isso?
Espero que sim. Muitos negócios se tornaram bastante comprometidos em desenvolver seus times. E a ter seus funcionários comprometidos a desenvolver as próprias habilidades. Nós fizemos um estudo com as integrantes da lista de empresas Fortune 1000. Perguntamos aos funcionários dessas companhias qual era o mindset de sua empresa. Elas veneravam habilidades fixas ou acreditavam no desenvolvimento de todos? Descobrimos que os profissionais tendiam a concordar sobre o tipo de mindset de sua companhia. E, quando os funcionários diziam que as empresas tinham um mindset de crescimento, afirmavam também que elas valorizavam profundamente a criatividade e a inovação. Além disso, esses profissionais relataram que a empresa ficaria a seu lado, mesmo que eles não acertassem de primeira.

 

E nas descritas como de mindset fixo?
Os profissionais disseram que havia muitos segredos, competição e tomada de atalhos, para que certos indivíduos pudessem sair à frente. As empresas de mindset fixo sempre estiveram preocupadas em contratar talentos. Mas, alguns anos depois de contratá-los, os gestores muitas vezes não veem esse potencial todo em suas equipes. É o oposto das empresas de mindset de crescimento, mais preocupadas em lapidar seus jovens funcionários.

 

Quais são as consequências quando as empresas ficam obcecadas com talento, como foi o caso da Enron, segundo o seu livro?
Na Enron, toda a organização foi construída em torno da ideia de genialidade. E todos os esforços dos funcionários eram para mostrar como eles eram geniais. Isso pode levar, como descobrimos no estudo com as integrantes da lista de companhias Fortune 1000, à busca de atalhos para fechar um contrato, conquistar um cliente. E, além disso, a gestores que não conseguem admitir erros e receber feedback. A chefes que provavelmente não sabem ouvir, que podem roubar o crédito pelo trabalho dos outros e ainda colocar membros do grupo uns contra os outros. Nesse cenário, uma empresa não pode ir para a frente de uma forma eficaz, especialmente no mundo de hoje.

 

Quais conselhos a senhora pode dar a gestores que queiram criar essa mentalidade de crescimento?É um processo longo e difícil, mas eles podem começar analisando o próprio mindset. E se perguntando se realmente acreditam que uma grande parte de sua equipe é capaz de crescer. Se eles acreditarem, podem colocar em prática maneiras de fomentar esse crescimento.

 

A senhora já disse que hoje os trabalhadores precisam de validação constante. A geração Y é mais propensa a esse comportamento?
Não sei o quão generalizado é, mas ouvi de profissionais de RH de diferentes organizações que muitos dos jovens que estão hoje nas empresas talvez tenham tido pais que seguraram suas mãos durante toda a jornada e que querem agora que o local de trabalho faça esse papel. Mas eu não quero fazer uma generalização sobre uma geração. Há aqueles que querem ser reconhecidos e afagados, porém também vejo muitos jovens empenhados em fazer a diferença e dar sua contribuição. E eles entendem que isso envolve enfrentar desafios.

 

Em seu livro, a senhora defende a tese de que certos elogios aos filhos podem não trazer bons resultados. Qual a melhor maneira de incentivá-los?
Nossas pesquisas mostraram que elogiar a inteligência de uma criança pode levá-la a um mindset fixo. Ou seja, a enfrentar desafios mais fáceis, nos quais poderá ser bem-sucedida, já que ela não quer colocar o status de sua inteligência à prova. Mas descobrimos que, quando você elogia o esforço ou a estratégia da criança, ela será orientada na direção de um mindset de crescimento, onde não é amedrontador ou arriscado aceitar um desafio. Onde não é debilitador experimentar um fracasso, pois ele faz parte do processo de aprendizado. Nesse caso, as crianças tendem a trabalhar mais duro, ao invés de se preocuparem em não ser inteligentes.

Fonte: Época Negócios

 

05 set
Inteligência artificial da Microsoft vai ajudar no tratamento do câncer

Escola de tecnologia aplicada

A inteligência artificial da Microsoft vai ajudar nas pesquisas de tratamento de câncer. Uma parceria entre a empresa e o Grupo Oncoclínicas permitirá o uso de recursos de aprendizado de máquina na busca de novas formas de combater a doença.

O aprendizado de máquina vai usar dados e imagens para ajudar médicos a guiarem pacientes para o melhor tratamento para seus casos. Isso inclui tanto decisões relacionadas a radioterapia quanto quimioterapia.

A ideia é usar um banco de dados que una pacientes do Grupo Oncoclínicas – que atua em 10 estados brasileiros – e da rede pública de saúde. O processamento do volume de informações vai ser feito na plataforma Azure, da Microsoft. A partir disso, a parceria prevê a sugestão de tratamentos e medicamentos adequados para cada paciente.

A parceria será realizada em duas etapas. Na inicial, os pesquisadores do Centro de Estudos Sociedade e Tecnologia (Cest) da Universidade de São Paulo (USP) vão analisar o banco de dados da Oncoclínicas para criar um algoritmo de AI para o uso em pesquisas. Na segunda etapa, 16 mil pacientes devem receber tratamentos com base nesses estudos.

Fonte: Olhar digital

05 set
É advogado e não tem medo de matemática? Esta área é para você

Escola de direito aplicado

Ninguém decide fazer Direito porque adora matemática: como qualquer profissional de humanas, o advogado costuma se sentir mais à vontade para lidar com palavras do que com números. O mercado, porém, oferece boas oportunidades para quem contraria essa tendência.

A carreira jurídica na área tributária — que exige gosto pelo universo quantitativo — é uma das mais aquecidas do momento no Brasil, diz Bruno Lourenço, sócio da Vittore Partners, empresa de recrutamento especializada nos setores jurídico, tributário, de relações governamentais e anticorrupção.

O problema é que o estudante de Direito não costuma desenvolver seu pensamento matemático na graduação. “A maioria das faculdades não prepara o estudante sequer para construir uma planilha de Excel”, diz Lourenço, que só descobriu seu interesse pelo universo tributário depois de viver uma experiência numa grande consultoria.

Resultado: advogados que não têm medo de matemática são raros, e os que existem são disputados a tapa pelos empregadores.

De acordo com o sócio da Vittore Partners, as empresas estão correndo atrás de gerentes tributários, especialmente se tiverem inglês fluente e conhecimentos sólidos em finanças e contabilidade. Essa última qualificação costuma ser obtida com um curso de graduação ou com pós-graduação na área. “Outra boa opção é buscar um curso de finanças voltado para advogados, porque o assunto já será apresentado na sua linguagem”, recomenda Lourenço.

Qual é o seu perfil: consultivo ou contencioso?

A carreira em direito tributário normalmente é dividida em duas vertentes: consultiva ou contenciosa. Os perfis são bastante diferentes entre si e dificilmente um advogado exerce as duas funções simultaneamente.

A modalidade consultiva é voltada para o mundo dos negócios, diz Camila Dable, sócia da Salomon Azzi, consultoria de recrutamento e seleção voltada ao mercado jurídico. A missão desse profissional é reduzir riscos e prejuízos financeiros de uma empresa com base em seus conhecimentos dos tributos.

Ele atuará em fusões e aquisições, processos de constituição de fundos de investimentos, bem como no planejamento tributário e societário de um cliente, por exemplo. Também estão sob sua alçada atividades ligadas à gestão financeira, custo e estruturação de capital e produtos e operações do mercado financeiro que serão usados pela área de tesouraria, completa Bruno Lourenço, da Vittore.

Quando atua na esfera consultiva, o advogado tributário costuma ser encontrado em departamentos jurídicos ou financeiros de companhias, em escritórios de advocacia ou em empresas de auditoria.

Já a modalidade contenciosa está ligada às esferas judiciais (tribunais regionais, estaduais ou superiores) e administrativas (órgãos como o CARF — Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — ou o TIT —Tribunal de Impostos e Taxas), explica Renato Sapiro, também sócio da Salomon Azzi. O papel, aqui, é defender o cliente diante de um juiz em processos ligados a infrações na área tributária.

Esse tipo de advogado costuma trabalhar principalmente em escritórios, ou então em departamentos jurídicos de empresas. Sua missão é evitar prejuízos financeiros do seu cliente com eventuais indenizações e condenações que proíbam a empresa de fazer determinados negócios no futuro.

O que é exigido de cada perfil?

As competências necessárias para ter sucesso na carreira tributária dependem da vertente escolhida pelo advogado, explicam Dable e Sapiro.

Para a área consultiva, além do bacharelado em Direito e registro na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), é importante ter experiência em empresas de contabilidade, pós-graduação (MBA ou lato sensu) em direito tributário ou até mesmo uma segunda graduação em ciências contábeis. “Você precisa saber ler um balanço, fazer cálculos, entender o suficiente de economia, contabilidade e finanças para discutir decisões com o seu cliente”, diz Sapiro.

Inglês fluente é obrigatório, já que esse advogado frequentemente trabalha para multinacionais e precisa conversar com investidores estrangeiros.

Já na vertente contenciosa, a formação exigida costuma ser mais acadêmica. “Além de graduação e OAB, é importante ter um diploma de pós-graduação stricto sensu, como mestrado e doutorado, ou um LLM [Master of Laws]”, diz Dable. Muitos profissionais dessa área que trabalham em escritório também dão aulas na universidade.

A principal exigência para quem trabalha na esfera contenciosa é conhecer profundamente o Processo Civil. Também é essencial compreender o funcionamento de tribunais e órgãos administrativos e saber se posicionar bem perante um juiz, explica a sócia da Salomon Azzi.

O domínio do inglês, ao contrário do que ocorre com o advogado tributário consultivo, não é tão preponderante.

E a matemática?

De acordo com Vanessa Canado, professora de direito tributário na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e sócia do escritório CSMV, o advogado que pretende atuar na área tributária precisa, sim, ter gosto por números, mas não precisa ser um gênio do cálculo.

“A matemática exigida no nosso cotidiano é aquela que aprendemos no ensino médio, não vai muito além das quatro operações básicas”, explica ela. Ainda assim, faz bem ter conhecimentos de matemática financeira. O grau de familiaridade com os números também pode ser mais exigido por alguns clientes do que por outros.

De forma geral, o advogado tributário é mais cobrado no quesito numérico quando atua na frente consultiva. “Quando você atua com negócios, contratos e operações de fusões, é preciso ter um olhar mais interdisciplinar, ao contrário do advogado contencioso, que se preocupa mais com o Direito puro”, afirma a professora da FGV.

Ainda assim, ressalta Bruno Lourenço, da Vittore, até o advogado ou estudante de Direito que não pretende trabalhar na área de direito tributário precisa derrotar, de vez, a má vontade com a matemática. “Qualquer que seja sua especialidade, o advogado está sendo cada vez mais cobrado nesse sentido”, explica. “Ele precisa falar a língua dos números com seus clientes e mostrar o impacto financeiro de uma decisão em qualquer âmbito”, explica.

Um estudo feito em 2014 por professores da Universidade de Harvard reforça o recado. Os pesquisadores perguntaram a 124 advogados de 11 grandes escritórios dos Estados Unidos quais eram as disciplinas mais importantes da grade curricular de um aluno de Direito. A resposta da maioria foi “Análise de declarações financeiras e contabilidade”.

Vagas e salários

O cenário para quem se interessa por direito tributário é bastante animador — qualquer que seja a especialidade escolhida.

A demanda do mercado pelo profissional contencioso, que estava adormecida nos últimos anos, está passando por um renascimento na visão da professora Vanessa Canado, da FGV. “Os tribunais têm acatado mais frequentemente as teses dos contribuintes, o que tem gerado trabalho para quem vai defendê-los diante do juiz”, explica.

A oferta de oportunidades para o advogado consultivo — o mais requisitado atualmente, segundo Dable e Sapiro, da consultoria Salomon Azzi — está atrelada à aceleração dos negócios, o que ocorre em tempos de bonança econômica, ou então à necessidade de cortar custos, condição própria da crise. Conclusão: em qualquer momento pode haver demanda.

Em ambos os casos, a preocupação com medidas anticorrupção e compliance também melhora a empregabilidade para quem atua na área. Afinal, mais empresas buscam se precaver contra eventuais prejuízos financeiros em caso de irregularidade fiscal.

A valorização do advogado especializado na área tributária também se reflete na sua remuneração. Ao contrário de outras áreas do direito, em que há uma forte saturação na oferta de mão de obra, a falta de advogados com disposição para lidar com números joga os salários para cima.

Fonte: Exame

05 set
Beijo forçado é estupro? O que a lei diz sobre os abusos contra mulheres

Escola de direito aplicado

Caso de passageira atingida por ejaculação em ônibus trouxe debate sobre se a lei protege as vítimas e o que é classificado como estupro na legislação atual.

O caso de um homem preso duas vezes em menos de uma semana por abusar de mulheres em ônibus de São Paulo levantou o debate sobre se a lei realmente protege as vítimas e o que é considerado estupro pela Justiça. Preso em flagrante por ejacular em uma passageira dentro de um ônibus lotado na terça-feira (29), Diego Ferreira de Novais, de 27 anos, foi solto por decisão de um juiz que entendeu que não houve estupro.

Três dias depois, Novais foi preso novamente por esfregar o pênis em outra passageira. Era a 17ª vez que ele era levado para a delegacia por ter praticado esse tipo de ato e, desta vez, outro juiz decidiu mantê-lo preso por estupro.

Mas o que diz a lei a respeito desse caso e de outros abusos sofridos pelas mulheres cotidianamente, como ser agarrada à força e ouvir insultos na rua? Listamos algumas dessas situações para explicar por que determinados casos são tratados como estupro e outros não, depois que a lei mudou em 2009.

Ejacular no corpo de uma mulher

No caso em que Novais foi detido por ejacular no pescoço de uma passageira que estava sentada no ônibus, a polícia considerou o ato como estupro, mas o juiz que o libertou entendeu que se tratava de importunação ofensiva ao pudor. Por ser uma contravenção penal, esse caso não mantém o acusado preso.

A lei de 2009 passou a considerar estupro todo caso em que a vítima é constrangida (no sentido de coagir, e não de envergonhar) a praticar um ato sexual sem consentimento, com emprego de violência ou grave ameaça (física ou moral). A pena vai de seis a 10 anos de prisão.

“O constrangimento significa coagir, através de uma coação física, como segurando a pessoa, ou também por meio de uma violência moral, apontando uma arma, que é uma grave ameaça”, explica o criminalista Leonardo Pantaleão.

Já na importunação ofensiva ao pudor não há o constrangimento. “É a conduta de importunar, incomodar”, explica. “O comportamento [no caso da ejaculação] foi absolutamente imoral, mas não houve uma coação física ou moral, no sentido em que prevê a legislação penal, então, foi enquadrado como importunação.”

O que diz a lei:

  • Estupro – Art. 213 do Código Penal: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.
  • Importunação ofensiva ao pudor – Art. 61 da Lei de Contravenções Penais: Importunar alguém, em lugar público ou acessível ao público, de modo ofensivo ao pudor.

Esfregar o órgão genital na mulher

Na prisão de Novais no sábado (2), ele foi flagrado esfregando o pênis em uma passageira, que tentou se afastar e foi segurada à força por ele. “Aí entendo que essa conduta se enquadra no crime de estupro, porque houve uma violência e um constrangimento, além de um ato libidinoso”, afirma Pantaleão.

O professor do Centro Preparatório Jurídico (Cpjur) explica que, para configurar um crime, uma conduta não pode ser aproximada, ela precisa respeitar exatamente o que diz o artigo do Código Penal. “Se faltar um dos elementos, por exemplo, se não houve a coação, não se enquadra. Isso existe justamente para evitar o abuso do poder estatal”, complementa.

Tocar a mulher sem permissão no transporte ou local público, abordar de forma ofensiva e fotografar as partes íntimas

Abordagens ofensivas de mulheres nas ruas são contra a lei, mas consideradas de menor potencial. Também são casos de importunação ofensiva ao pudor, tipificação que permitiu que o ajudante de pedreiro fosse colocado em liberdade nas 16 vezes em que foi detido.

Isso ocorreu porque a contravenção penal não prevê pena de prisão, apenas de multa. E se o acusado não será preso caso condenado, não há como mantê-lo preso antes disso. Aqui se enquadra também o assédio verbal contra a mulher em local público e até tirar fotos por debaixo da saia sem permissão.

“No trem lotado, homens que se aproveitam daquela confusão e acabam se valendo disso para se esfregar, para um toque de mão. Não é estupro. Mas está chegando a hora de o legislador revisar isso, precisa de uma adequação”, diz Pantaleão.

“Porque como o comportamento começa a ser reiterado, gerando um desassossego social, é hora de talvez tornar um crime, deixar de ser contravenção. Para intimidar esse comportamento”, avalia. “Existe um vazio a ser preenchido.”

Forçar uma mulher a fazer sexo

Caso típico de estupro, que é um crime hediondo e inafiançável. A pena vai de seis até 10 anos de reclusão.

Se a vítima for menor de 14 anos, não importa se houve consentimento ou não. A lei enxerga qualquer tipo de ato sexual com menores de 14 como estupro, com penas que vão de oito até 15 anos de reclusão. E se houver morte, pode chegar a 30 anos.

Atacar a mulher sexualmente, mas sem penetração

Também pode ser configurado o estupro, desde que seja um ato sexual, forçado e violento, como foi o segundo caso atribuído a Diego Novais na semana passada.

Agarrar e beijar à força

“Nessas micaretas, carnaval, aqueles rapazes que acham que têm direito de beijar quem ele quiser, ele pega à força e impede que a pessoa se desvencilhe, ele está se valendo da força física. E está fazendo isso com o intuito de praticar um ato libidinoso, que é o beijo. É estupro”, diz o criminalista. “O estupro não precisa da conjunção carnal.”

Prestador de serviço pedir telefone, dar cantada ou praticar abuso

Em outro caso ocorrido na semana passada, a escritora Clara Averbuck denunciou ter sido vítima de estupro de um motorista do Uber. “O mundo é um lugar horrível pra ser mulher”, afirmou Clara, de 38 anos, que mora em São Paulo. A empresa disse que o motorista foi banido.

Clara relatou ter bebido e que o motorista a tocou. “Se não houver nenhum tipo de violência ou não se aproveitar de uma situação de fragilidade, por exemplo, a mulher embriagada dentro do Uber, que seria estupro de vulnerável, se for passar uma cantada, por exemplo, vamos estar na figura da importunação”, diz Pantaleão.

O que diz a lei:

  • Estupro de vulnerável – Art. 217-A do Código Penal: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos.
  • § 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.

Chefe que se aproxima de maneira constrangedora

Usar o poder do cargo para forçar uma situação sexual é assédio sexual previsto no Código Penal. Podem ser palavras, escritos ou gestos. A pena é de detenção de um a dois anos.

“Existe um erro em dizer que toda cantada, todo abuso sofrido pela mulher é um assédio sexual. Na lei, para ser assédio, tem que ter uma relação entre o superior hierárquico e a subordinada”, afirma.

O que diz a lei:

  • Assédio sexual – Art. 216-A do Código Penal: Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.

 

Fonte: G1

29 ago
A empreendedora que transformou a frustração em um negócio com 350 funcionários

Escola de negócios e gestão

Nadia Boujarwah

Nadia Boujarwah tem experiência própria com uma das formas de discriminação mais subliminares e comuns: o estigma contra as pessoas acima do peso. Quando estava no último ano do ensino médio, precisou comprar um vestido para sua formatura. Ela simplesmente não conseguiu encontrar um que servisse. Mais tarde, como jovem profissional, ela sofria para encontrar roupas que considerasse estilosas.

Em 2014, Nadia resolveu fazer uma tentativa para resolver o problema e deu início a Dia&Co, um serviço de moda sob assinatura que desenha roupas de acordo com o estilo, o corpo e o orçamento dos clientes. Hoje, a empresa tem mais de 350 funcionários e arrecadou US$ 25 milhões em investimentos.

Mas nada é assim tão fácil. Além da ideia, Nadia precisou encontrar coragem para fugir das expectativas tradicionais de sua criação no Oriente Médio para traçar seu próprio caminho no empreendedorismo. Leia na entrevista a seguir:

No que você se considera uma vitoriosa?

Eu acho que a vitória na minha carreira aconteceu em diferentes níveis. O exemplo mais recente foi construir um negócio financiado por capital de risco – não apenas como uma fundadora mulher, mas a serviço de um consumidor que é também mais desfavorecido e frequentemente não compreendido.
Mas nós também tivemos nossa porção de falhas ao longo do processo de tirar o negócio do papel. Mas, em um nível pessoal, eu acho que a vitória começou um pouco mais cedo na minha vida. Eu cresci um pouco mais ambiciosa do que era considerado normal em uma sociedade conservadora do Oriente Médio, e o caminho para tornar-me CEO de uma empresa baseada nos Estados Unidos com centenas de funcionários certamente não foi óbvio. Mas tem sido uma jornada realmente incrível.

Se você pudesse voltar alguns anos, quando estava apenas iniciando profissionalmente, que conselho você daria a você mesma?

Eu diria a mim mesma para arriscar mais. Uma das grandes mudanças na minha carreira foi me afastar do caminho acadêmico e ir em direção a uma trilha mais empreendedora. Depois da faculdade, eu embalei minhas coisas e fui para Atlanta, para estudar no Instituto de Tecnologia da Georgia. Eu vim de uma família de imigrantes muito tradicional, em que o foco na educação era inevitável. Sou muito grata por isso, e parecia ser o caminho natural na época. Na realidade, porém, eu não queria ser uma acadêmica. Eu queria criar coisas.

Cerca de três semanas antes de as minhas aulas começarem, eu decidi mudar a rota completamente e comecei a trabalhar em um banco de investimentos. O fato de eu ter chegado tão perto de apertar o gatilho do que teria sido uma vida totalmente diferente é algo que me faz sempre refletir. Eu acho que é uma indicação de que eu ainda estava vivendo de acordo com regras que não eram importantes para mim, e que eu deveria ter me sentido mais confortável para assumir riscos.

Qual você consideraria a sua maior derrota profissional até então?

Eu acho que tive momentos de dúvida e de fracasso real no início do negócio. No primeiro ano, a empresa realmente não foi bem-sucedida. Nós não éramos capazes de convencer os investidores a nos apoiarem e as pessoas a participarem da equipe. Precisamos realmente cavar fundo para manter a esperança em algo que não mostrava muitos sinais de sucesso – mas sentíamos que o projeto era especial.
Eu sabia que, para quem olhava de fora, aquele ano parecia um período de desemprego, apesar de para mim parecer que eu estava construindo um negócio. Acabou valendo a pena, mas foi muito difícil e eu passei por momentos de muitas buscas e dúvidas. Porém, uma coisa sobre a qual nunca tivemos dúvidas, foi a importância da missão em que estávamos. As dúvidas diziam respeito a nossa capacidade de tirar o negócio do chão, porque para isso era preciso que outras pessoas acreditassem no que estávamos tentando fazer – mas, no fundo, era um negócio que nós acreditávamos que precisava ser construído. Este serviço é algo que eu sabia que teria sido transformador para mim quando era mais jovem, e isso era o suficiente para me fazer permanecer focada em trazê-lo para a vida de outras mulheres.

Se houvesse uma lição de vida que você gostaria de passar para os outros, qual seria?

Uma coisa que se provou muito valiosa para mim e na qual eu acredito que valha a pena gastar tempo no início da carreira é identificar uma espécie de estrela guia. Eu acredito que poucos caminhos sejam lineares, e a ideia de ter uma carreira bagunçada, em que se pula de um lado para o outro, é certamente real.

Eu acho que você pode dar a si mesmo muito mais flexibilidade e oportunidades de arriscar quando você tem um objetivo final em mente. Este objetivo final pode ser a pessoa que você gostaria de ser daqui a 20, 30 ou 40 anos, o impacto que você quer ter ou o que você quer ter conquistado ao fim de sua carreira. Quanto mais cedo você identificar o que importa de verdade e o que você gostaria de alcançar, mais fácil será tomar esse tipo de decisão. No meu caso, especificamente, me possibilitou tomar decisões que não fazem muito sentido para as outras pessoas, mas que estiveram sempre no caminho certo para o que eu quero alcançar.

Qual você diria que é o seu maior e mais audacioso objetivo profissional ou pessoal?

Minha missão pessoal é realmente sinônimo da missão da Dia&Co: inspirar amor próprio por meio do estilo. Nós estamos em um caminho que vai mudar o mundo – e isso se relaciona a uma imagem saudável do próprio corpo, ao poder e à confiança que podem vir de uma expressão própria irrestrita, e do que isso pode fazer na maneira como abordamos nossas carreiras, relacionamentos e nós mesmas. Isso é o que guia o nosso negócio e no que eu gasto meu tempo todos os dias.

Fonte: Forbes Brasil

 

29 ago
Como a Internet das Coisas pode ajudar a salvar vidas

Escola de tecnologia aplicada

O setor da saúde destaca-se por sua vocação pelo uso de novas soluções tecnológicas. Embora o cenário ainda não seja perfeito, há uma grande receptividade para novidades como Internet das Coisas (IoT) que vem tendo sua aplicação ampliada. Responsável por conectar à internet dispositivos eletrônicos, equipamentos médicos e sistemas, tanto aqueles diretamente envolvidos no cuidado ao paciente,  como na gestão das instituições de saúde, a IoT tem um potencial de utilização gigantesco. Dados do Boston Technology Corporation (BTC) mostram que as aplicações desta revolucionária tecnologia no setor da saúde devem crescer $ 117 bilhões até 2020.

Os usuários por sua vez, parecem estar mais abertos à Internet das Coisas O que até pouco tempo atrás era visto como um bicho de sete cabeças, com o surgimento da mobilidade e das redes sociais passou a ter maior aceitação. Com a modernização das tecnologias e as interfaces mais amigáveis e recursos como touch screen, as pessoas passaram a transferir sua experiência do pessoal para o profissional. Isso tudo abriu espaço para o desenvolvimento de outras tecnologias, como de equipamentos médicos.

Além disso, segundo a consultoria Grand View Research, o mercado global de saúde investiu em 2014 US$ 58,9 bilhões em dispositivos, software e serviços de IoT. E esse montante deve atingir US$ 410 bilhões até em 2022. E não é de hoje que a indústria investe no desenvolvimento de componentes eletrônicos, software, sensores de conectividade, alarmes, avançados sistemas de controle, entre outros facilitadores, que são cada vez mais incorporados em equipamentos médicos e laboratoriais das mais diversas naturezas.

Na indústria de equipamentos médicos Fanem, por exemplo, começamos monitorando a temperatura de nossas câmaras de conservação imunobiológicos e hematológicos e substituindo os controles em papel por relatórios eletrônicos. Aos poucos evoluímos, incluindo outros parâmetros, capazes de controlar tudo à distância, através da nuvem. E hoje, as câmaras fabricadas em nosso parque industrial, 100% nacional, dispõem de conexões WiFi, Ethernet e Bluetooth e monitoram indicadores, inclusive  por dispositivos móveis. Assim é possível saber como estão as temperaturas no interior das câmaras, quantas vezes foram abertas as portas, as condições do sistema elétrico e do consumo de energia, entre outros.

Partindo daí, a capacidade de monitorar e de analisar os dados vindos dos equipamentos deverá se estender para outras áreas. Desde equipamentos simples como um banho-maria até os mais avançados de suporte a vida. O padrão HL7, que se refere a um conjunto de normas internacionais para a representação e a transferência de dados clínicos e administrativos entre sistemas de informação em saúde, já está sendo inserido em diversos equipamentos. Esse protocolo aplicado em uma incubadora para tratamento de recém-nascidos, de maneira análoga, permite que o equipamento comunique-se com o prontuário eletrônico do paciente (PEP) e, com isso, informações sobre os parâmetros do bebê, quadro clínico e terapia possam ser cruzadas.

Estes dados, separadamente, parecem não fazer sentido, mas podem ser utilizados pelos fabricantes visando aprimorar equipamentos; pelos usuários para aplicar melhores cuidados; e até pela instituição de saúde, como uma ferramenta importante para melhorar a administração de recursos e fazer a gestão técnica e financeira de todo o processo.  Nada pode ser ignorado, pois em conjunto, tornam-se informações valiosas que permitem em um contexto mais amplo inclusive saber como anda a saúde de uma população. E é exatamente esse tipo de aplicação que vai aumentar ainda mais a relevância da IoT.

Por outro lado, por mais que a indústria médica aposte em tecnologia de ponta para o desenvolvimento de novos produtos, o fato dos processos de certificação serem muito custosos e longos, aumenta a cautela, e às vezes até inviabiliza a adoção de algumas tecnologias, especialmente em equipamentos de suporte a vida.  Por isso, a evolução muitas vezes parece ser lenta e menos visível.

No entanto, sem dúvida nenhuma a IoT cumpre seu papel e ajuda a equilibrar custos com qualidade e eficácia de atendimento, proporcionando uma visão geral do cenário e contribuindo para uma mudança na saúde como um todo. Quanto menores forem as barreiras para a indústria, e mais tecnologias estiverem conectadas, com maior número de equipamentos capazes de conversar entre si, maiores serão as chances de avançarmos na qualidade dos cuidados com a saúde.

Fonte: Artigo escrito por Rodrigo Moreni, chefe do departamento de projetos do laboratório da Fanem. Publicado originalmente no site CIO.com.br.

29 ago
5 habilidades para as profissões do futuro

Escola de tecnologia aplicada

Programação, capacidade de racionar de forma mais rápida e habilidade para conseguir trabalhar de formas flexíveis são algumas das habilidades apontadas pela consultoria de recrutamento Michael Page como essenciais para a próxima geração de profissionais. Com base nas novas demandas que têm surgido nas empresas e no mercado de trabalho, os especialistas da consultoria apontaram quais capacidades farão diferença daqui para frente. Nem todas exigem afinco em cursos tradicionais ou aprofundamentos técnicos. São fundamentalmente ligadas à gestão, visão e liderança. Confira a seguir:

 

  1. Estudo e domínio de programação 

Programar virou tão ou mais importante do que saber inglês. Ao menos é assim que a consultoria define a importância de dominar programação para os profissionais do futuro. Segundo Ricardo Basaglia, diretor executivo da Michael Page. Com a automatização dos novos processos, as empresas precisarão de pessoas que dominem linguagens diferentes de programação – o tal “saber escrever código (code)”. “A demanda por profissionais com essa habilidade deve ser maior do que a de uma pessoa que domine um segundo idioma”, diz Basaglia.

 

  1. Adaptação a novos regimes de trabalho 

A consultoria prevê que a dificuldade em conseguir uma vaga no mercado formal de trabalho aumentará nos próximos anos. “Será crescente o volume de pessoas dispostas a atuar como terceiros, temporários, freelancers ou em startups e fintechs”, afirma Ricardo Basaglia. Diante desse cenário, os profissionais precisarão se adaptar a regimes alternativos de trabalho, que fogem do modelo presencial, das 9h às 18h. “Essa nova organização do trabalho já está em curso e terá mais espaço e vagas para aqueles que se dispuserem a atuar em modelos de trabalho alternativos ao convencional”, diz o executivo.

 

  1. Visões e competências para a terceira idade 

As novas profissões do futuro não incluem apenas aprendizado sobre tecnologias, programação ou serviços digitais. Com o envelhecimento da população e aumento da expectativa de vida haverá novas perspectivas profissionais para quem olhar a terceira idade, segundo a Michael Page. Profissões como cuidador e habilidades para desenvolver produtos e serviços destinados a esse público terão grande demanda.

 

  1. Inteligência computacional

Raciocínio rápido e capacidade de resolver problemas complexos no curto prazo serão habilidades cada vez mais cobradas pelas empresas, segundo Ricardo Basaglia. É conseguir, por exemplo, receber uma enorme quantidade de dados e informações e gerenciá-las de forma eficiente na resolução de problemas e desafios. “Essa geração terá de agir com muita rapidez e eficiência. Serão cobrados por isso. Terão de reagir com muita agilidade para superarem desafios mais complexos”, diz o executivo da Michael Page.

 

  1. Habilidade prática

Uma das buscas atuais das empresas, segundo a consultoria Michael Page, é a busca por funcionários que trabalhem de forma prática no dia a dia. Não apenas em termos de governança, mas de gestão e tomada de decisão. “As empresas procurarão funcionários orientados à resolução de problemas complexos, com raciocínio crítico, flexibilidade cognitiva e que saibam administrar pessoas. Quem tiver essas habilidades associadas a um bom perfil técnico e comportamental será bem assediado no mercado”, diz Ricardo Basaglia.

 

Fonte: Época Negócios

 

29 ago
Pessoas criativas enxergam (literalmente) o mundo de uma forma diferente

iCEV

Pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, identificaram como pessoas criativas enxergam (literalmente) o mundo de forma diferente. Segundo eles, a criatividade está associada à supressão de um fenômeno conhecido como rivalidade binocular e à habilidade de manter-se alerta aos arredores mesmo quando o olhar está focado em algum ponto específico.

O estudo, publicado no periódico Journal of Research in Personality, partiu da ideia de que pessoas criativas conseguem ver o mundo além das aparências, identificando novas possibilidades em todos os lugares e situações. Os psicólogos Luke Smillie, Anna Antinori e Olivia Carter resolveram verificar como isso poderia afetar um fenômeno cognitivo conhecido como rivalidade binocular.

Quando somos colocados para ver uma imagem diferente em cada olho de forma simultânea — como por exemplo, listras vermelhas no olho esquerdo e listras verdes no direito — geralmente nosso cérebro foca em uma das gravuras por vez. Ou seja, primeiro enxergamos o padrão vermelho, depois o verde. Essa percepção sensorial é conhecida como rivalidade binocular.

Em dado momento, porém, as pessoas tendem a enxergar a imagem sobreposta, quando ocorre uma “supressão da rivalidade”. No exemplo dado acima, ela enxergaria um xadrez vermelho e verde, em vez de cada padronagem em separado. Os indivíduos mais criativos conseguem observar esse efeito por um período maior do que o restante.

Outro fenômeno que serviu como referência para os pesquisadores é o da cegueira não intencional. Ele foi observado em um estudo de 1999, a partir de um simples experimento. Os participantes eram solicitados a assistir a uma cena de pessoas jogando basquete e a contarem quantas vezes o time vestido de branco passava a bola entre si.

Se você não enxergou o gorila passando pela cena, você está entre os 50% dos 192 participantes que também não foram capazes de vê-lo. Em uma análise mais recente do estudo, pesquisadores notaram que a capacidade de enxergar a anomalia na cena está associada à criatividade. Ou seja, pessoas criativas veêm literalmente aquilo que outras pessoas não conseguem.

Os autores do artigo alertam, porém, que a criatividade é uma habilidade que pode ser treinada e desenvolvida. Eles explicam como, por exemplo, um estudo já provou como ir estudar no exterior aumenta a habilidade criativa.

Além disso, pesquisas já mostraram que quanto mais criativo um indivíduo é, maior a probabilidade dele desenvolver doenças mentais. A principal conclusão, porém, é de que não há apenas uma maneira de enxergar e entender o mundo. Ainda bem.

Fonte: Revista Galileu

29 ago
6 rituais matinais para manter-se produtivo o dia todo

iCEV

Seja por ser dono do próprio negócio ou por concentrar o foco no desenvolvimento da carreira, é fácil trabalhar dia e noite e acabar encontrando-se em um estado de constante exaustão. Nesta situação, torna-se difícil levantar da cama de manhã, e apertar o modo “soneca” repetidamente antes de sair correndo pela porta para começar um dia de 12 horas parece quase inevitável. No entanto, alguns ajustes na rotina permitem sair da cama pontualmente e ainda sentir-se energizado e produtivo.

O poder de começar cedo não é novidade: Tim Ferriss, Oprah e Tim Cook, por exemplo, iniciam seus dias antes do amanhecer. Alguns rituais matinais permitem aproveitar ao máximo essas importantes horas antes de começar, efetivamente, a trabalhar.

Programe seu despertador com precisão

Há algo psicológico em ter uma hora exata para acordar – é como se dissesse ao seu cérebro para prestar atenção. Não faça concessões: programe o alarme todos os dias para a mesma hora e uma rotina específica será enraizada em sua mente, forçando-o para fora da cama a tempo.

Anote uma intenção diária

Estabeleça sua intenção para o dia. Anotar os seus objetivos faz com que seja significativamente mais provável que você os alcance, e o que é registrado é cumprido. Sem isso, pode ser difícil manter o foco. Use uma agenda ou o bloco de notas do celular e registre um objetivo (só um!) para alcançar nas próximas 24 horas. Essas intenções devem ser sempre simples e realistas.

Dedique uma hora a você

Esta é, sem dúvida, a parte mais importante do ritual matinal. Encontre uma hora antes do trabalho para dedicar a você. Utilize-a para aperfeiçoar um idioma, fazer um pouco de exercício físico ou ler. A única coisa que você nunca pode fazer durante esse tempo é checar seu email. Abrir a caixa de entrada tão cedo permite que outras pessoas ditem as suas prioridades, tornando-o reativo em vez de proativo.

Descubra como alimentar-se adequadamente

Muita coisa pode acontecer entre 9h e 17h para estragar uma dieta saudável. Porém, escolher conscientemente a primeira refeição do dia (quando a força de vontade está em seu pico) torna mais fácil manter bons hábitos. Uma rotina saudável proporciona uma mente saudável e focada, e você não pode ser um líder confiante e enérgico se você não estiver abastecendo seu corpo da maneira certa.

Use o tempo de seu percurso eficientemente

Até mesmo um percurso de 20 minutos pode ser utilizado para trabalhar. Com a tecnologia de bluetooth dos carros, é possível programar entrevistas e conferências telefônicas para quando estiver dirigindo e disponível, e então ser produtivo em sua rota. Checar algumas coisas enquanto está em trânsito significa economizar um pouco do tempo no escritório. Também resulta em mais pensamento criativo, porque se está em movimento e em uma situação diferente.

Tenha uma boa noite de sono

O verdadeiro segredo para uma manhã produtiva, no entanto, é a noite anterior. Uma ideia para dormir com a mente tranquila é, antes de ir para a cama, listar 10 coisas pelas quais se é grato. Especialmente quando tiver tido um dia ruim ou alguma coisa der errado, é um lembrete poderoso do progresso que foi feito com a família, a saúde e os negócios. Terminar o dia com lembranças positivas significa que, quando o despertador tocar, você estará pronto para começar uma nova etapa com o pé direito.

Tenha uma boa noite de sono

O verdadeiro segredo para uma manhã produtiva, no entanto, é a noite anterior. Uma ideia para dormir com a mente tranquila é, antes de ir para a cama, listar 10 coisas pelas quais se é grato. Especialmente quando tiver tido um dia ruim ou alguma coisa der errado, é um lembrete poderoso do progresso que foi feito com a família, a saúde e os negócios. Terminar o dia com lembranças positivas significa que, quando o despertador tocar, você estará pronto para começar uma nova etapa com o pé direito.

Fontes: Forbes Brasil

29 ago
5 métodos para você cumprir sua lista de tarefas diariamente

iCEV

Criar listas de tarefas diariamente é um método de organização que muitas pessoas utilizam. Porém, ao fim do dia, se metade do que foi proposto você não conseguiu realizar, o resultado pode ser um grande sentimento de frustração. Foi pensando nisso, que o site Fast Company compartilhou algumas dicas que vai ajudar a fazer listas mais inteligentes e possíveis de serem cumpridas, confira abaixo.

  1. Limite 6 coisas por dia

Este método é chamado de “Ivy Lee”, criado no século passado, a ideia é limitar a quantidade de tarefas diárias a um número. Isso fará com que você tenha que pensar sobre o que é realmente importante, deixando de lado quaisquer decisões menos urgentes ou que requerem menos atenção naquele dia.

  1. Divida por seções

Algumas tarefas são fáceis de fazer uma após a outra, enquanto há aquelas que exigem uma mudança completa de foco. Se, por exemplo, você parar para fazer um telefona quando está concentrada em um projeto, o tempo que perderá para retornar ao trabalho anterior será muito maior. Isso tem a ver com o funcionamento do nosso cérebro, por isso tente listar tarefas similares em uma ordem lógica.

  1. Separe tempo para realizar tarefas

Quem tem mais liberdade em seus horários (é o caso de quem trabalha em casa) pode tentar um método onde as tarefas são divididas por blocos de tempo. Essa ideia é muito recomendada, por exemplo, para estudantes que vão prestar vestibular e precisam estudar muitas coisas diferentes em um dia.

Assim, é preciso planejar para que em intervalos de tempo específicos você cumpra determinada tarefa. A ideia é ter hora para começar e terminar cada uma. Além, é claro de um intervalo para respiro e pequena distração -, que também é importante. Mas é preciso bastante disciplina e ordem.

  1. Mais uma vez, saiba o que é importante

Correndo o risco de ser repetitivo, mas é importante frisar: saiba quais são as coisas mais urgentes a serem realizadas. Assim, se você é o tipo de pessoa que precisa anotar tudo o que precisa fazer (independentemente da importância ou urgência), ao menos, não ficará frustado pois poderá priorizar e fazer o que é necessário naquele momento.

O treinador de negócios e autor Brian Tracy ensina a classificar cada item com A, B, C, D e E, inserindo as consequências de não realizar cada uma. Nas tarefas “A” entram aquelas imprescindíveis, ou seja, se não forem realizadas haverá “sérias consequências”. As tarefas “B” e “C” são itens que devemos fazer, mas se não fizermos a consequência será menor ou talvez nem haverá consequência alguma. Por fim, as “D” são tarefas que podemos delegar e “E” são tarefas que não são necessárias e, portanto, podem ser eliminadas da lista.

  1. Inclua itens que você sente vontade de fazer

Nem tudo são flores, é verdade. E há muitas tarefas chatas, mas que precisam ser feitas. Ainda assim, lembre-se de anotar coisas que também te dão prazer. Você ficará mais motivado se dentre as tarefas houver coisas que te empolgam verdadeiramente. “Se você se confrontar a cada dia com lembretes de apenas as partes menos agradáveis do seu trabalho, provavelmente acabará com sua motivação para ir trabalhar”, afirmou o psicólogo Art Markman ao site Fast Company. Ou seja, um café ou almoço com amigos, aprender novas habilidades e cursos, ou qualquer outra coisa que te dê prazer, deve entrar na lista sempre que possível.

Fonte: CicloVivo

29 ago
5 “truques” para desenvolver sua inteligência emocional

iCEV

A inteligência emocional, caracterizada pela aptidão em identificar emoções em si mesmo e nos outros e saber como reagir em situações adversas, é uma habilidade muito importante para empreendedores.

Sem ela, é mais difícil reagir adequadamente a uma crise e pode acontecer de um funcionário, cliente ou fornecedor se magoar com algo que foi dito em um momento de estresse.

A “Inc”, por meio de uma analogia com um equipamento de som, em que cada comando do aparelho diz respeito a uma dica, listou “truques” para aprimorar sua inteligência emocional. Confira:

  1. Pause
    Esta dica é clássica, mas eficaz. Pense antes de falar ou agir. Aperte o botão “pause” da sua mente e respire fundo antes de fazer alguma coisa. Naturalmente, essa pausa não é tão simples. No entanto, com prática, a tendência é que o autocontrole aumente.
  2. Ajuste o volume
    Em uma discussão em casa ou no trabalho, é bastante comum que uma das partes eleve o tom e seja ofensivo. Antes que isso aconteça, acalme os ânimos. Fale em um tom mais baixo e torne a conversa um papo mais tranquilo novamente.
  3. Sintonize a frequência certa
    Às vezes, conversamos com pessoas que não estão realmente prestando atenção no que falamos. Mas vale dizer que é bem possível que você já tenha feito a mesma coisa com alguém. Esse tipo de comportamento não é dos mais louváveis.
  4. Fique mudo
    Mais uma vez, vale ressaltar a importância de pensar antes de agir. Ou melhor, antes de falar. É provável que, em determinadas situações, seja melhor ficar calado. Respire fundo e avalie se realmente vale a pena interceder em uma conversa ou discussão.
  5. Avance a fita mentalmente
    Em situações de estresse, tomar decisões abruptas é algo bastante comum. Pode ser que sua atitude vá de encontro a seus próprios valores e se transforme em um arrependimento. Por isso, antes de agir, “avance a fita”.

Pergunte-se como você se sentirá em relação à sua atitude no futuro. É melhor não tomar uma decisão permanente com base em uma emoção temporária.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

29 ago
Três trabalhos científicos que podem mudar o mundo

iCEV

Todos os anos as revistas científicas publicam centenas de artigos. O valor deles varia entre os que tempos depois serão desmascarados como completas falsidades até aqueles que mudarão o mundo, como os quatro artigos com os quais Albert Einstein revolucionou a física em 1905, ou as duas páginas na Nature em que James Watson e Francis Crick fizeram o mesmo com a biologia. Para ajudar a escolher melhor o que ler entre tanto material, a editora Springer Nature, gigante das publicações científicas, quer propor uma seleção dos trabalhos publicados em suas revistas de modo a destacar os que têm maior potencial de transformar nosso mundo. A multinacional, que tem quase 13.000 funcionários e um faturamento equivalente a 5,2 bilhões de reais por ano, criou uma iniciativa chamada Change the World, One Article at a Time (“Mude o mundo, um artigo por vez”), com a qual seleciona os 180 trabalhos de todas as disciplinas científicas que, consideram, terão mais impacto social. Aqui fazemos referência apenas a três deles, mas na seleção, que terá livre acesso até agosto deste ano, podem ser encontrados alguns dos últimos achados em tecnologia energética, ciências sociais e investigação biomédica, entre outros campos.

1. Como nossos hábitos afetam nossos filhos e netos

Recentemente, esta ideia seria considerada uma heresia científica. O genoma se transmitia aos filhos sem refletir a vida que o pai havia levado. A fusão entre o espermatozoide e o óvulo era como um reset no qual se criava um novo indivíduo, com uma informação que refletia o acervo do pai e da mãe, mas não as mudanças acumuladas ao longo de suas vidas.

Em um artigo publicado na Nature Reviews Endocrinology, Romain Barrès e Juleen R. Zierath, pesquisadores da Universidade de Copenhague (Dinamarca), oferecem uma visão do que se sabe sobre a influência dos hábitos paternos na saúde das gerações posteriores, em especial no que se refere à diabetes tipo 2. Essa doença, que se caracteriza por altos níveis de açúcar no sangue e resistência à insulina, está crescendo na esteira da epidemia global de obesidade.

Segundo os autores, foram identificadas 100 variantes genéticas que explicam 10% da predisposição a essa doença. O resto do caráter hereditário da diabetes poderia ser explicado pela epigenética, ou seja, as modificações produzidas pelo ambiente na atividade dos genes. Observou-se, por exemplo, que uma má nutrição infantil (ou mesmo no estágio intrauterino) está associada a doenças do coração e do metabolismo muitos anos depois. Imagina-se que, quando um feto ou uma criança se vê privado de alimento nas etapas iniciais do seu desenvolvimento, o organismo se reprograma para enfrentar uma vida de fome. Se mais adiante essa pessoa tiver um acesso abundante à comida, estará mais propensa à obesidade e a doenças como a diabetes.

Estudos epidemiológicos realizados com pessoas que passam fome durante guerras permitiram observar que essas mudanças no metabolismo podem ser transmitidas aos filhos e inclusive aos netos. Em experimentos com animais, viu-se que pais que consumiam muita gordura podiam desenvolver resistência à insulina em várias gerações posteriores.

O artigo também fala dos benefícios que o exercício pode propiciar à prole. Em estudos com ratos, observou-se que se os pais fizerem exercício os filhotes machos pesam menos e têm menos gordura, enquanto as fêmeas desenvolvem mais músculos e toleram melhor a glicose.

Os autores apontam que, apesar de terem sido observados efeitos como os mencionados, sabe-se pouco sobre os mecanismos que os produzem, e por isso eles ressaltam a importância de compreendê-los melhor para poder desenhar tratamentos e políticas públicas de saúde. Para recordar a complexidade desses mecanismos, eles lembram um artigo no qual se mostra que o exercício dos pais pode ser prejudicial para os filhos. O trabalho, realizado com ratos e assinado por pesquisadores da Universidade do Leste da Carolina (EUA), mostrava que quando os pais se exercitavam de forma regular durante muito tempo as crias ficavam programadas para uma vida de pouco gasto energético. Isso fazia com que os ratos fossem mais propensos à obesidade.

2. O problema do excesso de higiene

As melhoras na higiene produziram muitos benefícios para a saúde, mas é possível que também tenham tido alguns efeitos secundários. Isto é o que tenta explicar outro dos artigos selecionados pela Springer Nature. Em um trabalho liderado por Christopher Lowry, da Universidade do Colorado em Boulder, conta-se como a falta de exposição a alguns micróbios com os quais convivemos há milênios pode ter nos deixado com um sistema imunológico “destreinado”.

No sistema de defesa do organismo contra os agentes patogênicos, a inflamação é fundamental. Entretanto, esse mecanismo também pode produzir doenças. Sabe-se que a inflamação pode causar problemas psiquiátricos, como a depressão, algo observado por exemplo em pessoas que receberam injeções de interferon-alfa, um tratamento para doenças como a hepatite B e alguns tipos de câncer. As proteínas que compõem esse medicamento produzem um efeito inflamatório, e isto por sua vez faz com que alguns pacientes se deprimam.

A prevalência de doenças causadas pela inflamação indesejada, como é o caso das alergias e da asma, cresceu nos últimos anos. Entretanto, ainda não se conhecem bem os mecanismos que provocam esses efeitos. Uma das hipóteses propostas para explicar esse fenômeno é a dos velhos amigos. Esta epidemia se deveria, em parte, a uma menor exposição a micro-organismos com os quais convivemos e que treinam os circuitos que regulam o sistema imunológico e suprimem a inflamação inapropriada. A falta de contato com nossos velhos amigos tornaria os habitantes do mundo moderno mais vulneráveis a problemas do desenvolvimento neurológico, como o autismo e a esquizofrenia, ou a questões relacionadas com o estresse e a ansiedade.

Além de propor um estudo mais aprofundado da relação entre os micro-organismos com os quais convivemos e as falhas no sistema imunológico, os pesquisadores sugerem a possibilidade de tratar estas enfermidades com probióticos. Neste sentido, recordam que já são usados saprófitos (um tipo de micróbio que se alimenta de material em decomposição) como imunoterapia em um teste clínico com doentes de câncer. Embora não sirva para prolongar a vida dos pacientes, a exposição a esses organismos melhorou sua capacidade cognitiva e sua saúde emocional.

3. Mais drogas, menos crimes

Nova York é um exemplo da redução mundial da criminalidade das últimas décadas. Entretanto, como dizem três pesquisadores da Universidade da Cidade de Nova York em outro dos artigos selecionados, não existe uma explicação satisfatória. O trabalho publicado na revista Dialectical Anthropology aponta que uma maior oferta de drogas ilegais e uma menor demanda pode estar por trás do fenômeno.

Nos EUA, 17% dos detentos estão cumprindo pena por crimes cometidos para conseguir dinheiro para drogas. O aumento da oferta e a redução da demanda estariam por trás de uma queda no preço dos entorpecentes e isso, por sua vez, reduziria a necessidade de cometer crimes para ter acesso a eles.

Entre os possíveis motivos para a diminuição da criminalidade em Nova York (e no resto do mundo, embora de uma forma menos evidente) encontra-se a ação policial, a legalização do aborto e até uma menor exposição ao chumbo. No entanto, foi difícil demonstrar uma relação de causalidade. No artigo, os autores apontam que, apesar da queda do preço da cocaína e da heroína entre 1981 e 2007, não se estudou em detalhe a relação entre isso e a diminuição dos crimes violentos e contra a propriedade que se observou no mesmo período.

Utilizando análises etnográficas e econômicas, consideram que sua hipótese é possível e que poderia ter efeitos sobre as políticas antidrogas. Segundo eles, apesar de o aumento das prisões e do número de policiais ser normalmente associado à redução da delinquência, também existem análises que mostram que essas políticas podem produzir efeitos contrários.

Na opinião dos pesquisadores, ao provocar uma queda na oferta e o consequente incremento nos preços dos entorpecentes, o combate às drogas poderia ser contraproducente porque voltaria a fazer crescer o número de crimes. Estudos posteriores para confirmar essa hipótese poderiam ajudar a elaborar políticas mais apropriadas para reduzir a criminalidade.

Fonte: El País

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