China e 4ª revolução industrial promovem globalização de forma paralela

China passa por transição econômica para depender menos de exportações e mais do consumo interno

5 de dezembro de 2017

A 4ª revolução industrial tende a reverter parte da exportação de empregos de economias avançadas para emergentes. Ao mesmo tempo, através da iniciativa “one belt, one road” –conhecida no Brasil como “nova rota da seda”– a China está propondo uma revitalização da fase prévia da globalização comercial.

Cadeias globais de valor sofrerão impacto da 4ª revolução industrial

Avanços tecnológicos e a eliminação de barreiras comerciais sustentaram décadas de expansão sustentada do comércio global. O declínio nos custos de transporte e de gestão de redes de produção complexas acelerou a fragmentação da manufatura dentro de cadeias globais de valor, nas quais massas de trabalhadores com salários mais baixos na Ásia e Europa Oriental foram combinadas com o uso de tecnologia administrada através das fronteiras. A China foi um caso especial em termos de velocidade e magnitude de transformação estrutural no curso desse processo.

Há sinais, no entanto, de que esse processo atingiu um pico. Na economia global, a elasticidade do comércio em relação ao PIB diminuiu mais do que indicariam os efeitos da crise financeira pós-2008. A fragmentação dos processos de produção parece ter exaurido seus limites dado o estado das artes das tecnologias de fabricação.

No futuro à frente, mudanças tecnológicas no âmbito da chamada 4ª revolução industrial –inteligência artificial, robotização etc.– apontam para economia de trabalho na produção. Adicionalmente, a evolução da demanda agregada em economias avançadas, com personalização de produtos, indica crescente relevância da proximidade a mercados em relação a custos de produção com trabalho.

O PIB nas economias avançadas também tem apresentado certa tendência a “desmaterialização“, com menos uso de materiais na provisão de bens e aumento relativo da demanda por serviços sofisticados. Como consequência, pode-se esperar, em comparação com o passado recente, menores vantagens de deslocamento de postos de trabalho para economias em desenvolvimento e uma demanda relativamente mais fraca por suas exportações típicas.

Reequilíbrio chinês com endividamento

A China está reequilibrando sua economia, em busca de menor dependência das exportações e maior peso para o consumo doméstico. Ao mesmo tempo, está consolidando o envolvimento em etapas de maior valor agregado em cadeias globais de valor. Caso a China venha a abrir mão de atividades de fabricação intensivas em mão-de-obra barata, oportunidades podem ser abertas para outros países com esta em abundância.

A transição da China tem ocorrido de um ponto de partida de baixos índices de consumo, baixos níveis de gastos sociais públicos e alta poupança doméstica. Não por acaso, o processo de reequilíbrio está ocorrendo lentamente, por receio de que as taxas de crescimento doméstico poderiam cair significativamente.

As preocupações com um colapso da economia global na sequência da crise financeira de 2008 foram respondidas por políticas anticíclicas. Na China, um “afrouxamento quantitativo” assumiu a forma de aumento do financiamento paralelo ao sistema bancário a despesas de capital em habitação e infraestrutura, com empresas estatais desempenhando papel proeminente. Um excesso de capacidade em vários setores e o recurso a altos níveis de endividamento resultaram do esforço de atingimento de metas oficiais de crescimento. Pequim já vem envidando esforços de inibir tal dinâmica de endividamento antes de tornar-se risco material para a economia doméstica.

Em 2013, o presidente chinês, Xi Jinping, anunciou o plano “one belt, one road”. Os investimentos na “nova rota da seda”, bem como a aquisição de ativos externos em todo o mundo, podem se tornar um meio para a China diversificar parcialmente suas grandes reservas cambiais em relação aos juros baixos pagos pelos títulos públicos em que estão majoritariamente alocadas.

A iniciativa abrirá novos mercados para as empresas chinesas e o vasto excesso de capacidade do país em cimento, aço e outros metais. Além das conexões feitas em toda a Ásia, África e Europa, Presidente Xi estendeu a oferta de inclusão a países da América Latina. A Parceria Econômica Abrangente Regional, proposta de acordo de livre comércio liderada pela China, também solidificaria as redes regionais.

Globalizações paralelas

Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, promoveu a adoção de ambiciosos acordos multilaterais – lidando com o comércio de serviços, investimentos e direitos de propriedade intelectual – como a Parceria Transpacífica (TPP em inglês) e a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento. Ao excluir China de ambos, os EUA pretendiam pressionar Pequim a adaptar o aparato regulatório chinês ao contido naqueles acordos, mais apropriados ao aprofundamento da globalização comercial em sua nova etapa. Apesar da refutação do TPP pelo presidente Donald Trump, os 11 países restantes envolvidos concordaram em novembro com os elementos centrais de um novo, porém ainda amplo acordo.

Enquanto isso, a “nova rota da seda” provavelmente estimulará uma nova onda de exportações e investimentos chineses. Redes de infraestrutura fortalecerão a integração comercial. Os pré-requisitos em termos de política e harmonização regulatória não seriam tão elevados quanto os incorporados na TPP.

Ambos os processos de globalização evoluirão em paralelo e poderão até reforçar-se mutuamente através do apoio geral ao crescimento global.

Fonte: Poder360

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