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08 jul
Como manter (e ampliar) seu networking na quarentena?

Procurar emprego pode ser uma jornada longa, extenuante e cheia de reviravoltas. Que tal uma bússola?

O isolamento forçado pela pandemia criou um paradoxo aparentemente insolúvel: estamos mais distantes, mas precisamos uns dos outros como nunca. Uma pesquisa da consultoria Robert Half mostrou que 41% dos profissionais brasileiros qualificados — e atualmente empregados — têm buscado novas oportunidades de trabalho. Diante da escalada do desemprego, eles não estão errados: faz sentido ligar o radar e fortalecer nossas redes de contatos caso o pior aconteça.

Mas como investir em relacionamento se as interações humanas seguem tão dificultadas pela pandemia? A quarentena não terminará por extinguir a chance de criar novos vínculos ou aprofundar contatos já iniciados com outros profissionais?

Para Maurício Cardoso, cofundador do Clube do Networking, o cenário não é tão desanimador quando parece. “Na verdade não estamos vivendo um ‘isolamento social’ e sim um ‘distanciamento físico’, o que significa que continuamos a nos relacionar socialmente”, diz ele. As interações podem e devem seguir muito ativas; o que mudou foi o espaço e o formato em que elas se dão.

“Enviar um e-mail, uma mensagem ou comentar uma postagem de um amigo é um ato muito simples que pode ajudar a manter o contato social”, explica Maurício. “A questão é saber usar a tecnologia para criar confiança”.

Como compensar a falta de “olho no olho”?

A habilidade de se comunicar de forma consistente, clara e empática pela internet será uma competência essencial para sobreviver ao novo normal. “Sempre atribuímos a afetividade das nossas relações ao olho no olho, ao sorriso, ao abraço, mas em um momento em que nada disso é possível, tudo se ressignifica”, explica Laís Ribeiro, sócia do LIDE Futuro. “Precisamos ter consciência de que os tempos mudaram e que precisaremos de atitudes diferentes para criar laço com o outro”.

A quarentena é um período em que as pessoas estão dentro de suas casas e sem realizar deslocamentos, o que garante um pouco mais de disponibilidade nas suas agendas. Saber aproveitar essa oportunidade é essencial para ter conversas mais frequentes ou até mais longas. “No ambiente doméstico, as pessoas também mais próximas da sua intimidade, distantes da formalidade dos trajes e escritórios, o que proporciona uma ótima equação para acionar e construir conexões”, diz Laís.

Na falta do “olho no olho”, é importante prestar atenção à sua postura nas conversas por vídeo. A dica de Vitor Silverio, gerente de recrutamento da Robert Half, é olhar diretamente para a câmera, para evitar o desagradável efeito de “olhar desviado”, tão comum em videoconferências.

Também é importante compensar a falta da presença física com uma dose extra de foco e atenção ao outro. O ideal é manter desligadas as notificações para evitar distrações, interrupções. “A empatia, a escuta e a capacidade de entender a visão do outro serão cada vez mais importantes para gerar confiança”, explica Vitor.

Outro desafio é lidar com o conhecido cansaço gerado pelas videoconferências. Segundo Laís, o segredo é descontrair ao máximo. “Não convide o contato para uma reunião, proponha sempre um café ou um happy hour virtual”, explica. “E não se preocupe com a formalidade, fique à vontade abrir sua câmera em um lugar em que você fica confortável”.

Também é importante lembrar que todos estão em seu ambiente doméstico e que o vídeo pode ser invadido por interrupções dos filhos ou algum barulho na rua — e está tudo bem. Na verdade esses elementos até ajudam a humanizar a conversa.

Investir em temas leves também ajuda a minimizar a distância e tornar a conversa mais agradável. “Evite pautas duras ou tópicos chatos”, recomenda Laís. “Pergunte verdadeiramente como a pessoa está se sentindo, troque experiências desse período de quarentena, compartilhe seu otimismo, estabeleça gatilhos emocionais, porque é a partir desses lugares que as conexões acontecem”.

Regras “clássicas” não mudaram com a pandemia

Ainda que a crise tenha imposto desafios inéditos para o networking, os princípios que norteiam as boas relações profissionais continuam intactos. Ser interessante, e não interesseiro, é a regra de ouro para estabelecer relacionamentos duradouros em qualquer contexto.

Isso significa que enxergar as suas conexões como pessoas reais, e não como peças em um jogo de xadrez, continua sendo a única forma de crescer de forma sustentável na carreira.

“É importante conhecer profissionais que podem ajudar você, mas sempre lembrando que você também tem que estar disponível”, explica Andrea Greco, fundadora da Conecte-se. “Networking não é algo em que só um dos lados sai beneficiado, é uma via de mão dupla”.

Isso significa que, com ou sem pandemia, é importante se colocar à disposição do outro sem esperar nada em troca. O que também significa se despir de preconceitos e lembrar que não há cargo, empresa ou área de atuação que determine o valor de uma pessoa.

Apostar em conteúdo relevante e útil sobre a sua área de atuação também continua valendo. “É importante usar as redes sociais para compartilhar pontos de vista e informações que agreguem algo para os seus contatos”, diz Andrea. “Fazer conteúdo é uma forma de criar pontes com outros profissionais que estão com dúvidas ou buscam conhecimentos sobre a sua área de atuação”.

Investir nas estratégias “clássicas” ajuda não só a preservar antigos contatos como também a inaugurar conexões com profissionais que você nunca chegou a conhecer no mundo pré-Covid.

A última regra de ouro que não mudou com a pandemia: quem não é visto não é lembrado. “O que muda é que agora precisamos nos expor ainda mais, afirma Maurício, do Clube do Networking. Segundo ele, é preciso marcar (ainda) mais presença nas redes sociais, participar de grupos e fóruns online e impulsionar a sua marca profissional na internet.

Alguns erros também permanecem “clássicos”…mas suas consequências podem piores

Os especialistas com que conversei foram unânimes na descrição dos erros mais comuns do networking: ligar só para pedir favor, entupir a caixa de e-mail alheia com “propagandas” suas, tentar vender o seu produto no primeiro contato, ligar em horários inadequados, ser egocêntrico, falar apenas de si e não se interessar pelo outro. Essas sempre foram e continuam sendo práticas a evitar.

O detalhe é que o distanciamento físico forçado pela pandemia e pode incrementar os efeitos nocivos desses deslizes para a sua imagem profissional. Isso porque a comunicação se tornou 100% digital — portanto, muito mais suscetível a desencontros frequentes e duradouros.

O maior risco está em tentar usar a internet para fazer uma “comunicação em massa”, diz Laís, da LIDE Futuro. “Não há nada mais falho que as comunicações ‘Ctrl+C, Ctrl+V’, que demonstram claramente a falta de interesse e cuidado na tentativa de construir esse contato”, diz ela. “Existem aquelas pessoas com que estamos começando a construir um relacionamento e do nada vamos parar na sua lista de transmissão do WhatsApp, uma enxurrada de informações então começa a ser enviada, em larga escala, sem saber se aquilo interessa a todos os destinatários”.

Em resumo: qualquer estratégia que trate as pessoas como massa será ineficaz na construção de relacionamento. “Um passo mal pensado e acelerado demais neste momento não só impede o avanço, mas fecha uma porta”, diz Laís. O pior erro é esquecer que, longe ou perto de você, há um ser humano do outro lado.

Fonte: LinkedIn

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