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05 jan
Nos anos 1990, Brasil teve um rival para o Windows feito no Paraná

O Brasil foi o berço de uma das distribuições de Linux mais relevantes fora do eixo Estados Unidos–Europa, o Conectiva Linux, criado em 1995 e que quase colocou o país na rota de uma alternativa local e aberta ao Windows, da Microsoft. Desenvolvido em Curitiba, no Paraná, o projeto teve papel central na difusão do software livre no Brasil e na América Latina, em um momento em que o acesso à informática ainda era limitado e fortemente dependente de soluções proprietárias.

Fundada em 28 de agosto de 1995, a Conectiva surgiu a partir de um grupo liderado por Arnaldo Carvalho de Melo, um dos principais desenvolvedores do kernel Linux no mundo. Um de seus primeiros marcos foi a tradução do Slackware, distribuição pioneira do sistema, para o português, reduzindo barreiras técnicas e linguísticas para usuários brasileiros.

Ao adaptar o Linux à realidade local, a Conectiva ofereceu suporte completo em português e ferramentas gráficas que simplificavam a instalação e a configuração do sistema. Em um cenário dominado pelo Windows, esses recursos tornaram a distribuição atraente para iniciantes, pequenas empresas e instituições de ensino, além de estimular a formação de comunidades técnicas em torno do código aberto.

O modelo de negócios da empresa ia além do sistema operacional. A Conectiva passou a oferecer consultoria, treinamentos, desenvolvimento de software e contratos de manutenção, criando um ecossistema profissional em torno do Linux. Na virada dos anos 2000, a distribuição ganhou espaço tanto entre usuários domésticos quanto no ambiente corporativo, apoiada pela combinação de usabilidade e estabilidade.

A venda para a Mandrake e o fim da marca

A trajetória do Conectiva começou a mudar em meados dos anos 2000. Em 2005, a empresa foi adquirida pela francesa Mandrake Linux por US$ 2,23 milhões, valor que equivalia a cerca de R$ 6 milhões na época. A operação deu origem à Mandriva S.A. e à distribuição Mandriva Linux, que incorporou tecnologias e equipes do projeto brasileiro.

Embora a fusão tenha ampliado o alcance internacional do software, ela também marcou o fim da marca Conectiva como distribuição independente. Com o avanço de concorrentes globais e mudanças no mercado de sistemas operacionais, a Mandriva perdeu relevância ao longo dos anos, e a versão brasileira acabou descontinuada.

Mesmo sem ter disputado diretamente o mercado com o Windows, o legado do Conectiva permanece. A iniciativa ajudou a formar profissionais, fortaleceu comunidades de software livre e contribuiu para a discussão sobre autonomia tecnológica no Brasil, influência que ainda se reflete em projetos de código aberto na região.

 

 

 

Publicado em Portal Exame

 

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