O ano de 2026 deve marcar um ponto de inflexão definitivo na relação entre inteligência artificial e mercado de trabalho. Após um ciclo intenso de experimentação com ferramentas de IA generativa – como chatbots, copilotos de código e sistemas de análise automatizada – empresas de diferentes setores entram em uma nova fase: a da aplicação prática em escala. Nesse cenário, a IA deixa de atuar apenas como suporte à decisão humana e passa a executar processos completos, com impacto direto sobre profissões baseadas em rotinas cognitivas padronizadas, fluxos digitais e tarefas repetitivas. Áreas como administração, atendimento ao cliente, finanças, indústria, saúde e pesquisa científica estão entre as primeiras a sentir os efeitos dessa transformação.
Segundo projeções da Gartner, os gastos globais com inteligência artificial devem ultrapassar US$ 2 trilhões em 2026, o que reflete a transição das empresas da fase de testes para a implementação em larga escala. Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em tecnologias emergentes, Kenneth Corrêa, esse movimento não é apenas tecnológico, mas estrutural. “A grande mudança de 2026 não é apenas tecnológica, é estrutural: saímos de um modelo onde a IA sugere para um onde ela executa”, afirma. Essa virada redefine não apenas cargos específicos, mas a própria lógica de funcionamento das organizações, que passam a operar com o apoio de uma nova força de trabalho digital baseada em Redes de Agentes Inteligentes.

A consolidação dessas redes inaugura o que pode ser chamado de era da autonomia operacional, na qual sistemas de IA são capazes de ler dados, tomar decisões, acionar outros sistemas e executar tarefas de ponta a ponta sem intervenção humana constante. Diferentemente dos copilotos atuais, que dependem de validação humana a cada etapa, os agentes autônomos operam de forma integrada, negociando orçamentos, resolvendo reclamações, otimizando cadeias produtivas e coordenando processos complexos em tempo real. Para o professor, essa mudança pressiona imediatamente profissões ligadas ao backoffice e ao atendimento de primeiro nível, transformando o papel do profissional humano.
“Os agentes não apenas rascunham uma resposta de e-mail. Eles leem a reclamação, acessam o sistema de logística, autorizam a troca dentro da política da empresa e agendam a coleta, tudo sem intervenção humana direta”, explica. Nesse contexto, o trabalhador deixa de ser um operador de tarefas para se tornar um gerente de exceções, responsável por supervisionar múltiplos agentes e intervir apenas quando há necessidade de julgamento humano, empatia ou criatividade.
Até recentemente, a IA era vista como uma ferramenta de apoio. Em 2026, essa lógica muda de forma definitiva. De acordo com Kenneth, a autonomia dos agentes transforma a IA em uma verdadeira força de trabalho digital, capaz de assumir fluxos completos de trabalho. “Essa autonomia pressiona imediatamente funções de backoffice e atendimento nível 1”, afirma.
O impacto é mais intenso em profissões baseadas em rotinas cognitivas previsíveis, especialmente nas áreas administrativa, financeira e de suporte ao cliente. Nessas funções, a IA deixa de ser um complemento e passa a operar como executora principal, reduzindo a necessidade de intervenção humana contínua.
Administração, atendimento e operações financeiras
As primeiras áreas a sentir os efeitos da autonomia operacional são baseadas em fluxos digitais padronizados. Funções administrativas, atendimento ao cliente de primeiro nível e operações financeiras básicas estão entre as mais impactadas. “O profissional dessas áreas deixará de ser um operador de tarefas para se tornar um gerente de exceções”, explica Kenneth. Na prática, isso significa menos tempo gasto com execução repetitiva e mais foco em supervisão, análise de casos complexos e tomada de decisão estratégica.
Auditoria, contabilidade e consultoria jurídica
Em setores como auditoria, contabilidade e consultoria jurídica, a adoção de agentes autônomos muda profundamente o modelo de negócios. Segundo Kenneth, o maior risco não é a substituição imediata do profissional, mas a obsolescência do modelo baseado em horas faturáveis.
“Tarefas que antes justificavam dezenas de horas de analistas juniores agora são executadas em minutos, com precisão superior”, afirma. Análises de risco conhecidas como due diligence, revisões contratuais em massa e cruzamento de balanços passam a ser realizados por agentes de IA, enquanto o valor do profissional humano se desloca para a interpretação estratégica e o julgamento ético.
Nesse novo cenário, o advogado ou auditor de 2026 não é pago para encontrar a cláusula de risco, mas para decidir o que fazer com essa informação dentro do contexto do negócio do cliente.
Indústria: robôs humanoides chegam ao chão de fábrica
Na indústria, a grande novidade é a transição da IA Física (Embodied AI) do campo experimental para a operação comercial. Robôs humanoides começam a ser inseridos de forma cirúrgica em gargalos produtivos, especialmente onde há escassez de mão de obra.
Publicado em Portal TechTudo
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